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Espiritualidade e Prosperidade

Publicado por: luxcuritiba em abril 19, 2008

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Talvez você já tenha se perguntado por que muitas pessoas “não espiritualizadas” prosperam e vivem felizes, em abundância e conforto, enquanto que muitas pessoas ditas “espiritualizadas” vivem a trancos e barrancos, senão com falta ao menos não com abundância de recursos materiais. Por que isso acontece? Será que a espiritualidade está fadada a ser sinônimo de penúria e desconforto?

Pessoas não espiritualizadas buscam conforto e prazer e quando as encontram não se sentem culpadas por isso, pelo contrário, para elas essas dádivas não são uma benção do céu mas algo de que elas têm direito legítimo e, até mesmo, que a natureza a sua volta tem obrigação de lhes dar. Dessa forma elas não se sentem, de forma alguma, constrangidas em buscar mais e assim vivem uma vida repleta de conforto, alegrias, abundância e prosperidade.

Já as pessoas espiritualizadas, quando encontram conforto e satisfação as encaram como uma dádiva divina, algo que foi recebido de presente, enviado por Deus, ou pelos deuses, com ou sem mérito, uma benção dos céus. Assim, como receberam de presente, sentem-se constrangidas em pedir ou buscar mais além do que lhes foi dado e dessa forma vivem uma vida de mais-ou-menos. Talvez não cheguem aos píncaros da miséria mas andam sempre pelo limite, tendo apenas o suficiente para viver – ou sobreviver – de forma razoável.

A diferença então parece estar basicamente na postura que se tem com relação as posses materiais. Para os não espiritualizados a posses materiais são simples fato e como tal estão passíveis de serem aumentadas, canalizadas, administradas, gerando assim abundância e prosperidade duradouras. Para o espiritualizado elas representam uma benção divina e como tal dependem de autorização superior para serem administradas, ficando seu possuir, virtualmente, de mãos amarradas quanto ao trato das coisas materiais.

O camelo na agulha e o rico no céu

Mateus cap. 19 versículos 16-24 narra a estória de um jovem, possuidor de grande fortuna, que pergunta a Jesus o que lhe falta para entrar no reino de Deus. Depois de verificar que ele tem seguido os mandamentos (não roubaras, não matarás, etc.), ou seja, tem sido um bom cidadão e um bom religioso, diz-lhe só faltar uma coisa, livrar-se de tudo o que tem para juntar-se a ele, Jesus. Neste momento o tal jovem retira-se triste pois não queria abandonar sua riqueza. E Jesus finaliza com o clássico: “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus.”

Cabe lembrar que camelo aqui não se trata de animal, obviamente, mas de uma corda, muito grossa, usada antigamente para amarrar navios ao ancoradouro.

Esta passagem deve ter sido uma das prediletas da igreja instituída durante a Idade Média. A primeira vista ela parece deixar claro que para ser um bom cristão (espiritualizado) é preciso ser pobre, estando o rico, possuidor de fortunas e bens materiais, fadado a permanecer excluído do céu. No entanto, a Idade Média passou e com ela seus dogmas e paradigmas.

Atualmente, com a mente mais esclarecida e equilibrada, é possível ter-se uma outra visão dessa passagem, a visão do Desapego. Por essa ótica o ponto crucial não é possuir ou não muitos bens materiais mas sim estar ou não dependente deles, preso a eles, viciado neles. Posses materiais podem gerar vício tal como cigarro, álcool, comida ou qualquer outro produto químico.

Abundância de recursos materiais costuma andar de mãos dadas com status social e por isso é atualmente considerada como essencial. Mas nem sempre foi assim e não precisa ser assim sempre. Uma amostra drástica dessa dependência de bens materiais é o número de suicídios registrados em 1969, logo após a quebra da bolsa de valores de Nova York que ficou conhecida como a terça-feira negra. Na ocasião milionários nascidos em berço de ouro ficaram pobres da noite para o dia de forma imprevista e inesperada.

Espírito e matéria: Equilíbrio

Dizia o mestre galileu que nem só de pão vive o homem. No entanto, também nem só de espírito vive o homem. Nós não somos apenas espírito nem somente matéria mas uma junção dos dois. Assim precisamos alimentar nosso corpo físico tanto quanto precisamos nutrir nossa alma. Qualquer desequilíbrio, seja num lado ou no outro, é causador de problemas.

Atualmente a própria medicina ocidental tem reconhecido a necessidade de se manter uma mente tranquila e harmoniosa a fim de propiciar um organismo saudável. A relação entre câncer e atitudes e pensamentos inadequados já não é mais novidade. Também já está comprovado como um estado mental positivo, com bom ânimo e alegria, pode, senão curar ao menos facilitar a cura de muitas doenças, inclusive câncer e outras doenças degenerativas.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) a definição de saúde é: “um estado de completo bem-estar físico, mental e social…”. A inter-relação entre físico e mental é inquestionável, já é fato comprovado. O fator social acaba sendo consequência do fator mental mas não só dele. Vivemos em uma sociedade capitalista onde é preciso comprar aquilo de que necessitamos para viver: comida, roupas, casa, eletricidade, transporte. Isso é fato.

Com uma alimentação deficiente é impossível manter-se um organismo saudável. Com um corpo fraco e deteriorado, talvez abatido por alguma disfunção orgânica, não se pode manter um estado de espírito positivo. E sem bem-estar físico e mental não há perfeita convivência social. Para todos eles é necessária a aquisição de determinados elementos: alimentos e roupas para o corpo; livros, revistas, músicas para o espírito; encontros, passeios, participação em eventos para o social. Para adquirir esses elementos, em uma sociedade capitalista, é preciso ter dinheiro. Então para se ter uma perfeita saúde torna-se fundamental a posse de recursos financeiros mínimos para manter esses três fatores em equilíbrio.

Zhannko Idhao Tsw

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Como funciona o feitiço

Publicado por: luxcuritiba em abril 19, 2008

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Desde que a humanidade habitava em cavernas já se concebia a idéia de magia, onde seria possível influenciar animais e situações à distância, tanto no espaço quanto no tempo. Na Idade Média a Inquisição ficou famosa na história do planeta pela incansável caça às bruxas. Mais tarde, com o desenvolvimento do pensamento analista e cartesiano, a idéia de magia ficou esquecida e desacreditada pelo público em geral, ficando restrita a uma classe de esoteristas e ocultistas que manteve viva sua lendária prática, circunscrita em grupos fechados e misteriosos. Recentemente, impulsionada, dentre outras coisas, pelas novas e enigmáticas descobertas da física quântica, tem havido um reavivamento da magia e do misticismo em geral.

O fato é que, sendo para uns um absurdo irrelevante e para outros uma realidade inquestionável, a magia tem sobrevivido no meio das populações sob as formas mais variadas. O medo de ser prejudicado ou influenciado à distância por meio de feitiços atormenta muitas pessoas, seja real ou imaginário. Mas afinal, o feitiço existe ou não?

Segundo os conhecimentos atuais da parapsicologia e de ciências afins reconhece-se basicamente duas maneiras de influenciar outras pessoas, seja para benefício ou malefício: por sugestão hipnótica direta ou indireta, via telepatia.

Sugestão hipnótica direta – Influência local

No primeiro caso não há mistério. Todos já devem ter lido ou ouvido algo a respeito das proezas realizadas por meio da hipnose, desde curas milagrosas de vícios de álcool e fumo até a quebra de blocos de pedra sobre o estômago de pessoas hipnotizadas. Os faquires indianos são famosos por andarem sobre pontas metálicas afiadas, objetos cortantes ou brasas incandescentes, sem se machucarem, quando em estado de transe hipnótico. Sem chegarmos a extremos fantásticos vamos considerar aqui os efeitos mais leves provenientes do estado hipnótico.

Num grau menos intenso muitas das técnicas desenvolvidas a priori nos estudos da hipnose hoje são largamente utilizados por outra ciência, a Neurolinguística, que aproveita essas técnicas para os fins mais variados, desde memorização dinâmica até terapias psicológicas. Particularmente beneficiados por essas técnicas são os vendedores profissionais que, na sua ânsia de vender, utilizam técnicas de neurolinguística para convencer os potenciais compradores a comprarem seus produtos.

Uma técnica muito simples e de suma eficiência, é a pessoa falar, falar e falar, diante da outra, sem dar tempo para que a outra responda ou questione. Esse blá-blá-blá põe o ouvinte num estado de semi-transe ficando ele receptivo a sugestões hipnóticas que serão acatadas sem questionamento. Provavelmente a pessoa vai se surpreender, alguns minutos mais tarde, de ter aceito os argumentos do vendedor sem questionamento, mas aí o contrato já vai estar assinado…

Outra técnica muito comum, que também é largamente ensinada em cursos de memorização, é a repetição constante. De tanto repetir a mesma ladainha diante da pessoa ou pessoas o ouvinte acaba aceitando aquilo como fato. Já dizia Mussolini, ditador facista, que “uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade”. Essa técnica utilizada juntamente com a técnica anterior do blá-blá-blá forma uma poderosa maneira de manipular a mente das pessoas.

E para quem acha que esse tipo de sugestão só funciona em estado de hipnose, engana-se. Leonard Ravitz, realizando experimentos para medir os graus de hipnose, em 1948, chegou à conclusão surpreendente de que a maioria das pessoas, mesmo quando acordadas, vive em estado hipnótico a maior parte do tempo. Isso quer dizer que a maioria das pessoas está normalmente passível de ser influenciada por sugestões hipnóticas.

Sugestão hipnótica indireta – Influência à distância

No segundo caso, a influência a distância, a sugestão hipnótica viaja pelo ar, mesmo por milhares de quilômetros, através da telepatia. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a telepatia já é cientificamente comprovada. Em 1959, em experiência realizada pelas Forças Aéreas dos Estados Unidos, um tenente voluntário foi colocado em posição incomunicável, dentro de um submarino a mais 2000 Km de distância da costa e a centenas de metros sob o mar, onde nem mesmo ondas de rádio chegam. Foi constatada de forma inequívoca e irrefutável a comunicação telepática com outro militar voluntário que permaneceu em terra.

No mais os mecanismos são os mesmos. As mesmas técnicas utilizadas na influência local podem ser utilizadas também para influenciar a distância. Entretanto, embora a telepatia seja uma capacidade latente em qualquer pessoa é sabido que é naturalmente inativa na maior parte das pessoas. São poucos os que possuem tal habilidade bem desenvolvida, dentre eles podemos citar mestres iogues, mães e pais de santo de centros de umbanda, paranormais e ocultistas em geral. Alguns religiosos fervorosos também costumam apresentar bem desenvolvida essa capacidade. Em alguns casos ela é inata e natural, em outros é desenvolvida com o treino persistente e continuado.

Como se proteger

Uma vez identificada a forma de influência, direta ou por telepatia, e que segundo comprovado por Ravitz as pessoas encontram-se ordinariamente em estado de semi-transe e portanto receptivas a sugestões hipnóticas, resta a pergunta: Como evitar tal tipo de influência?

Como as sugestões hipnóticas são acionadas basicamente pelos sentidos mentais a maneira mais adequada de evitá-las é manter-se sempre alerta. Para tanto pode-se utilizar várias técnicas de meditação, iogue ou budista, como forma de disciplinar a mente acostumando-a a manter-se sempre e constantemente em perfeita prontidão.

Zhannko Idhao Tsw

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Budismo: o fim do sofrimento

Publicado por: luxcuritiba em abril 19, 2008

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O budismo surgiu a 2.500 anos, mas os ensinamentos do Buda sempre existiram. Pode ser considerado uma filosofia de vida na qual existe um fundo religioso ou uma religião com questões filosóficas sobre a vida.

Nascemos e vivemos a vida que nos é dada e, eventualmente, sentiremos uma sensação de insatisfação com as condições de nossa existência. Esse sentimento é o que o budismo chama de “sofrimento”. O budismo é uma prática que visa eliminar esse sofrimento e alcançar a felicidade absoluta e incondicional.

O budismo é baseado na experiência de Siddhartha Gautama, príncipe indiano que abandonou riquezas e prazeres, para descobrir como eliminar o sofrimento de seu povo. Fundamenta-se nas Quatro Nobres Verdades, que são:

· A existência do sofrimento;
· O sofrimento é causado pelo desejo;
· Eliminando o desejo eliminamos o sofrimento;
· Para eliminar o desejo praticamos o Caminho Óctuplo.

A chamada “iluminação”, meta a ser alcançada pelo praticante, significa a libertação do sofrimento e o encontro com a felicidade completa e incondicional. Para atingir esse estado de não-sofrimento é praticado o Nobre Caminho Óctuplo que consiste de:

· Reta visão e entendimento;
· Reto pensamento;
· Reta palavra;
· Reta ação;
· Reto modo de subsistência;
· Reto esforço;
· Reta atenção;
· Reta concentração.

O caminho do meio: equilíbrio é a chave

Siddhartha, morando em seu palácio, levada uma vida plena de prazeres até que, decidido a conhecer a vida fora do palácio, deparou-se com o sofrimento sob a forma da velhice, da doença e da morte.

Decidido a encontrar uma solução para essas formas de sofrimento abandonou a nobreza e adotou uma vida ascética. Durante vários anos manteve contato com eremitas e brâmanes aprendendo suas tradições e praticando a meditação. Conta-se que chegou ao ponto de passar o dia com apenas um grão de arroz.

Depois de alguns anos de severas mortificações, estando fraco e esquelético, percebeu que abandonar os prazeres por uma vida de extremo ascetismo não o estava levando à eliminação do sofrimento.

Compreendeu então que a chave para o não sofrimento é o equilíbrio entre o prazer e a abstenção, o que ficou conhecido como O caminho do meio. Segundo os ensinamentos do Buda, negar todo prazer não trará felicidade plena, e deixar-se levar por toda forma de sensação também não.

A meditação

Para encontrar o perfeito equilíbrio mental que leva a felicidade plena é fundamental conhecer a natureza de nossas emoções e como a mente funciona. Uma ferramenta essencial para alcançar esse entendimento é a prática da meditação chamada, no Zen-budismo, de Zazen.

A meditação zazen consiste numa prática de relaxamento, onde a pessoa senta-se de forma confortável, mantém uma respiração lenta e profunda, os olhos fixos num ponto à frente em ângulo de 45º para baixo e elimina toda forma de pensamento. O objetivo do zazen é silenciar a mente e levar a um maior grau de auto-conhecimento e auto-controle.

Inação ou HIPERação?

A prática de meditação zen-budista pode dar a impressão, à primeira vista, de que o budista incentiva seus adeptos a uma inação doentia. No entanto, o objetivo da meditação zen não é divagar com a mente mas sim alcançar um estado de plena lucidez ou hiper-lucidez como mencionam alguns autores. Este estado de hiper-lucidez é um estado onde a pessoa está completamente no aqui-agora, sem divagar, com a atenção totalmente voltada para o que está fazendo.

O budismo não diz que devamos ficar parados o dia inteiro, pelo contrário, diz que toda atividade cotidiana pode ser utilizada como prática de meditação ativa. O requisito para isso é realizar as atividades de forma plenamente consciente, plenamente lúcida, e não de forma autômata como tão normalmente ocorre, onde as pessoas executam suas atividades como se fossem robôs.

Dica de livro

A MENTE ALERTA — JON KABAT-ZINN, OBJETIVA, RIO DE JANEIRO, 2001.
Em linguagem simples e atual, o autor reflete sobre alguns conceitos budistas relacionados à mente e à prática meditativa e sobre como aplicá-los com naturalidade ao cotidiano do homem ocidental urbano. Kabat-Zinn é fundador e diretor da Clínica de Redução do Estresse do Centro Médico da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos.

Zhannko Idhao Tsw

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Pirâmides e seus usos

Publicado por: luxcuritiba em abril 19, 2008

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As pirâmides de quatro lados foram primeiramente construídas pelos egípcios, com o objetivo de conservar os seus mortos. Depois, foram surgindo na América Pré-colombiana para homenagear seus deuses; no Camboja, para a realização de rituais secretos e em outros lugares, considerados “mágicos”.

Não existe uma explicação científica para entender o poder das pirâmides. Sabe-se apenas, que toda forma piramidal tem vários centros de energia, chamados chackras, muito parecidos com os do corpo humano. Desta maneira, a parte superior da pirâmide concentra mais energia, enquanto a base acumula um tipo de energia mais calma e ritmada.

Existem vários usos para as pirâmides:

1) Meditar e relaxar: se você tem em casa uma pirâmide grande em forma de barraca, pode usá-la para meditar ou fazer relaxamento em seu interior. Disponha de alguns minutos todos os dias para sentir seus efeitos, como bem-estar, aumento de memória e perda de tensão.

2) Saúde: terapêutas holísticos revelam que a pirâmide é excelente no tratamento da artrite e do reumatismo, entre outras inúmeras aplicações terapêuticas.

3) Preservar alimentos: a energia das pirâmides desidrata flores e frutas. Este processo pode ser bastante útil quando desejar preservar estes elementos. Basta colocar a fruta ou a flor dentro de uma pirâmide, em sua parte central. O resultado é fantástico.

4) Tratamento das plantas: quanto mais tempo suas plantas ou flores sofrerem a atuação da energia das pirâmides, mais bonitas ficarão, mudando até mesmo, a coloração de suas folhagens.

5) Limpeza astral: para fazer a limpeza da sua aura.

Monica Buonfiglio
Para ver o artigo completo clique aqui.

