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Uma usina de força geomecânica

Posted by luxcuritiba em março 23, 2012

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A crosta terrestre consiste de um número de peças em movimento, nove grandes placas tectônicas e outras doze menores, que estão sempre colidindo ou se afastando. A pressão aumenta nas zonas de falhas e acaba sendo aliviada. Percebemos esse alívio de pressão como uma vibração maciça, um terremoto. As propriedades mecânicas das rochas que as ondas sísmicas atravessam ao deslocarem-se, rapidamente organizam essas ondas em dois tipos. As ondas de compressão, também conhecidas como primárias ou ondas “P”, propagam-se mais rápido, numa velocidade que varia de 1,5 a 8 km por segundo na crosta terrestre. As ondas transversais, também conhecidas como secundárias ou ondas “S”, propagam-se mais devagar, normalmente a 60 ou 70% da velocidade das ondas P. As ondas P fazem o solo vibrar na direção em que se propagam, ao passo que as ondas S o fazem vibrar perpendicular ou transversalmente à direção da propagação. Embora as frequências reais das ondas sísmicas estejam abaixo do alcance da audição humana, é possível escutá-las quando se acelera um sismograma gravado. Tipicamente, as ondas P, de alta frequência, são seguidas pelo som grave e prolongado das ondas S, de baixa frequência.

Em consequência da constante colisão das placas terrestres, terremotos bem pequenos ocorrem continuamente. Só percebemos os grandes. O significado disso é que a Terra vibra o tempo todo e possui sua própria frequência fundamental. Seria possível captar essas vibrações com um objeto que respondesse de acordo com a frequência fundamental da Terra.

Se um dispositivo fosse concebido de modo que sua própria frequência de ressonância fosse a mesma que a da Terra, ou se estivesse em harmonia com ela, teria o potencial de se tornar o que é chamado de oscilador conjugado – um objeto que está em harmônica ressonância com outro objeto vibrante, normalmente maior. Quando colocado para funcionar, o oscilador conjugado pode captar energia terrestre e vibrar junto com ela harmonicamente, desde que a Terra continue a vibrar nessa frequência. Desse modo, pode-se transferir energia terrestre com eficiência.

O que Dunn descobriu é que a Grande Pirâmide, que cobre uma vasta área, está em ressonância harmônica com as vibrações da Terra, e funciona como uma trompa acústica para captar e canalizar as vibrações terrestres. Depois de analisar a estrutura interna da pirâmide, ele também concluiu que suas passagens e câmaras foram projetadas para maximizar a produção sonora.

Ao criar pulsos alternados no topo da pirâmide e na câmara subterrânea – uma característica que todas as pirâmides egípcias têm — a estrutura poderia ser posta para funcionar. Uma vez que a vibração da pirâmide estivesse combinada com a da Terra, a transferência de energia da Terra continuaria até que o processo fosse revertido. Chris Dunn explica precisamente como isso era conseguido por meio da estrutura interna da pirâmide. Tudo que seria necessário, então, seria um sistema que pudesse fazer uso dessa energia.14

Um gerador de eletricidade (a câmara do rei)

O cristal de quartzo tem uma reação peculiar quando é submetido à vibração. Conhecido como efeito piezoelétrico, a vibração comprime o cristal alternadamente, gerando corrente elétrica (esse princípio é empregado em microfones, por exemplo). O cristal de quartzo não cria energia; ele apenas converte um tipo de energia em outro. De fato, serve como um transdutor. O interessante é que a câmara do rei foi construída com granito de Assuã, que contém 55% ou mais de cristais de quartzo de silício. Então, nesse sentido, a câmara do rei é um transdutor.

A evidência disso é contundente. Acima da câmara do rei há cinco fileiras de vigas de granito, 43 ao todo, cada uma pesando mais de 70 toneladas. Cada camada de granito é cortada réta e paralelamente em três dos lados, e deixada rústica na parte superior, e é separada das outras por espaços grandes o suficiente para uma pessoa rastejar por eles. O resultado disso é que cada viga de granito pode vibrar se submetida a uma quantidade de energia adequada. Se ajustadas à mesma frequência, as outras vigas igualmente vibrariam na mesma (ou harmônica) frequência que a primeira viga. Além disso, se a frequência da fonte, o som recebido, combinasse com a frequência natural da viga, então, a transferência de energia poderia ser maximizada e o mesmo aconteceria com a vibração das vigas.

Para aumentar a capacidade de ressonância das 43 vigas de granito com a frequência da fonte, seria preciso que a frequência natural das vigas fosse a mesma, ou harmônica à frequência da fonte. Para obter esse resultado, as vigas teriam de ser desbastadas até atingirem a frequência desejada. O princípio aqui é o mesmo do diapasão. Diapasões grandes ressoam em baixas frequências e, os pequenos, em altas frequências. Para fazer com que as vigas de granito vibrassem na mesma frequência seria preciso que todas elas tivessem, de um modo geral, a mesma forma e o mesmo peso. E isso é precisamente o que as evidências observáveis indicam. Os construtores da câmara trabalharam nas laterais brutas das vigas antes de instalá-las, removendo protuberâncias e escavando buracos. Com efeito, elas foram “afinadas”. Testes acústicos confirmam que as vigas de granito vibram na frequência fundamental. Na verdade, a própria câmara reforça essa frequência ao produzir frequências dominantes. A câmara cria um acorde em fá sustenido, que se acredita estar em harmonia com a vibração natural da Terra.

Testes acústicos no interior da câmara do rei também revelaram que o aposento inteiro encontra-se “solto” dentro da alvenaria de calcário. O piso de granito assenta-se sobre o calcário “corrugado”; as paredes são suportadas externamente e mergulham 12,5 centímetros abaixo do piso. O resultado final é que todo o aposento é livre para vibrar com eficiência máxima e está pronto para converter as vibrações da terra em eletricidade. A vibração do cristal contido no granito cria um campo elétrico, mas para recolher essa energia é necessário um meio de transferência, que era fornecido pelo resultado dos processos químicos na câmara da rainha, com o emprego de hidrogênio. Na presença de um campo elétrico, o hidrogênio se torna excitado — atomicamente falando, seus elétrons expandem sua órbita em torno do núcleo. Quando se força os elétrons de hidrogênio a voltar ao seu estado de repouso (original), a energia que eles conservam precisa ser liberada, e com equipamento apropriado para recolher e concentrar a energia, ela poderia ser usada em algum dispositivo (pesquisas recentes têm investigado esse tipo de produção de eletricidade para aplicação em laptops e em próteses, embora outros meios sejam mais eficientes do que o hidrogénio para o uso nos dispositivos diminutos atuais).

Curiosamente, o próprio caixão no interior da câmara do rei vibra na frequência de 438 hertz – em sincronismo com o aposento. Tudo o que é necessário é energia suficiente para fazer vibrar as vigas e ativar suas propriedades piezoelétricas.15

O ressoador (a Grande Galeria)

A chave para fazer a câmara do rei vibrar é a estrutura ou dispositivo que concentra as vibrações recebidas através da pirâmide — justamente o propósito da Grande Galeria. Trata-se de uma área encapsulada, com ressoadores instalados em encaixes ao longo de toda sua extensão. Um ressoador é um objeto com dimensões específicas escolhidas de modo a permitir a oscilação interna ressonante das ondas acústicas de frequências específicas. A vibração ressoa dentro da cavidade do objeto para produzir som propagado pelo ar a uma certa frequência, que é baseada no tamanho da cavidade. Molduras de madeira foram construídas para abrigar os ressoadores da Grande Galeria, dispostos no chão e no teto, com as extremidades das molduras ajustadas aos encaixes retangulares escavados no calcário. Quando os ressoadores estavam em seus lugares, provavelmente não era possível caminhar pela galeria, por causa do equipamento e de seus apetrechos. O papel dos ressoadores era o de converter e concentrar as vibrações em som propagado pelo ar.

De acordo com Dunn, o desenho da galeria, seus ângulos e superfícies, refletem o som e o direcionam para a câmara do rei. Quando o som é canalizado para a cavidade de granito ressoante, força as vigas de granito do teto a oscilarem e, por sua vez, as vigas acima delas começam a ressoar também, harmonicamente. Em resultado disso, uma maximização de ressonância é obtida e todo o complexo em granito se torna uma vibrante massa de energia. O desenho específico da Grande Galeria foi projetado para transferir a energia captada pela enorme área da pirâmide para a câmara do rei ressoante.

Embora seja necessária uma confirmação de um engenheiro acústico para corroborar que a Grande Galeria refletiria o som da maneira proposta, Dunn foi capaz de extrapolar outras informações acerca de dispositivos acústicos que já não estão mais no lugar. Ele teoriza que a Grande Galeria abrigava ressoadores que convertiam as vibrações conjugadas da Terra e da pirâmide em som propagado pelo ar. Os 27 pares de encaixes nas rampas laterais da galeria poderiam ter contido o conjunto de ressoadores. O que seria uma boa explicação para a existência dos encaixes, cuja existência sempre constituiu um mistério. Se a função deles era a de responder às vibrações da Terra, então, deveriam ser similares a um ressoador Helmholtz (veja fig. 6.3), um dispositivo atual que tem uma função similar.

Um ressoador Helmholtz responde a vibrações e maximiza a transferência de energia de uma fonte vibradora. Trata-se de uma esfera oca com uma abertura redonda entre um décimo e um quinto do seu diâmetro, geralmente de metal, mas que pode ser feita de outros materiais. O tamanho da esfera determina a frequência em que ela ressoa. Se a frequência do ressoador está em harmonia com sua fonte, retirará energia da fonte e ressoará numa amplitude maior.

Figura 6.3. Diagrama do Dispositivo Ressoador.

A teoria de Dunn é que cada ressoador do conjunto da Grande Galeria era equipado com vários ressoadores do tipo Helmholtz, afinados em diferentes frequências harmônicas. Cada ressoador na série respondia a uma frequência mais alta do que a anterior, e ampliava a frequência das vibrações vindas da Terra. Para conseguir isso, os antigos cientistas precisariam reduzir as dimensões de cada ressoador sucessivamente, e também reduzir a distância entre as duas paredes. Na verdade, as paredes da Grande Galeria se estreitam sete vezes, do chão até o teto. Em sua base, os ressoadores eram presos nos encaixes da rampa. Ao longo da segunda camada da parede chanfrada há uma ranhura entalhada na pedra, sugerindo que os ressoadores eram mantidos em seus lugares e posicionados ao serem antes instalados nos encaixes da rampa. Pinos encravados na ranhura mantinham-nos no lugar. Os suportes verticais para os ressoadores provavelmente eram feitos de madeira, uma vez que esse material é um dos que respondem a vibrações de maneira mais eficiente.

O Museu do Cairo guarda alguns dos mais notáveis artefatos em pedra da civilização egípcia. Segundo Dunn, a julgar pela forma e as dimensões de alguns desses vasos, provavelmente são os ressoadores do tipo Helmholtz usados na Grande Pirâmide. Um desses itens, um cântaro, tem uma trompa presa a ele. Outro cântaro não tem as alças normalmente usadas em um vaso doméstico, mas apêndices laterais que mais parecem munhões. Tais munhões seriam necessários para manter o cântaro preso em um ressoador. Um fato pouco divulgado a respeito desses artefatos é que foram encontrados trinta mil deles em câmaras debaixo da pirâmide escalonada de Djoser.16

Um filtro acústico (a antecâmara do rei)

A antecâmara da câmara do rei tem sido objeto de muita preocupação e discussão. A despeito de suas pequenas dimensões, 2,7 metros de comprimento, por 2,7 metros de altura, por 1,06 metro de largura, é um dos aposentos mais incomuns na pirâmide. Em comparação com todo o resto da construção, é rústico — a superfície dos blocos de pedra não são polidas, nem niveladas. Na parede sul, acima da entrada para a câmara do rei, há quatro ranhuras verticais que correm da entrada até o alto da câmara. Ao longo das paredes leste e oeste há dois lambris (revestimentos) de granito, de diferentes alturas. O do lado leste tem 2,6 metros de altura; o do lado oeste tem um pouco mais de 2,75 metros. Três ranhuras foram escavadas nos lambris de granito da parede oeste, começando na extremidade sul da câmara, medindo aproximadamente 0,45 metro de largura. No alto de cada ranhura há um rebaixo semicircular, como suportes para uma vara ser pendurada atravessando o aposento. Entretanto, uma vez que não há rebaixes feitos nas ranhuras do lado leste, qualquer viga hipotética teria de se apoiar no alto.

Alguns pesquisadores aventaram a hipótese de que uma série de lajes de pedra foram deslizadas para suas posições após o corpo de Quéops ser sepultado. Os rebaixes semicirculares feitos nos lambris de granito suportavam as vigas de madeira que serviram como guindastes para baixar os blocos. Segundo Dunn, eles não estavam muito longe da verdade.

Os antigos egípcios precisavam concentrar um som de frequência específica na câmara do rei, o que requereria um filtro acústico entre a Grande Galeria (o ressoador) e a câmara do rei. Colocando defletores no interior da antecâmara, as ondas sonoras que vinham da Grande Galeria seriam filtradas quando a atravessassem. Somente uma única frequência, ou harmônica dessa frequência, passaria para a câmara do rei. O resultado disso seria que ondas sonoras de interferência não seriam capazes de entrar na câmara do rei e reduzir a produção.

Para explicar os sulcos semicirculares visíveis no lado oeste da antecâmara e a superfície plana do lado leste, Dunn especula que quando os defletores foram postos no lugar, receberam uma afinação final. Girando as cames, o eixo descentralizado levantou ou abaixou os defletores até que a produção do som estivesse maximizada. Uma vez “afinadas”, o eixo que suspendia os defletores seria fixado no lugar num pilar situado na superfície plana dos lambris na parede oposta.17

A passagem ascendente

Já que um sistema vibrante pode acabar destruindo a si próprio, uma maneira de controlar a energia da vibração também é necessária. Uma delas é abafar o sistema; a outra é contra-atacar com uma onda de interferência que anule a vibração. Amortecer fisicamente a vibração seria impraticável, considerando a função da Grande Pirâmide como uma máquina. Entretanto, o amortecimento nem sempre é necessário, ao contrário das necessidades de amortecimento de uma ponte, por exemplo. Reduziria a eficiência da máquina, e envolve provavelmente partes móveis, como os abafadores num piano.

Anular o excesso de vibrações usando uma onda sonora defasada como interferência seria a escolha lógica. A passagem ascendente é a única estrutura dentro da Grande Pirâmide que contém os dispositivos (“tampões” de granito) que podem ser acessados diretamente do exterior. Dunn se refere a eles como dispositivos pela mesma razão que também chama as vigas de granito acima da câmara do rei de dispositivos. Tanto em seu projeto como na confecção de tais itens, houve exagero, se levarmos em conta seu suposto uso. Calcário teria sido suficiente para manter os ladrões afastados. Então, por que usar granito?

Dunn estudou-os e chegou à conclusão de que eles desempenhavam dois papéis cruciais. Primeiro, o de fornecer feedback para os operadores da usina de força, respondendo ao som que estivesse sendo gerado dentro da Grande Galeria, e passando através da passagem ascendente. Segundo, devem ter sido capazes de responder a vibrações do equipamento da passagem descendente e transmitir as ondas sonoras defasadas como interferência a fim de evitar que as vibrações atingissem níveis destrutivos. É claro que os operadores deviam usar sensores de vibração ligados ao tampão de granito do fundo com o objetivo de monitorar o nível de energia lá dentro. Isso explica não só a lógica dos construtores ao escolher o granito, mas também os meios que os antigos egípcios usavam para controlar o nível de energia do sistema. Dunn também especula que dirigindo um sinal da frequência correta para a passagem descendente, os operadores poderiam preparar o sistema. Segundo sir Flinders Petrie, as faces adjacentes dos blocos tinham um acabamento ondulado (mais ou menos 0,75 cm). Parte do granito ainda se encontrava cimentada ao chão, prova indiscutível de que os tampões de granito foram posicionados enquanto a Grande Pirâmide estava sendo construída.18

A caixa de granito na câmara do rei

Depois de transformar a energia mecânica em energia elétrica, é necessário um meio através do qual a eletricidade possa fluir e ser utilizada. O mais provável é que, quando a usina estava em operação, a câmara do rei estivesse cheia não de ar, mas com um meio gasoso que pudesse ressoar com o sistema inteiro, maximizando, assim, a produção. O hidrogénio, átomo responsável pela emissão da radiação de micro-ondas no universo, e também o mais simples dentre todos os elementos, satisfaria essas necessidades. Seus átomos, com um único elétron, absorveriam a energia com mais eficiência. As frequências elevadas que adentrassem a câmara do rei vindas da Grande Galeria excitariam o hidrogénio gasoso a níveis mais elevados de energia. Em outras palavras, ele absorveria essa energia eficientemente, já que cada átomo responderia em ressonância com essa recepção.

A vibração das vigas de granito convertia a energia sonora, por meio do efeito piezoelétrico dos cristais de quartzo de silício, em ondas de rádio de alta frequência, que eram absorvidas pelos átomos de hidrogênio. Isso acontece porque o único elétron no átomo de hidrogênio é induzido a aumentar sua distância do próton, o que constitui um estado não natural. Quando o elétron, por fim, retorna ao seu estado normal, libera energia. Ele também pode ser estimulado a retornar ao seu estado normal por meio de um sinal de entrada, que é uma quantidade de energia da mesma frequência. O resultado disso é que o sinal de entrada continua seu caminho, depois de estimular a emissão do átomo de hidrogênio, e leva embora a energia liberada.

Na Grande Pirâmide, o duto norte servia como um condutor para o sinal de entrada de micro-ondas. Ele foi construído para passar através da alvenaria, da face norte da pirâmide até a câmara do rei. Esse sinal de entrada de micro-ondas podia ser recolhido pela superfície externa da pirâmide e conduzida pelo condutor de ondas. A superfície original do revestimento de pedra da pirâmide, que era liso e ligeiramente côncavo, pode ter sido tratado de modo a recolher ondas de rádio da região de micro-ondas que está constantemente bombardeando a Terra do espaço. Segundo Dunn, o condutor de ondas que conduz à câmara tem dimensões que se aproximam muito do comprimento de onda da energia de micro-ondas, que é de 1.420.405.751,786 hertz. Essa é a frequência de energia emitida pelo átomo de hidrogénio no universo. Isso certamente ajuda a explicar a chapa de ferro dourado que foi descoberta enfiada no calcário perto do duto sul. Revestir os dutos com chapas de ferro dourado os tornaria condutores muito eficientes tanto para o sinal de entrada quanto para a energia produzida.

A caixa de granito do interior da câmara do rei é um componente importante do sistema. Dunn acredita que ela ocupava uma posição entre os condutores de ondas nas paredes norte e sul. Ela servia como um amplificador do sinal de micro-ondas que chegava à câmara. Para nós, ela é densamente opaca, mas permite que radiação eletromagnética (invisível para nós) passe através dela. A evidência sugere que a caixa de granito podia refratar a radiação eletromagnética que passava através das paredes norte e sul da caixa.

Embora medições precisas sobre as características óticas não tenham sido feitas, as medições realizadas pelo explorador britânico do século XIX Piazzi Smyth demonstram que a superfície da caixa é côncava. Então, quando a caixa de granito estava posicionada no caminho do sinal que chegava do duto norte, e com cristais oscilantes acrescentando energia ao raio de micro-ondas, pode ter servido para ampliar o sinal dentro da caixa quando passava pela primeira parede. Dentro da caixa de granito, o raio ampliado então interagia e estimulava a emissão de energia dos átomos energizados de hidrogênio.

Na câmara do rei, na abertura do duto sul, há um detalhe na parede de granito que lembra muito uma antena corneta, um receptor de micro-ondas. A radiação recolhia mais energia quando passava através da parede oposta da caixa; então, era uma vez mais refratada e concentrada nessa antena corneta. A boca de sua abertura encontra-se seriamente danificada. Devido à sua geometria curva, alguém, no passado distante, achou necessário remover uma parte do granito para retirar o ouro ou o revestimento dourado. Segundo Dunn, o que restou identifica-a de maneira inequívoca como um receptor da energia de micro-ondas que entrava na câmara vinda do condutor de ondas da parede norte.19

O gerador de hidrogênio (a câmara da rainha)

A câmara da rainha está situada no centro da pirâmide, com dois dutos ascendentes que terminam a 12,5 centímetros da parte de dentro da parede da câmara. O explorador britânico do século XIX, Wayman Dixon, descobriu esses dutos em 1872, ao atravessar um bastão na parede. Ele também percebeu que o calcário da região do duto era particularmente macio. Em 1993, pesquisas conduzidas pelo engenheiro de robótica Rudolf Gantenbrink revelaram, como já foi mencionado anteriormente, que as extremidades estavam seladas por blocos de calcário. Obviamente, eles nunca tiveram a intenção de serem dutos de ar.

No final do século XIX, Piazzi Smyth achou importante registrar que havia flocos brancos de argamassa exsudando das juntas dentro do duto. Mais tarde, descobriu-se que se tratava de gesso de Paris, também conhecido como gipso. Ele também notou que a câmara continha um odor acre que fazia com que os visitantes se apressassem a deixar a câmara. Segundo Dunn, tal odor não era resultante de más condições de higiene, mas sim de elementos residuais dos processos químicos que costumavam ocorrer ali.20

Outro fato aparentemente inexplicável é que há sal incrustado nas paredes, e também na passagem horizontal na porção inferior da Grande Galeria, cuja espessura, em alguns lugares, chega a mais de um centímetro. Ironicamente, o sal é um produto natural da reação química necessária para produzir hidrogênio. Foi formado provavelmente quando o gás contendo hidrogênio reagia com o cálcio nas paredes de calcário. Em 1978, o dr. Patrick Flanagan, físico e pesquisador, enviou uma amostra desse sal ao Departamento de Geologia e Tecnologia Mineral do Arizona para análise. Descobriu-se que se tratava de uma mistura de carbonato de cálcio, cloreto de sódio e gipso (gesso de Paris) – precisamente os minerais que resultariam de uma reação química ocorrida na câmara da rainha para obtenção de hidrogênio.21

O nicho chanfrado com um pequeno túnel escavado a uma profundidade de 11,58 metros, que termina numa caverna em forma de bulbo, é outra curiosidade da câmara da rainha. Seu piso plano e nivelado e seu lado esquerdo que forma um ângulo réto quase perfeito, são indícios certos de que era parte da construção original. É provável que tivesse um propósito mecânico. O engenheiro hidráulico Edward Kunkle propôs que fosse parte de uma grande bomba de aríete, que também envolvia outras particularidades do interior da Grande Pirâmide.22

Dunn acredita que a terminação dos dutos, a 12,5 centímetros da câmara, fazia parte do projeto original. Cada duto continha um pequeno orifício que desembocava na câmara, que seria uma maneira de controlar a quantidade específica de fluido que entrava nela. Uma vez que o duto norte apresenta uma mancha escura, os egípcios devem ter usado os dutos para introduzir dois elementos químicos diferentes na câmara da rainha.

O nicho chanfrado do interior da câmara forneceria uma escora para uma torre de evaporação, e pode ter contido também um catalisador. Os elementos químicos eram derramados no piso da câmara e passavam pelo material catalisador.

Dunn procurou o engenheiro químico Joseph Drejewski. Drejewski concordou que duas soluções químicas poderiam ser introduzidas nessa câmara para criar hidrogênio ou amônia em condições ambientes de 26,5 graus centígrados, com variações de 6,5 graus para mais ou para menos. Ele também concordou que o nicho na parede da câmara poderia ter sido usado para abrigar um resfriador ou uma torre de evaporação. Segundo Drejewski, o zinco é a escolha de metal mais comum para criar hidrogénio. Quando tratado com ácido clorídrico, produz hidrogénio gasoso razoavelmente puro, relativamente rápido.23

Apoio adicional à teoria química de Dunn veio em 1993, quando Rudolf Gantenbrink guiou um robô, Upuaut II, pelo conduto sul e descobriu em sua extremidade uma “porta” com acessórios de cobre. A filmagem desse duto, feita pelo robô de Gantenbrink, revelou erosão na porção inferior do duto. As paredes e o piso dele eram extremamente rústicos, e a erosão mostrava estrias horizontais. Também havia sinais de exsudação de gipso nas paredes de calcário. O robô de Gantenbrink chegou a um beco sem saída na parte superior do duto sul, ao encontrar um bloco de calcário com dois misteriosos acessórios de cobre sobressaindo dele.

Foi publicado que uma porta oculta havia sido encontrada dentro da Grande Pirâmide. O que não foi divulgado é que o próprio duto tem apenas cerca de 22,5 cm2. Assim sendo, não era de fato uma “porta”. Especulou-se que os acessórios de cobre seriam ferrolhos para prevenir que o bloco de calcário fosse removido. Entretanto, para Dunn, essa explicação não se encaixa. Por que os construtores da pirâmide desejariam incluir um bloco deslizante em uma área inacessível? E mesmo se desejassem, como isso era ativado?

De acordo com Dunn, os acessórios de cobre parecem eletrodos, que seriam capazes de fornecer uma medida exata de ácido clorídrico para a câmara. Eles poderiam funcionar como uma chave para assinalar a necessidade de mais produtos químicos. Os primeiros exploradores encontraram, nos dutos que levam à câmara da rainha, um pequeno gancho duplo de bronze, um pedaço de madeira e uma esfera de pedra. Por certo tempo, estiveram desaparecidos. Mas, em 1993, reapareceram no Museu Britânico, dentro de uma caixa de charutos, no Departamento de Antiguidades Egípcias. Segundo Dunn, esses itens provavelmente faziam parte do mecanismo que alertava que mais produtos químicos eram necessários.24 Se os dutos serviam para armazenar os produtos químicos, o pedaço de madeira, que parece cedro, junto com o gancho duplo de bronze, devia ficar boiando sobre a superfície do fluido. Ele subia e descia de acordo com o nível de fluido no duto. Quando o duto estava cheio, as pontas faziam contato com os eletrodos, fechando o circuito. Quando o fluido baixava, as pontas se afastavam dos eletrodos, abrindo o circuito, enviando, assim, um sinal para que mais solução química fosse bombeada. Uma vez que o gancho fizesse contato com os eletrodos, a bomba pararia.

Gantenbrink ofereceu-se para atravessar o pequeno espaço na parte inferior da porta com outro robô, mas a oportunidade lhe foi negada. Mais tarde, o engenheiro norte-americano Tom Danley testou o duto sul usando um dispositivo acústico e descobriu que o duto continuava além do bloco de calcário por mais 9 metros. Embora não haja evidências tangíveis do que existe por trás da “porta” de Gantenbrink, o que foi descoberto combina muito bem com a teoria da usina de força.25

Em 1992, o engenheiro francês Jean Leherou Kerisel conduziu testes de radar de penetração no solo* e microgravimetria na curta passagem horizontal que liga a passagem descendente ao poço subterrâneo. Sua equipe detectou uma estrutura sob o piso da passagem. Era possível que se tratasse de um corredor orientado na direção sul-sudeste/norte-nordeste, com o teto na mesma altura da passagem descendente. Também foi encontrado um “defeito na massa”, como Kerisel o classificou, no lado oeste da passagem, 5,5 metros antes da entrada da câmara.26 Essa anomalia corresponde a um duto vertical de pelo menos 4,5 metros de profundidade, com uma seção muito próxima à parede oeste da passagem. Kerisel julgou ter identificado, fora do corredor subterrâneo da entrada da câmara, algo que parece ser um sistema completamente separado do corredor que termina em um duto vertical. Embora possam ser traços de um grande volume de pedra calcária dissolvida, ele suspeita fortemente de que se trata de uma intervenção humana.

O que a descoberta de Kerisel indica é que os dutos de alimentação que chegam à câmara da rainha deviam ser preenchidos com produtos químicos através de um duto vertical ligado a uma câmara subterrânea. Kerisel detectou a anomalia vertical no lado oeste da passagem, que é a mesma orientação dos dutos que chegam à câmara da rainha. Segundo Dunn, não seria de admirar que ao atravessar a “porta” de Gantenbrink fosse encontrado um duto vertical que fosse dar em uma câmara escavada na rocha-mãe. Dunn tampouco ficaria surpreso se cabos ou arames de cobre, que eram ligados aos acessórios de cobre, fossem encontrados por trás da “porta” de Gantenbrink.

A passagem horizontal, o duto e o poço subterrâneo

A longa passagem horizontal que liga a câmara da rainha à Grande Galeria também foi construída em calcário. Seu propósito pode ter sido o de remover umidade residual e impurezas do hidrogênio gasoso, à medida que ele fluísse em direção à Grande Galeria. Na junção onde a passagem horizontal se encontra com a passagem ascendente, existe um ressalto de 12,5 centímetros. Devia haver, provavelmente, uma laje apoiada contra o ressalto, funcionando como uma ponte entre a passagem ascendente e o piso da Grande Galeria, onde há outro ressalto semelhante. O ressalto e a laje deviam impedir que o fluido descesse para a passagem ascendente. Encaixes na parede lateral indicam que devia haver suportes para essa laje. Orifícios teriam de ser perfurados nela para permitir que o gás subisse para a Grande Galeria.

Nessa junção, e em direção a oeste, um orifício leva até o duto. A solução química gasta, saída da câmara da rainha, devia fluir ao longo da passagem horizontal, escorrer pelo duto e para a caverna artificial ou poço subterrâneo, se o duto estava ligado à parte inferior da passagem descendente.27

* Conhecido como GPR (Ground Penetrating Radar). (N. da T.)

Fonte: O Egito antes do Faraós, Edward F. Malkowski, Editora Cultrix, São Paulo-SP, 2010, pp.142-154.

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O Afiador de Lâminas de Barbear

Posted by luxcuritiba em abril 20, 2008

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Karl Drbal, um próspero técnico em rádio da Tchecoslováquia, que vem fazendo experiências há 40 anos com as formas piramidais, conseguiu uma patente universal para um afiador para lâminas de barbear que se utiliza unicamente da energia emanada de uma simples pirâmide de papelão.

A energia piramidal está ao alcance de qualquer pessoa e  protótipo de pirâmide poderá ser de papelão, madeira ou metal, pois a força energética emanada é de constituição cósmica.

O que é preciso ter-se em mente são as proporções da Grande Pirâmide do Egito, que mede 148 metros de altura por 233 de largura. Ou então simplesmente riscar sobre o nosso molde ou desenho o ângulo de 51 graus por meio de um simples transferidor utilizado em geometria. Na realidade, a inclinação da Grande Pirâmide é de 51º51’14,3″, mas já verificou-se que as réplicas medindo uma inclinação de 51º funcionam perfeitamente bem.

O seu formato, evidentemente, será de um triângulo de quatro faces, resultando num sólido em que a sua largura é sempre mais larga do que a altura. A única coisa que se deve ter em mente é que a pirâmide só funciona em sua posição norte-sul, ou seja, da mesma maneira como está posicionada a pirâmide de Quéops, no Egito, sendo fácil de encontrar-se esse rumo por meio de uma bússola.

Cabe lembrar as circunstâncias dessa descoberta sensacional: quanto o jovem Drbal servira no exército, e ao maravilhar-se com o inegável efeito piramidal, lembrou-se que o luar também exercia um estranho fenômeno sobre as lâminas de aço das navalhas, sendo que em muitas vezes, na caserna, seus colegas brincalhões haviam exposto as navalhas de colegas ao luar, a fim de as cegar.

Então Drbal testou o efeito piramidal em giletes comuns e descobriu que funcionava em forma justamente inversa à do luar: o fio da lâmina fica afiado! Com isso Drbal requereu a patente do chamado Amolador de Lâminas de Barbear Quéops. Imediatamente Max Toth, de Nova Yorque, adquiriu a patente de Drbal e uma imensidade de novaiorquinos passou a mexer com esse passatempo, sendo que milhares de pirâmides foram vendidas em proporções nunca vistas.

O Industrial John Dilley, de Chicago, passou a fabricar uma vasta linha de pirâmides de papelão e plexiglass, ao lado de uma vasta literatura a respeito, sendo que Edmunds Scientific encarregou-se das vendas que se efetuaram em larga escala. O próprio Dilley passou a fazer experiências com as suas próprias pirâmides, tendo feito nada menos de oitenta e quatro barbas com a mesma lâmina colocada dentro de uma pirâmide, como afirmou numa sua literatura publicitária.

Tom Valentine, em seu livro A Grande Pirâmide, best seller em Nova Iorque, conta-nos uma sua própria experiência: Em seis pequenas tigelas de porcelana, ligeiramente cheias de água, coloquei agulhas de costura que ficaram flutuando desordenadamente. Tive o cuidado de realizar a experiência onde não houvesse interferência de aparelhos eletrônicos ou outras interferências magnéticas, naturalmente colocando uma das pirâmides fabricadas por Dilley sobre cada tigela. Dentro de alguns minutos todas as agulhas apontavam misteriosamente para o norte magnético como se fossem bússolas!