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Uma noite com a Esfinge

Publicado por: luxcuritiba em abril 19, 2008

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Já se foram os últimos turistas, premidos pela fome; o último dos guias embuçados de negro pela milésima vez repetiu seu discurso e erudição superficial, destinado aos estrangeiros que visitam seu velho país; os burricos, cansados, e o camelos, blaterando, empreenderam pressurosos o caminho de regresso, levando os últimos dirigentes da caravana.

A descida da noite sobre a campina egípcia é um espetáculo de inesquecível beleza sobrenatural. Todas as coisas mudam de cor e vivíssimos contrastes se estendem entre o céu e a terra.

Fiquei só, sentado na morna areia amarelada; diante de mim a Esfinge se destacava em sua pose majestosa, estirando-se com imponência. Meus olhos contemplavam fascinados o fantástico jogo de cores sutis, em todos os matizes; aproveitando os últimos lampejos agonizantes que retiravam do Egito seu manto de glória dourada, o sol aparecia e desaparecia em rápida sucessão. Quem pode receber a sagrada mensagem transmitida pelo belo e misterioso resplendor de um crepúsculo africano e não se sentir transportado a um paraíso? Enquanto os homens não estiverem completamente embrutecidos, espiritualmente mortos, continuarão amando ao Genitor da Vida, o sol, que torna possível esses prodígios com a arte de sua magia incomparável. Não eram tolos aqueles homens de antanho quando veneravam Aa, a grande luz, e o albergavam em seus corações como a um deus.

O sol se deteve no horizonte, incendiando o céu com os magníficos lampejos de um vermelho ferrugíneo, de carvão em braza. O colorido foi diminuindo gradativamente e um delicado rubor coralino se estendeu pelo firmamento, até ficar reduzido a meia dúzia de cores diversas, desde o rosáceo até o verde e o dourado, formando um arco-íris diluído que se agitava em reticente adeus à vida. Por último, quando o crepúsculo rapidamente começou a invadir a paisagem, tudo se cobriu de uma opalescência cinzenta. As cativantes cores desapareceram com o grande disco do astro agonizante.

Sobre aquele fundo opalino vi a Esfinge revestir-se da sua roupagem noturna, velando as feições indeterminadas com o vivo reflexo dos últimos raios avermelhados.

Surgida das areias onipresentes, com sua cabeça gigantesca e o corpo reclinado, inspira tanto medo aos beduínos superticiosos que a denominaram a “Mãe do Terror”, quando aos viajantes céticos, em todas as épocas, sua colossal figura impõe perguntas intricadas. O mistério dessa monstruosa combinação, corpo de leão e cabeça humana, exerceu um influxo impreciso e atraiu, no decorrer de muitos milênios, visitantes em procissão interminável.

A Esfinge é tanto um enigma para os próprios egípcios como um arcano inexplicável para o resto do mundo. Ninguém sabe quem a esculpiu, nem quando; os egiptólogos mais competentes só podem conjeturar, às cegas, seu significado e sua história.

Na mirada final que a luz agonizante me concedeu, meus olhos pousaram nos olhos de pedra da Esfinge, fixos e serenos, que viram chegar milhares de pessoas, as quais, uma a uma, miravam interrogativamente a inescrutável face e retiravam-se perplexas; o olhar imóvel da Esfinge – que viu os atlantes, homens de tez morena, de um mundo perdido, desaparecerem sob milhões de toneladas de água; olhar que, semi-sorridente, presenciou a façanha de Menés, o primeiro dos Faraós, que desviou o curso do Nilo, esse bem-amado rio do Egito, obrigando-o a correr em novo leito; olhar que, com silencioso pesar, viu o grave e taciturno rosto de Moisés inclinar-se em sua última saudação; olhar que, melancólico e magoado, testemunhou os sofrimentos do seu país, saqueado e devastado na invasão dos persas conduzidos pelo cruel Cambises; olhar que, belo e desdenhoso, viu a arrogante Cleópatra, a das tranças sedosas, desembarcar de uma galera dourada na proa, de velas de púrpura e remos de prata; olhar que, jubiloso, deu as boas-vindas ao jovem Jesus, o peregrino errante, quando, em busca de sabedoria oriental, se preparava para a hora assinalada de sua missão pública, com a mensagem de amor e de piedade recebida do Pai: olhar que, intimamente cheio de complacência, deu a bênção ao jovem e nobre Salatino, o guerreiro valente, generoso e instruído, ao vê-lo levantar a lança com a meia lua cravada no verde pendão e tornar-se o soberano do Egito; olhar severo de admoestador, a saudar Napoleão como instrumento do destino europeu, esse destino que levara ao ápice o nome do corso, eclipsando todos os demais, para em seguida obrigá-lo a pisar as lisas tábuas do Belerofonte; olhar que, com certa tristeza, viu convergir sobre sua pátria a atenção de todo o mundo, ao ser aberto o túmulo de um soberbo Faraó, para retirar seu cadáver mumificado e seus reais ornamentos, e entregá-lo à voraz curiosidade moderna.

Aqueles olhos de pedra da Esfinge viram tudo isso e muito mais ainda; agora, desdenhando os homens que se consomem em atividades triviais e transitórias, indiferente à interminável cavalgada do prazer e da dor humana que atravessa o vale egípcio, sabendo que os grandes acontecimentos temporais estão predestinados e são iniludíveis, suas enormes órbitas fixam a eternidade. Dão a nítida idéia de que eles mesmos, imutáveis, perscrutam através do tempo e se afundam nas trevas do desconhecido, na origem mesma do universo.

A Esfinge se tingiu de negro; o céu perdeu sua opalescência prateada, e as trevas completas, absorventes, conquistaram o deserto.

E eu continuava sob o poder fascinante da Esfinge, fortemente prêsa minha atenção ao seu poderosos magnetismo, pressentindo que, ao chegar a noite, ela voltava à sua própria existência. O fundo de sombras era seu ambiente apropriado e no misticismo da noite africana encontrava a atmosfera adequada para ela. Ra e Horus, Ísis e Osíris, todos os deuses egípcios desaparecidos, também voltaram furtivamente à noite. Resolvi, portanto, aguardar que a lua e as estrelas aparecessem para revelar mais uma vez a verdadeira face da Esfinge. Fiquei só e, não obstante, a despeito da profunda desolação do deserto, não me sentia solitário.

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As noites do Egito são inteiramente diferentes das noites européias; elas vêm suavemente e sombras matizadas de um azul anivioláceo, e exercem um efeito mágico sobre as mentes sensíveis; enquanto que as noites da Europa são soturnas, terrivelmente categóricas e definidamente negras.

Apreciava pela centésima vez essa diferença, quando apareceu jubilosa a primeira estrela da noite, cintilando tão perto e com tanto brilho como nunca as vemos na Europa; a lua revelou sua presença e, como uma verdadeira sedutora, apoderou-se do céu transformando-o num docel de terciopelo azul.

Comecei a ver então a Esfinge como raramente a vêem os turistas; primeiro foi uma silhueta de tamanho colossal, talhada na rocha, escura e alta como um edifício londrino de quatro andares, elevando-se dignamente numa concavidade do deserto; depois, conforme os raios luminosos iam aclarando os detalhes, apareceram o rosto prateado e as patas estendidas da figura familiar da Esfinge. Vi então nela o impressionante simbolismo daquele Egito cuja origem misteriosa remonta à antiguidade imemorial da pré-história. Estava ali deitada como um cão solitário, guardiã eterna dos segredos milenários, meditando sobre os povos do continente atlante cujos nomes esqueceu a memória frágil da humanidade; a colossal criação de pedra sobreviveu a todas as civilização engendradas até agora pela raça humana e segue conservando intacta sua vida interior. O rosto grave e majestoso não revela nada; seus mudos lábios de pedra comprem o compromisso eterno de guardar silêncio; se a Esfinge oculta alguma mensagem secreta para o homem, ela a transmitiu através dos séculos aos poucos privilegiados que souberam ouvi-la, apenas num sussuro, como o fazem os maçons num supro ao ouvido do candidato à “Palavra do Mestre”. Não é de estranhar que o romano Plínio haja dito da Esfinge que “é a maravilhosa obra de arte ante a qual se observa o rito do silêncio, e é considerada como divindade”.

A noite destaca mais a Esfinge; atrás e dos lados estendia-se a chamada “Cidade dos Mortos”, região literalmente repleta de túmulos. Em torno da base rochosa da qual sobressai da areia a Esfinge, a Oeste e a Norte, todos os túmulos, um após outro, foram escavados para se extrairem deles sarcófagos com os corpos mumificados de príncipes, aristocratas e dignitários eclesiásticos.

Durante seis anos os próprios egípcios, seguindo o exemplo dos pioneiros ocidentais, empreenderam um grande esforço, sistemático e integral, em exumar toda a seção central da vasta necrópole. Retiraram milhares de toneladas de areia das gigantescas dunas que cobriam aquela zona, pondo a descoberto as estritas passagens abertas na rocha como trincheiras que vão de túmulo em túmulo, cruzando-se entre si, caminhos pavimentados que unem as pirâmides aos seus respectivos templos.

Percorri toda essa região de um lado a outro e visitei as câmaras de inumação, os sepulcros peculiares, as salas dos sacerdotes e as capelas mortuárias que a circulam e a fazem parecer um favo de abelhas. Merece realmente o nome de “Cidade dos Mortos” porque, separada por vários metros no espaço e quase três mil anos no tempo, há, dentro dos seus limites, dois grandes cemitérios superpostos. Os antigos egípcios cavavam fundo quando queriam esconder seus mortos; há uma câmara que possui nada menos de cinquenta metros abaixo do nível da famosa calçada. Estive em salas sepulcrais da IV dinastia, onde as efígies de pedra, de cinco mil anos de antiguidade, perfeitas reproduções dos defuntos, continuam de pé, com suas feições claras e identificáveis; quanto aos presumíveis serviços que prestaram aos espíritos, são mais discutíveis.

Todavia, quase não há um túmulo em que a pesada tampa do sarcófago não tenha sido removida e de cujo interior não hajam desaparecido todas as jóias e objetos de valor, ficando apenas as urnas como foram encontradas por escavadores. Os antigos egípcios também tiveram seus saqueadores de túmulos, e quando o povo se lançou-se à procura dos despojos invadindo o vasto cemitério onde as altas personalidades gozavam da honra de ser postas a descansar ao lado das múmias dos reis a quem serviram em vida.

As poucas múmias que escaparam aos primeiros saqueadores da sua própria raça, repousaram algum tempo em paz, até serem violadas sucessivamente pelos gregos, romanos e árabes. As que foram poupadas a essa prova se beneficiaram de um novo repouso que se prolongou até os princípios do século passado, quando os arqueólogos modernos começaram a peneirar o subsolo egípcio para recolher o que haviam deixado passar os ladrões. Apiedemo-nos dos Faraós e dos pobres príncipes embalsamados, cujos túmulos são profanados, e saqueados seus tesouros, pois ainda quando as múmias não tenham sido ultrajadas por ladrões em busca de jóias, o destino parece não lhes ter reservado melhor repouso que o das salas dos museus, para aí serem observadas e discutidas pelo público curioso.

É nesse lúgubre lugar, repleto dos cadáveres de antiquíssima sepultura, que se ergue a Esfinge solitária; testemunhas dos ultrajes e saques da “Cidade dos Mortos”, primeiro pelos egípcios rebeldes, e logo após pelos árabes invasores. Não é de estranhar que Willis Budge, o afamado conservador da coleção do Museu Britânico, haja chegado finalmente à conclusão de que “a Esfinge foi erigida para afugentar os maus espíritos dos túmulos, que invadem o lugar”. Não é de se admirar que o Rei Tutmés IV, há três mil e quatrocentos anos, erigisse sobre o peito da Esfinge uma lápide de pedra de quatro metros de altura e fizesse gravar nela as seguintes palavras:

“Nestas zonas reinou um mistério mágico desde a alvorada dos tempos, porque a figura da Esfinge é o emblema do Khepera (deus da imortalidade), o maior dos egípcios, o ser venerável que repousa neste lugar. Ó habitantes de Mênfis e de todo o distrito circundante, levantem suas mãos e orem ante sua imagem!”

Não é de admirar que os beduínos da cidade vizinha de Gizeh possuam copiosa quantidade de lendas tradicionais que dizem respeito aos egípcios e fantasmas que voltejam, à noite, sobre a área onde está erigida a Esfinge, pois, segundo eles, é esse o lugar onde mais pululam os fantasmas. Porquanto um cemitério antigo como este não é comparável a nenhum cemitério moderno, e os egípcios, ao embalsamarem os corpos de seus grandes vultos, o fizeram deliberadamente para que se prolongasse o contato dos espíritos com o mundo, durante um número incalculável de anos.

A noite, sem dúvida, é o momento mais apropriado para se contemplar a Esfinge e, quando as sombras reinantes dão contornos fantasmagóricos às rígidas formas do mundo material circundante, o mais insensível dos homens crê estar perto do mundo dos espíritos, tornando-se-lhe a mente mais receptiva às sensações agudas.

O céu noturno cobriu-se de um tom índigo-purpurino, tom místico, que se harmonizava admiravelmente com o meu intuito.

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As estrelas foram aumentando até formar-se uma cúpula luminosa sobre a escura imensidão da terra. A lua contribuía com seu esplendor para iluminar a silenciosa paisagem espectral que me rodeava.

O possante corpo de leão sobressaía da oblonga plataforma de rocha e, com maior nitidez, deixava contemplar sua enigmática cabeça. Adiante e atrás de mim, o pequeno planalto perdia-se confundindo-se com o deserto que se estendia até desaparecer absorvido pelas trevas.

Contemplei as abas graciosas da enorme coifa de pedra, semelhante a uma touca, principiando por distinguir seu feitio. A coifa real confere à Esfinge majestade e distinção, qualidades realçadas pela régia serpente que, pousada sobre a fronte, ergue sua cabeça, o símbolo “URAEUS” (1) da soberania, emblema da supremacia divina e humana, de poder temporal e espiritual. A figura da Esfinge aparece com frequencia na escrita hieroglífica, representando o Senhor da Terra, o poderoso Faraó, e um antiga tradição afirma que dentro da estátua há um túmulo do monarca chamado Armais. O arqueólogo francês Mariette, diretor do Museu Egípcio do Cairo, tomou tão a sério essa tradição que decidiu explorar a base rochosa da Esfinge.

“Não é impossível” – declarou numa reunião científica – “que dentro da esfinge, em alguma parte do corpo do monstro, exista uma cripta, uma caverna ou uma capela subterrânea que seja um túmulo.” Porém, pouco tempo depois de ter anunciado seu projeto, a morte bateu à sua porta e lhe tocou a vez de ser sepultado numa cova. Desde então, ninguém se atreveu a perfurar a plataforma circundante da Esfinge, nem a base rochosa onde descansa. Quando, falando com o professor Selim Hassan, a quem as autoridades egípcias haviam confiado a direção das escavações na “Cidade dos Mortos”, abordei o tema e o interroguei a respeito da possibilidade de existirem, sob a Esfinge, câmaras funerárias ignoradas, meu interlocutor desviou a pergunta com uma réplica enfática e categórica: – “A Esfinge foi trabalhada em rocha maciça. Debaixo não pode haver nada mais do que rocha maciça!”

Eu o ouvi com todo o respeito que o professor merecia, mas não me convenci, não aceitando nem rejeitando essa afirmação. Optei por deixar em suspenso a dúvida. O nome de Armais lembra muito o de Harmakis, o deus-sol que, segundo outra lenda, personifica a Esfinge. É bem possível que debaixo dela não haja nenhuma câmara mortuária e que as tradições se tenham confundido com o lento perpassar do tempo. Por outro lado, porém, podem existir recintos abertos na rocha, com outros propósitos que não sejam especialmente funerários, e que os egípcios os usassem, como o provam as outras criptas subterrâneas, a fim de realizar serviços religiosos secretos, que foram sempre bem guardados. Antigas tradições de fontes caldaicas, gregas, romanas e até árabes falam insistentemente de certa passagem a uma câmara subterrânea, que os sacerdotes usavam para se transladarem da Grande Pirâmide à Esfinge. Essas tradições, na grande maioria, carecem de fundamento, mas não há fumaça sem fogo. Tão destros eram os egípcios antigos em abrir passagens na pedra e dissimular as entradas, que nenhum egípcio contemporâneo poderá garantir que o solo onde pisa nunca tenha sido perfurado por engenho humano. Na lápide que Tutmés fez instalar entre as patas dianteiras da Esfinge, os artistas da época esculpiram a figura dela, representando-a num bloco de forma cúbica, onde há todo um edifício com sua grande entrada central e respectivas decorações em baixo-relevo. Ter-se-iam baseado em alguma lenda ancestral, perdida na atualidade? Existiria mesmo um templo em forma de bloco, sepulto na colina rochosa, com a Esfinge descansando no seu teto imenso, como um gigante? Algum dia o saberemos.

O que intriga é o fato de a Esfinge não estar esculpida totalmente na rocha. Os escultores deviam ter reconhecido que um bloco de rocha viva não comportava a dimensão requerida para a enorme obra encomendada, e viram-se obrigados a construir parte do arredondado das ancas e das patas, de quinze metros de comprimento, com tijolos especialmente cozidos e com pedras lavradas, a fim de completar seu tremendo empenho. No entanto, esse conjunto cedeu em parte pelos embates do tempo e da selvajeria dos homens; desconjuntaram-se tijolos e desapareceram outras tantas pedras.