São muitas as pessoas sensitivas que têm observado fenômenos estranhos gerados em uma pirâmide.

Após as descobertas de Drbal, na Tchecoslováquia, cientistas de outras partes do mundo seguiram investigando, notadamente os russos, japoneses e norte-americanos. Suas descobertas extraordinárias têm sido classificadas como genuinamente metafísicas, incompreensíveis e de difícil enquadramento dentro dos parcos limites do conhecimento humano.

Os japoneses, que muito se aprofundaram nesses estudos, notaram que uma pequena pirâmide, mesmo de papelão, colocada, permanentemente embaixo de uma cama, faz com que se durma apenas 6 horas seguidas! O mais notável, no entanto, é que o sono sempre será pesado e confortável, e de tal maneira suficiente, como se o sujeito tivesse dormido continuamente durante 8 horas!

Como já nos reportamos, curiosamente a réplica de uma pirâmide instalada em alguma dependência de nossa residência age como se fosse um eliminador de baratas, fato que pode ser observado por qualquer pessoa que deseje alijar-se em definitivo desse asqueroso bicho. Depois de termos montado uma bateria de pirâmides em nossos apartamento, notamos com satisfação que as baratas fugiram espavoridas.

As utilidades são muitas, como já é provado devidamente pelos cientistas, podendo-se afirmar que trata-se de uma força física ainda não conhecida e de poderes infinitos. O que é preciso que fique claro é que a réplica de uma pirâmide não faz milagres, como pensam alguns que a adquirem na esperança de ganhar com ela o grande prêmio da loteria esportiva ou aclarar a inteligência. Absolutamente, isso uma pirâmide não faz. Mas suas possibilidades são tantas, tão transcendentes, que vale a pena darmo-nos à tarefa do seu uso em nosso domicílio.

O que é certo é que uma pirâmide caseira qualquer que seja o seu tipo, pode proporcionar uma infinidade de experimentos interessantes e úteis.

A experiência com o leite é fácil e deve ser tentada, dado sua facilidade. Debaixo de uma pirâmide, o leite permanece fresco durante vários dias e por fim se transforma em iogurte, como se sabe, se for colocado num recipiente idêntico, fora da pirâmide, azeda quase que imediatamente.

Desta maneira uma indústria francesa patenteou um recipiente de forma piramidal para conservar laticínios. Além disso, outras conhecidas formas encontram-se pesquisando as possibilidades energéticas das pirâmides, o que naturalmente será uma revolução na tecnologia fabril.

Mas o efeito piramidal não se restringe às experiências aqui descritas. SAbe-se que as frutas tornam-se mais saborosas sob o efeito da energia piramidal, e as flores conservam por longo tempo o frescor e suas cores reais.

O possuidor de uma réplica da pirâmide de Quéops se certificará pessoalmente dos seus poderes energéticos, pois é infinita sua força irradiante, sendo que vários técnicos já afirmaram que seu curioso campo magnético melhora as recepções de rádio e TV.

Ao efetuar a experiência com uma gilete, coloque a lâmina (depois de ter sido usada por várias vezes) ao nível do terço mais alto da pirâmide e com suas bordas voltadas para leste-oeste, deixando-a estacionar ali pelo menos uma semana consecutiva. O campo magnético mais intenso se localiza bem próximo ao ápice da pirâmide. Depois desse tempo a lâmina estará afiada, como se fosse nova! Após seu uso, deve ser recolocada imediatamente próximo ao cimo da pirâmide.

Depois de devidamente carregada, a lâmina permite que se a utilize diariamente durante dias ou anos. Karl Drbal afirma ter feito nada menos de 200 barbas com apenas uma lâmina, a qual era afiada diariamente por meio de uma pequena pirâmide.

Facas e tesouras sem fio também podem ser amoladas, mas devem permanecer no interior da pirâmide num período de quatro meses sem serem tocadas ou removidas, conforme preconizam os investigadores do fenômeno. As lâminas gilete têm sido eficientemente afiadas em uma diminuta pirâmide de 12 centímetros.

Logicamente, quando o objeto a ser magnetizado é de maiores proporções, a pirâmide terá de ser maior. Por exemplo, uma pirâmide para acomodar uma planta dentro de um vaso terá de ter pelo menos uns 40 centímetros de altura.

Para acomodar um galão de água, a ser energizada, a pirâmide deverá ter cerca de 1,20 m de altura. O tipo maior, utilizado para meditação e onde a pessoa fica sentada, ou deitada, tem 1,80m de altura.

Não é imprescindível uma base horizontal para a pirâmide. Nos tipos maiores contudo, às vezes é difícil estabilizar e mantê-los perfeitamente equilibrados. Notadamente quando são feitos de material leve, e neste caso é aconselhável uma base firme ou assoalho. Nos modelos fechados é exigida uma porta num dos seus lados, girando sobre dobradiças.

Caso a pirâmide seja montada sobre uma armação de madeira e coberta de plástico, será preciso passar uma estrutura de papelão de um lado a outro, à altura da porta, além de duas outras verticais de cada lado da porta e desde a plataforma de cima até a base, resultando uma formação adequada para entrada, a qual é coberta de plástico.

Há divergências nesse sentido, pois uma pirâmide aberta ou vazada, dispondo de apenas quatro hastes cilíndricas, ou quadradas, à guisa de armação, funciona perfeitamente bem. Neste caso as pirâmides de alumínio são as mais indicadas.

A fim de que não haja interferência elétrica, sempre será aconselhável colocar as pirâmides num cômodo livre de aparelhos de rádio, televisão ou instrumentos de eletroterapia, ou terão de ser desligados, caso existam na habitação.

Com efeito, seria ainda preferível colocá-las fora de casa e em aposentos distantes de quaisquer armações metálicas ou força elétrica. Mesmo assim, as pirâmides devem ser colocadas sobre um chão s´lido e se possível sobre um pedestal apropriado, para que não haja trepidação ou deslocamento.

É primordial e obrigatório o seu alinhamento norte-sul, sendo que essa direção deve ser efetuada por meio de uma agulha magnética. Os protótipos piramidais também podem ser alinhados na direção do norte verdadeiro, mas esse alinhamento não é correto num funciona em plena energia.

As pirâmides caseiras funcionam em uníssono com as forças cósmicas, quando norteadas pelo norte magnético, que é a posição geográfica onde se encontra a Grande Pirâmide de Quéops.

Cabe lembrar que em quase todos os casos, esta é a posição correta para o funcionamento de um protótipo piramidal, notadamente quando utilizado na meditação. Em outras ocasiões e nos casos do uso de um televisor no entanto, obteremos uma imagem excelente e limpa, quando uma pirâmide é colocada em suas cercanias.

Fonte: Os Segredos da Grande Pirâmide, João Medeiros, Editora Tecnoprint S.A, Rio de Janeiro-RJ, 1986, pp. 53-63.

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Grande Pirâmide foi feita de dentro para fora

Posted by luxcuritiba em abril 20, 2008

31-03-2007

Um arquiteto francês declarou na sexta-feira ter resolvido o mistério que há 4.500 anos cerca a Grande Pirâmide do Egito, afirmando que ela foi construída de dentro para fora.

Teorias anteriores diziam que o túmulo do faraó Khufu (Quéops), a última das sete grandes maravilhas do mundo antigo que ainda sobrevive, foi construída ou usando uma enorme rampa frontal ou então uma rampa em forma de espiral, em volta da parte externa da pirâmide, para erguer as pedras.

Mas Jean-Pierre Houdin disse que uma análise 3D avançada mostra que a rampa principal empregada para erguer as pedras maciças para o ápice da pirâmide estava contida entre 10 e 15 metros abaixo da camada externa da pirâmide, fazendo uma pirâmide dentro da pirâmide.

“Esta teoria é melhor que as outras porque é a única que funciona”, disse Houdin, depois de apresentar sua hipótese numa cerimônia em que usou simulação computadorizada em 3D.

Para provar sua tese, Houdin montou uma parceria com a empresa francesa Dassault Systêmes, que constrói modelos para o design de automóveis e aviões. A empresa pôs 14 engenheiros para trabalhar no projeto por dois anos.

Agora uma equipe internacional está sendo montada para sondar a pirâmide, usando radares e câmeras de detecção de calor fornecidas por uma firma de defesa francesa, desde que as autoridades egípcias aprovem a operação.

O egiptólogo Bob Brier disse à Reuters na apresentação da hipótese: “Isso contraria as duas principais teorias existentes. Eu mesmo as ensino há 20 anos, mas, no fundo, sei que estão erradas.”

Houdin começou a trabalhar em tempo integral sobre o enigma oito anos atrás, depois de uma intuição que lhe foi transmitida por seu pai, engenheiro, e cinco anos antes de visitar a pirâmide “in loco”.

Ele acredita que, com as técnicas que visualiza, a pirâmide pode ter sido erguida por não mais de 4.000 pessoas, em lugar das cerca de 100 mil vistas por historiadores passados como o número provável de trabalhadores encarregados de enterrar o faraó.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL16221-5603-630,00.html

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A Magia Curativa da Grande Pirâmide

Posted by luxcuritiba em abril 20, 2008

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A principal função da Grande Pirâmide talvez seja o seu efeito curativo, pois está amplamente provado esse conceito por uma infinidade de relatórios de cientistas do Japão, da Rússia e dos Estados Unidos.

Cortes, arranhões e queimaduras, aparentemente saram bem mais depressa depois de uma ligeira e muitas vezes única exposição debaixo de um pirâmide. Conforme já verificamos pessoalmente em algumas experiências, uma pequena dor de cabeça pode ser sanada em apenas quatro minutos.

Tem-se reportado em várias ocasiões – conforme atestados verídicos – que dores de dentes e enxaquecas foram eliminadas prontamente, e muitas pessoas aliviadas de males artríticos e reumáticos depois de se acomodarem durante um tempo mínimo dentro de uma pirâmide de alumínio de maiores dimensões.

O mais surpreendente é que essa fabulosa energia se estende a várias funções diferentes, como por exemplo: as plantas crescem mais rapidamente, quando expostas à irradiação piramidal; a água se purifica totalmente e se torna livre das nocivas bactérias, quando expostas durante duas horas debaixo de uma pirâmide; o ouro se torna reluzente; o leite permanece fresco durante vários dias, naturalmente dentro de um temperatura amena; a carne de desidrata e mumifica sem apodrecer; as flores se conservam vivas por mais tempo nos vasos; a água energizada facilita a digestão; o café, o vinho e os sucos de frutas melhoram de sabor, quando deixados durante duas horas debaixo de uma pequena pirâmide; as baratas fogem espavoridas sob o efeito energético das pirâmides – para elas mortífero!

Pessoas que ficaram sentadas por meia hora dentro de uma pirâmide informaram que se sentiram virtualmente mais relaxadas e revitalizadas fisicamente, sendo que outros disseram ser mais fácil de se obter a meditação profunda por meio desse meio ideal. Depois que uma jovem norte-americana passou a dormir dentro de uma pirâmide em dias alternados, sua progenitora informou que a moça se tornou menos nervosa e que se tornou mais esbelta, tendo inclusive perdido o excesso de peso que a prejudicava.

Vejamos este outro caso: o dente incisivo da arcada superior estava provocando uma dor insuportável na jovem. Como era domingo de manhã, não havia naturalmente nenhum dentista disponível e os analgésicos comuns de nada adiantavam.

Por fim, desesperada, Inez Petit sentou-se no interior de uma pirâmide do seu progenitor, construída em madeira e rezou esperando pelo milagre. Não se sabe ao certo o que aconteceu, mas depois de dez minutos a dor passou completamente. O exame posterior mostrou que anda havia de anormal na aparência, pois o dente se encontrava em ótimo estado!

Várias pessoas que têm usado suas pirâmides se sentiram aliviadas de muitos males, em casos de artroses, cortes, contusões e infecções principalmente, já que a energia piramidal elimina a propagação das bactérias malignas. Interessante frisar que essas curas foram processadas em períodos de tempo espantosamente curtos!

Temos ciência de uma enormidade de casos incríveis, porém o espaço de que dispomos neste livro obviamente restringe curiosas narrações que gostaríamos de transmitir.

Muitos são os casos clínicos observados em relação à energia produzida por uma pirâmide. Vejamos mais este fato curioso: uma senhora norte-americana narra uma história muito interessante. Ao entrar na meia-idade, seu esposo construiu uma pirâmide para seu relax, além de beber água energizada. Poucas semanas após, a mulher ficou estupefata e disse: Acho que o meu velho está retornando aos vinte ou trinta anos; há tempos que ele não tem tanta potência sexual!

O próprio Ed Petit, autor do best-seller norte-americano O Poder Secreto das Pirâmides, afirmou publicamente em seu livro interessante que certa vez se encontrava com um sério tumor na próstata e que a operação deveria ser iminente. Então passou a dormir dentro de uma pirâmide duas noites por semana e a beber regularmente água energizada fornecida por um outro protótipo menos da Grande Pirâmide. Decorreram seis meses, e um dia percebeu que há muito tempo nada mais sentia na próstata e que as suas funções sexuais haviam se normalizado!

Relatórios russo, amplos e pormenorizados, provenientes da sua prodigiosa ciência metafísica, indicam que a água energizada tem sido empregada com resultados surpreendentes em ferimentos de soldados e em tumores malignos, enquanto que um dos seus sábios afirma que a coagulação sanguínea se processa de maneira extremamente rápida, quando ativada sob o campo energético de uma pequena pirâmide e que as bactérias são eliminadas.

Algumas pessoas que têm permanecido meditando dentro de uma pirâmide, têm se referido ao aparecimento fugaz de uma misteriosa luz azulada e diáfana em seu ápice. O próprio Wilhelm Reich sustentava que a cor da energia vital era azul, e talvez seja a mesma impressão luminosa vislumbrada por Enel no interior da Grande Pirâmide.

Teria Napoleão Bonaparte presenciado esse mesmo efeito, quando regressou assustado e lívido da Câmara do Rei, segundo relata a história? Quando um dos seus ajudantes de ordem lhe perguntou em tom jocoso se ele havia deparado com algum fantasma, Bonaparte replicou rudemente que não tinha comentários a fazer, acrescentando depois, mais suavemente, que não queria que o incidente voltasse a ser mencionado.

Mais tarde, em Santa Helena, o grande corso continuou se recusando a falar sobre aquela estranha ocorrência dentro da Grande pirâmide, insinuando que havia recebido um presságio sobre seu destino, sendo que disse a Las Cases, abanando a sua cabeça: “Não, de que adianta! Você não me acreditaria”.

As pesquisas de Reich indicam a existência, na atmosfera, de um certo campo de energia invisível, capaz de ser acumulado e dirigido para o corpo físico de modo a beneficiá-lo. Essa mesma energia – por ele denominada orgônica é a mesma energia ki dos japoneses, ou o mesmo “prana”, dos iogues e mais acertadamente citado como energia vital, dado suas amplas e virtuais facetas.

As comprovadas observações da luz azulada, vistas sobre o cimo das pirâmides em ocasiões excepcionais por alguns sensitivos, ou por outras pessoas que permaneceram meditando dentro delas, oferecem provas suficientes de que a energia piramidal é real e que partilha dos mesmos fenômenos produzidos pelos aparelhos eletroterápicos de ondas curtas largamente utilizados em medicina e outros, tais como o Magnetizer dos japoneses, lâmpadas de infra-vermelho ou raio laser, sendo que o campo energético das pirâmides é mais eficaz e rápido, com a vantagem de nada custar, pois suas múltiplas ações derivam simplesmente de um singelo e barato protótipo da Grande Pirâmide de Quéops! Esse é o grande misterioso enigma que tem desafiado a argúcia dos melhores cientistas de todo o mundo.

Fonte: Os Segredos da Grande Pirâmide, João Medeiros, Editora Tecnoprint S.A, Rio de Janeiro-RJ, 1986, pp. 69-73.

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As profecias da grande pirâmide

Posted by luxcuritiba em abril 19, 2008

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Pyramon estava aproveitando bem o tempo de espera. Ele confirmara mais uma vez, com o máximo rigor, todas as medidas que ainda seriam usadas. Pois cada mínima medida aplicada na construção da pirâmide possuía um significado profético, astronômico e geofísico… Portanto, não se podia omitir nem a mínima coisa.

Finalmente chegaram ao ponto de poderem ser reiniciados os trabalho da pirâmide. Kosbi trouxera tantos mantimentos, que os armazéns estavam novamente repletos de provisões. Novas remessas também já estavam providenciadas. Nesse ínterim haviam comparecido de novo também os trabalhadores com suas famílias. Os poucos que haviam sido mortos na sítio de Akeru, ou feridos tão gravemente que não pudessem continuar a trabalhar na pirâmide, foram substituídos por outros.

Não demorou muito e se ouviram as metálicas marteladas dos ferreiros que tinham retomado seu trabalho com grande afinco. Também os sons das flautas de pastores enchiam novamente o ar. Eram as crianças do acampamento que tocavam com grande persistência as flautas feitas por elas mesmas. Para tanto subiam nas árvores mais altas, a fim de que os gigantes também pudessem ouvir sua bonita música. Tudo estava como sempre. Nada mais indicava que os trabalhos haviam ficado paralisados durante tanto tempo.

O trabalho, na realidade, nunca ficara parado, pois os gigantes haviam prosseguido ininterruptamente. Eles haviam, nesse ínterim, acabado o teto da “sala do Juízo”, composto de muitos e pesados blocos de pedra. O sarcófago há muito já estava nessa sala. Os gigantes, com sábia previsão, haviam colocado o grande bloco de granito vermelho, no lugar a ele destinado, muito antes que as paredes laterais dessa sala ficassem prontas. O escultor transformou-o depois, dentro da própria sala, num sarcófago, usando para isso serrote, martelo e talhadeira. O sarcófago nunca poderia ter sido colocado por último na sala do Juízo da pirâmide acabada, pois para tanto, era grande demais.

Além disso, os gigantes também haviam trazido e empilhado nas proximidades, todos os blocos para o revestimento externo da pirâmide. Eram vinte e cinco mil blocos de mármore, reluzentes, de cor amarelo-escuro, pesando muitas toneladas cada um. Os blocos eram cortados com absoluta precisão, possuindo superfícies brilhantes. Não obstante isso, ainda tinham de ser polidos. Uma vez que esse trabalho somente podia ser executado por mãos humanas, os gigantes colocaram certo número deles no chão, em volta da pirâmide, de tal modo que cada um poderia trabalhar neles comodamente. Os trabalhadores retomaram alegremente os trabalhos que ainda antes do sítio de Akeru haviam iniciado.

Incidentes ocorriam sempre de novo. Contudo, nunca mais representaram obstáculos tão sérios, que pudessem prejudicar a continuação da obra.

E então chegou o dia em que os gigantes colocaram a última pedra, fechando a pirâmide. Pyramon contemplou com alegria e satisfação a obra acabada. Pensou no dia em que pisara pela primeira vez o solo do oásis, para começar o trabalho. Como que voando havia passado o tempo. Agora estava cumprida a missão de sua vida. E ele perguntava a si próprio como prosseguiria sua vida…

Os dias que se seguiram à conclusão da pirâmide, foram dias de inquietação para Pyramon. Ele andava de um lado para outro, como se esperasse algo. Mas o que esperava, ele mesmo não sabia. À vezes ficava parado diante da esfinge, levantando pensativamente seu olhar para o rosto de pedra. Os olhos desse rosto pareciam olhara para distâncias longínquas, e eles davam uma impressão tão viva, que ele se assustava cada vez que os via. Da colossal figura de leão deitado emanavam uma serenidade e uma altivez impossíveis de serem perscrutadas. ERa como se um halo de mundos superiores e eternos pairasse em volta dela.

Enquanto Pyramon ainda pensava no misterioso e enigmático que emanava dessa figura de pedra, ele sentiu a forte correnteza de ar, sempre causada pelos gigantes ao se aproximarem. Com alegria olhou para cima. Todos os que haviam trabalhado juntos na pirâmide, estavam presentes. Ao vê-los, ele sabia por que tinham vindo. Estavam prestes a deixar o oásis. Com saudade e tristeza no coração, ele ouviu as poucas palavras que Enak lhe dirigiu, despedindo-se.

“De bom grado trabalhamos contigo”, deu Enak a entender. “Teu amor e tua confiança enriqueceram-nos, aquecendo nossos corações. Nosso trabalho está terminado. Deixamos agora este país e a proximidade da Terra, esperando pelo que vier. Saudamos-te e permaneceremos teus amigos”.

“Não pensei que vos afastaríeis tão rapidamente”, murmurou Pyramon com o olhar abaixado, enquanto percebia, envergonhado, que lágrimas lhe enchiam os olhos. Olhando novamente para cima, viu que estava sozinho. Pela primeira vez, desde a morte de Thisbe, ele sentia-se só e abandonado no Egito. Os gigantes foram durante um longo tempo seus amigos e confidentes, e ele, até certo ponto, havia-os entendido melhor do que aos seres humanos, embora fossem seus semelhantes.

Pyramon não pôde entregar-se muito tempo a seus tristes sentimentos intuitivos. No mesmo dia ainda, ao anoitecer, chegaram mensageiros enviados à frente por Aphek, o sacerdote-rei, para noticiar a sua chegada. Aphek há tempo havia planejado uma solenidade de agradecimento, que deveria ser realizada no oásis, logo depois da conclusão da pirâmide. Agora ele estava se aproximando juntamente com vinte xeques de tribos independentes, três reis dos reinos da Arábia do sul, além de um determinado número de sábios que em caminho se haviam juntado a sua caravana.

Aphek sempre estivera informado exatamente sobre o andamento dos trabalhos da pirâmide. Dessa maneira ele pôde em tempo avisar todos aqueles que ele sabia que gostariam de viajar juntamente com ele para o Egito, a fim de ver a pirâmide acabada e assistir à solenidade de agradecimento.

E todos vieram para ver a obra monumental que há anos vinha agitando todos os ânimos.

Cada um, ao ver a pirâmide acabada pela primeira vez, ficava parado diante dela com sentimentos indizíveis e indefiníveis. Sentimentos esses que deixavam estremecer espíritos e almas. Ninguém ficava sem ser tocado por aquilo.

As paredes dessa obra colossal, lisas como um espelho e de um vislumbre amarelo, davam um aspecto inesquecível, quando eram atingidas simultaneamente pelos raios solares. Do mesmo modo inesquecível ficava a esfinge, lisa e de um vislumbre avermelhado, a qual estava ligada à grande pirâmide de maneira misteriosa.

Um halo de eternidade envolvia ambos os monumentos, dos quais cada pedra falava uma linguagem poderosa!

Milhares de pessoas assistiram à solenidade de agradecimento. A oração de agradecimento, contudo, não pronunciada por Aphek ou um outro sábio, mas sim, foi cantada pelos homens que tinham colaborado na pirâmide e na esfinge. Era um coro maravilhoso de homens que louvava a onipotência do Criador e a grandeza das obras iniciadas e concluídas em Seu nome.

Também pYramon e os gigantes foram louvados, por terem sido escolhidos para edificar essa obra única. Numa outra canção pediam a Thaui, a senhora da Terra, e a Ea, o senhor do sol, para tomarem a pirâmide e a esfinge sob a sua proteção, a fim de que permanecessem conservadas até o fim dos tempos.

Enquanto soava a cação dirigida à senhora da Terra e ao senhor do sol, levantou-se voando da plataforma da pirâmide uma cesta de ouro que parecia conter frutas áureas. Cada um que ainda podia perceber acontecimentos extramateriais, viu a cesta desaparecer bem no alto, no irradiante brilho solar. A cesta que continha os frutos do trabalho feito, saiu das mãos da senhora da Terra, que igualmente se tornava visível acima da pirâmide, por um momento.

Tudo o que o ser humano realiza na Terra, toma forma e produz frutos! Bons ou maus. No caso da pirâmide, os frutos eram de um puro brilho de ouro, pois todos, sem exceção, haviam trabalhado na obra com amor.

O senhor do sol e a senhora da Terra sempre haviam acompanhado com interesse os trabalhos da obra. Pois não se tratava de uma obra comum. A pirâmide surgira da Vontade do Onipotente Criador. Através de milênios deveria ela ser um marco de advertência, lembrando sempre de novo os seres humanos de que o tempo do último julgamento se aproxima.

Havia um motivo especial para que a pirâmide não terminasse numa ponta. É que o Senhor do Universo colocaria ali o seu sinal, quando viesse à Terra no tempo do último Juízo. É o sinal da vida eterna, e este iluminaria o caminho para todos aqueles que conseguissem caminhar até o final do salão do Juízo, passando pelo sarcófago aberto. De lá em diante então começaria a ascensão que conduz para cima, através de cinco degraus do Universo. Para cima, às campinas da paz, em direção à pátria eterna dos seres humanos.

A solenidade de agradecimento ficou inesquecível para todos que a ela assistiram. Cada ano, na mesma data, os sábios realizavam uma solenidade em comemoração, a qual de ano em ano era mais concorrida. Os peregrinos pareciam ter uma predileção especial por essa solenidade. Os sábios esclareciam sempre de novo o sentido e a finalidade da pirâmide, exortando simultaneamente todos os peregrinos, vindos de perto e de longe, para que vivessem sempre de tal maneira que não precisassem temer o Juízo.

Durante o dias subsequentes à solenidade de agradecimento, Pyramon dedicou-se integralmente a seus visitantes. Não podiam ouvir o suficiente das profecias da pirâmide. Antes de tudo, interessavam-se pela maneira com que essas profecias tinham sido expressas.

Pyramon levou-os várias vezes para o meio do pátio, onde havia levantado o modelo da pirâmide, esclarecendo-lhes os acontecimentos mais importantes através do mesmo.

No modelo, que tinha o tamanho de Pyramon, faltavam duas paredes externas, bem com algumas internas, recebendo os visitantes assim uma visão do interior. Pyramon indicou para alguns lugares importantes, dando-lhes os seguintes esclarecimentos.

Pegou no último bastão de ouro que ainda possuía, pois os muitos outros havia deixado na sala do Juízo, e disse:

– A câmara que estais vendo aqui, situa-se mais ou menos, em altura, entre o solo e a sala do Juízo. O tamanho da câmara e a cor com que são pintadas as paredes internas, indicam que uma emissária feminina virá das alturas máximas até a Terra. Por isso denominamo-la “câmara da Rainha”. A época desse acontecimento reconhece-se pela medição da altura em que a câmara se encontra. E essa medida indica uma data daqui a deis mil e quinhentos aos.

Segui agora exatamente o caminho que conduz para essa câmara da Rainha. Ele sobe, sim, contudo, em determinado ponto segue uma ramificação para baixo, até as câmaras subterrâneas. Isso significa que uma parte da humanidade já estará trilhando um caminho que termina no abismo. A emissária das alturas supremas, a Rainha, terá de lidar, portanto, com seres humanos que visam o abismo. A câmara fechada indica que os ensinamentos e as advertências dela não penetrarão nos corações humanos, e que ela mesma sucumbirá numa prisão.

Além da Rainha – o país do seu destino situa-se em direção às ilhas – descerão antes do Juízo Final ainda dois enviados de alturas supremas. A permanência deles foi simbolizada por recintos altos e arejados.

De acordo com as medidas, o primeiro enviado virá quinhentos anos depois da Rainha, à Terra. A vinda do segundo enviado das alturas supremas ocorrerá num futuro mais remoto, daqui a quatro mil e quinhentos anos. Pela posição e direção dos salões, depreende-se que ambos os enviados viverão e atuarão naquela parte da Terra onde agora nos encontramos.

Pyramon afastou mais algumas pedras, indicando agora para um corredor baixo, que se tornara visível.

– Vedes, recomendou ele, que o teto desse corredor se abaixa de tal modo, que uma pessoa somente agachada pode passar por ele. O abaixamento encontra-se no corredor que sai do salão alto e arejado do segundo enviado. Isso indica algo horrível.

O corredor baixo, pelo qual os seres humanos somente podem passar agachados, encolhidos e sem enxergar nada, simboliza a perda da verdadeira dignidade humana. Esse infortúnio desencadear-se-á sobre a humanidade, depois da vinda do último enviado das alturas supremas.

A culpa que acarretará a perda da dignidade humana iguala-se a um pesado muro opressor que deverá calcar ao solo cada um.

O corredor, sim, novamente se torna mais alto, de movo que os que perceberam sua estreiteza e seu peso opressor, poderão respirar de novo um pouco. Nesse período de tempo até lhes seria possível reconhecer sua grave culpa, libertando-se dela. De que espécie essa grave culpa será, não sabemos, disse Pyramon, dirigindo-se a seus visitantes.

– Mas do caminho seguinte depreende-se que não houve nenhum reconhecimento. O teto abaixa-se mais uma vez. Agachados, com o olhar dirigido à Terra, e desligados de qualquer irradiação da Luz, devem os seres humanos prosseguir sua vida. Pyramon indicou para um ponto onde o corredor novamente se tornava mais alto.

– Daqui em diante os seres humanos novamente podem erguer a cabeça. E parece que nada mais pode impedir o prosseguimento de sua caminhada. Contudo, isto é um erro, pois, como vedes, levanta-se de repente uma parede, pondo fim ao caminho deles. Essa parede significa o fim do tempo de desenvolvimento humano. Daqui em diante só existe uma única saída. E essa conduz, quando o ser humano se vira para a direita, à sala do Juízo com o sarcófago aberto.

Pyramon virou-se. Não, ninguém tinha perguntas. Eles queriam que ele prosseguisse falando. Aliás, do Juízo, que todos intimamente temiam. Pyramon tirou uma parede, de modo que todos podiam ver a sala. Calados e com toda a atenção contemplavam o sarcófago aí existente. Eles tinham a impressão de que mesmo o pequeno modelo do sarcófago tinha algo de sinistro.

A execução sem acabamento da sala chamou a atenção do rei de Sabá, e ele perguntou por que assim era.

– Todas as outras paredes e pisos da Pirâmide são lisos e reluzentes. Mesmo o sarcófago parece não estar ainda pronto, disse ele com surpresa.

Pyramon respondeu, sorrindo, que a sala do Juízo, na pirâmide, tinha o mesmo aspecto que no modelo.

– Lá o piso também é desigual, as paredes são ásperas e o sarcófago dá a impressão de torto. Mas assim é intencionado, pois sabeis que tudo na pirâmide tem sentido profundo e duplo.

A sala do Juízo, também chamada câmara do Rei, é o símbolo da época do Juízo. Início e fim desse Juízo poderão ser reconhecidos pela altura em que a sala está situada dentro da pirâmide e pelas suas medidas. Mesmo nas medidas desiguais do sarcófago encerram um profundo sentido.

O piso desigual indica que na época do Juízo os seres humanos não mais terão sob os pés um solo liso e firme. A terra onde eles se locomovem não contém mais nenhuma segurança para eles. Não sabem o que o próximo passo lhes pode trazer.

Além, disso, para onde quer que olhem, deparam com paredes e um teto que pelo seu aspecto, igualmente, nada promete de bom. Resta apenas olharem para o sarcófago, cujo aspecto mais temem. Sentem-se presos num recinto, do qual não há uma fuga.

A época do Juízo não poderia ser transmitida mais impressionantemente do que através dessa sala. Para onde quer que o ser humano se volte, a insegurança e o medo serão sempre seus acompanhantes. Não pode fugir de si mesmo e de sua própria culpa. Além disso, as condições terrenas naquele tempo serão de tal maneira, que ele, quer queira, será lembrado da morte.

A sala do Juízo, porém, não encerra apenas a morte! Ela é grande. Dá suficiente espaço para as pessoas que nela se encontram, andarem eretas e se movimentarem livremente. A amplitude da sala indica que um enviado das alturas supremas – com este entende-se o próprio Regente do Universo – trará, durante o tempo do Juízo, uma mensagem que encerra segurança, saber e salvação aos seres humanos que ainda puderem assimilá-la. De certas medidas do sarcófago depreende-se, contudo, que será mínimo o número daqueles que aceitarão o ensinamento salvador.

Para esses poucos agraciados, a sala do Juízo bem como o sarcófago, não amedrontarão. Deparam, sim, por toda a parte, com um mundo feio e desequilibrado, e o caminhar no piso desigual também nem sempre será fácil.

Em contraste com os outros, carregados de culpas, que dentro de si e em seu redor somente enxergam coisas feias, os agraciados procurarão melhorar e embelezar o seu ambiente! Devido ao seu anseio de criar um ambiente harmonioso, quererão ajudar os outros, que apenas enxergam coisas feias, a fim de que também o ambiente interior deles se torne belo e equilibrado.

– E o sarcófago? perguntou o rei de Ma’in. Os agraciados também vêm o sarcófago! E esse indica para a morte!

– A morte não encerra pavor para os seres humanos que vivem dentro das leis do Regente do Universo! Pelo contrário! Sabem que a morte terrena significa para eles o nascimento num mundo mais belo e superior! disse Pyramon com convicção.

Todos concordaram com Pyramon. Todos eles desejavam de todo coração que também para eles a morte fosse o nascimento num mundo superior.