Há cerca de cem anos ali esteve o coronel Howard Vyse, que, licenciado do serviço ativo, regressava da Índia à sua pátria. Em Suez deixou o navio e tornou a diligência postal, mantida pela antiga Companhia das Índias Orientais, para conduzir seus oficiais ao Cairo e dali ao Mediterrâneo, onde tomavam a embarcação. O coronel permaneceu algum tempo no Cairo, atraído pelas pirâmides e pela Esfinge, que visitou repetidas vezes. Ao inteirar-se das antigas lendas que circulavam sobre a Esfinge, empenhou-se em comprovar a veracidade e averiguar se o corpo era oco ou não; nesse intuito mandou perfurar os ombros da Esfinge com enormes ferros providos de cinzéis nas pontas. O resultado foi desolador. As furadeiras, após terem penetrado numa profundidade de oito metros, encontraram sempre a rocha maciça, deixando apenas as marcas das perfurações em sinal do esforço empreendido. Na época do Vyse, porém, por infelicidade só se via a cabeça da Esfinge, estando o corpo sepulto sob a enorme massa de areia; os trabalhos do coronel deixavam, portanto, como estavam, as tres quartas partes sob o monte de areia, e nem sequer se aproximaram da base.

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A noite deslisava furtivamente, silenciosa como uma pantera, numa quietude apenas interrompida pelos uivantes gemidos semi-humanos de algum chacal do deserto, que assinalava o correr das horas. A Esfinge e eu sentados sob a luz clara das estrelas africanas, reforçamos o laço invisível que nos tinha unido, transformando a relação em amizade, e quiçá, também, aumentando nossa recíproca compreensão.

Quando pela primeira vez fui vê-la, há vários anos atrás, a Esfinge tinha cravado seu olhar distante com um tranquilo desdém. Era eu então para ela um mortal a mais, um dos tantos peregrinos insignificantes, um pigmeu imbuído de vã presunção, desejos vaidosos e pensamentos frívolos. A Esfinge parecia-me ser o emblema lobrego daquela Verdade que nunca poderia encontrar ídolo gigantesco, dedicado ao Incognoscível, ante o qual as preces cairiam sem eco nas pálidas areias do deserto e todos os problemas se fundiriam no esquecimento eterno. Fiquei mais cínico e mais cético que dantes, enfastiado do mundo e cheio de amarguras.

Os anos todavia não se passaram em vão; o Mestre Invisível me havia ensinado umas tantas coisas importantes, e eu soube qual era a verdadeira significação da vida. Aprendi que o mundo não girava no espaço, sem ter outra finalidade na sua existência.

Retornei a ver a Esfinge com melhor disposição. Enquanto nos fazíamos companhia na escuridão, ela recostada no seu pedestal, no limiar do deserto da Líbia, eu sentado de pernas cruzadas, na areia, voltei a meditar sobre o misterioso significado do Colosso.

Todos conhecem algumas fotografias da Esfinge e se lembram de seu rosto mutilado, mas ninguém sabe quando e por que foi esculpida em maciça pedra calcária, emergindo da areia, nem quais foram as mãos que transformaram a rocha solitária em uma estátua de proporções gigantescas.

A arqueologia cala-se, baixando a cabeça com vergonha, porque se vê obrigada a retirar suas conjeturas disfarçadas em teorias que sustentava cheia de confiança, até poucos anos atrás. Agora, não se atreve a pronunciar um móvel sequer, nem expor um fato concreto; já não se aventura a atribuir a Esfinge ao Rei Khafra ou ao Rei Khufu, porque chegou a compreender que as inscrições descobertas só indicam a existência do Colosso durante aqueles reinados.

Nos papiros que foram encontrados até agora não há praticamente indícios além da XVIII Dinastia, que digam respeito à Esfinge, e além da IV nenhuma inscrição na pedra a menciona. Nas escavações que se fizeram em busca de antigos despojos, havia uma inscrição em que se fala da Esfinge como de um monumento cuja origem se perde na noite dos tempos, e que foi encontrada casualmente depois de haver estado enterrada nas areias do deserto, completamente esquecida e ignorada de todos. Essa inscrição pertence ao período da IV Dinastia, cujos Faraós viveram e reinaram no Egito há mais de seis mil anos. E PARA ESSES ANTIQUÍSSIMOS REIS A ESFINGE JÁ ERA INCALCULAVELMENTE VELHA.

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A noite traz o sono; mas eu resolutamente o afastava ao chegar a essa altura de minhas reflexões noturnas; as pálpebras cansadas começavam a pesar movidas por rebelião involuntária, e minha mente a dormitar; duas forças disputavam a supremacia – a primeira era um desejo ardente de passar a noite acordado junto à Esfinge – a segunda, um crescente impulso de entregar corpo e alma à suave e soporífera carícia das trevas envolventes. Por fim, logrei conciliar as duas coisas, firmando um tratado de paz em virtude do qual eu manteria os olhos apenas entreabertos numa vigilância renitente que não me permitiria ver nada, e a mente apenas desperta deixaria deslisar os pensamentos num devaneio colorido, em câmara lenta.

Abandonei-me um instante à serena languidez que sobrevem quando a mente permanece em repouso. Não sei quanto tempo havia passado nesse estado, quando num dado momento sumiram da minha visão mental as cores, e no seu lugar apareceu uma ampla e extensa paisagem, iluminada pela luz fosforescente do plenilúnio.

Vi-me rodeado de uma multidão de figuras escuras que se moviam apressadamente, indo de um lado para outro, algumas levando cestas carregadas na cabeça, outras subindo e descendo as frágeis estacas de um andaime armado junto a uma enorme rocha. Havia entre elas os encarregados da obra, que davam ordens aos operários e observavam atentamente o trabalho dos homens, que armados de martelos e cinzéis lavraram a pedra previamente marcada com pontos, imprimindo uma forma ao desenho. O martelar contínuo soava insistentemente no ar.

Aqueles homens tinham o rosto oval, a coloração da pele castanho-avermelhada ou amarelo-acinzentada, o lábio superior notavelmente saliente.

Concluindo seu labor, o escarpado promontório rochoso se havia transformado numa cabeça humana gigantesca, assentada num corpo de leão, formando um conjunto monumental que se erguia no centro de um grande bloco de granito. Na cabeça da estátua, sobre uma curiosa espécie de touca de amplas pregas, presas atrás das orelhas, havia um disco de ouro maciço…

A ESFINGE!

A multidão desapareceu, deixando a paisagem tão silenciosa como túmulo deserto. Vi então à minha esquerda um mar extenso que cobria a terra com suas águas tranquilas, a uma légua de distância. Aquele silêncio continha algum presságio que não pude compreender, quando do coração mesmo do oceano veio um bramido profundo e prolongado, a terra estremeceu sob meu corpo, e com estrondo ensurdecedor alçou-se no ar uma imensa parede de água que se lançou sobre nós, a Esfinge e eu, e nos inundou a ambos.

O DILÚVIO!

Houve um intervalo, não sei se de um minuto ou de mil anos, antes de ver-me de novo sentado ao pé da grande estátua. Olhei em redor, não havia mar nenhum. Em compensação, via-se uma extensa planície pantanosa, ressequida pelo sol e salpicada aqui e acolá de grandes manchas brancas, granulosas e salgadas. O sol em brasa lançava, implacável, seus raios escaldantes na areia deserta, até que as manchas foram aumentando em tamanho e quantidade. Ao desaparecer a última gota da umidade dos pântanos, a campina e transformou numa superfície fofa, porosa, seca e cáustica de cor amarelo-pálida.

O DESERTO!

A Esfinge continuava contemplando a paisagem; parecia satisfeita com sua existência solitária. Os lábios grossos, fortes, pareciam estar prontos a desabrochar num sorriso. Que perfeita harmonia havia aquela figura solitária e o solitário ambiente que a rodeava! O espírito da solidão parecia ter encontrado naquele Colosso impassível sua digna encarnação.

Assim seguiu a Esfinge na imperturbável espectativa, até o dia em que uma pequena flotilha de barcos acostou à margem do rio; um grupo de homens desembarcou, avançou lentamente e aproximou-se da Esfinge, prosternou-se diante dela, levantando suas preces jubilosas.

Desde aquele dia o feitiço do silêncio rompeu-se; nas planícies, nas terras adjacentes construíram-se vivendas e os reis iam com seus sacerdotes fazer corte à que era a rainha sem corte do deserto.

Com a chegada deles foram embora as minhas visões, como se apaga a chama do candeeiro, quando acaba o combustível.

Fonte: O Egito Secreto, Paul Brunton, Editora Pensamento, pp. 9-19.

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Testes com réplicas de pirâmides

Publicado por: luxcuritiba em abril 19, 2008

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exp pir 1Veja algumas experiências que você pode fazer para verificar o efeito das pirâmides. Não acredite no que está escrito nos livros, não acredite no que alguém falou. Faça você mesmo(a) os testes e observe pessoalmente o efeito da energia piramidal.

TESTE 1 – Coloque em dois pires iguais uma camada de algodão de aproximadamente meio centímetro, em seguida encharque em água potável, deitando-se sobre os mesmos três grãozinhos de feijão sobre o pires. Coloque em uma pirâmide de n.o 20 (25cm de altura) em posição NORTE SUL MAGNÉTICO, um dos pires, sendo que o mesmo deverá permanecer com um suporte na altura da câmara do rei. Observe o desenvolvimento da germinação diariamente, seu espanto será total ao tomar conhecimento da energia cósmica atuando naqueles grãozinhos que estiverem sob a pirâmide cujo desenvolvimento será descomunal.

exp pir 2TESTE 2 – Coloque um tomate sobre a mesa, contando-o em duas partes, em seguida os leve a dois pires diferentes, cobrindo um deles com uma pirâmide n.o 20 na altura da câmara do rei e o outro não, espere por 15 dias e volte a verificar que o resultado será o seguinte: a parte que estiver na pirâmide estará perfeita, apenas 5% desidratada e sem bactéria, a outra parte estará completamente estragada.

Aconselhamos para ambos os testes a pirâmide n.o 20 de cartolina.

TESTE 3 – Se o leitor tiver em casa uma plantinha aniquilada e doente, coloque sobre ela uma pirâmide n.o 26 (30cm de altura) de hastes de arame e regue diariamente sempre pela manhã, que após três dias feita esta operação, a plantinha tomará uma nova vida.

TESTE 4 – Se sua casa for constantemente ponto atrativo de insetos, como por exemplo, pernilongo, moscas e mosquitos, formigas, etc. Coloque em cada quarto, sala ou cozinha uma pirâmide n.o 45 (50cm de altura) de cartolina ou gaze posicionada NORTE SUL MAGNÉTICO e dentro de 72 horas jamais será constatada a presença de um inseto sequer no recinto.

TESTE 5 – Coloque uma pirâmide n.o 26 em posição NORTE SUL MAGNÉTICO com hastes de arame ou cobre e dentro da mesma coloque um relógio de qualquer tipo, mesmo sendo anti-magnético, acerte-o antes dessa operação. Observe no dia seguinte o que aconteceu, ele estará completamente desregulado.

N.B. – Esses testes por nós aqui aplicados têm a finalidade principal de fazer com que o leitor possa TESTAR a energia existente nas réplicas das pirâmides conhecendo o potencial de seu valor energético.

TESTE 6 – Coloque a alimentação de seu animal de estimação (gato, cachorro, etc.) na aresta negativa de uma pirâmide H-180 (180cm de altura???) por três dias, habituando-o com a alimentação ali colocada, dificilmente ele aceitará alimentar-se fora da pirâmide, pois a mesma terá um sabor diferente e apetitoso.

TESTE 7 – Sabemos que no interior das réplicas das pirâmides condensam três tipos de energia: câmara cósmica, câmara neutra e câmara negativa, a câmara cósmica fica no primeiro terço do ápice à base, a câmara neutra fica no segundo terço da ápice à base e a câmara negativa fica no terceiro terço que termina em sua base. Como o gato é animal energeticamente um dos mais resistentes, coloque-o para dormir na câmara neutra, ou seja no segundo terço de uma pirâmide H-180, faça com que ele permaneça ali durante aproximadamente 8 horas; observe ao soltá-lo o seu estado de desequilíbrio direcional, angustioso, aparentando doente e sem ação alguma. Para conseguirmos a sua revigoração energética novamente, é só procedermos da mesma maneira. Desta vez no primeiro terço da pirâmide, ou seja na câmara cósmica e teremos novamente um gato são e sadio.

TESTE 8 – Todos os pássaros cantam seguidos de um trinar com o mínimo de variações em suas notas melodiosas, se colocarmos suas alimentações sob uma pirâmide n.o 20 no seu primeiro terço para energização, seguindo essa operação que deverá prolongar-se por 8 dias, logo após, comece a observar como o pássaro passará a cantar com mais harmonia e intensidade, trinando notas que lhe causam admiração.

TESTE 9 – Todos os peixes que vivem em aquários têm uma existência de curta duração, se colocarmos uma pirâmide de n.o 45 (50cm de altura) de ferro sobre seu aquário, sua existência será duas vezes o tempo que deveria viver em água normal.

TESTE 10 – AGRICULTURA – Se colocarmos sobre uma sementeira uma bateria com 15 pirâmides n.o 30 (35cm de altura) veremos que o seu tempo de germinação é muito mais rápido e as mudas criam-se mais rapidamente, tendo maior consistência. (Pinho, eucalípto, laranja, limão, feijão, etc.).

TESTE 11 – Plante uma roseira fora da pirâmide e outra muda de idênticas características dentro de uma pirâmide n.o 45 (50cm de altura). Passe a observar a cada dia que passa, a diferença no desenvolvimento, ao surgir os botões note a enorme diferença no coloramento e no perfume emanado por ambas as rosas.

Cremos que os testes aqui apresentados são suficiente para satisfazer sua curiosidade, porém em fruturo bem próximo, publicaremos mais pesquisas, que estão sendo por nós realizadas e somente levaremos ao conhecimento público após suas compovações.

Fonte: “Pirâmides, energia do futuro”, Abeilard Gonçalves Dias, Livraria Ciência e Tecnologia Editora, pp. 87-90.

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Radar e robô para revelar os últimos segredos das pirâmides

Publicado por: luxcuritiba em abril 19, 2008

24/08/04 – As autoridades egípcias anunciaram este fim de semana que utilizarão um radar e um robô de alta tecnologia num ambicioso projeto para desentranhar os últimos mistérios que a base das três pirâmides de Giza esconde.

As duas novidades serão os protagonistas do “plano global” que o Conselho Supremo de Antigüidades (CSA) fará em 2005 para descobrir o muito que ainda pode estar oculto nesse planalto, nos arredores do Cairo e o lugar mais visitado do mundo.

O trabalho do robô, que está sendo desenvolvido e fabricado numa universidade de Cingapura, será mostrar o lugar exato da câmara funerária do faraó Keops nos escuros labirintos de seu colossal túmulo, a Grande Pirâmide que leva seu nome.

Em 1992 e 2002, outros dois robôs entraram na Grande Pirâmide de Keops, mas fracassaram em decifrar o enigma que confundiu os mais prestigiados egiptólogos, não podendo localizar as coordenadas da câmara.

Já o radar será usado para rastrear o patrimônio arqueológico que ainda permanece sepultado em Giza. Pelo sul será feita uma varredura que se estenderá até Maidum, a cem quilômetros da capital egípcia. Já pelo norte acontecerá até Abu Rawash, a trinta quilômetros do Cairo.

“O ano de 2005 será dedicado à base das pirâmides de Giza, e acreditamos que anunciaremos inúmeros e surpreendentes achados arqueológicos graças ao uso do radar”, disse com otimismo o secretário-geral do CSA, Zahi Hawas, cérebro do projeto.

Hawas revelou que continuam acontecendo descobertas ininterruptamente na região, onde recentemente foi achado o túmulo de um nobre que data do Período Saita, entre 664 e 525 antes de Cristo.

“Escavamos dez metros de profundidade e ainda temos que tirar mais dez de terra para desenterrar o mausoléu, no qual já achamos 408 estatuetas obatchi, que eram colocadas ao redor das múmias para sua proteção na outra vida”, precisou.

Um dos mais prestigiados arqueólogos da área das pirâmides de Giza, Mansour Furaig, também ressaltou em declarações à EFE a importância do plano de rastreamento, que pode dirigir a escavação de inumeráveis vestígios ainda ocultos pela areia.

Furaig lembrou que Giza foi um lugar de sepultamento privilegiado há quase cinco mil anos, quando o rei Cineforo, fundador da IV dinastia faraônica e primeiro construtor das pirâmides em sua forma arquitetônica conhecida, mandou fazer na área um cemitério monumental.

Além das três pirâmides erguidas depois ali por Keops, Kefren e Micerinos, os mais célebres sucessores de Cineforo, a região está repleta de tumbas de rainhas, príncipes, ministros, nobres e altos funcionários, tendo sido a área que acolheu a Grande Necrópoles de Menfis, a capital do conhecido como Império Antigo.

As expectativas de revelar a última morada de tantos personagens ilustres são também alimentadas pelo descoberta na última década dos enterros dos contrutores das famosas pirâmides, de magistral forma geométrica, e dos templos funerários da região.

O arqueólogo norte-americano Mark Liner descobriu em 1992, num setor próximo às bases e alicerces da “cidade”, o lugar onde esses trabalhadores descansavam, comiam e dormiam após uma cansativa jornada de trabalho.

O objetivo de tanto esforço era garantir a imortalidade dos defuntos, algo que de certa forma aqueles operários conseguiram ao construir as pirâmides de Giza, a única das Sete Maravilhas do Mundo – tal como se denominava na Antigüidade os maiores prodígios arquitetônicos do planeta -, que segue de pé.