Pyramon pegou um dos rolos de couro branco que estavam na mesa e desenrolou-o, indicando para os sinais de escrita verdes e vermelhos que cobriam o couro.

– Colocamos setenta placas com sentenças instrutivas nos diversos compartimentos da pirâmide. Os sábios da Caldéia escreveram essas sentenças em couro e em finas chapas de cobre, mandando-as para cá. Aqui nós as transcrevemos em placas pesadas e as colocamos na pirâmide. A sentença de uma dessas placas que coloquei no sarcófago, diz:

“Sem terminar realiza-se o mistério da vida e da morte. O mistério da transformação e do renascimento! Aquele que durante a sua vida terrena se lembrar da morte, não precisa temer o Juízo, quando o fim chegar!”

– Repete essa sentença para nós, Pyramon, pediu um dos xeques. Ela me deu esperanças! A seguir Pyramon teve de repeti-la várias vezes ainda, pois cada um queria gravar as palavras exatamente.

Quando todos sabiam de cor a sentença, Pyramon disse que ele havia mencionado apenas algumas das muitas profecias apontadas na pirâmide. Mas eles podiam perguntar, se quisessem saber mais.

Depois de pensar algum tempo, um dos xeques levantou a mão, indicando para uma grande rachadura visível num dos blocos de pedra que formavam o teto.

Todos levantaram as cabeças e viram a fenda na pedra, a qual parecia perigosa.

– Quase parece como se o teto estivesse rachado, murmurou o rei de Sabá. Logo depois, porém, ele olhou sorrindo para Pyramon e perguntou o que isso significava.

– Um rachadura na construção tão perfeitamente executada, seguramente indica algum acontecimento!

Pyramon deu-lhe razão e olhou um momento para o teto, dizendo a seguir que essa rachadura indicava um acontecimento que ocorreria dois mil e quinhentos anos mais tarde.

– Deve tratar-se de um gravíssimo delito da humanidade, pois as respectivas profecias dizem que os efeitos disso serão sentidos até as alturas máximas.

– O trabalho dos gigantes é insuperável. Essa rachadura parece um corte na pedra, disse um dos visitantes com admiração.

– As salas e os corredores também apresentam fendas, aliás, somente perceptíveis àqueles que conhecem os lugares, recomeçou Pyramon. Hoje são apenas fissuras fina, não representando nenhum perigo de desmoronamento. Contudo, se as salas e os corredores, em cujas pedras se encontram essas fissuras, estiverem desmoronados até o fim dos tempos, então a respectiva profecia diz o seguinte:

“O Regente do Universo poderá entrar na pirâmide, certificando-se de que o serviço de seus servos fora bem feito. Se, porém, até a sua vinda, as paredes, em todos os lugares onde hoje existem as rachaduras estiverem gravemente danificadas e desmoronadas, então a destruição esperará os seres humanos. Eles mesmos terão destruído os caminhos que conduzem para cima. A Divindade abandonará a Terra, voltando para o seu céu e tristeza haverá em seu coração…”

As palavras dessa profecia desencadearam em todos um medo atormentador. Foi como se um pesado fardo se deitasse sobre eles. Por que estavam com medo? Eles seguramente não estariam entre aqueles que destruiriam os caminhos para cima… Mas também sabiam que tais angustiantes sentimentos intuitivos saíam do espírito, e que deviam dar atenção a eles… Mais tarde então iriam se ocupar com a causa desse medo inexplicável. Agora não havia tempo para isso, pois Pyramon já prosseguia falando. Ele tirara um pequeno bloco ao lado da entrada da sala do Juízo e dizia:

– Este lugar indica o início do Juízo. Aqui já nos encontramos no último século. No século do Juízo. Na placa encostada neste lugar, dentro da pirâmide, encontram-se gravadas as seguintes palavras:

“O dragão que levou a ordem universal ao desmoronamento, deslocando seu eixo, alcançou o ápice de seu poder. Todos os povos até aqui já traíram o seu Criador! Voluntariamente curvaram-se ao domínio do dragão, ao domínio da mentira! Aqui chegou o fim do dragão. O Juiz Universal venceu-o com sua lança, pondo-o fora de ação! A sagrada lança está então dirigida contra a humanidade! O sarcófago aberto está esperando!”

– Essas palavras não significam nada de bom para nós, disse o rei de Sabá, quando Pyramon calou. Soam sem esperança. Mas eu te agradeço, em nome de todos, por nos teres comunicado justamente essa profecia. Há anos nossos pensamentos rodeiam esta extraordinária construção! E eu acho que todos me darão razão, se eu agora digo que será bom para nós, termos medo daquilo que ainda está no futuro! Tanto mais nos acautelaremos agora, para não cometermos erros que talvez não mais possam ser resgatados até o Juízo…

Quando o rei de Sabá terminou, todos agradeceram a pYramon. Eles esperavam, de todo coração, que essas palavras significativas se gravassem tão profunda e duradouramente em suas almas, que eles também se lembrassem delas em vidas terrenas posteriores.

– Achas, Pyramon, que as palavras dessa pavorosa profecia ainda estarão tão vivas em nossas almas, em nossa última vida terrena, que possam penetrar até os nossos cérebros?… Pergunto a mim mesmo, se até lá elas ainda terão bastante força para fazer com que nos tornemos conscientes delas!

Fora o irmão de Pyramon que falara. Também os outros haviam formulado essa pergunta intimamente. O que Pyramon responderia?

– Não sei qual será o estado de nossas almas então, disse Pyramon, após sérias reflexões. Acho que ninguém poderá predizer isso agora… Aphek, o sacerdote-rei da Caldéia, ainda falará convosco sobre as profecias… talvez ele possa dar-vos alguns esclarecimentos sobre isso.

Um dos xeques que se ocupava com a astronomia, ainda quis saber como seriam as influências dos astros no começo do Juízo.

– Nossos sábios já agora estão observando movimentos sob forma de turbilhões em redor do sol. E do próprio sol eles viram conjuntos de chamas elevarem-se tão alto, que não podiam segui-las com os olhos… Dizem também que ainda muito longe, atrás do sol, está girando um cometa, o qual transformará, no fim dos tempos, nosso sol num mar de chamas. Viram também, várias vezes, o próprio senhor do sol. O aspecto dele, contudo, havia-os inquietado profundamente. O maravilhoso era quase irreconhecível, de tão envolto que estava de chamas vermelhas de ira… A ira dele dirigia-se contra os seres humanos. Os sábios não tinham uma explicação para isso.

Com alívio, Pyramon viu Salum parado na entrada. O muito falar deixara-o cansado. Agora não mais precisaria dar outros esclarecimentos. Ultimamente sentia cada vez mais necessidade de estar só. Os visitantes tinham vindo de tão longe. Não devia perder a paciência. Percebendo que eles hesitavam em seguir o convite de Salum, ele então perguntou amavelmente se alguém ainda queria saber algo…

Mal Pyramon havia pronunciado essas palavras, e um dos visitantes saiu do grupo, colocando-se diante dele.

Era um velho, de estirpe nobre, chamado por todos xeque Ibrahim. Ele pediu a Pyramon que lhe dissesse uma sentença que tratasse da morte.

– Minha última vontade de ver a pirâmide ainda se realizou, mas eu sei que o tempo de minha existência terrena está no fim. Só me restam as forças vitais para voltar a minha pátria. A sepultura que acolherá meu corpo, já está preparada.

Pyramon, de bom grado, satisfez o desejo do velho. Ele tirou um rolo de couro branco da pilha, desenrolou-o e leu os sinais de escrita que ele mesmo escrevera:

“A alma do justo elevar-se-á cheia de força do seu invólucro terreno. Ela será recebida por entes que jubilarão de alegria e será conduzida em uma canoa vermelha, que navega num rio comprido e fundo, para o país ensolarado das almas. Entes dos ventos impulsionam a canoa rapidamente para frente. A viagem parece curta e logo alcançam a margem do novo e luminoso país. Também no novo país a alma é recebida com júbilo, e grinaldas de flores de Ankham são oferecidas a ela. Ela chegou ao destino, e a nova vida no país das almas se inicia!”

O velho xeque ouvira essas palavras com uma expressão de felicidade no rosto. Contudo, somente quando Pyramon, a pedido dele, ainda as repetiu novamente, ele se retirou, deixando vagarosamente o pátio.

– Qual é o teor da sentença escrita na placa de bronze, ao lado da estrada? perguntou um outro xeque com interesse.

Pyramon tirou uma pequena e fina placa de cobre de uma prateleira e leu os sinais de escrita gravados nela ainda pelo próprio Sargon:

“Vós, seres humanos, que entrastes nesta construção perfeita, prossegui com profundo respeito! Pois esta obra perfeita é um gigantesco papiro coberto de muitos sinais de escrita, que contêm uma dupla revelação!

Aquele que quiser decifrar o segredo do papiro de pedra, deverá implorar primeiramente o auxílio dos eternos!

Aquele que procura perscrutar a sabedoria oculta na pedra, deve inclinar-se diante da grandeza da obra e esquecer seus próprios pequenos conhecimentos durante algum tempo!

Aquele que se torna consciente de que é apenas uma minúscula partícula no mundo, e de que outros muito maiores do que ele mesmo governam o mundo, mantendo-o em movimento, novamente fará parte, como outrora, dos iniciados, e será um escolhido na Terra!

Somente aquele que for pequeno na Terra e grande no espírito, decifrará o segredo das pedras falantes, pois somente esse caminhará na graça dos eternos!

Aquele, porém, que tece redes de mentira, turvando a verdade, revela com isso apenas que faz parte dos seres humanos caídos, que se ligaram às forças do mal já desde muito tempo. Sejam esses advertidos, pois os filhos de Osíris zelam até o fim, e eles destruirão cada malfeitor.

Os grandes no espírito sema bem-vindos com a saudação da paz da eternidade. Eles trazem o amor no coração e a eles será permitido ver a sagrada chama no cristal. Os filhos de Osíris pedem a bênção deles!”

Também essas palavras Pyramon teve de ler repetidas vezes, antes que eles se dessem por satisfeitos, pois tinham o mais ardente desejo de que essa palavras se gravassem em suas almas para sempre.

Antes de deixar o pátio, o rei de Ma’in disse que todos eles se preocupavam muito por causa do último Juízo.

– O que podemos fazer, para que reconheçamos logo o Juiz Universal, quando ele vier à Terra? Pelas profecias da pirâmide sabemos de sua vinda. Sabemos também em que época o Juízo acontecerá, e também quando estará consumado. E embora estejamos convictos de que nada nos poderá acontecer de mal, se sempre seguirmos a lei do Onipotente Criador, a inquietante preocupação de que nesse ínterim possamos cair nas redes habilmente colocadas pelas servas de Septu, não nos abandona.

Quando o rei terminou, todos olharam para Pyramon. Aliás, com a silenciosa esperança de que ele lhes pudesse dar um conselho nesse sentido.

Pyramon recolocou a placa de cobre na prateleira, dirigindo-se depois a seus visitantes e olhando para cada um. O que deveria ele responder? Todos eles estavam firmemente ligados com os mundos superiores da Luz. Nenhum deles precisava preocupar-se… De repente lembrou-se de Harpo. Essa lembrança atingiu-o como um golpe… Os rostos dos que estavam a sua frente confundiam-se diante de seus olhos e o solo sob seus pés parecia oscilar. O acesso de fraqueza passou tão rapidamente como viera. Além de seu irmão, o rei de Kataban, ninguém havia notado algo.

Pyramon dominou seu susto e seu atordoamento. Por que fora ele lembrado da horrível mulher? Pois não estava morto o que se relacionava a ela? Tão morto como ela mesma?

Os visitantes ficaram inquietos. Por que Pyramon ficava calado tanto tempo? Talvez ele não pudesse entender a preocupação deles.

Somente reunindo toda sua força de vontade, Pyramon pôde novamente voltar a atenção aos seus visitantes. Ele já se havia considerado muito superior e inviolável, e agora caíra de sua altura imaginada.

– Posso compreender as vossas preocupações, pois elas também são minhas! disse ele finalmente. Contudo, não vos posso dar nenhum conselho. Oh! sim… de repente um sorriso libertador iluminou o seu rosto. Ele viu Tahia e Kina, que, despercebidas, haviam entrado no pátio. Logo depois apareciam também Chatna e Lachis com um grupo de mulheres, que, curiosas, investiram para dentro do pátio.

– Oh! sim, começou Pyramon de novo, pois existem também mulheres que vivem e atuam afastadas dos charcos de vícios. Essas mulheres possuem um poder que desperta o bem em cada um que chega em contato com elas. Nós todos apenas podemos pedir e esperar que nossos guias espirituais nos conduzam, na época do Juízo, àquelas mulheres, cuja total aspiração esteja dirigida rumo à Luz. E se formos de boa vontade, também acontecerá!

Essas palavras de Pyramon desencadearam uma alegria geral. Algo melhor do que uma mulher ligada a mundos superiores ninguém poderia desejar! Eles circundaram Pyramon, agradecendo-lhe a paciência e a atenção que ele lhes dispensara.

– Transmitiremos tuas palavras a nossos filhos e seus descendentes, para que eles também possam tirar proveito de tua sabedoria!

Depois dessa palavras eles deixaram o pátio, para ceder lugar às mulheres.

Fonte: A grande pirâmide revela seu segredo, Roselis von Sass, Ordem do Graal na Terra, 13 Edição, 1991, Embu-SP, pp. 283-296.

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A Grande Pirâmide

Posted by luxcuritiba em abril 19, 2008

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Heródoto, o historiador grego, apesar de haver criticado bastante o o Egito e seus habitantes, deixou para a humanidade uma documentação surpreendente e preciosa.

“Keóps”, escreve ele “deixou atrás de si uma obra colossal, sua pirâmide. Dizia-se que até o reinado do Faraó Ramsinitos era o Egito muito próspero e bem governado. Keóps, que sucedeu a Ramsinitos, fez com que todos os egípcios trabalhassem para ele. Uns foram encarregados de transportar até o Nilo as pedras extraídas das canteiras dos montes da Arábia; outros deviam carregá-las em barcos para cruzar o rio e arrastá-las desde os montes da Libia. Havia sempre cem mil homens trabalhando, cuja troca se dava a cada três meses. Dez anos foram gastos para ser construído o caminho que devia servir para transportar as pedras e foi aquela uma obra que nada tinha a dever às próprias pirâmides.

Media a estrada cinco estádios (923,50 metros). Estava construída com pedras polidas nas quais se haviam gravado figuras de animais. Somando-se a isto, tiveram que trabalhar dez anos para terminar a calçada, construir as câmaras subterrâneas que deviam servir de tumba. A construção da pirâmide mesmo necessitou de vinte anos de trabalho. Era quadrada. Cada uma de suas faces mede 8 pletos (246,26 metros) e tem a mesma medida de altura. As pedras são polidas e unidas com cuidado, sendo que nenhuma delas mede menos de 30 pés (9,24 metros)”.

O relato de Heródoto sobre a construção da grande pirâmide nos proporciona indicações muito precisas, desde os caracteres típicamente egípicios, até as somas pagas para a construçaõ daquele estranho edifício. E assim prossegue ele: Esta pirâmide foi primeiramente construída em forma de grande escada, composta pelo que alguns chamam de almenas e outros de gradas. Depois de ser-lhe dado esta primeira forma, levantaram-se as outras pedras por meio de Máquinas (Heródoto não descreveu o tipo de máquina a que se referiu) feitas de madeira cortada. Uma vez levantada a pedra até a primeira grada, colocava-se uma outra máquina que ali se encontrava com a qual se levantava até a segunda grada, e assim sucessivamente de grada em grada, pois havia tantas máquinas quantas gradas. O imporatante era a máquina, fácil de transportar, que era trasladada de um piso a outro depois de desarmada. Indicamos ambos procedimentos, pois assim nos foi relatado. A pirâmide leva inscrições que indicam em caracteres egípicios quantos rábanos, quantas cebolas e quantas de alho se gastaram para com os trabalhadores, e se bem recordo as palavras do intérprete que traduzia as inscrições, a soma alcançou seis mil talentos de prata, o que equivale a 41.884 quilos de metal. Se isto for verdadeiro, quantos mais talentos de prata se terão gastos para alimentar e vestir os obreiros?

Quatro séculos depois de Heródoto, o historiador Diodoro da Sicília (século I a.C.) visita o Egito e também se acorre as pirâmides que se conta entre as sete maravilhas do mundo. Igualmente ao seu predecessor, Diodoro de Sicilia se admira frente aos monumentos. “Tenho que reconhecer”, disse, “que estes monumentos são mais importantes do que tudo que se pode ver no Egito, não só pela magnitude de sua massa e das somas que foram gastas, senão também por sua beleza”.