Terra Arqueologia

Fonte: www.ufogenesis.com.br

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As profecias da grande pirâmide

Publicado por: luxcuritiba em abril 19, 2008

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Pyramon estava aproveitando bem o tempo de espera. Ele confirmara mais uma vez, com o máximo rigor, todas as medidas que ainda seriam usadas. Pois cada mínima medida aplicada na construção da pirâmide possuía um significado profético, astronômico e geofísico… Portanto, não se podia omitir nem a mínima coisa.

Finalmente chegaram ao ponto de poderem ser reiniciados os trabalho da pirâmide. Kosbi trouxera tantos mantimentos, que os armazéns estavam novamente repletos de provisões. Novas remessas também já estavam providenciadas. Nesse ínterim haviam comparecido de novo também os trabalhadores com suas famílias. Os poucos que haviam sido mortos na sítio de Akeru, ou feridos tão gravemente que não pudessem continuar a trabalhar na pirâmide, foram substituídos por outros.

Não demorou muito e se ouviram as metálicas marteladas dos ferreiros que tinham retomado seu trabalho com grande afinco. Também os sons das flautas de pastores enchiam novamente o ar. Eram as crianças do acampamento que tocavam com grande persistência as flautas feitas por elas mesmas. Para tanto subiam nas árvores mais altas, a fim de que os gigantes também pudessem ouvir sua bonita música. Tudo estava como sempre. Nada mais indicava que os trabalhos haviam ficado paralisados durante tanto tempo.

O trabalho, na realidade, nunca ficara parado, pois os gigantes haviam prosseguido ininterruptamente. Eles haviam, nesse ínterim, acabado o teto da “sala do Juízo”, composto de muitos e pesados blocos de pedra. O sarcófago há muito já estava nessa sala. Os gigantes, com sábia previsão, haviam colocado o grande bloco de granito vermelho, no lugar a ele destinado, muito antes que as paredes laterais dessa sala ficassem prontas. O escultor transformou-o depois, dentro da própria sala, num sarcófago, usando para isso serrote, martelo e talhadeira. O sarcófago nunca poderia ter sido colocado por último na sala do Juízo da pirâmide acabada, pois para tanto, era grande demais.

Além disso, os gigantes também haviam trazido e empilhado nas proximidades, todos os blocos para o revestimento externo da pirâmide. Eram vinte e cinco mil blocos de mármore, reluzentes, de cor amarelo-escuro, pesando muitas toneladas cada um. Os blocos eram cortados com absoluta precisão, possuindo superfícies brilhantes. Não obstante isso, ainda tinham de ser polidos. Uma vez que esse trabalho somente podia ser executado por mãos humanas, os gigantes colocaram certo número deles no chão, em volta da pirâmide, de tal modo que cada um poderia trabalhar neles comodamente. Os trabalhadores retomaram alegremente os trabalhos que ainda antes do sítio de Akeru haviam iniciado.

Incidentes ocorriam sempre de novo. Contudo, nunca mais representaram obstáculos tão sérios, que pudessem prejudicar a continuação da obra.

E então chegou o dia em que os gigantes colocaram a última pedra, fechando a pirâmide. Pyramon contemplou com alegria e satisfação a obra acabada. Pensou no dia em que pisara pela primeira vez o solo do oásis, para começar o trabalho. Como que voando havia passado o tempo. Agora estava cumprida a missão de sua vida. E ele perguntava a si próprio como prosseguiria sua vida…

Os dias que se seguiram à conclusão da pirâmide, foram dias de inquietação para Pyramon. Ele andava de um lado para outro, como se esperasse algo. Mas o que esperava, ele mesmo não sabia. À vezes ficava parado diante da esfinge, levantando pensativamente seu olhar para o rosto de pedra. Os olhos desse rosto pareciam olhara para distâncias longínquas, e eles davam uma impressão tão viva, que ele se assustava cada vez que os via. Da colossal figura de leão deitado emanavam uma serenidade e uma altivez impossíveis de serem perscrutadas. ERa como se um halo de mundos superiores e eternos pairasse em volta dela.

Enquanto Pyramon ainda pensava no misterioso e enigmático que emanava dessa figura de pedra, ele sentiu a forte correnteza de ar, sempre causada pelos gigantes ao se aproximarem. Com alegria olhou para cima. Todos os que haviam trabalhado juntos na pirâmide, estavam presentes. Ao vê-los, ele sabia por que tinham vindo. Estavam prestes a deixar o oásis. Com saudade e tristeza no coração, ele ouviu as poucas palavras que Enak lhe dirigiu, despedindo-se.

“De bom grado trabalhamos contigo”, deu Enak a entender. “Teu amor e tua confiança enriqueceram-nos, aquecendo nossos corações. Nosso trabalho está terminado. Deixamos agora este país e a proximidade da Terra, esperando pelo que vier. Saudamos-te e permaneceremos teus amigos”.

“Não pensei que vos afastaríeis tão rapidamente”, murmurou Pyramon com o olhar abaixado, enquanto percebia, envergonhado, que lágrimas lhe enchiam os olhos. Olhando novamente para cima, viu que estava sozinho. Pela primeira vez, desde a morte de Thisbe, ele sentia-se só e abandonado no Egito. Os gigantes foram durante um longo tempo seus amigos e confidentes, e ele, até certo ponto, havia-os entendido melhor do que aos seres humanos, embora fossem seus semelhantes.

Pyramon não pôde entregar-se muito tempo a seus tristes sentimentos intuitivos. No mesmo dia ainda, ao anoitecer, chegaram mensageiros enviados à frente por Aphek, o sacerdote-rei, para noticiar a sua chegada. Aphek há tempo havia planejado uma solenidade de agradecimento, que deveria ser realizada no oásis, logo depois da conclusão da pirâmide. Agora ele estava se aproximando juntamente com vinte xeques de tribos independentes, três reis dos reinos da Arábia do sul, além de um determinado número de sábios que em caminho se haviam juntado a sua caravana.

Aphek sempre estivera informado exatamente sobre o andamento dos trabalhos da pirâmide. Dessa maneira ele pôde em tempo avisar todos aqueles que ele sabia que gostariam de viajar juntamente com ele para o Egito, a fim de ver a pirâmide acabada e assistir à solenidade de agradecimento.

E todos vieram para ver a obra monumental que há anos vinha agitando todos os ânimos.

Cada um, ao ver a pirâmide acabada pela primeira vez, ficava parado diante dela com sentimentos indizíveis e indefiníveis. Sentimentos esses que deixavam estremecer espíritos e almas. Ninguém ficava sem ser tocado por aquilo.

As paredes dessa obra colossal, lisas como um espelho e de um vislumbre amarelo, davam um aspecto inesquecível, quando eram atingidas simultaneamente pelos raios solares. Do mesmo modo inesquecível ficava a esfinge, lisa e de um vislumbre avermelhado, a qual estava ligada à grande pirâmide de maneira misteriosa.

Um halo de eternidade envolvia ambos os monumentos, dos quais cada pedra falava uma linguagem poderosa!

Milhares de pessoas assistiram à solenidade de agradecimento. A oração de agradecimento, contudo, não pronunciada por Aphek ou um outro sábio, mas sim, foi cantada pelos homens que tinham colaborado na pirâmide e na esfinge. Era um coro maravilhoso de homens que louvava a onipotência do Criador e a grandeza das obras iniciadas e concluídas em Seu nome.

Também pYramon e os gigantes foram louvados, por terem sido escolhidos para edificar essa obra única. Numa outra canção pediam a Thaui, a senhora da Terra, e a Ea, o senhor do sol, para tomarem a pirâmide e a esfinge sob a sua proteção, a fim de que permanecessem conservadas até o fim dos tempos.

Enquanto soava a cação dirigida à senhora da Terra e ao senhor do sol, levantou-se voando da plataforma da pirâmide uma cesta de ouro que parecia conter frutas áureas. Cada um que ainda podia perceber acontecimentos extramateriais, viu a cesta desaparecer bem no alto, no irradiante brilho solar. A cesta que continha os frutos do trabalho feito, saiu das mãos da senhora da Terra, que igualmente se tornava visível acima da pirâmide, por um momento.

Tudo o que o ser humano realiza na Terra, toma forma e produz frutos! Bons ou maus. No caso da pirâmide, os frutos eram de um puro brilho de ouro, pois todos, sem exceção, haviam trabalhado na obra com amor.

O senhor do sol e a senhora da Terra sempre haviam acompanhado com interesse os trabalhos da obra. Pois não se tratava de uma obra comum. A pirâmide surgira da Vontade do Onipotente Criador. Através de milênios deveria ela ser um marco de advertência, lembrando sempre de novo os seres humanos de que o tempo do último julgamento se aproxima.

Havia um motivo especial para que a pirâmide não terminasse numa ponta. É que o Senhor do Universo colocaria ali o seu sinal, quando viesse à Terra no tempo do último Juízo. É o sinal da vida eterna, e este iluminaria o caminho para todos aqueles que conseguissem caminhar até o final do salão do Juízo, passando pelo sarcófago aberto. De lá em diante então começaria a ascensão que conduz para cima, através de cinco degraus do Universo. Para cima, às campinas da paz, em direção à pátria eterna dos seres humanos.

A solenidade de agradecimento ficou inesquecível para todos que a ela assistiram. Cada ano, na mesma data, os sábios realizavam uma solenidade em comemoração, a qual de ano em ano era mais concorrida. Os peregrinos pareciam ter uma predileção especial por essa solenidade. Os sábios esclareciam sempre de novo o sentido e a finalidade da pirâmide, exortando simultaneamente todos os peregrinos, vindos de perto e de longe, para que vivessem sempre de tal maneira que não precisassem temer o Juízo.

Durante o dias subsequentes à solenidade de agradecimento, Pyramon dedicou-se integralmente a seus visitantes. Não podiam ouvir o suficiente das profecias da pirâmide. Antes de tudo, interessavam-se pela maneira com que essas profecias tinham sido expressas.

Pyramon levou-os várias vezes para o meio do pátio, onde havia levantado o modelo da pirâmide, esclarecendo-lhes os acontecimentos mais importantes através do mesmo.

No modelo, que tinha o tamanho de Pyramon, faltavam duas paredes externas, bem com algumas internas, recebendo os visitantes assim uma visão do interior. Pyramon indicou para alguns lugares importantes, dando-lhes os seguintes esclarecimentos.

Pegou no último bastão de ouro que ainda possuía, pois os muitos outros havia deixado na sala do Juízo, e disse:

– A câmara que estais vendo aqui, situa-se mais ou menos, em altura, entre o solo e a sala do Juízo. O tamanho da câmara e a cor com que são pintadas as paredes internas, indicam que uma emissária feminina virá das alturas máximas até a Terra. Por isso denominamo-la “câmara da Rainha”. A época desse acontecimento reconhece-se pela medição da altura em que a câmara se encontra. E essa medida indica uma data daqui a deis mil e quinhentos aos.

Segui agora exatamente o caminho que conduz para essa câmara da Rainha. Ele sobe, sim, contudo, em determinado ponto segue uma ramificação para baixo, até as câmaras subterrâneas. Isso significa que uma parte da humanidade já estará trilhando um caminho que termina no abismo. A emissária das alturas supremas, a Rainha, terá de lidar, portanto, com seres humanos que visam o abismo. A câmara fechada indica que os ensinamentos e as advertências dela não penetrarão nos corações humanos, e que ela mesma sucumbirá numa prisão.

Além da Rainha – o país do seu destino situa-se em direção às ilhas – descerão antes do Juízo Final ainda dois enviados de alturas supremas. A permanência deles foi simbolizada por recintos altos e arejados.

De acordo com as medidas, o primeiro enviado virá quinhentos anos depois da Rainha, à Terra. A vinda do segundo enviado das alturas supremas ocorrerá num futuro mais remoto, daqui a quatro mil e quinhentos anos. Pela posição e direção dos salões, depreende-se que ambos os enviados viverão e atuarão naquela parte da Terra onde agora nos encontramos.

Pyramon afastou mais algumas pedras, indicando agora para um corredor baixo, que se tornara visível.

– Vedes, recomendou ele, que o teto desse corredor se abaixa de tal modo, que uma pessoa somente agachada pode passar por ele. O abaixamento encontra-se no corredor que sai do salão alto e arejado do segundo enviado. Isso indica algo horrível.

O corredor baixo, pelo qual os seres humanos somente podem passar agachados, encolhidos e sem enxergar nada, simboliza a perda da verdadeira dignidade humana. Esse infortúnio desencadear-se-á sobre a humanidade, depois da vinda do último enviado das alturas supremas.

A culpa que acarretará a perda da dignidade humana iguala-se a um pesado muro opressor que deverá calcar ao solo cada um.

O corredor, sim, novamente se torna mais alto, de movo que os que perceberam sua estreiteza e seu peso opressor, poderão respirar de novo um pouco. Nesse período de tempo até lhes seria possível reconhecer sua grave culpa, libertando-se dela. De que espécie essa grave culpa será, não sabemos, disse Pyramon, dirigindo-se a seus visitantes.

– Mas do caminho seguinte depreende-se que não houve nenhum reconhecimento. O teto abaixa-se mais uma vez. Agachados, com o olhar dirigido à Terra, e desligados de qualquer irradiação da Luz, devem os seres humanos prosseguir sua vida. Pyramon indicou para um ponto onde o corredor novamente se tornava mais alto.

– Daqui em diante os seres humanos novamente podem erguer a cabeça. E parece que nada mais pode impedir o prosseguimento de sua caminhada. Contudo, isto é um erro, pois, como vedes, levanta-se de repente uma parede, pondo fim ao caminho deles. Essa parede significa o fim do tempo de desenvolvimento humano. Daqui em diante só existe uma única saída. E essa conduz, quando o ser humano se vira para a direita, à sala do Juízo com o sarcófago aberto.

Pyramon virou-se. Não, ninguém tinha perguntas. Eles queriam que ele prosseguisse falando. Aliás, do Juízo, que todos intimamente temiam. Pyramon tirou uma parede, de modo que todos podiam ver a sala. Calados e com toda a atenção contemplavam o sarcófago aí existente. Eles tinham a impressão de que mesmo o pequeno modelo do sarcófago tinha algo de sinistro.

A execução sem acabamento da sala chamou a atenção do rei de Sabá, e ele perguntou por que assim era.

– Todas as outras paredes e pisos da Pirâmide são lisos e reluzentes. Mesmo o sarcófago parece não estar ainda pronto, disse ele com surpresa.

Pyramon respondeu, sorrindo, que a sala do Juízo, na pirâmide, tinha o mesmo aspecto que no modelo.

– Lá o piso também é desigual, as paredes são ásperas e o sarcófago dá a impressão de torto. Mas assim é intencionado, pois sabeis que tudo na pirâmide tem sentido profundo e duplo.

A sala do Juízo, também chamada câmara do Rei, é o símbolo da época do Juízo. Início e fim desse Juízo poderão ser reconhecidos pela altura em que a sala está situada dentro da pirâmide e pelas suas medidas. Mesmo nas medidas desiguais do sarcófago encerram um profundo sentido.

O piso desigual indica que na época do Juízo os seres humanos não mais terão sob os pés um solo liso e firme. A terra onde eles se locomovem não contém mais nenhuma segurança para eles. Não sabem o que o próximo passo lhes pode trazer.

Além, disso, para onde quer que olhem, deparam com paredes e um teto que pelo seu aspecto, igualmente, nada promete de bom. Resta apenas olharem para o sarcófago, cujo aspecto mais temem. Sentem-se presos num recinto, do qual não há uma fuga.

A época do Juízo não poderia ser transmitida mais impressionantemente do que através dessa sala. Para onde quer que o ser humano se volte, a insegurança e o medo serão sempre seus acompanhantes. Não pode fugir de si mesmo e de sua própria culpa. Além disso, as condições terrenas naquele tempo serão de tal maneira, que ele, quer queira, será lembrado da morte.

A sala do Juízo, porém, não encerra apenas a morte! Ela é grande. Dá suficiente espaço para as pessoas que nela se encontram, andarem eretas e se movimentarem livremente. A amplitude da sala indica que um enviado das alturas supremas – com este entende-se o próprio Regente do Universo – trará, durante o tempo do Juízo, uma mensagem que encerra segurança, saber e salvação aos seres humanos que ainda puderem assimilá-la. De certas medidas do sarcófago depreende-se, contudo, que será mínimo o número daqueles que aceitarão o ensinamento salvador.

Para esses poucos agraciados, a sala do Juízo bem como o sarcófago, não amedrontarão. Deparam, sim, por toda a parte, com um mundo feio e desequilibrado, e o caminhar no piso desigual também nem sempre será fácil.

Em contraste com os outros, carregados de culpas, que dentro de si e em seu redor somente enxergam coisas feias, os agraciados procurarão melhorar e embelezar o seu ambiente! Devido ao seu anseio de criar um ambiente harmonioso, quererão ajudar os outros, que apenas enxergam coisas feias, a fim de que também o ambiente interior deles se torne belo e equilibrado.

– E o sarcófago? perguntou o rei de Ma’in. Os agraciados também vêm o sarcófago! E esse indica para a morte!

– A morte não encerra pavor para os seres humanos que vivem dentro das leis do Regente do Universo! Pelo contrário! Sabem que a morte terrena significa para eles o nascimento num mundo mais belo e superior! disse Pyramon com convicção.

Todos concordaram com Pyramon. Todos eles desejavam de todo coração que também para eles a morte fosse o nascimento num mundo superior.

Pyramon pegou um dos rolos de couro branco que estavam na mesa e desenrolou-o, indicando para os sinais de escrita verdes e vermelhos que cobriam o couro.

– Colocamos setenta placas com sentenças instrutivas nos diversos compartimentos da pirâmide. Os sábios da Caldéia escreveram essas sentenças em couro e em finas chapas de cobre, mandando-as para cá. Aqui nós as transcrevemos em placas pesadas e as colocamos na pirâmide. A sentença de uma dessas placas que coloquei no sarcófago, diz:

“Sem terminar realiza-se o mistério da vida e da morte. O mistério da transformação e do renascimento! Aquele que durante a sua vida terrena se lembrar da morte, não precisa temer o Juízo, quando o fim chegar!”

– Repete essa sentença para nós, Pyramon, pediu um dos xeques. Ela me deu esperanças! A seguir Pyramon teve de repeti-la várias vezes ainda, pois cada um queria gravar as palavras exatamente.

Quando todos sabiam de cor a sentença, Pyramon disse que ele havia mencionado apenas algumas das muitas profecias apontadas na pirâmide. Mas eles podiam perguntar, se quisessem saber mais.

Depois de pensar algum tempo, um dos xeques levantou a mão, indicando para uma grande rachadura visível num dos blocos de pedra que formavam o teto.

Todos levantaram as cabeças e viram a fenda na pedra, a qual parecia perigosa.

– Quase parece como se o teto estivesse rachado, murmurou o rei de Sabá. Logo depois, porém, ele olhou sorrindo para Pyramon e perguntou o que isso significava.

– Um rachadura na construção tão perfeitamente executada, seguramente indica algum acontecimento!

Pyramon deu-lhe razão e olhou um momento para o teto, dizendo a seguir que essa rachadura indicava um acontecimento que ocorreria dois mil e quinhentos anos mais tarde.

– Deve tratar-se de um gravíssimo delito da humanidade, pois as respectivas profecias dizem que os efeitos disso serão sentidos até as alturas máximas.

– O trabalho dos gigantes é insuperável. Essa rachadura parece um corte na pedra, disse um dos visitantes com admiração.

– As salas e os corredores também apresentam fendas, aliás, somente perceptíveis àqueles que conhecem os lugares, recomeçou Pyramon. Hoje são apenas fissuras fina, não representando nenhum perigo de desmoronamento. Contudo, se as salas e os corredores, em cujas pedras se encontram essas fissuras, estiverem desmoronados até o fim dos tempos, então a respectiva profecia diz o seguinte:

“O Regente do Universo poderá entrar na pirâmide, certificando-se de que o serviço de seus servos fora bem feito. Se, porém, até a sua vinda, as paredes, em todos os lugares onde hoje existem as rachaduras estiverem gravemente danificadas e desmoronadas, então a destruição esperará os seres humanos. Eles mesmos terão destruído os caminhos que conduzem para cima. A Divindade abandonará a Terra, voltando para o seu céu e tristeza haverá em seu coração…”

As palavras dessa profecia desencadearam em todos um medo atormentador. Foi como se um pesado fardo se deitasse sobre eles. Por que estavam com medo? Eles seguramente não estariam entre aqueles que destruiriam os caminhos para cima… Mas também sabiam que tais angustiantes sentimentos intuitivos saíam do espírito, e que deviam dar atenção a eles… Mais tarde então iriam se ocupar com a causa desse medo inexplicável. Agora não havia tempo para isso, pois Pyramon já prosseguia falando. Ele tirara um pequeno bloco ao lado da entrada da sala do Juízo e dizia:

– Este lugar indica o início do Juízo. Aqui já nos encontramos no último século. No século do Juízo. Na placa encostada neste lugar, dentro da pirâmide, encontram-se gravadas as seguintes palavras:

“O dragão que levou a ordem universal ao desmoronamento, deslocando seu eixo, alcançou o ápice de seu poder. Todos os povos até aqui já traíram o seu Criador! Voluntariamente curvaram-se ao domínio do dragão, ao domínio da mentira! Aqui chegou o fim do dragão. O Juiz Universal venceu-o com sua lança, pondo-o fora de ação! A sagrada lança está então dirigida contra a humanidade! O sarcófago aberto está esperando!”

– Essas palavras não significam nada de bom para nós, disse o rei de Sabá, quando Pyramon calou. Soam sem esperança. Mas eu te agradeço, em nome de todos, por nos teres comunicado justamente essa profecia. Há anos nossos pensamentos rodeiam esta extraordinária construção! E eu acho que todos me darão razão, se eu agora digo que será bom para nós, termos medo daquilo que ainda está no futuro! Tanto mais nos acautelaremos agora, para não cometermos erros que talvez não mais possam ser resgatados até o Juízo…

Quando o rei de Sabá terminou, todos agradeceram a pYramon. Eles esperavam, de todo coração, que essas palavras significativas se gravassem tão profunda e duradouramente em suas almas, que eles também se lembrassem delas em vidas terrenas posteriores.

– Achas, Pyramon, que as palavras dessa pavorosa profecia ainda estarão tão vivas em nossas almas, em nossa última vida terrena, que possam penetrar até os nossos cérebros?… Pergunto a mim mesmo, se até lá elas ainda terão bastante força para fazer com que nos tornemos conscientes delas!

Fora o irmão de Pyramon que falara. Também os outros haviam formulado essa pergunta intimamente. O que Pyramon responderia?

– Não sei qual será o estado de nossas almas então, disse Pyramon, após sérias reflexões. Acho que ninguém poderá predizer isso agora… Aphek, o sacerdote-rei da Caldéia, ainda falará convosco sobre as profecias… talvez ele possa dar-vos alguns esclarecimentos sobre isso.

Um dos xeques que se ocupava com a astronomia, ainda quis saber como seriam as influências dos astros no começo do Juízo.

– Nossos sábios já agora estão observando movimentos sob forma de turbilhões em redor do sol. E do próprio sol eles viram conjuntos de chamas elevarem-se tão alto, que não podiam segui-las com os olhos… Dizem também que ainda muito longe, atrás do sol, está girando um cometa, o qual transformará, no fim dos tempos, nosso sol num mar de chamas. Viram também, várias vezes, o próprio senhor do sol. O aspecto dele, contudo, havia-os inquietado profundamente. O maravilhoso era quase irreconhecível, de tão envolto que estava de chamas vermelhas de ira… A ira dele dirigia-se contra os seres humanos. Os sábios não tinham uma explicação para isso.

Com alívio, Pyramon viu Salum parado na entrada. O muito falar deixara-o cansado. Agora não mais precisaria dar outros esclarecimentos. Ultimamente sentia cada vez mais necessidade de estar só. Os visitantes tinham vindo de tão longe. Não devia perder a paciência. Percebendo que eles hesitavam em seguir o convite de Salum, ele então perguntou amavelmente se alguém ainda queria saber algo…

Mal Pyramon havia pronunciado essas palavras, e um dos visitantes saiu do grupo, colocando-se diante dele.

Era um velho, de estirpe nobre, chamado por todos xeque Ibrahim. Ele pediu a Pyramon que lhe dissesse uma sentença que tratasse da morte.

– Minha última vontade de ver a pirâmide ainda se realizou, mas eu sei que o tempo de minha existência terrena está no fim. Só me restam as forças vitais para voltar a minha pátria. A sepultura que acolherá meu corpo, já está preparada.

Pyramon, de bom grado, satisfez o desejo do velho. Ele tirou um rolo de couro branco da pilha, desenrolou-o e leu os sinais de escrita que ele mesmo escrevera:

“A alma do justo elevar-se-á cheia de força do seu invólucro terreno. Ela será recebida por entes que jubilarão de alegria e será conduzida em uma canoa vermelha, que navega num rio comprido e fundo, para o país ensolarado das almas. Entes dos ventos impulsionam a canoa rapidamente para frente. A viagem parece curta e logo alcançam a margem do novo e luminoso país. Também no novo país a alma é recebida com júbilo, e grinaldas de flores de Ankham são oferecidas a ela. Ela chegou ao destino, e a nova vida no país das almas se inicia!”

O velho xeque ouvira essas palavras com uma expressão de felicidade no rosto. Contudo, somente quando Pyramon, a pedido dele, ainda as repetiu novamente, ele se retirou, deixando vagarosamente o pátio.

– Qual é o teor da sentença escrita na placa de bronze, ao lado da estrada? perguntou um outro xeque com interesse.

Pyramon tirou uma pequena e fina placa de cobre de uma prateleira e leu os sinais de escrita gravados nela ainda pelo próprio Sargon:

“Vós, seres humanos, que entrastes nesta construção perfeita, prossegui com profundo respeito! Pois esta obra perfeita é um gigantesco papiro coberto de muitos sinais de escrita, que contêm uma dupla revelação!

Aquele que quiser decifrar o segredo do papiro de pedra, deverá implorar primeiramente o auxílio dos eternos!

Aquele que procura perscrutar a sabedoria oculta na pedra, deve inclinar-se diante da grandeza da obra e esquecer seus próprios pequenos conhecimentos durante algum tempo!

Aquele que se torna consciente de que é apenas uma minúscula partícula no mundo, e de que outros muito maiores do que ele mesmo governam o mundo, mantendo-o em movimento, novamente fará parte, como outrora, dos iniciados, e será um escolhido na Terra!

Somente aquele que for pequeno na Terra e grande no espírito, decifrará o segredo das pedras falantes, pois somente esse caminhará na graça dos eternos!

Aquele, porém, que tece redes de mentira, turvando a verdade, revela com isso apenas que faz parte dos seres humanos caídos, que se ligaram às forças do mal já desde muito tempo. Sejam esses advertidos, pois os filhos de Osíris zelam até o fim, e eles destruirão cada malfeitor.

Os grandes no espírito sema bem-vindos com a saudação da paz da eternidade. Eles trazem o amor no coração e a eles será permitido ver a sagrada chama no cristal. Os filhos de Osíris pedem a bênção deles!”

Também essas palavras Pyramon teve de ler repetidas vezes, antes que eles se dessem por satisfeitos, pois tinham o mais ardente desejo de que essa palavras se gravassem em suas almas para sempre.

Antes de deixar o pátio, o rei de Ma’in disse que todos eles se preocupavam muito por causa do último Juízo.

– O que podemos fazer, para que reconheçamos logo o Juiz Universal, quando ele vier à Terra? Pelas profecias da pirâmide sabemos de sua vinda. Sabemos também em que época o Juízo acontecerá, e também quando estará consumado. E embora estejamos convictos de que nada nos poderá acontecer de mal, se sempre seguirmos a lei do Onipotente Criador, a inquietante preocupação de que nesse ínterim possamos cair nas redes habilmente colocadas pelas servas de Septu, não nos abandona.

Quando o rei terminou, todos olharam para Pyramon. Aliás, com a silenciosa esperança de que ele lhes pudesse dar um conselho nesse sentido.

Pyramon recolocou a placa de cobre na prateleira, dirigindo-se depois a seus visitantes e olhando para cada um. O que deveria ele responder? Todos eles estavam firmemente ligados com os mundos superiores da Luz. Nenhum deles precisava preocupar-se… De repente lembrou-se de Harpo. Essa lembrança atingiu-o como um golpe… Os rostos dos que estavam a sua frente confundiam-se diante de seus olhos e o solo sob seus pés parecia oscilar. O acesso de fraqueza passou tão rapidamente como viera. Além de seu irmão, o rei de Kataban, ninguém havia notado algo.

Pyramon dominou seu susto e seu atordoamento. Por que fora ele lembrado da horrível mulher? Pois não estava morto o que se relacionava a ela? Tão morto como ela mesma?

Os visitantes ficaram inquietos. Por que Pyramon ficava calado tanto tempo? Talvez ele não pudesse entender a preocupação deles.

Somente reunindo toda sua força de vontade, Pyramon pôde novamente voltar a atenção aos seus visitantes. Ele já se havia considerado muito superior e inviolável, e agora caíra de sua altura imaginada.

– Posso compreender as vossas preocupações, pois elas também são minhas! disse ele finalmente. Contudo, não vos posso dar nenhum conselho. Oh! sim… de repente um sorriso libertador iluminou o seu rosto. Ele viu Tahia e Kina, que, despercebidas, haviam entrado no pátio. Logo depois apareciam também Chatna e Lachis com um grupo de mulheres, que, curiosas, investiram para dentro do pátio.

– Oh! sim, começou Pyramon de novo, pois existem também mulheres que vivem e atuam afastadas dos charcos de vícios. Essas mulheres possuem um poder que desperta o bem em cada um que chega em contato com elas. Nós todos apenas podemos pedir e esperar que nossos guias espirituais nos conduzam, na época do Juízo, àquelas mulheres, cuja total aspiração esteja dirigida rumo à Luz. E se formos de boa vontade, também acontecerá!

Essas palavras de Pyramon desencadearam uma alegria geral. Algo melhor do que uma mulher ligada a mundos superiores ninguém poderia desejar! Eles circundaram Pyramon, agradecendo-lhe a paciência e a atenção que ele lhes dispensara.

– Transmitiremos tuas palavras a nossos filhos e seus descendentes, para que eles também possam tirar proveito de tua sabedoria!

Depois dessa palavras eles deixaram o pátio, para ceder lugar às mulheres.

Fonte: A grande pirâmide revela seu segredo, Roselis von Sass, Ordem do Graal na Terra, 13 Edição, 1991, Embu-SP, pp. 283-296.

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A Grande Pirâmide

Publicado por: luxcuritiba em abril 19, 2008

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Heródoto, o historiador grego, apesar de haver criticado bastante o o Egito e seus habitantes, deixou para a humanidade uma documentação surpreendente e preciosa.

“Keóps”, escreve ele “deixou atrás de si uma obra colossal, sua pirâmide. Dizia-se que até o reinado do Faraó Ramsinitos era o Egito muito próspero e bem governado. Keóps, que sucedeu a Ramsinitos, fez com que todos os egípcios trabalhassem para ele. Uns foram encarregados de transportar até o Nilo as pedras extraídas das canteiras dos montes da Arábia; outros deviam carregá-las em barcos para cruzar o rio e arrastá-las desde os montes da Libia. Havia sempre cem mil homens trabalhando, cuja troca se dava a cada três meses. Dez anos foram gastos para ser construído o caminho que devia servir para transportar as pedras e foi aquela uma obra que nada tinha a dever às próprias pirâmides.

Media a estrada cinco estádios (923,50 metros). Estava construída com pedras polidas nas quais se haviam gravado figuras de animais. Somando-se a isto, tiveram que trabalhar dez anos para terminar a calçada, construir as câmaras subterrâneas que deviam servir de tumba. A construção da pirâmide mesmo necessitou de vinte anos de trabalho. Era quadrada. Cada uma de suas faces mede 8 pletos (246,26 metros) e tem a mesma medida de altura. As pedras são polidas e unidas com cuidado, sendo que nenhuma delas mede menos de 30 pés (9,24 metros)”.

O relato de Heródoto sobre a construção da grande pirâmide nos proporciona indicações muito precisas, desde os caracteres típicamente egípicios, até as somas pagas para a construçaõ daquele estranho edifício. E assim prossegue ele: Esta pirâmide foi primeiramente construída em forma de grande escada, composta pelo que alguns chamam de almenas e outros de gradas. Depois de ser-lhe dado esta primeira forma, levantaram-se as outras pedras por meio de Máquinas (Heródoto não descreveu o tipo de máquina a que se referiu) feitas de madeira cortada. Uma vez levantada a pedra até a primeira grada, colocava-se uma outra máquina que ali se encontrava com a qual se levantava até a segunda grada, e assim sucessivamente de grada em grada, pois havia tantas máquinas quantas gradas. O imporatante era a máquina, fácil de transportar, que era trasladada de um piso a outro depois de desarmada. Indicamos ambos procedimentos, pois assim nos foi relatado. A pirâmide leva inscrições que indicam em caracteres egípicios quantos rábanos, quantas cebolas e quantas de alho se gastaram para com os trabalhadores, e se bem recordo as palavras do intérprete que traduzia as inscrições, a soma alcançou seis mil talentos de prata, o que equivale a 41.884 quilos de metal. Se isto for verdadeiro, quantos mais talentos de prata se terão gastos para alimentar e vestir os obreiros?

Quatro séculos depois de Heródoto, o historiador Diodoro da Sicília (século I a.C.) visita o Egito e também se acorre as pirâmides que se conta entre as sete maravilhas do mundo. Igualmente ao seu predecessor, Diodoro de Sicilia se admira frente aos monumentos. “Tenho que reconhecer”, disse, “que estes monumentos são mais importantes do que tudo que se pode ver no Egito, não só pela magnitude de sua massa e das somas que foram gastas, senão também por sua beleza”.

Diodoro da Sicilia nos dá em seguida sua versão da construção das pirâmides. Seu relato fala também de três pirâmides, que representa como o conjunto funerário da IV Dinastia, do qual a Grande Pirâmide é seguramente o elemento mais importante e prestigioso, porém impossível de ser estudada e entendida fora deste contexto.

Tal como Heródoto, Diodoro de Sicilia estima em seis mil talentos a soma gasta em rábanos, cebolas e cabeças de alho para os trabalhadores da grande pirâmide. Porém, contráriamente a Heródoto não crê que os monumentos sejam as tumbas dos Faraós, os quais, em sua opinião, estão sepultados em lugares escondidos e secretos.

Todos os grandes escritores da antiguidade, assim como Heródoto e Diodoro de Sicilia têm ficado igualmente impressionados pela originalidade e pela beleza dos monumentos funerários egípcios.

Chegando-se em Gizé, o espetáculo que se oferece aos olhos do visitador é um dos mais harmoniosos criados pelo ser humano. Há um refrão egípcio que diz: “Todo o mundo teme ao tempo, porém o tempo teme às Pirâmides”.