Diodoro da Sicilia nos dá em seguida sua versão da construção das pirâmides. Seu relato fala também de três pirâmides, que representa como o conjunto funerário da IV Dinastia, do qual a Grande Pirâmide é seguramente o elemento mais importante e prestigioso, porém impossível de ser estudada e entendida fora deste contexto.

Tal como Heródoto, Diodoro de Sicilia estima em seis mil talentos a soma gasta em rábanos, cebolas e cabeças de alho para os trabalhadores da grande pirâmide. Porém, contráriamente a Heródoto não crê que os monumentos sejam as tumbas dos Faraós, os quais, em sua opinião, estão sepultados em lugares escondidos e secretos.

Todos os grandes escritores da antiguidade, assim como Heródoto e Diodoro de Sicilia têm ficado igualmente impressionados pela originalidade e pela beleza dos monumentos funerários egípcios.

Chegando-se em Gizé, o espetáculo que se oferece aos olhos do visitador é um dos mais harmoniosos criados pelo ser humano. Há um refrão egípcio que diz: “Todo o mundo teme ao tempo, porém o tempo teme às Pirâmides”.

A Grande Pirâmide tem sido motivo de estudos, interpretações, fonte de inspiração para crédulos e incrédulos; místicos e não místicos especulam o seu por que e para que. Isto tem dado motivação e impulsionado muitos a sobre ela escrever, investigar, pesquisar, enfim, buscar decifrar o seu sentido, a sua causa, os seus autores e até mesmo se os seus projetistas pertenceram ou não a este mundo.

A transcrição que se segue é bem reveladora do interêsse despertado pela Grande Pirâmide, pelos mistérios que a mesma encerra:

“No início de 1985, após alguns dias de mergulho no mar Vermelho, ao largo da costa egípcia, dois arquitetos franceses foram conhecer a Grande Pirâmide em Gizé. Ao examinar a enorme estrutura, notaram que diversos detalhes arquitetônicos simplesmente não faziam sentido. Alguns dos imensos blocos de pedra, por exemplo, foram colocados verticalmente, e não em sentido horizontal como os outros. Em certas partes da pirâmide, curiosos blocos irregulares sobressaem meio à pedra calcária polida. Assim como gerações de visitantes das pirâmides, os arquitetos Gilles Dormion e Jean-Patrice Goidin ficaram cativados pelo grande monumento. E também, como muitos outros, acharam que podiam desvendar seus enigmas. As anomalias estruturais, deduziram os franceses, eram indícios de câmaras ocultas e ainda inexploradas, no interior da pirâmide. Eles achavam que uma dessas câmaras secretas talvez até abrigasse os despojos do faraó Quéops, e que poderiam, assim, solucionar uma das eternas questões sobre a pirâmide: onde está o corpo para o qual ela supostamente foi construída?

Dormion e Goidin dispunham de significativa vantagem tecnológica em relação a investigadores anteriores. Após inúmeras visitas exploratórias às galerias internas, eles retornam em agosto de 1986 com um microgravímetro, um sofisticado aparelho capaz de registrar vazios de densidade, ou cavidades no interior da pirâmide. E, por trás das paredes de uma galeria que levava a um aposento conhecido como Câmara da Rainha, o aparelho detectou os vazios previstos pelos arquitetos. Encorajados por esse resultado, os dois conseguiram permissão do governo egípcio para perfurar a antiga parede de calcário.

Durante dias, os arquitetos e seus auxiliares trabalharam nos apertados corredores da pirâmide, perfurando cerca de dois metros em três locais diferentes. Mas tudo que descobriram foram bolsões de areia cristalina. O microgravímetro podia indicar a presença de cavidades na estrutura da pirâmide, mas não era capaz de determinar sua localização exata. As câmaras secretas, se existem, permaneceram ocultas. A Grande Pirâmide frustrara mais uma tentativa no longo e fascinante esforço de solução de seus perenes enigmas.

Desde a época dos gregos clássicos, os homens contemplam esse último sobrevivente das sete maravilhas do mundo antigo e se colocam questões que não conseguem responder. Como ela foi construída? Se era uma sepultura, como em geral se supôs, por que jamais foram encontraram símbolos ou objetos da realeza – para não falar do corpo do faraó? Se não era uma tumba, então para que foi erguida? E de que modo foi construída? Como, dadas as técnicas de construção da época, explicar a extraordinária exatidão de sua estrutura, seu alinhamento quase perfeito em relação aos pontos cardeais, a elegante precisão de sua alvenaria? Se o projeto da pirâmide incorpora avançados conhecimentos matemáticos e astronômicos, conforme muitos estudiosos acreditam, como foi que os egípcios adquiriram tal sabedoria antes de outras civilizações? Poderia o enigmático edifício ser a chave para algum tipo de poder místico desconhecido pela ciência moderna?

Não foram poucos os arqueólogos, astrônomos, estudiosos da religião e diletantes que discutiram tais questões ao longo dos séculos. Enquanto os arqueólogos que estudam as pirâmides apenas como artefatos históricos, os outros investigadores podem, em geral, ser classificados em três linhas de pensamento. A primeira, e mais comum, argumenta que a pirâmide representa um sistema universal de medida, que suas próprias dimensões expressam medidas arquetípicas de extensão e até mesmo de tempo. No século XIX, um grupo dissidente de estudiosos deu origem à segunda escola, que privilegia as extraordinárias propriedades da pirâmide enquanto gigantesco relógio solar e observatório astronômico. Os “arqueo-astrônomos” defendem à concepção de que os construtores das pirâmides possuíam conhecimentos de astronomia e das dimensões da Terra muito superiores ao que se possa imaginar.

Com a continuação do fascínio pelas pirâmides, surgiu no século XX uma terceira escola, muito mais especulativa, que se concentrou na própria forma da pirâmide e em seus efeitos físicos sobre seres vivos e objetos inanimados. Esses pesquisadores afirmam que a forma de pirâmide pode, de algum modo, ajudar no crescimento de plantas, manter os alimentos frescos por mais tempo e até mesmo reconstituir o fio de lâminas de barbear. Outros tentaram explicar os conhecimentos matemáticos supostamente inscritos na forma das pirâmides imaginando que seus construtores tivessem vindo da desaparecida Atlântida, ou té mesmo de outros planetas, ou de ambos. A pirâmide mantém-se em obstinado silêncio.

A pirâmide de Quéops ergeu-se em sua enigmática majestade no planalto rochoso de Gizé, 16 quilômetros a oeste do Cairo. Através de acácias, eucaliptos e tamarineiras que ornamentam o bulevar que dá acesso ao planalto, ergeu-se no terreno plano e varrido pelo vento à margem do deserto Líbio, de modo abrupto e dramático, uma assombrosa montanha de pedra cor-de-areia dominando os luxuriantes palmeirais junto ao Nilo. Em épocas passadas, as caravanas que vinham pelo deserto avistavam a pirâmide dias antes de alcançarem-na, um minúsculo triângulo no horizonte tornando-se cada vez maior em sua simétrica perfeição. A pequena distância, sua imponência é esmagadora. Os números dão uma pálida idéia de sua imensidão – a base ocupa uma área de 53 mil metros quadrados e a estrutura é composta de cerca de 2,3 milhões de blocos de calcário, cada um pesando 2,5 toneladas. Com a pedra usada em sua construção seria possível erguer um muro com blocos de 90 centímetros cúbicos, suficiente para cobrir dois terços da linha do Equador, totalizando 26 mil quilômetros.

A Grande Pirâmide e as duas outras existentes no mesmo local – atribuídas aos sucessores imediatos do faraó Quéops – foram erguidas durante o período da história egípcia conhecido como IV Dinastia, entre 2613 e 2494 a.C. Os egiptólogos acreditam que Quéops (assim o chamavam os gregos; seu nome egípcio era Khufu) mandou construir o imenso edifício para que servisse de sepultura e monumento a si mesmo. A camada externa era originalmente composta de blocos de calcário polido, encaixados uns nos outros com apurada precisão, mas esse invólucro de pedra foi retirado no século XIV e usado na construção do Cairo. Em algum momento na história, a pedra original do topo, que acrescentava 9 metros à altura da pirâmide, também foi removida.

Com base em seus conhecimentos acerca da religião egípcia, os egiptólogos afirmam que a forma da pirâmide estaria associada ao culto do sol. As laterais inclinadas, dizem eles, assemelham-se à difusão dos raios solares ao alcançarem a Terra a partir de uma nuvem e, por isso, a pirâmide representaria uma escada para o céu. Alguns estudiosos do antigo Livro Egípcio dos Mortos, como o escritor ocultista moderno Manly P. Hall. sustentam até mesmo que a pirâmide proporciona mais do que uma passagem simbólica para os domínios celestiais. segundo Hall, o edifício era um templo secreto onde os eleitos passavam por um ritual místico que os tornava divinos. Os iniciados permaneciam durante três dias e noites no interior da pirâmide enquanto seus ka – almas ou essências – deixavam os corpos e entravam nas “esferas espirituais do espaço”; assim “alcançavam a verdadeira imortalidade” e tornavam-se iguais aos deuses.

Em um plano mais terreno, restam muitas dúvidas sobre o modo como, em uma época sem roldanas ou mesmo rodas, foi construída a maciça pirâmide. Os arqueólogos, contudo, propuseram uma explicação geral: os construtores aplainaram de algum modo o local e em seguida delimitaram os lados da pirâmide baseando-se na observação das posições das estrelas circumpolares. Nas pedreiras situadas a poucos quilômetros, os pedreiros cortavam o calcário com martelos de pedra e cinzéis de cobre. Grupos de centenas de homens arrastavam os blocos até o local da construção; o granito usado em algumas partes internas foram trazidos de balsa, pelo Nilo, de um lugar a 640 quilômetros. Para erguer os blocos de várias toneladas pelas laterais da pirâmide, os construtores podem ter usado uma rampa de terra em espiral, embora alguns especialistas acreditem que tenham usado alavancas para mover algum tipo de elevador. Os blocos eram em seguida encaixados com precisão milimétrica, demonstrando uma habilidade que impressiona os engenheiros contemporâneos.

Muitos estudiosos duvidaram que uma estrutura tão imponente quanto a Grande Pirâmide – um milagre de engenharia, um prodígio de décadas de trabalho estafante – tivesse sido construída para abrigar uma única múmia de faraó. Explicações alternativas foram propostas desde antes da era cristã. O historiador romano Júlio Honório afirmou que as pirâmides serviam para armazenar cereais. (Outro escritor da Antigüidade achava que eram vulcões extintos). Os árabes, que dominaram o Egito durante séculos, pensavam que fossem repositórios de conhecimentos antigos construídas por reis que temiam uma catástrofe, talvez o dilúvio; os contos populares da região diziam que na Grande Pirâmide estavam gravados um guia para as estrelas e uma profecia do futuro. A superstição dava origem a lendas; segundo os árabes, fantasmas assombravam os corredores e uma mulher nua com dentes estragados seduzia os invasores levando-os à loucura.

O historiador grego Heródoto foi o primeiro a registrar de modo sistemático informações sobre a Grande Pirâmide. Heródoto visitou Gizé no século V a.C., quando o monumento já existia há 2 mil anos, e descreveu sua construção com base nas conversas que manteve com os egípcios. Impossibilitado de penetrar no interior do edifício (a entrada estaca escondida), aceitou a explicação de seus informantes de que a pirâmide era uma sepultura construída para o tirânico Khufu. A câmara mortuária do rei, disseram eles ficava no subterrâneo.

De acordo com Heródoto, 100 mil homens trabalharam na pirâmide, com novas turmas de operários sendo convocada a cada três meses. Eles construíram a estrada entre o rio e o planalto em dez anos; outros vinte foram necessários para completar a pirâmide. Os engenheiros ergueram, passo a passo, os gigantescos blocos pelas laterais da estrutura utilizando “máquinas feitas de curtas tábuas de madeira”. Heródoto não especificou o modo de funcionamento de tais máquinas. Também disseram a ele que os blocos de revestimento externo foram colocados do topo para a base, após o término da estrutura interna. As pedras, polidas e brilhantes, eram recobertas de inscrições – perdidas quando os blocos foram removidos para o Cairo. Heródoto interessou-se pela Grande Pirâmide principalmente enquanto projeto de engenharia. Mas o estudioso seguinte da pirâmide abordou o monumento de uma perspectiva diferente e introduziu o que se tornaria um tema constante: a busca dos conhecimentos matemáticos à disposição dos antigos.

Um califa árabe do século IX, Abdullah Al Mamun, jovem governante de espírito científico com interesse pela astronomia, sonhava fazer um mapa do mundo e outro das estrelas. A pirâmide atraiu sua atenção quando ouviu dizer que as câmaras secretas do monumento continham mapas e tabelas altamente preciosos, compilados pelos construtores. Para os companheiros do califa, talvez atraísse mais a notícia de um grande tesouro escondido no interior da pirâmide.

Historiadores árabes posteriores registraram a dramática história de como o califa e sua equipe de arquitetos, construtores e pedreiros realizaram sua exploração em 820 d.C. Incapazes de encontrar a entrada do edifício, optaram por um ataque direto, aquecendo com fogos o bloco de calcário e em seguida encharcando-os com vinagre frio até racharem. Após abrirem um túnel de 30 metros na rocha, os exploradores por fim alcançaram um estreito corredor de um metro de altura, que subia de maneira íngreme. Na extremidade superior, encontraram a entrada original da pirâmide, 15 metros acima do nível do chão, bloqueada e escondida por uma porta rotatória de pedra. Então, os homens do califa desceram pela galeria original. Depois de se arrastarem de cócoras por uma escuridão de breu, encontraram apenas uma câmara vazia e inacabada. Se havia algum texto secreto ou tesouro do faraó, estavam em outra parte.

A excitação voltou, contudo, quando os homens de Al Mamun desceram pelo corredor e descobriram o que parecia ser uma outra galeria ascendente. Infelizmente, a entrada estava completamente fechada por um enorme bloco de granito, obviamente colocado ali de propósito. O granito era um obstáculo intransponível aos martelos e cinzéis, mas os obstinados árabes descobriram que podiam escavar os blocos de calcário em torno do granito. No entanto, assim que conseguiram ultrapassá-lo, encontraram outro obstáculo de granito e, depois, vários outros. Alguém tomara muito cuidado para evitar que intrusos penetrassem no interior da pirâmide.

Após penosamente abrirem caminho pelos blocos de granito, alcançaram um corredor de teto baixo que subia até cruzar uma galeria nivelada. Esta levou-os a um aposento de teto inclinado, com 6 metros de altura e 6 metros quadrados de área, que depois seria conhecido como a Câmara da Rainha (por causa do costume árabe de enterrar as mulheres em sepulturas com tetos inclinados). Nenhuma rainha foi encontrada e a câmara estava completamente vazia. Extenuados, os árabes retornaram à galeria ascendente e descobriram que ela abruptamente transformava-se em um esplêndido corredor, cujas paredes de calcário polido, com 8,5 metros de altura, receberam mais tarde o merecido nome de Grande Galeria. Ainda subindo, a galeria prolongava-se por mais 50 metros antes de desembocar em uma antecâmara; depois dela estava o maior aposento no interior da pirâmide, uma imponente sala com cerca de 10 metros de comprimento, 5 de largura e quase 6 de altura – mais tarde batizada de Câmara do Rei.

Al Mamun e seus assistentes entraram animados no salão, sem dúvida certos de encontrarem o prêmio fabuloso pelo qual haviam trabalhado tão duro. E ali, junto a uma parede de granito vermelho, eles o viram – um grande sarcófago de pedra marrom, tão grande que a câmara devia ter sido construída em torno dele. Empunhando as tochas, correram para ver o que havia no interior. Não encontraram nada. O sarcófago estava vazio. Terrivelmente desapontados, os árabes arrebentaram parte do assoalho e golpearam as paredes, esperando encontrar algum indício do tesouro. Al Mamun concluiu que o sarcófago sempre estivera vazio, ou que saqueadores haviam pilhado a sala muito tempo antes. Mas se intrusos estiveram antes na câmara, uma questão simples permanecia sem resposta: como conseguiram passar pelos blocos de granito que deram tanto trabalho ao califa e seus homens?