A Grande Pirâmide tem sido motivo de estudos, interpretações, fonte de inspiração para crédulos e incrédulos; místicos e não místicos especulam o seu por que e para que. Isto tem dado motivação e impulsionado muitos a sobre ela escrever, investigar, pesquisar, enfim, buscar decifrar o seu sentido, a sua causa, os seus autores e até mesmo se os seus projetistas pertenceram ou não a este mundo.

A transcrição que se segue é bem reveladora do interêsse despertado pela Grande Pirâmide, pelos mistérios que a mesma encerra:

“No início de 1985, após alguns dias de mergulho no mar Vermelho, ao largo da costa egípcia, dois arquitetos franceses foram conhecer a Grande Pirâmide em Gizé. Ao examinar a enorme estrutura, notaram que diversos detalhes arquitetônicos simplesmente não faziam sentido. Alguns dos imensos blocos de pedra, por exemplo, foram colocados verticalmente, e não em sentido horizontal como os outros. Em certas partes da pirâmide, curiosos blocos irregulares sobressaem meio à pedra calcária polida. Assim como gerações de visitantes das pirâmides, os arquitetos Gilles Dormion e Jean-Patrice Goidin ficaram cativados pelo grande monumento. E também, como muitos outros, acharam que podiam desvendar seus enigmas. As anomalias estruturais, deduziram os franceses, eram indícios de câmaras ocultas e ainda inexploradas, no interior da pirâmide. Eles achavam que uma dessas câmaras secretas talvez até abrigasse os despojos do faraó Quéops, e que poderiam, assim, solucionar uma das eternas questões sobre a pirâmide: onde está o corpo para o qual ela supostamente foi construída?

Dormion e Goidin dispunham de significativa vantagem tecnológica em relação a investigadores anteriores. Após inúmeras visitas exploratórias às galerias internas, eles retornam em agosto de 1986 com um microgravímetro, um sofisticado aparelho capaz de registrar vazios de densidade, ou cavidades no interior da pirâmide. E, por trás das paredes de uma galeria que levava a um aposento conhecido como Câmara da Rainha, o aparelho detectou os vazios previstos pelos arquitetos. Encorajados por esse resultado, os dois conseguiram permissão do governo egípcio para perfurar a antiga parede de calcário.

Durante dias, os arquitetos e seus auxiliares trabalharam nos apertados corredores da pirâmide, perfurando cerca de dois metros em três locais diferentes. Mas tudo que descobriram foram bolsões de areia cristalina. O microgravímetro podia indicar a presença de cavidades na estrutura da pirâmide, mas não era capaz de determinar sua localização exata. As câmaras secretas, se existem, permaneceram ocultas. A Grande Pirâmide frustrara mais uma tentativa no longo e fascinante esforço de solução de seus perenes enigmas.

Desde a época dos gregos clássicos, os homens contemplam esse último sobrevivente das sete maravilhas do mundo antigo e se colocam questões que não conseguem responder. Como ela foi construída? Se era uma sepultura, como em geral se supôs, por que jamais foram encontraram símbolos ou objetos da realeza – para não falar do corpo do faraó? Se não era uma tumba, então para que foi erguida? E de que modo foi construída? Como, dadas as técnicas de construção da época, explicar a extraordinária exatidão de sua estrutura, seu alinhamento quase perfeito em relação aos pontos cardeais, a elegante precisão de sua alvenaria? Se o projeto da pirâmide incorpora avançados conhecimentos matemáticos e astronômicos, conforme muitos estudiosos acreditam, como foi que os egípcios adquiriram tal sabedoria antes de outras civilizações? Poderia o enigmático edifício ser a chave para algum tipo de poder místico desconhecido pela ciência moderna?

Não foram poucos os arqueólogos, astrônomos, estudiosos da religião e diletantes que discutiram tais questões ao longo dos séculos. Enquanto os arqueólogos que estudam as pirâmides apenas como artefatos históricos, os outros investigadores podem, em geral, ser classificados em três linhas de pensamento. A primeira, e mais comum, argumenta que a pirâmide representa um sistema universal de medida, que suas próprias dimensões expressam medidas arquetípicas de extensão e até mesmo de tempo. No século XIX, um grupo dissidente de estudiosos deu origem à segunda escola, que privilegia as extraordinárias propriedades da pirâmide enquanto gigantesco relógio solar e observatório astronômico. Os “arqueo-astrônomos” defendem à concepção de que os construtores das pirâmides possuíam conhecimentos de astronomia e das dimensões da Terra muito superiores ao que se possa imaginar.

Com a continuação do fascínio pelas pirâmides, surgiu no século XX uma terceira escola, muito mais especulativa, que se concentrou na própria forma da pirâmide e em seus efeitos físicos sobre seres vivos e objetos inanimados. Esses pesquisadores afirmam que a forma de pirâmide pode, de algum modo, ajudar no crescimento de plantas, manter os alimentos frescos por mais tempo e até mesmo reconstituir o fio de lâminas de barbear. Outros tentaram explicar os conhecimentos matemáticos supostamente inscritos na forma das pirâmides imaginando que seus construtores tivessem vindo da desaparecida Atlântida, ou té mesmo de outros planetas, ou de ambos. A pirâmide mantém-se em obstinado silêncio.

A pirâmide de Quéops ergeu-se em sua enigmática majestade no planalto rochoso de Gizé, 16 quilômetros a oeste do Cairo. Através de acácias, eucaliptos e tamarineiras que ornamentam o bulevar que dá acesso ao planalto, ergeu-se no terreno plano e varrido pelo vento à margem do deserto Líbio, de modo abrupto e dramático, uma assombrosa montanha de pedra cor-de-areia dominando os luxuriantes palmeirais junto ao Nilo. Em épocas passadas, as caravanas que vinham pelo deserto avistavam a pirâmide dias antes de alcançarem-na, um minúsculo triângulo no horizonte tornando-se cada vez maior em sua simétrica perfeição. A pequena distância, sua imponência é esmagadora. Os números dão uma pálida idéia de sua imensidão – a base ocupa uma área de 53 mil metros quadrados e a estrutura é composta de cerca de 2,3 milhões de blocos de calcário, cada um pesando 2,5 toneladas. Com a pedra usada em sua construção seria possível erguer um muro com blocos de 90 centímetros cúbicos, suficiente para cobrir dois terços da linha do Equador, totalizando 26 mil quilômetros.

A Grande Pirâmide e as duas outras existentes no mesmo local – atribuídas aos sucessores imediatos do faraó Quéops – foram erguidas durante o período da história egípcia conhecido como IV Dinastia, entre 2613 e 2494 a.C. Os egiptólogos acreditam que Quéops (assim o chamavam os gregos; seu nome egípcio era Khufu) mandou construir o imenso edifício para que servisse de sepultura e monumento a si mesmo. A camada externa era originalmente composta de blocos de calcário polido, encaixados uns nos outros com apurada precisão, mas esse invólucro de pedra foi retirado no século XIV e usado na construção do Cairo. Em algum momento na história, a pedra original do topo, que acrescentava 9 metros à altura da pirâmide, também foi removida.

Com base em seus conhecimentos acerca da religião egípcia, os egiptólogos afirmam que a forma da pirâmide estaria associada ao culto do sol. As laterais inclinadas, dizem eles, assemelham-se à difusão dos raios solares ao alcançarem a Terra a partir de uma nuvem e, por isso, a pirâmide representaria uma escada para o céu. Alguns estudiosos do antigo Livro Egípcio dos Mortos, como o escritor ocultista moderno Manly P. Hall. sustentam até mesmo que a pirâmide proporciona mais do que uma passagem simbólica para os domínios celestiais. segundo Hall, o edifício era um templo secreto onde os eleitos passavam por um ritual místico que os tornava divinos. Os iniciados permaneciam durante três dias e noites no interior da pirâmide enquanto seus ka – almas ou essências – deixavam os corpos e entravam nas “esferas espirituais do espaço”; assim “alcançavam a verdadeira imortalidade” e tornavam-se iguais aos deuses.

Em um plano mais terreno, restam muitas dúvidas sobre o modo como, em uma época sem roldanas ou mesmo rodas, foi construída a maciça pirâmide. Os arqueólogos, contudo, propuseram uma explicação geral: os construtores aplainaram de algum modo o local e em seguida delimitaram os lados da pirâmide baseando-se na observação das posições das estrelas circumpolares. Nas pedreiras situadas a poucos quilômetros, os pedreiros cortavam o calcário com martelos de pedra e cinzéis de cobre. Grupos de centenas de homens arrastavam os blocos até o local da construção; o granito usado em algumas partes internas foram trazidos de balsa, pelo Nilo, de um lugar a 640 quilômetros. Para erguer os blocos de várias toneladas pelas laterais da pirâmide, os construtores podem ter usado uma rampa de terra em espiral, embora alguns especialistas acreditem que tenham usado alavancas para mover algum tipo de elevador. Os blocos eram em seguida encaixados com precisão milimétrica, demonstrando uma habilidade que impressiona os engenheiros contemporâneos.

Muitos estudiosos duvidaram que uma estrutura tão imponente quanto a Grande Pirâmide – um milagre de engenharia, um prodígio de décadas de trabalho estafante – tivesse sido construída para abrigar uma única múmia de faraó. Explicações alternativas foram propostas desde antes da era cristã. O historiador romano Júlio Honório afirmou que as pirâmides serviam para armazenar cereais. (Outro escritor da Antigüidade achava que eram vulcões extintos). Os árabes, que dominaram o Egito durante séculos, pensavam que fossem repositórios de conhecimentos antigos construídas por reis que temiam uma catástrofe, talvez o dilúvio; os contos populares da região diziam que na Grande Pirâmide estavam gravados um guia para as estrelas e uma profecia do futuro. A superstição dava origem a lendas; segundo os árabes, fantasmas assombravam os corredores e uma mulher nua com dentes estragados seduzia os invasores levando-os à loucura.

O historiador grego Heródoto foi o primeiro a registrar de modo sistemático informações sobre a Grande Pirâmide. Heródoto visitou Gizé no século V a.C., quando o monumento já existia há 2 mil anos, e descreveu sua construção com base nas conversas que manteve com os egípcios. Impossibilitado de penetrar no interior do edifício (a entrada estaca escondida), aceitou a explicação de seus informantes de que a pirâmide era uma sepultura construída para o tirânico Khufu. A câmara mortuária do rei, disseram eles ficava no subterrâneo.

De acordo com Heródoto, 100 mil homens trabalharam na pirâmide, com novas turmas de operários sendo convocada a cada três meses. Eles construíram a estrada entre o rio e o planalto em dez anos; outros vinte foram necessários para completar a pirâmide. Os engenheiros ergueram, passo a passo, os gigantescos blocos pelas laterais da estrutura utilizando “máquinas feitas de curtas tábuas de madeira”. Heródoto não especificou o modo de funcionamento de tais máquinas. Também disseram a ele que os blocos de revestimento externo foram colocados do topo para a base, após o término da estrutura interna. As pedras, polidas e brilhantes, eram recobertas de inscrições – perdidas quando os blocos foram removidos para o Cairo. Heródoto interessou-se pela Grande Pirâmide principalmente enquanto projeto de engenharia. Mas o estudioso seguinte da pirâmide abordou o monumento de uma perspectiva diferente e introduziu o que se tornaria um tema constante: a busca dos conhecimentos matemáticos à disposição dos antigos.

Um califa árabe do século IX, Abdullah Al Mamun, jovem governante de espírito científico com interesse pela astronomia, sonhava fazer um mapa do mundo e outro das estrelas. A pirâmide atraiu sua atenção quando ouviu dizer que as câmaras secretas do monumento continham mapas e tabelas altamente preciosos, compilados pelos construtores. Para os companheiros do califa, talvez atraísse mais a notícia de um grande tesouro escondido no interior da pirâmide.

Historiadores árabes posteriores registraram a dramática história de como o califa e sua equipe de arquitetos, construtores e pedreiros realizaram sua exploração em 820 d.C. Incapazes de encontrar a entrada do edifício, optaram por um ataque direto, aquecendo com fogos o bloco de calcário e em seguida encharcando-os com vinagre frio até racharem. Após abrirem um túnel de 30 metros na rocha, os exploradores por fim alcançaram um estreito corredor de um metro de altura, que subia de maneira íngreme. Na extremidade superior, encontraram a entrada original da pirâmide, 15 metros acima do nível do chão, bloqueada e escondida por uma porta rotatória de pedra. Então, os homens do califa desceram pela galeria original. Depois de se arrastarem de cócoras por uma escuridão de breu, encontraram apenas uma câmara vazia e inacabada. Se havia algum texto secreto ou tesouro do faraó, estavam em outra parte.

A excitação voltou, contudo, quando os homens de Al Mamun desceram pelo corredor e descobriram o que parecia ser uma outra galeria ascendente. Infelizmente, a entrada estava completamente fechada por um enorme bloco de granito, obviamente colocado ali de propósito. O granito era um obstáculo intransponível aos martelos e cinzéis, mas os obstinados árabes descobriram que podiam escavar os blocos de calcário em torno do granito. No entanto, assim que conseguiram ultrapassá-lo, encontraram outro obstáculo de granito e, depois, vários outros. Alguém tomara muito cuidado para evitar que intrusos penetrassem no interior da pirâmide.

Após penosamente abrirem caminho pelos blocos de granito, alcançaram um corredor de teto baixo que subia até cruzar uma galeria nivelada. Esta levou-os a um aposento de teto inclinado, com 6 metros de altura e 6 metros quadrados de área, que depois seria conhecido como a Câmara da Rainha (por causa do costume árabe de enterrar as mulheres em sepulturas com tetos inclinados). Nenhuma rainha foi encontrada e a câmara estava completamente vazia. Extenuados, os árabes retornaram à galeria ascendente e descobriram que ela abruptamente transformava-se em um esplêndido corredor, cujas paredes de calcário polido, com 8,5 metros de altura, receberam mais tarde o merecido nome de Grande Galeria. Ainda subindo, a galeria prolongava-se por mais 50 metros antes de desembocar em uma antecâmara; depois dela estava o maior aposento no interior da pirâmide, uma imponente sala com cerca de 10 metros de comprimento, 5 de largura e quase 6 de altura – mais tarde batizada de Câmara do Rei.

Al Mamun e seus assistentes entraram animados no salão, sem dúvida certos de encontrarem o prêmio fabuloso pelo qual haviam trabalhado tão duro. E ali, junto a uma parede de granito vermelho, eles o viram – um grande sarcófago de pedra marrom, tão grande que a câmara devia ter sido construída em torno dele. Empunhando as tochas, correram para ver o que havia no interior. Não encontraram nada. O sarcófago estava vazio. Terrivelmente desapontados, os árabes arrebentaram parte do assoalho e golpearam as paredes, esperando encontrar algum indício do tesouro. Al Mamun concluiu que o sarcófago sempre estivera vazio, ou que saqueadores haviam pilhado a sala muito tempo antes. Mas se intrusos estiveram antes na câmara, uma questão simples permanecia sem resposta: como conseguiram passar pelos blocos de granito que deram tanto trabalho ao califa e seus homens?

Oito séculos se passaram antes do passo seguinte na busca dos conhecimentos inscritos na pirâmide. Durante esse período, a Europa saiu da Idade Média e iniciou uma era de expansão e conquista do mundo. Aventureiros, mercadores e estadistas estavam igualmente limitados por sua ignorância da geografia mundial e pela inexistência de um sistema único de pesos e medidas. A fim de solucionar isso, os estudiosos voltaram-se – como faziam com frequência – para a Antigüidade, na esperança de encontrar alguma unidade de medida esquecida, que se baseasse no conhecimento preciso das dimensões da Terra.

Com esse objetivo, o matemático britânico John Greaves visitou o Egito em 1638. O erudito de 36 anos passara a maior parte de sua vida em ambientes universitários, primeiro em Oxford e, depois, como professor de geometria no Gresham College, em Londres. Mas os livros, descobriria Greaves, não substituíam a experiência. Ele foi à Itália, onde mediu os monumentos romanos a fim de descobrir o lendário pé romano (uma fração de polegada menor que o pé britânico, concluiu) e depois a Gizé.

Greaves acreditava, assim como o califa Al Mamun, que os construtores da pirâmide haviam tido aceso a conhecimentos geométricos que depois se perderam. Na esperança de descobrir a unidade de medida empregada, Greaves galgou o monte de entulho com 12 metros de altura que se acumulara junto à base e, munido de seus instrumentos, entrou na pirâmide pela abertura feita por Al Mamun. A primeira coisa que encontrou foi uma nuvem de morcegos, que dispersou disparando uma pistola. Em seguida, arrastou-se ao lado dos blocos de granito como os árabes haviam feito, mediu cuidadosamente a Câmara do Rei e o sarcófago (1,97 metro, o que indicou a Greaves que as dimensões humanas não haviam se modificado) e observou maravilhado a exatidão do trabalho de alvenaria.

Sua principal descoberta, todavia, foi um estreito poço que mergulhava nas trevas a partir do assoalho da Grande Galeria. Seria ele uma saída utilizada pelos construtores após terem colocado no lugar os blocos de granito? Uma passagem aberta por saqueadores? Greaves nunca descobriu; os morcegos e as atmosfera insalubre forçaram-no a desistir do reconhecimento do poço após ter descido 18 metros. Encerrou seus estudos concluindo que a pirâmide media 146 metros de altura e tinha 211 metros de lado, na base; esta última estimativa revelou-se depois incorreta. Retornou à Inglaterra, onde publicou um livreto eruditamente intitulado Pyramidographia. O matemático não encontrara a unidade básica de medida que procurava, mas seu livreto, com as medidas e a descrição da pirâmide, chamou a atenção de alguns dos maiores sábios da época.

Por exemplo, William Harvey, o descobridor da circulação do sangue, deduziu corretamente que Greaves deixara de pesquisar um possível sistema de ventilação no interior da pirâmide (descoberto por exploradores posteriores); o fisco Sir Isaac Newton utilizou os números apresentados por Greaves para deduzir medidas que chamou de cúbitos sagrados e profanos. Newton tinha esperança de que tais unidades básicas ajudassem-no a calcular a circunferência da Terra, um valor numérico fundamental para sua teoria de gravitação. Infelizmente os números de Greaves não eram preciosos o suficiente para tal finalidade e Newton precisou aguardar alguns anos até que outros determinassem o comprimento de um grau terrestre.

O assalto seguinte às pirâmides foi literalmente um ataque militar. Em julho de 1978, as disciplinadas tropas francesas sob o comando do general Napoleão Bonaparte derrotaram soldados egípcios armados de cimitarras na sanguinolenta batalha das Pirâmides. E não demorou muito para que o jovem Bonaparte lançasse um ataque contra os segredos da Grande Pirâmide por meio dos cientistas franceses que acompanhavam seu exército.

Os sábios ficaram intrigados por muitas das mesmas questões sobre a pirâmide e seus construtores que haviam fascinado John Greaves mais de um século e meio antes. O estudante mais interessado nos segredos da pirâmide era um jovem cientista chamado Edmé-François Jomard, que vasculhara a escassa e pouco confiável literatura sobre o assunto acumulada ao longo do século. Do mesmo modo que Greaves, estava particularmente ansioso para determinar a unidade de medida empregada pelos construtores e descobrir se estava baseada nas dimensões da Terra – como o era o sistema métrico então recentemente adotado pelos revolucionários franceses. (O metro foi então definido como 1/10.000.000 do quadrante da circunferência terrestre, do Pólo Norte ao Equador.)

Jomard e seus colegas logo desistiram da tentativa de investigar o interior da pirâmide ao depararem com enormes montes de guano depositado por morcegos. Os furiosos animais, relatou um coronel francês, “arranhavam com suas garras e sufocavam com o ácido fedor de seus corpos”. Impossibilitados de seguir adiante, os sábios concentraram-se na parte externa da pirâmide. Auxiliados por uma turma de 150 operários turcos, removeram toneladas de areia e entulho das extremidades noroeste e nordeste; com isso, descobriram duas depressões retangulares no leito rochoso, onde se apoiavam os alicerces originais, removidos séculos antes. Esta descoberta proporcionou-lhes dois bons pontos de referência para a medição da base da pirâmide, embora tal tarefa ainda fosse dificultada pela acumulação de entulho ao longo do lado norte. Jomard mediu primeiro um dos lados da base: 230,9 metros. Em seguida, escalou penosamente a pirâmide até chegar ao que restara do topo, uma plataforma de 13 metros quadrados, de onde tentou, em vão, lançar uma pedra além do perímetro da base. Ao descer, mediu a altura de cada degrau. Altura total: 146,6 metros. Com estes números, Jomard calculou o ângulo de inclinação da pirâmide – 51º 19’ – e seu apótema, ou seja, a linha que une o ápice ao ponto mediano de cada um dos lados da base, cujo valor era 184,7 metros.

O jovem cientista sabia que autores antigos haviam atribuído ao apótema o valor de um estádio. Também sabia que o comprimento de um estádio – uma unidade de medida fundamental na Antigüidade – estava supostamente associado à circunferência da Terra. O valor que obtivera para o apótema, portanto, era um número de grande importância. A seguir, Jomard voltou sua atenção para o cúbito, outra antiga medida de comprimento. Segundo Heródoto, um estádio equivalia a 400 cúbitos; assim, o francês dividiu o valor do apótema por 400, obtendo como medida do cúbito 0,4618 metro. Outros autores gregos haviam afirmado que a base da Grande Pirâmide media 500 cúbitos de lado. Quando Jomard multiplicou 0,4618 por 500 obteve o resultado de 230,9 metros, exatamente o valor que encontrara ao medir o lado da base. O significado disto era claro para Jomard: os egípcios possuíam avançados conhecimentos de geometria. Conhecendo as dimensões da Terra, deduziram suas unidades de medida a partir da circunferência terrestre e registraram tais conhecimentos na Grande Pirâmide. A prova estava nas pedras.

Infelizmente para Jomard, medições feitas com instrumentos pouco precisos em meio aos bancos de areia móveis do deserto podiam ser bastante inexatas. A tarefa de medir a pirâmide era complicada devido aos deslocamentos de areia causados pelos ventos e ao entulho que se acumulava em enormes montes ao redor do monumento. Era preciso um grande trabalho de escavação apenas para aproximar-se da base. Não surpreendeu, portanto, que os colegas de Jomard, ao refazerem as medições da base e da altura, chegassem a resultados ligeiramente diferentes. Além disso, concluíram, nenhuma evidência do cúbito de Jomard podia ser encontrada em outras antigas construções egípcias. No final, os sábios franceses recusaram-se a abandonar a idéia de que haviam sido os gregos, e não os egípcios, os fundadores da ciência da geometria. Quando retornaram à França e publicaram um minucioso relatório de 24 volumes sobre suas descobertas (inclusive a Pedra de Rosetta, chave que permitiu decifrar os hieróglifos egípcios), as concepções obstinadamente defendidas por Jomard não tiveram repercussão.

A expedição francesa e os relatos sobre ela divulgados na Europa provocaram uma explosão de interesse pela civilização egípcia. Os europeus do século XIX ficaram apaixonados pelo Egito: os museus disputavam múmias, estátuas e obeliscos; os artistas pintavam pirâmides em paisagens bucólicas; os criadores dos estilos Império e Regência lançavam mão de temas egípcios; e os aristocratas mandavam entalhar esfinges e crocodilos em seus móveis. Ao morrer, o nobre escocês Alexander, décimo duque de Hamilton, foi ele próprio mumificado.

O tema das pirâmides difundiu-se exatamente na época em que a sociedade européia, especialmente a sociedade vitoriana inglesa, entrava em um período agitado e a ciência moderna parecia ameaçar as crenças religiosas tradicionais. Em reação a isso, alguns eruditos religiosos utilizaram as misteriosas construções egípcias como prova da presença da mão divina no mundo. O primeiro grande defensor dessa teoria foi um editor e crítico londrino chamado John Taylor. Taylor era um homem erudito profundamente religioso, um grande conhecedor das Escrituras, da matemática, da astronomia e da literatura. Após começar a vida como aprendiz de livreiro, Taylor chegara na década de 1820, a editor da London Magazine; seu círculo de conhecidos incluía os poetas John Clare e John Keats. Porém, ele acabou “espantando a metade de seus amigos”, segundo um deles, por causa de sua obsessão, que se prolongaria por trinta anos, pelo mistério da Grande Pirâmide.

Taylor nunca visitou o Egito; em vez disso, construiu um modelo da pirâmide em escala a fim de realizar seus estudos. Descartando a hipótese de a pirâmide ser apenas uma sepultura, Taylor debruçou-se sobre os números obtidos por Jomard e outros em busca de um princípio unificador. Para sua surpresa, descobriu que, ao dividir o perímetro da pirâmide pelo dobro de sua altura, o resultado era um número quase idêntico ao valor de pi (3,14159…), a constante pela qual se multiplica o diâmetro de um círculo para obter sua circunferência. Para Taylor, esta era uma descoberta promissora: se os construtores da pirâmide tinham conhecimento do pi, que havia sido calculado corretamente até a quarta casa decimal apenas no século VI de nossa era, o que mais eles sabiam? No mínimo, concluiu, sabiam o valor da circunferência do globo e, também, a distância de centro da Terra aos pólos. Usando o pi como elo de ligação, Taylor calculou que a relação entre a altura da pirâmide e seu perímetro era igual à existente entre o raio polar da Terra e sua circunferência, ou seja, dois pi. Longe de ser uma simples câmara mortuária, concluiu Taylor, a pirâmide trazia inscrita em sua estrutura a sabedoria dos antigos egípcios. “Ela foi construída para ser um registro das medidas da Terra”, afirmou.

No entanto, Taylor não acreditava que os sábios egípcios da IV Dinastia estivessem de posse dos conhecimentos gravados na pirâmide. Esses conhecimentos deviam ter vindo de Deus. “É provável”, escreveu ele, “que, nas épocas iniciais da sociedade, o Criador tenha proporcionado a alguns indivíduos certo grau e poder intelectual, que os levou muito acima do nível dos posteriores habitantes da Terra. “Deus instruíra os construtores de pirâmides do mesmo modo que orientara Noé para a construção da Arca, escreveu Taylor, segundo o qual a humanidade havia degenerado intelectualmente desde então. Taylor estava com 78 anos quando seu livro A Grande Pirâmide: Por Que foi Construída? Quem a Construiu? foi publicado em 1859. Embora suas teorias fossem bem recebidas em alguns círculos, a Sociedade Real recusou-se polidamente a ouvir uma palestra que ele preparara sobre o assunto. Contudo, antes de morrer, poucos anos mais tarde, Taylor conquistaria pelo menos um adepto influente – o astrônomo-real da Escócia, Charles Piazzi Smyth.

Intelectual e socialmente, Smyth superava Taylor: era filho de um almirante e afilhado do renomado astrônomo italiano Giuseppe Piazzi, o primeiro a descobrir um asteróide. Chegara ao posto de astrônomo-real da Escócia com apenas 26 anos; doze anos depois, um importante ensaio sobre óptica levou-o a ser eleito membro importante da Sociedade Real de Edimburgo, uma honraria cobiçada por todos os cientistas. No entanto, a piramidologia, dificilmente o assunto popular na Sociedade Real da época, acabou dominando sua carreira profissional. Fascinado por Taylor, Smyth abraçou a causa do editor moribundo com um ardor que, como no caso de Taylor, era científico e religioso, além de conter uma parcela de patriotismo. Convencido de que a unidade básica de medida era a por ele denominada polegada piramidal, identificou essa distância como sendo 1/25 de um cúbito, praticamente o mesmo valor de uma polegada britânica. Esta foi uma contribuição oportuna à campanha empreendida pelos cientistas britânicos contra a adoção do sistema métrico decimal elaborado pelos franceses, uma proposta vista por Smyth com sobressaltos nacionalistas.

No final de 1864, o astrônomo – que estava com 45 anos – foi ao Egito, acompanhado de sua mulher, para fazer o que Taylor não havia feito: realizar suas próprias medições e levantamentos. Equipado com os instrumentos mais modernos, inclusive uma câmara, o casal montou seu acampamento em uma tumba abandonada na parede de um rochedo, de onde viam nuvens de morcegos saindo da pirâmide ao anoitecer.

Smyth passou várias noites no topo do monumento, fazendo observações astronômicas que mostraram estar a pirâmide situada a minutos dos 30º de latitude norte. Também observou que a sombra desaparecia completamente no equinócio da primavera e concluiu que isto indicava um avançado conhecimento de astronomia. Suas medições do exterior da pirâmide resultaram em números próximos ainda mais de pi do que os números de Taylor, chegando à quinta casa decimal.

Smyth concordava com Taylor quanto a idéia de que a Grande Pirâmide preservara antigos conhecimentos científicos. As medidas incorporadas em sua estrutura eram “comensuráveis à Terra de maneira mais sábia e admirável”, escreveu ele, “que qualquer outra coisa jamais concebida pelo espírito do homem”. Smyth foi ainda mais longe do que Taylor, afirmando que também medidas de tempo estavam incorporadas na construção da pirâmide. Segundo o astrônomo, o perímetro da estrutura, em polegadas piramidais, era equivalente a mil vezes 365,2 – o número de dias em um ano solar. Com assombrosos conhecimentos físicos, os construtores das pirâmides haviam calculado tudo isso, escreveu Smyth, 1.500 anos antes “do infantil início de tais coisas entre os antigos gregos”.

Em seu livro Nossa Herança na Grande Pirâmide, Smyth concluiu, assim como Taylor fizera antes dele, que apenas Deus poderia ter projetado a Grande Pirâmide. A Bíblia, disse ele, afirma que em épocas passadas Deus conferiu “sabedoria e instruções métricas para construções” a alguns poucos escolhidos “por algum motivo especial e desconhecido”.

Anos mais tarde Smyth afirmaria que a pirâmide também revelava a distância da Terra ao sol quando sua altura em polegadas era multiplicada por dez à nona potência; e dez para nove era a proporção entre a altura e a largura da pirâmide. Além do mais, a pirâmide provava a existência de Deus, e também previa a data da segunda vinda de Cristo.

Embora o pitoresco estilo literário de Smyth tenha ajudado a vender seus livros, ele não convenceu muitos cientistas. Um companheiro da Sociedade Real de Edimburgo classificou suas idéias de “estranhas alucinações nas quais apenas mulheres débeis acreditam”. Um crítico dos Estados Unidos expressou, de modo brincalhão, a visão cética de que os números podiam ser manipulados de modo a provar quase tudo: “Se uma unidade adequada de medida for encontrada”, comentou ele, “um equivalente exato da distância até Timbuctu será encontrado (…) no número de postes da Bond Street, ou na gravidade específica da lama, ou ainda no peso médio do peixe dourado adulto.”

Mesmo assim, a obra de Taylor e Smyth encontrou adeptos, que quanto mais investigavam a Grande Pirâmide, mais descobriam mensagens ocultas de cunho espiritual, científico e histórico. O clérigo norte-americano Joseph Seiss escreveu em 1877 que as pedras da pirâmide continham “um grande sistema de números, medidas, pesos, ângulos, temperaturas, graus, problemas geométricos e referências cósmicas inter-relacionados”. Seiss ficou especialmente impressionado pela inexorável repetição do número cinco: a pirâmide tinha cinco pontas e cinco lados (incluindo a base), e uma polegada piramidal era um quinto de um quinto de um cúbito. Seria apenas coincidência, indagou ele, que tivéssemos cinco sentidos, cinco dedos em cada membro e que fossem cinco os livros de Moisés?

Os piramidólogos também chamaram a atenção para um fato extraordinário: a latitude e a longitude que se cruzam na pirâmide – 30º N e 31º L – passam por mais terras firmes do que quaisquer outras. Seria possível que os antigos egípcios soubessem isso e tivessem construído de propósito a imensa estrutura exatamente no centro do mundo habitável? Em escala menor, um quadrante estendendo-se em linhas retas a nordeste e noroeste a partir da pirâmide abarcava todo o delta do rio Nilo. Os agrimensores da Antigüidade certamente teriam considerado isso de grande utilidade, considerando que viviam em um território regularmente sujeito a inundações periódicas.

O suposto significado religioso, no entanto, foi o que desencadeou os debates mais acalorados na Inglaterra vitoriana. A teoria de muitos piramidólogos, segundo a qual a estrutura da pirâmide teria sido inspirada por Deus, intensificou o choque entre os evolucionistas, recém-armados com as idéias de Charles Darwin sobre as origens da vida, e os cristãos fundamentalistas, que acreditavam na verdade literal da Bíblia.

Smyth e seus seguidores, somando polegadas piramidais, consideravam a pirâmide uma prova irrefutável da existência de uma divindade que criara o mundo em 4004 a.C. – data calculada por um clérigo irlandês do século XVIII, James Usher, e amplamente aceita pelos ortodoxos. Os ancestrais mais remotos do homem, portanto, não teriam sido primatas que viviam em florestas, mas mestres-construtores que seguiam os desígnios de Deus. Nos Estados Unidos, um grupo se formou para defender a adoção de um sistema de medidas baseado nos cúbitos piramidais sagrados, em oposição ao sistema decimal ateu. Um dos membros dessa organização era o próprio presidente da República, James Garfield.

Tal controvérsia em torno das pirâmides exigia, sem dúvida, a contribuição da ciência pura, desvinculada de preconceito e ilusões. Assim, em 1880, um inglês de 26 anos com o altissonante nome de William Matthew Flinders Petrie zarpou para o Egito, carregado de sofisticados instrumentos, com a ambição de dar fim a todas as especulações sobre as dimensões e o alinhamento da misteriosa construção.

Flinders Petrie, como era conhecido, tinha excelentes qualificações, tanto por sua linhagem quanto por sua educação, para essa tarefa. Seu avô materno, o capitão Mattew Flinders, tornara-se famoso por suas expedições na Austrália. Seu pai, William Petrie, era um engenheiro que ficara muito impressionado com as idéias de Taylor e se tornara ele próprio um estudioso de pirâmides, dedicando vinte anos de sua vida ao projeto e fabricação de equipamentos especiais capazes de medir a Grande Pirâmide com uma exatidão sem precedentes. Seguindo o exemplo do pai, o jovem Flinders Petrie lera o livro de Smyth com apenas 13 anos. Fascinado pela noção de diversos padrões de medida, Petrie tornou-se topógrafo e passou a viajar pela Inglaterra, registrando meticulosamente as dimensões de várias construções e antigos sítios megalíticos, como os grandes círculos de pedra de Stonehenge.

Quando chegou ao planalto de Gizé, com abundantes provisões e inúmeras caixas contendo os instrumentos construídos pelo pai, Petrie agiu como muitos outros antes dele e montou seu acampamento em uma tumba vazia no paredão rochoso. em seguida, pôs-se a trabalhar, medindo repetidamente todas as partes da Grande Pirâmide e de suas duas vizinhas menores. Para afastar os aborrecidos e curiosos turistas britânicos, ele às vezes se vestia com uma calça e uma camiseta de cor rosa berrante. No interior quente e poeirento da pirâmide, com frequência trabalhava nu até altas horas da noite, evitando assim encontrar-se com os turistas.