Oito séculos se passaram antes do passo seguinte na busca dos conhecimentos inscritos na pirâmide. Durante esse período, a Europa saiu da Idade Média e iniciou uma era de expansão e conquista do mundo. Aventureiros, mercadores e estadistas estavam igualmente limitados por sua ignorância da geografia mundial e pela inexistência de um sistema único de pesos e medidas. A fim de solucionar isso, os estudiosos voltaram-se – como faziam com frequência – para a Antigüidade, na esperança de encontrar alguma unidade de medida esquecida, que se baseasse no conhecimento preciso das dimensões da Terra.

Com esse objetivo, o matemático britânico John Greaves visitou o Egito em 1638. O erudito de 36 anos passara a maior parte de sua vida em ambientes universitários, primeiro em Oxford e, depois, como professor de geometria no Gresham College, em Londres. Mas os livros, descobriria Greaves, não substituíam a experiência. Ele foi à Itália, onde mediu os monumentos romanos a fim de descobrir o lendário pé romano (uma fração de polegada menor que o pé britânico, concluiu) e depois a Gizé.

Greaves acreditava, assim como o califa Al Mamun, que os construtores da pirâmide haviam tido aceso a conhecimentos geométricos que depois se perderam. Na esperança de descobrir a unidade de medida empregada, Greaves galgou o monte de entulho com 12 metros de altura que se acumulara junto à base e, munido de seus instrumentos, entrou na pirâmide pela abertura feita por Al Mamun. A primeira coisa que encontrou foi uma nuvem de morcegos, que dispersou disparando uma pistola. Em seguida, arrastou-se ao lado dos blocos de granito como os árabes haviam feito, mediu cuidadosamente a Câmara do Rei e o sarcófago (1,97 metro, o que indicou a Greaves que as dimensões humanas não haviam se modificado) e observou maravilhado a exatidão do trabalho de alvenaria.

Sua principal descoberta, todavia, foi um estreito poço que mergulhava nas trevas a partir do assoalho da Grande Galeria. Seria ele uma saída utilizada pelos construtores após terem colocado no lugar os blocos de granito? Uma passagem aberta por saqueadores? Greaves nunca descobriu; os morcegos e as atmosfera insalubre forçaram-no a desistir do reconhecimento do poço após ter descido 18 metros. Encerrou seus estudos concluindo que a pirâmide media 146 metros de altura e tinha 211 metros de lado, na base; esta última estimativa revelou-se depois incorreta. Retornou à Inglaterra, onde publicou um livreto eruditamente intitulado Pyramidographia. O matemático não encontrara a unidade básica de medida que procurava, mas seu livreto, com as medidas e a descrição da pirâmide, chamou a atenção de alguns dos maiores sábios da época.

Por exemplo, William Harvey, o descobridor da circulação do sangue, deduziu corretamente que Greaves deixara de pesquisar um possível sistema de ventilação no interior da pirâmide (descoberto por exploradores posteriores); o fisco Sir Isaac Newton utilizou os números apresentados por Greaves para deduzir medidas que chamou de cúbitos sagrados e profanos. Newton tinha esperança de que tais unidades básicas ajudassem-no a calcular a circunferência da Terra, um valor numérico fundamental para sua teoria de gravitação. Infelizmente os números de Greaves não eram preciosos o suficiente para tal finalidade e Newton precisou aguardar alguns anos até que outros determinassem o comprimento de um grau terrestre.

O assalto seguinte às pirâmides foi literalmente um ataque militar. Em julho de 1978, as disciplinadas tropas francesas sob o comando do general Napoleão Bonaparte derrotaram soldados egípcios armados de cimitarras na sanguinolenta batalha das Pirâmides. E não demorou muito para que o jovem Bonaparte lançasse um ataque contra os segredos da Grande Pirâmide por meio dos cientistas franceses que acompanhavam seu exército.

Os sábios ficaram intrigados por muitas das mesmas questões sobre a pirâmide e seus construtores que haviam fascinado John Greaves mais de um século e meio antes. O estudante mais interessado nos segredos da pirâmide era um jovem cientista chamado Edmé-François Jomard, que vasculhara a escassa e pouco confiável literatura sobre o assunto acumulada ao longo do século. Do mesmo modo que Greaves, estava particularmente ansioso para determinar a unidade de medida empregada pelos construtores e descobrir se estava baseada nas dimensões da Terra – como o era o sistema métrico então recentemente adotado pelos revolucionários franceses. (O metro foi então definido como 1/10.000.000 do quadrante da circunferência terrestre, do Pólo Norte ao Equador.)

Jomard e seus colegas logo desistiram da tentativa de investigar o interior da pirâmide ao depararem com enormes montes de guano depositado por morcegos. Os furiosos animais, relatou um coronel francês, “arranhavam com suas garras e sufocavam com o ácido fedor de seus corpos”. Impossibilitados de seguir adiante, os sábios concentraram-se na parte externa da pirâmide. Auxiliados por uma turma de 150 operários turcos, removeram toneladas de areia e entulho das extremidades noroeste e nordeste; com isso, descobriram duas depressões retangulares no leito rochoso, onde se apoiavam os alicerces originais, removidos séculos antes. Esta descoberta proporcionou-lhes dois bons pontos de referência para a medição da base da pirâmide, embora tal tarefa ainda fosse dificultada pela acumulação de entulho ao longo do lado norte. Jomard mediu primeiro um dos lados da base: 230,9 metros. Em seguida, escalou penosamente a pirâmide até chegar ao que restara do topo, uma plataforma de 13 metros quadrados, de onde tentou, em vão, lançar uma pedra além do perímetro da base. Ao descer, mediu a altura de cada degrau. Altura total: 146,6 metros. Com estes números, Jomard calculou o ângulo de inclinação da pirâmide – 51º 19’ – e seu apótema, ou seja, a linha que une o ápice ao ponto mediano de cada um dos lados da base, cujo valor era 184,7 metros.

O jovem cientista sabia que autores antigos haviam atribuído ao apótema o valor de um estádio. Também sabia que o comprimento de um estádio – uma unidade de medida fundamental na Antigüidade – estava supostamente associado à circunferência da Terra. O valor que obtivera para o apótema, portanto, era um número de grande importância. A seguir, Jomard voltou sua atenção para o cúbito, outra antiga medida de comprimento. Segundo Heródoto, um estádio equivalia a 400 cúbitos; assim, o francês dividiu o valor do apótema por 400, obtendo como medida do cúbito 0,4618 metro. Outros autores gregos haviam afirmado que a base da Grande Pirâmide media 500 cúbitos de lado. Quando Jomard multiplicou 0,4618 por 500 obteve o resultado de 230,9 metros, exatamente o valor que encontrara ao medir o lado da base. O significado disto era claro para Jomard: os egípcios possuíam avançados conhecimentos de geometria. Conhecendo as dimensões da Terra, deduziram suas unidades de medida a partir da circunferência terrestre e registraram tais conhecimentos na Grande Pirâmide. A prova estava nas pedras.

Infelizmente para Jomard, medições feitas com instrumentos pouco precisos em meio aos bancos de areia móveis do deserto podiam ser bastante inexatas. A tarefa de medir a pirâmide era complicada devido aos deslocamentos de areia causados pelos ventos e ao entulho que se acumulava em enormes montes ao redor do monumento. Era preciso um grande trabalho de escavação apenas para aproximar-se da base. Não surpreendeu, portanto, que os colegas de Jomard, ao refazerem as medições da base e da altura, chegassem a resultados ligeiramente diferentes. Além disso, concluíram, nenhuma evidência do cúbito de Jomard podia ser encontrada em outras antigas construções egípcias. No final, os sábios franceses recusaram-se a abandonar a idéia de que haviam sido os gregos, e não os egípcios, os fundadores da ciência da geometria. Quando retornaram à França e publicaram um minucioso relatório de 24 volumes sobre suas descobertas (inclusive a Pedra de Rosetta, chave que permitiu decifrar os hieróglifos egípcios), as concepções obstinadamente defendidas por Jomard não tiveram repercussão.

A expedição francesa e os relatos sobre ela divulgados na Europa provocaram uma explosão de interesse pela civilização egípcia. Os europeus do século XIX ficaram apaixonados pelo Egito: os museus disputavam múmias, estátuas e obeliscos; os artistas pintavam pirâmides em paisagens bucólicas; os criadores dos estilos Império e Regência lançavam mão de temas egípcios; e os aristocratas mandavam entalhar esfinges e crocodilos em seus móveis. Ao morrer, o nobre escocês Alexander, décimo duque de Hamilton, foi ele próprio mumificado.

O tema das pirâmides difundiu-se exatamente na época em que a sociedade européia, especialmente a sociedade vitoriana inglesa, entrava em um período agitado e a ciência moderna parecia ameaçar as crenças religiosas tradicionais. Em reação a isso, alguns eruditos religiosos utilizaram as misteriosas construções egípcias como prova da presença da mão divina no mundo. O primeiro grande defensor dessa teoria foi um editor e crítico londrino chamado John Taylor. Taylor era um homem erudito profundamente religioso, um grande conhecedor das Escrituras, da matemática, da astronomia e da literatura. Após começar a vida como aprendiz de livreiro, Taylor chegara na década de 1820, a editor da London Magazine; seu círculo de conhecidos incluía os poetas John Clare e John Keats. Porém, ele acabou “espantando a metade de seus amigos”, segundo um deles, por causa de sua obsessão, que se prolongaria por trinta anos, pelo mistério da Grande Pirâmide.

Taylor nunca visitou o Egito; em vez disso, construiu um modelo da pirâmide em escala a fim de realizar seus estudos. Descartando a hipótese de a pirâmide ser apenas uma sepultura, Taylor debruçou-se sobre os números obtidos por Jomard e outros em busca de um princípio unificador. Para sua surpresa, descobriu que, ao dividir o perímetro da pirâmide pelo dobro de sua altura, o resultado era um número quase idêntico ao valor de pi (3,14159…), a constante pela qual se multiplica o diâmetro de um círculo para obter sua circunferência. Para Taylor, esta era uma descoberta promissora: se os construtores da pirâmide tinham conhecimento do pi, que havia sido calculado corretamente até a quarta casa decimal apenas no século VI de nossa era, o que mais eles sabiam? No mínimo, concluiu, sabiam o valor da circunferência do globo e, também, a distância de centro da Terra aos pólos. Usando o pi como elo de ligação, Taylor calculou que a relação entre a altura da pirâmide e seu perímetro era igual à existente entre o raio polar da Terra e sua circunferência, ou seja, dois pi. Longe de ser uma simples câmara mortuária, concluiu Taylor, a pirâmide trazia inscrita em sua estrutura a sabedoria dos antigos egípcios. “Ela foi construída para ser um registro das medidas da Terra”, afirmou.

No entanto, Taylor não acreditava que os sábios egípcios da IV Dinastia estivessem de posse dos conhecimentos gravados na pirâmide. Esses conhecimentos deviam ter vindo de Deus. “É provável”, escreveu ele, “que, nas épocas iniciais da sociedade, o Criador tenha proporcionado a alguns indivíduos certo grau e poder intelectual, que os levou muito acima do nível dos posteriores habitantes da Terra. “Deus instruíra os construtores de pirâmides do mesmo modo que orientara Noé para a construção da Arca, escreveu Taylor, segundo o qual a humanidade havia degenerado intelectualmente desde então. Taylor estava com 78 anos quando seu livro A Grande Pirâmide: Por Que foi Construída? Quem a Construiu? foi publicado em 1859. Embora suas teorias fossem bem recebidas em alguns círculos, a Sociedade Real recusou-se polidamente a ouvir uma palestra que ele preparara sobre o assunto. Contudo, antes de morrer, poucos anos mais tarde, Taylor conquistaria pelo menos um adepto influente – o astrônomo-real da Escócia, Charles Piazzi Smyth.

Intelectual e socialmente, Smyth superava Taylor: era filho de um almirante e afilhado do renomado astrônomo italiano Giuseppe Piazzi, o primeiro a descobrir um asteróide. Chegara ao posto de astrônomo-real da Escócia com apenas 26 anos; doze anos depois, um importante ensaio sobre óptica levou-o a ser eleito membro importante da Sociedade Real de Edimburgo, uma honraria cobiçada por todos os cientistas. No entanto, a piramidologia, dificilmente o assunto popular na Sociedade Real da época, acabou dominando sua carreira profissional. Fascinado por Taylor, Smyth abraçou a causa do editor moribundo com um ardor que, como no caso de Taylor, era científico e religioso, além de conter uma parcela de patriotismo. Convencido de que a unidade básica de medida era a por ele denominada polegada piramidal, identificou essa distância como sendo 1/25 de um cúbito, praticamente o mesmo valor de uma polegada britânica. Esta foi uma contribuição oportuna à campanha empreendida pelos cientistas britânicos contra a adoção do sistema métrico decimal elaborado pelos franceses, uma proposta vista por Smyth com sobressaltos nacionalistas.

No final de 1864, o astrônomo – que estava com 45 anos – foi ao Egito, acompanhado de sua mulher, para fazer o que Taylor não havia feito: realizar suas próprias medições e levantamentos. Equipado com os instrumentos mais modernos, inclusive uma câmara, o casal montou seu acampamento em uma tumba abandonada na parede de um rochedo, de onde viam nuvens de morcegos saindo da pirâmide ao anoitecer.

Smyth passou várias noites no topo do monumento, fazendo observações astronômicas que mostraram estar a pirâmide situada a minutos dos 30º de latitude norte. Também observou que a sombra desaparecia completamente no equinócio da primavera e concluiu que isto indicava um avançado conhecimento de astronomia. Suas medições do exterior da pirâmide resultaram em números próximos ainda mais de pi do que os números de Taylor, chegando à quinta casa decimal.

Smyth concordava com Taylor quanto a idéia de que a Grande Pirâmide preservara antigos conhecimentos científicos. As medidas incorporadas em sua estrutura eram “comensuráveis à Terra de maneira mais sábia e admirável”, escreveu ele, “que qualquer outra coisa jamais concebida pelo espírito do homem”. Smyth foi ainda mais longe do que Taylor, afirmando que também medidas de tempo estavam incorporadas na construção da pirâmide. Segundo o astrônomo, o perímetro da estrutura, em polegadas piramidais, era equivalente a mil vezes 365,2 – o número de dias em um ano solar. Com assombrosos conhecimentos físicos, os construtores das pirâmides haviam calculado tudo isso, escreveu Smyth, 1.500 anos antes “do infantil início de tais coisas entre os antigos gregos”.

Em seu livro Nossa Herança na Grande Pirâmide, Smyth concluiu, assim como Taylor fizera antes dele, que apenas Deus poderia ter projetado a Grande Pirâmide. A Bíblia, disse ele, afirma que em épocas passadas Deus conferiu “sabedoria e instruções métricas para construções” a alguns poucos escolhidos “por algum motivo especial e desconhecido”.

Anos mais tarde Smyth afirmaria que a pirâmide também revelava a distância da Terra ao sol quando sua altura em polegadas era multiplicada por dez à nona potência; e dez para nove era a proporção entre a altura e a largura da pirâmide. Além do mais, a pirâmide provava a existência de Deus, e também previa a data da segunda vinda de Cristo.

Embora o pitoresco estilo literário de Smyth tenha ajudado a vender seus livros, ele não convenceu muitos cientistas. Um companheiro da Sociedade Real de Edimburgo classificou suas idéias de “estranhas alucinações nas quais apenas mulheres débeis acreditam”. Um crítico dos Estados Unidos expressou, de modo brincalhão, a visão cética de que os números podiam ser manipulados de modo a provar quase tudo: “Se uma unidade adequada de medida for encontrada”, comentou ele, “um equivalente exato da distância até Timbuctu será encontrado (…) no número de postes da Bond Street, ou na gravidade específica da lama, ou ainda no peso médio do peixe dourado adulto.”

Mesmo assim, a obra de Taylor e Smyth encontrou adeptos, que quanto mais investigavam a Grande Pirâmide, mais descobriam mensagens ocultas de cunho espiritual, científico e histórico. O clérigo norte-americano Joseph Seiss escreveu em 1877 que as pedras da pirâmide continham “um grande sistema de números, medidas, pesos, ângulos, temperaturas, graus, problemas geométricos e referências cósmicas inter-relacionados”. Seiss ficou especialmente impressionado pela inexorável repetição do número cinco: a pirâmide tinha cinco pontas e cinco lados (incluindo a base), e uma polegada piramidal era um quinto de um quinto de um cúbito. Seria apenas coincidência, indagou ele, que tivéssemos cinco sentidos, cinco dedos em cada membro e que fossem cinco os livros de Moisés?