O trabalho não era isento de riscos, como constatou seu amigo, dr. Grant, que certa noite acompanhou o topógrafo em sua expedição. “Passei por momentos terríveis quando ele desmaiou no poço”, escreveu Petrie. “Carregar um homem muito pesado, quase inconsciente, para fora de um poço de 20 metros, com pouco apoio para os pés, e sabendo que a qualquer momento ele poderia nos fazer cair até o fundo, é uma situação de perigo que nunca se esquece.”

Petrie ficou assombrado com a perfeição do trabalho realizado pelos antigos construtores. Utilizando instrumento cuja precisão chegava a 2,4 milímetros, ele descobriu que os erros tanto nos comprimentos quanto nos ângulos da pirâmide eram mínimos. As paredes da galeria descendente eram perfeitamente retas, com variações da ordem de 6 milímetros, ao longo de 106 metros. Ele comparou a colocação das pedras do revestimento externo “ao mais delicado trabalho de um óptico, mas em uma escala de acres”. A qualidade do trabalho, contudo, começava a piorar na ante-sala da Câmara do Rei, levando o jovem topógrafo a levantar a hipótese de que o arquiteto original não terminara o trabalho. O resultado dos esforços de Petrie, apresentado em um livro de 1883 intitulado As Pirâmides e Templos de Gizé, foi ao mesmo tempo favorável e desfavorável a Smyth e aos piramidólogos. Petrie confirmou a relação equivalente a pi entre a altura e o perímetro da pirâmide. Descobriu também que o pi estava presente na relação entre o perímetro e o comprimento da Câmara do Rei. Mas o valor que obteve para a base da pirâmide era menor que o de Smyth, refutando assim a teoria do escocês de que o comprimento da base equivalia ao número de dias em um ano. Petrie também chegou a uma medida de cúbito diferente, e não encontrou qualquer indício favorável à querida polegada piramidal de Smyth.

Após constatar o que chamou de “pequena e feia ocorrência que destruiu a bela teoria”, Petrie embarcou em uma ilustre carreira como egiptólogo, que acabou rendendo-lhe um título de nobreza. E os números que encontrou para as dimensões da pirâmide permaneceram os mais confiáveis até 1925, quando um levantamento feito pelo governo egípcio acabou com todas as discussões numéricas.

Revelou-se então que os quatro lados apresentavam uma variação de comprimento que não ultrapassava 20 centímetros: o lado sul tinha 230,45 metros de comprimento; o leste 230,39; o oeste 230,36; e o norte 230,24 metros. Mais impressionante do que isso era o fato de os lados estarem perfeitamente alinhados com os quatros pontos cardeais. O cientista francês Jomard estimara a altura corretamente em 146 metros, mas errara no cálculo do ângulo dos lados, que é 51º 52’.

Mesmo tendo Petrie arrasado definitivamente a teoria dos piramidólogos, esta continuou atraindo adeptos, os quais não cessaram de fazer novas descobertas durante o século XX. O engenheiro britânico David Davidson, que começou suas investigações como agnóstico desdenhoso e em 25 anos tornou-se um verdadeiro crente, conseguiu reconciliar as descobertas de Petrie com as idéias de Smyth por meio de um complexo conjunto de cálculos que levava em conta a concavidade praticamente invisível das paredes da pirâmide (que não são na verdade completamente planas). Petrie não deixara de levar isso em conta, afirmou Davidson, mas ele não havia estendido essa projeção ao revestimento externo original. Ao fazer isso, segundo Davidson, via-se que a afirmação de Smyth, de que o perímetro representava o ano solar, estava correta. Em 1924, Davidson, o antigo cético, publicou um livro de 568 páginas no qual, após cerrada argumentação, concluía que a pirâmide era “a verdade em forma estrutural”.

Os adeptos das comparações numéricas continuariam a ser alvo de acusações de manipulação por parte da comunidade científica. Martin Gardner, um escritor moderno que pertence sem dúvida ao grupo dos céticos, ridicularizou a obsessão pelo número cinco de Joseph Seiss, aplicando o mesmo critério ao monumento a Washington, nos Estados Unidos. Segundo Gardner, além de o monumento ter uma altura de 555 pés e 5 polegadas, sua base tem 55 pés quadrados e suas janelas estão a 500 pés da base. O assim chamado, por Gardner, pé monumental, resulta em uma base de 56,5 pés, os quais, multiplicados pelo peso da pedra que fica no topo do monumento, resultam em um número muito próximo ao da velocidade da luz. Haveria aí alguma coincidência?, indaga Gardner.

As dimensões da pirâmide não foi o único aspecto investigado. Na mesma época em que Petrie e Davidson contavam cúbitos, outros estudiosos britânicos voltavam sua atenção para o céu. No final do século XIX, o astrônomo britânico Richard Proctor inaugurou os estudos sobre as pirâmides que receberiam o nome de arqueoastronomia. A pesquisa de Proctor revelou que, antes de ficar pronta, a Grande Pirâmide pode ter sido usada como observatório astronômico, conforme haviam dito os historiadores árabes e também o autor romano Proclo. O astrônomo britânico afirmou que o perfeito alinhamento das galerias internas em relação ao eixo norte-sul, e também ao fato de apresentarem uma inclinação de 26º, permitiam que os egípcios as utilizassem como se fossem um telescópio. Ao observarem os fenômenos celestes através da abertura no início da galeria, os antigos astrônomos teriam condições de mapear o céu setentrional. Aqueles que se colocassem na Grande Galeria da pirâmide – Proctor chamou-os de “guardiães da noite” – poderiam ter registrado o trânsito das principais estrelas através de um arco de aproximadamente 80º. Quando, terminada a construção, as galerias foram fechadas, esses antigos astrônomos teriam perdido seus postos de observação.

Os egiptólogos replicaram que a ciência egípcia não era assim tão avançada, mas a tese de Proctor recebeu significativo apoio quando o eminente astrônomo britânico Sir J. Norman Lockyer publicou, em 1894, um livro sobre as pirâmides e as estrelas intitulado A Aurora da Astronomia. Lockyer não era alguém que se pudesse ignorar. Descobridor do hélio, membro da Sociedade Real e erudito enobrecido pela rainha Vitória por suas realizações científicas, Lockyer visitou as antigas construções egípcias e observou que estavam orientadas na direção em que nascem e se põem o sol e certas estrelas importantes, em determinada épocas do ano.

Mais tarde, chegou a conclusões semelhantes em relação aos megálitos britânicos de Stonehenge. Lívio Stecchini, professor norte-americano de história da ciência e especialista nos sistemas de medidas da Antigüidade, afirmaria mais tarde que as meticulosas observações astronômicas dos egípcios possibilitavam o cálculo de um grau de longitude e latitude com precisão de poucas centenas de metros, um feito que seria repetido somente 4 mil anos depois, no século XVIII.

O esforço de decodificação da pirâmide avançaria pelo século XX, contribuindo para o aumento do número de teorias, especulações e lendas. A idéia mais intrigante – e, com frequência, a mais ridicularizada – a surgir nas últimas décadas não se refere propriamente à Grande Pirâmide, mas à forma piramidal. De acordo com alguns teóricos, há nessa forma um fator inexplicado, do qual emana uma força capaz de atuar sobre objetos, plantas e até mesmo pessoas.

Essa idéia, que veio a ser conhecida como o poder das pirâmides, originou-se de uma série de observações e experimentos realizados a partir da década de 20. Contudo, seu primeiro indício foi constatado em 1859, no próprio centro do grande enigma, a misteriosa montanha de pedra em Gizé.

Werner Von Siemens, o fundador do gigantesco conglomerado alemão de indústrias, visitou Gizé naquele ano ao conduzir um grupo de engenheiros até o mar Vermelho, onde sua companhia instalava um cabo telegráfico. Sempre curioso e empreendedor, Siemens decidiu escalar a pirâmide e, enquanto o fazia, o vento do deserto levantava uma pálida névoa de areia ao seu redor. Ao chegar no topo, Siemens fez uma pose de vitória, apontando um dedo para o ar. Nesse momento, sentiu uma ferroada no dedo e ouviu um ruído agudo. O efeito foi semelhante a um leve choque elétrico. Siemens, que estava a par dos avanços da nascente ciência da eletricidade, resolveu fazer uma experiência.

Colocando papel molhado em volta de uma garrafa de vinho com gargalo de metal, Siemens improvisou uma garrafa de Leyden, um dispositivo simples que armazena eletricidade estática. Retornando ao topo da pirâmide, segurou a garrafa acima da cabeça e verificou satisfeito que a garrafa se tornara eletricamente carregada, produzindo fagulhas quando tocada.

A experiência elétrica de Siemens não foi, em si mesma, especialmente importante. sob certas condições atmosféricas, outros já haviam notado efeitos similares no topo de edifícios altos e pontiagudos. Difícil, contudo, é explicar o fenômeno ainda mais estranho relatado, no início da década de 30, pelo comerciante francês Antoine Bovis. Segundo Bovis, ao visitar a Câmara do Rei por volta de 1920, ele encontrou restos mortais de vários gatos e outros animais pequenos que aparentemente haviam morrido na pirâmide. Curiosamente, os corpos não exalavam odor. Ao examiná-los, Bovis descobriu que os animais haviam sofrido um processo natural de desidratação e mumificação, a despeito da umidade na Câmara. De volta a Nice, o francês resolveu pesquisar o que ocorrera. Após construir um modelo da pirâmide em madeira, orientou-o para o norte e colocou no interior um gato recentemente morto. O corpo ficou mumificado em questão de dias. Bovis repetiu a experiência com outros animais mortos, com carne e com ovos; em todos os casos, afirmou ele, a matéria orgânica secava e ficava mumificada ao invés de apodrecer.

Ainda mais impressionante foi a revelação seguinte. O engenheiro tcheco Karl Drbal, após ouvir falar da experiência de Bovis, resolveu reproduzi-la empregando uma pirâmide de papelão para mumificar pedaços de carne e flores. Colocou uma lâmina de barbear dentro de seu modelo de cerca de 15 centímetros, em uma posição correspondente ao local da Câmara do Rei. Drbal esperava que a lâmina perdesse o fio. Para sua surpresa, contudo, ela ficou mais afiada do que antes. E ele afirmou que, em experiências subsequentes, recuperou o fio de lâminas de modo a poder utilizá-las até duzentas vezes.

Drbal sugeriu que uma energia desconhecida afetava a estrutura das lâminas. Após uma espera de dez anos, o departamento de patentes tcheco acabou vencendo o ceticismo e em 1959 expediu uma patente para Drbal pelas pirâmides de papelão (mais tarde de plástico) que ele chamou de Afiadores de Lâminas de Barbear Pirâmide Quéops.

As forças atribuídas às formas piramidais continuaram a se multiplicar. Segundo alguns, as pessoas podem aproveitar as influências benignas da energia das pirâmides entrando em uma pequena pirâmide de plástico. Os efeitos terapêuticos incluem a diminuição de cólicas menstruais, o aguçamento da acuidade mental, a tranquilização de crianças, a melhora do sono e o aumento da potência sexual. Um dentista da Califórnia pendurou 72 pequena pirâmides de metal sobre o local onde trata seus pacientes e afirmou que ele passaram a sentir menos dor e a recuperar-se mais rápido.

G. Patrick Flanagan, de Glendale na Califórnia, um dos principais promotores do poder das pirâmides, alega que uma forma de energia chamada biocósmica está presente nos objetos piramidais. Descreveu-a pomposamente como “a essência da própria força vital”. Como objetos de pesquisa, Flanagan usou desde brotos de alfafa até seu poodle de estimação: os brotos cresceram mais rápidos e o cão, depois de dormir por várias semanas no interior de uma delas, tronou-se vegetariano. Do mesmo modo que Drbal, Flanagan comercializou seu achado, vendendo barracas piramidais e placas energizadoras feitas de inúmeras pirâmides minúsculas.

Essas teorias, contudo, não foram bem recebidas pela maioria dos cientistas. Experiências realizadas pelo Instituto de Pesquisas de Stanford na Grande Pirâmide mostraram que os alimentos armazenados em seu interior deterioravam normalmente. O geólogo Charles Cazeau e o antropólogo Stuart Scott, conduzindo uma pesquisa independente, relataram por sua vez que “os ovos (…) retirados de nossa pirâmide após 43 dias, estavam malcheirosos, de um amarelo grudento e cheios de sedimentos (…) os tomates nas pirâmides não se saem melhor do que aqueles em sacos de papelão. Não conseguimos afiar lâminas de barbear”.

Os pesquisadores continuam a buscar respostas para os enigmas da Grande Pirâmide. Perguntas do tipo quem, como e por quê vêm intrigando todos os que visitam Gizé, há mais de dois milênios. Em meados da década de 80, os egiptólogos levantaram o primeiro mapa detalhado do planalto de Gizé, para analisar a construção da pirâmide. Utilizando sofisticados teodolitos e fotografias aéreas, o arqueólogo Mark Lehner e sua equipe detectaram pedreiras nas proximidades e deduziram um método pelo qual os antigos egípcios poderiam ter construído a base assombrosamente plana da pirâmide. Segundo esses pesquisadores, após abrir trincheiras na rocha e inundá-la, os antigos egípcios poderiam ter feito as marcações topográficas para a base em estacas de madeira mergulhadas na água.

O químico francês Joseph Davidovits foi ainda mais longe: em 1974, chegou à conclusão que os egípcios teriam sido mais químicos do que os pedreiros. Após analisar amostras de rochas da pirâmide, Davidovits argumentou que os enormes blocos foram fundidos e não cortados. Segundo ele, uma substância semelhante a uma massa de vidraceiro era preparada no local a partir de líquidos e minerais disponíveis. Essa mistura era derramada em um molde e aquecida lentamente, até assemelhar-se ao granito. Embora tenha produzido tais pedras em seu laboratório, Davidovits não convenceu os arqueólogos de que os egípcios haviam feito o mesmo nas areias de Gizé.

Os piramidólogos ainda não abandonaram os temas familiares da profecias e revelações. O escritor Max Toth anunciou que apenas a descoberta de um aposento secreto impede o encontro do homem do século XX com os “Mestres dos Mistérios”, que aguardam silenciosamente o momento de “recobri-lo com as vestimentas da verdade”.

Outros visionários consideravam a pirâmide o elo perdido entre a história registrada e a Atlântida. Manly P. Hall, estudioso de antigas religiões, sugeriu que os cientistas mais talentosos da civilização altamente desenvolvida na Atlântida, conscientes de que o desastre era iminente, fugiram para o Egito e construíram a pirâmide, como um repositório de seus conhecimentos e de seus tesouros. Ao ocultarem sua sabedoria na pirâmide, os avançados atlantes teriam assegurado que apenas aqueles que a merecessem seriam capazes de descobri-la e compreendê-la.

Por mais fantasiosa que seja a tese de Hall, os segredos da pirâmide continuam sem solução, a despeito dos esforços dos cientistas tradicionais e de piramidólogos pouquíssimo tradicionais. Mas, qualquer que seja nossa posição, não podemos ignorar a existência da Grande Pirâmide; ela nos assombra e nos frustra. William Fix, o autor de Odisséia da Pirâmide, coloca: “Ela é enorme; ela é antiga; ela é lendária; ela é sofisticada; ela é o resultado de um grande empreendimento; ela está aqui à vista de todos na encruzilhada da Terra – e ela não parece pertencer a nosso mundo.”

(Texto traduzido por Luiz Alberto Moura Araujo da Obra Todo Egito de Abbas Chalaby e transcrito da Obra Mistérios do Desconhecido / tradução de Cláudio Marcondes e Heloísa Jahn)

Fonte: www.luizalberto.com.br

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Por que as pirâmides nos ajudam?

Publicado por: luxcuritiba em abril 19, 2008

Pelo simples fato de possuírem as mesmas energias contidas em nosso corpo físico, que são elas: Cósmica, Telúrica e Radiônica.

A energia Cósmica vem do espaço cósmico, formada de energia de Raios que, penetrando em nosso cérebro, após orvalhá-lo, nos dá consistência à vida, e consequentemente à nossa inteligência.

A energia Radiônica vem de Rádio, Ondas Hertz, formadas na 8a. harmônica de uma onda sencidal, que penetrando pelo nosso pé esquerdo divide-se em nosso corpo, responsável pelos nossos sentidos e comunicabilidades.

A energia Telúrica vem da terra, é uma energia magnética, responsável pela caloria do nosso corpo, ou seja, a nossa energia térmica.

Aí está o fato bem claro em usarmos uma pirâmide, pois a mesma tem por princípio equilibrar as nossas energias; quem tem energia equilibrada, jamais será alvo de energias negativas até o seu primeiro impacto emocional.

Estando o nosso corpo em equilíbrio perfeito, logicamente as energias negativas, responsáveis pelas nossas enfermidades, terão um trabalho árduo e viverão em luta constante com nossas células que, amparadas pela positividade, jamais permitirão, com sua barreira imaginária, a penetração de elementos maléficos num campo que está protegido de energias benéficas, e assim as rebeldes energias seguirão suas caminhadas por esse mundo sem fim, até encontrarem uma porta aberta para amparo de sua maldades.

Fonte: A pirâmide e o mundo novo, Abeilard Gonçalves Dias, Livraria Ciência e Tecnologia Editora, São Paulo-SP, pp. 23-26.

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