Os piramidólogos também chamaram a atenção para um fato extraordinário: a latitude e a longitude que se cruzam na pirâmide – 30º N e 31º L – passam por mais terras firmes do que quaisquer outras. Seria possível que os antigos egípcios soubessem isso e tivessem construído de propósito a imensa estrutura exatamente no centro do mundo habitável? Em escala menor, um quadrante estendendo-se em linhas retas a nordeste e noroeste a partir da pirâmide abarcava todo o delta do rio Nilo. Os agrimensores da Antigüidade certamente teriam considerado isso de grande utilidade, considerando que viviam em um território regularmente sujeito a inundações periódicas.

O suposto significado religioso, no entanto, foi o que desencadeou os debates mais acalorados na Inglaterra vitoriana. A teoria de muitos piramidólogos, segundo a qual a estrutura da pirâmide teria sido inspirada por Deus, intensificou o choque entre os evolucionistas, recém-armados com as idéias de Charles Darwin sobre as origens da vida, e os cristãos fundamentalistas, que acreditavam na verdade literal da Bíblia.

Smyth e seus seguidores, somando polegadas piramidais, consideravam a pirâmide uma prova irrefutável da existência de uma divindade que criara o mundo em 4004 a.C. – data calculada por um clérigo irlandês do século XVIII, James Usher, e amplamente aceita pelos ortodoxos. Os ancestrais mais remotos do homem, portanto, não teriam sido primatas que viviam em florestas, mas mestres-construtores que seguiam os desígnios de Deus. Nos Estados Unidos, um grupo se formou para defender a adoção de um sistema de medidas baseado nos cúbitos piramidais sagrados, em oposição ao sistema decimal ateu. Um dos membros dessa organização era o próprio presidente da República, James Garfield.

Tal controvérsia em torno das pirâmides exigia, sem dúvida, a contribuição da ciência pura, desvinculada de preconceito e ilusões. Assim, em 1880, um inglês de 26 anos com o altissonante nome de William Matthew Flinders Petrie zarpou para o Egito, carregado de sofisticados instrumentos, com a ambição de dar fim a todas as especulações sobre as dimensões e o alinhamento da misteriosa construção.

Flinders Petrie, como era conhecido, tinha excelentes qualificações, tanto por sua linhagem quanto por sua educação, para essa tarefa. Seu avô materno, o capitão Mattew Flinders, tornara-se famoso por suas expedições na Austrália. Seu pai, William Petrie, era um engenheiro que ficara muito impressionado com as idéias de Taylor e se tornara ele próprio um estudioso de pirâmides, dedicando vinte anos de sua vida ao projeto e fabricação de equipamentos especiais capazes de medir a Grande Pirâmide com uma exatidão sem precedentes. Seguindo o exemplo do pai, o jovem Flinders Petrie lera o livro de Smyth com apenas 13 anos. Fascinado pela noção de diversos padrões de medida, Petrie tornou-se topógrafo e passou a viajar pela Inglaterra, registrando meticulosamente as dimensões de várias construções e antigos sítios megalíticos, como os grandes círculos de pedra de Stonehenge.

Quando chegou ao planalto de Gizé, com abundantes provisões e inúmeras caixas contendo os instrumentos construídos pelo pai, Petrie agiu como muitos outros antes dele e montou seu acampamento em uma tumba vazia no paredão rochoso. em seguida, pôs-se a trabalhar, medindo repetidamente todas as partes da Grande Pirâmide e de suas duas vizinhas menores. Para afastar os aborrecidos e curiosos turistas britânicos, ele às vezes se vestia com uma calça e uma camiseta de cor rosa berrante. No interior quente e poeirento da pirâmide, com frequência trabalhava nu até altas horas da noite, evitando assim encontrar-se com os turistas.

O trabalho não era isento de riscos, como constatou seu amigo, dr. Grant, que certa noite acompanhou o topógrafo em sua expedição. “Passei por momentos terríveis quando ele desmaiou no poço”, escreveu Petrie. “Carregar um homem muito pesado, quase inconsciente, para fora de um poço de 20 metros, com pouco apoio para os pés, e sabendo que a qualquer momento ele poderia nos fazer cair até o fundo, é uma situação de perigo que nunca se esquece.”

Petrie ficou assombrado com a perfeição do trabalho realizado pelos antigos construtores. Utilizando instrumento cuja precisão chegava a 2,4 milímetros, ele descobriu que os erros tanto nos comprimentos quanto nos ângulos da pirâmide eram mínimos. As paredes da galeria descendente eram perfeitamente retas, com variações da ordem de 6 milímetros, ao longo de 106 metros. Ele comparou a colocação das pedras do revestimento externo “ao mais delicado trabalho de um óptico, mas em uma escala de acres”. A qualidade do trabalho, contudo, começava a piorar na ante-sala da Câmara do Rei, levando o jovem topógrafo a levantar a hipótese de que o arquiteto original não terminara o trabalho. O resultado dos esforços de Petrie, apresentado em um livro de 1883 intitulado As Pirâmides e Templos de Gizé, foi ao mesmo tempo favorável e desfavorável a Smyth e aos piramidólogos. Petrie confirmou a relação equivalente a pi entre a altura e o perímetro da pirâmide. Descobriu também que o pi estava presente na relação entre o perímetro e o comprimento da Câmara do Rei. Mas o valor que obteve para a base da pirâmide era menor que o de Smyth, refutando assim a teoria do escocês de que o comprimento da base equivalia ao número de dias em um ano. Petrie também chegou a uma medida de cúbito diferente, e não encontrou qualquer indício favorável à querida polegada piramidal de Smyth.

Após constatar o que chamou de “pequena e feia ocorrência que destruiu a bela teoria”, Petrie embarcou em uma ilustre carreira como egiptólogo, que acabou rendendo-lhe um título de nobreza. E os números que encontrou para as dimensões da pirâmide permaneceram os mais confiáveis até 1925, quando um levantamento feito pelo governo egípcio acabou com todas as discussões numéricas.

Revelou-se então que os quatro lados apresentavam uma variação de comprimento que não ultrapassava 20 centímetros: o lado sul tinha 230,45 metros de comprimento; o leste 230,39; o oeste 230,36; e o norte 230,24 metros. Mais impressionante do que isso era o fato de os lados estarem perfeitamente alinhados com os quatros pontos cardeais. O cientista francês Jomard estimara a altura corretamente em 146 metros, mas errara no cálculo do ângulo dos lados, que é 51º 52’.

Mesmo tendo Petrie arrasado definitivamente a teoria dos piramidólogos, esta continuou atraindo adeptos, os quais não cessaram de fazer novas descobertas durante o século XX. O engenheiro britânico David Davidson, que começou suas investigações como agnóstico desdenhoso e em 25 anos tornou-se um verdadeiro crente, conseguiu reconciliar as descobertas de Petrie com as idéias de Smyth por meio de um complexo conjunto de cálculos que levava em conta a concavidade praticamente invisível das paredes da pirâmide (que não são na verdade completamente planas). Petrie não deixara de levar isso em conta, afirmou Davidson, mas ele não havia estendido essa projeção ao revestimento externo original. Ao fazer isso, segundo Davidson, via-se que a afirmação de Smyth, de que o perímetro representava o ano solar, estava correta. Em 1924, Davidson, o antigo cético, publicou um livro de 568 páginas no qual, após cerrada argumentação, concluía que a pirâmide era “a verdade em forma estrutural”.

Os adeptos das comparações numéricas continuariam a ser alvo de acusações de manipulação por parte da comunidade científica. Martin Gardner, um escritor moderno que pertence sem dúvida ao grupo dos céticos, ridicularizou a obsessão pelo número cinco de Joseph Seiss, aplicando o mesmo critério ao monumento a Washington, nos Estados Unidos. Segundo Gardner, além de o monumento ter uma altura de 555 pés e 5 polegadas, sua base tem 55 pés quadrados e suas janelas estão a 500 pés da base. O assim chamado, por Gardner, pé monumental, resulta em uma base de 56,5 pés, os quais, multiplicados pelo peso da pedra que fica no topo do monumento, resultam em um número muito próximo ao da velocidade da luz. Haveria aí alguma coincidência?, indaga Gardner.

As dimensões da pirâmide não foi o único aspecto investigado. Na mesma época em que Petrie e Davidson contavam cúbitos, outros estudiosos britânicos voltavam sua atenção para o céu. No final do século XIX, o astrônomo britânico Richard Proctor inaugurou os estudos sobre as pirâmides que receberiam o nome de arqueoastronomia. A pesquisa de Proctor revelou que, antes de ficar pronta, a Grande Pirâmide pode ter sido usada como observatório astronômico, conforme haviam dito os historiadores árabes e também o autor romano Proclo. O astrônomo britânico afirmou que o perfeito alinhamento das galerias internas em relação ao eixo norte-sul, e também ao fato de apresentarem uma inclinação de 26º, permitiam que os egípcios as utilizassem como se fossem um telescópio. Ao observarem os fenômenos celestes através da abertura no início da galeria, os antigos astrônomos teriam condições de mapear o céu setentrional. Aqueles que se colocassem na Grande Galeria da pirâmide – Proctor chamou-os de “guardiães da noite” – poderiam ter registrado o trânsito das principais estrelas através de um arco de aproximadamente 80º. Quando, terminada a construção, as galerias foram fechadas, esses antigos astrônomos teriam perdido seus postos de observação.

Os egiptólogos replicaram que a ciência egípcia não era assim tão avançada, mas a tese de Proctor recebeu significativo apoio quando o eminente astrônomo britânico Sir J. Norman Lockyer publicou, em 1894, um livro sobre as pirâmides e as estrelas intitulado A Aurora da Astronomia. Lockyer não era alguém que se pudesse ignorar. Descobridor do hélio, membro da Sociedade Real e erudito enobrecido pela rainha Vitória por suas realizações científicas, Lockyer visitou as antigas construções egípcias e observou que estavam orientadas na direção em que nascem e se põem o sol e certas estrelas importantes, em determinada épocas do ano.

Mais tarde, chegou a conclusões semelhantes em relação aos megálitos britânicos de Stonehenge. Lívio Stecchini, professor norte-americano de história da ciência e especialista nos sistemas de medidas da Antigüidade, afirmaria mais tarde que as meticulosas observações astronômicas dos egípcios possibilitavam o cálculo de um grau de longitude e latitude com precisão de poucas centenas de metros, um feito que seria repetido somente 4 mil anos depois, no século XVIII.

O esforço de decodificação da pirâmide avançaria pelo século XX, contribuindo para o aumento do número de teorias, especulações e lendas. A idéia mais intrigante – e, com frequência, a mais ridicularizada – a surgir nas últimas décadas não se refere propriamente à Grande Pirâmide, mas à forma piramidal. De acordo com alguns teóricos, há nessa forma um fator inexplicado, do qual emana uma força capaz de atuar sobre objetos, plantas e até mesmo pessoas.

Essa idéia, que veio a ser conhecida como o poder das pirâmides, originou-se de uma série de observações e experimentos realizados a partir da década de 20. Contudo, seu primeiro indício foi constatado em 1859, no próprio centro do grande enigma, a misteriosa montanha de pedra em Gizé.

Werner Von Siemens, o fundador do gigantesco conglomerado alemão de indústrias, visitou Gizé naquele ano ao conduzir um grupo de engenheiros até o mar Vermelho, onde sua companhia instalava um cabo telegráfico. Sempre curioso e empreendedor, Siemens decidiu escalar a pirâmide e, enquanto o fazia, o vento do deserto levantava uma pálida névoa de areia ao seu redor. Ao chegar no topo, Siemens fez uma pose de vitória, apontando um dedo para o ar. Nesse momento, sentiu uma ferroada no dedo e ouviu um ruído agudo. O efeito foi semelhante a um leve choque elétrico. Siemens, que estava a par dos avanços da nascente ciência da eletricidade, resolveu fazer uma experiência.

Colocando papel molhado em volta de uma garrafa de vinho com gargalo de metal, Siemens improvisou uma garrafa de Leyden, um dispositivo simples que armazena eletricidade estática. Retornando ao topo da pirâmide, segurou a garrafa acima da cabeça e verificou satisfeito que a garrafa se tornara eletricamente carregada, produzindo fagulhas quando tocada.

A experiência elétrica de Siemens não foi, em si mesma, especialmente importante. sob certas condições atmosféricas, outros já haviam notado efeitos similares no topo de edifícios altos e pontiagudos. Difícil, contudo, é explicar o fenômeno ainda mais estranho relatado, no início da década de 30, pelo comerciante francês Antoine Bovis. Segundo Bovis, ao visitar a Câmara do Rei por volta de 1920, ele encontrou restos mortais de vários gatos e outros animais pequenos que aparentemente haviam morrido na pirâmide. Curiosamente, os corpos não exalavam odor. Ao examiná-los, Bovis descobriu que os animais haviam sofrido um processo natural de desidratação e mumificação, a despeito da umidade na Câmara. De volta a Nice, o francês resolveu pesquisar o que ocorrera. Após construir um modelo da pirâmide em madeira, orientou-o para o norte e colocou no interior um gato recentemente morto. O corpo ficou mumificado em questão de dias. Bovis repetiu a experiência com outros animais mortos, com carne e com ovos; em todos os casos, afirmou ele, a matéria orgânica secava e ficava mumificada ao invés de apodrecer.

Ainda mais impressionante foi a revelação seguinte. O engenheiro tcheco Karl Drbal, após ouvir falar da experiência de Bovis, resolveu reproduzi-la empregando uma pirâmide de papelão para mumificar pedaços de carne e flores. Colocou uma lâmina de barbear dentro de seu modelo de cerca de 15 centímetros, em uma posição correspondente ao local da Câmara do Rei. Drbal esperava que a lâmina perdesse o fio. Para sua surpresa, contudo, ela ficou mais afiada do que antes. E ele afirmou que, em experiências subsequentes, recuperou o fio de lâminas de modo a poder utilizá-las até duzentas vezes.

Drbal sugeriu que uma energia desconhecida afetava a estrutura das lâminas. Após uma espera de dez anos, o departamento de patentes tcheco acabou vencendo o ceticismo e em 1959 expediu uma patente para Drbal pelas pirâmides de papelão (mais tarde de plástico) que ele chamou de Afiadores de Lâminas de Barbear Pirâmide Quéops.

As forças atribuídas às formas piramidais continuaram a se multiplicar. Segundo alguns, as pessoas podem aproveitar as influências benignas da energia das pirâmides entrando em uma pequena pirâmide de plástico. Os efeitos terapêuticos incluem a diminuição de cólicas menstruais, o aguçamento da acuidade mental, a tranquilização de crianças, a melhora do sono e o aumento da potência sexual. Um dentista da Califórnia pendurou 72 pequena pirâmides de metal sobre o local onde trata seus pacientes e afirmou que ele passaram a sentir menos dor e a recuperar-se mais rápido.

G. Patrick Flanagan, de Glendale na Califórnia, um dos principais promotores do poder das pirâmides, alega que uma forma de energia chamada biocósmica está presente nos objetos piramidais. Descreveu-a pomposamente como “a essência da própria força vital”. Como objetos de pesquisa, Flanagan usou desde brotos de alfafa até seu poodle de estimação: os brotos cresceram mais rápidos e o cão, depois de dormir por várias semanas no interior de uma delas, tronou-se vegetariano. Do mesmo modo que Drbal, Flanagan comercializou seu achado, vendendo barracas piramidais e placas energizadoras feitas de inúmeras pirâmides minúsculas.

Essas teorias, contudo, não foram bem recebidas pela maioria dos cientistas. Experiências realizadas pelo Instituto de Pesquisas de Stanford na Grande Pirâmide mostraram que os alimentos armazenados em seu interior deterioravam normalmente. O geólogo Charles Cazeau e o antropólogo Stuart Scott, conduzindo uma pesquisa independente, relataram por sua vez que “os ovos (…) retirados de nossa pirâmide após 43 dias, estavam malcheirosos, de um amarelo grudento e cheios de sedimentos (…) os tomates nas pirâmides não se saem melhor do que aqueles em sacos de papelão. Não conseguimos afiar lâminas de barbear”.

Os pesquisadores continuam a buscar respostas para os enigmas da Grande Pirâmide. Perguntas do tipo quem, como e por quê vêm intrigando todos os que visitam Gizé, há mais de dois milênios. Em meados da década de 80, os egiptólogos levantaram o primeiro mapa detalhado do planalto de Gizé, para analisar a construção da pirâmide. Utilizando sofisticados teodolitos e fotografias aéreas, o arqueólogo Mark Lehner e sua equipe detectaram pedreiras nas proximidades e deduziram um método pelo qual os antigos egípcios poderiam ter construído a base assombrosamente plana da pirâmide. Segundo esses pesquisadores, após abrir trincheiras na rocha e inundá-la, os antigos egípcios poderiam ter feito as marcações topográficas para a base em estacas de madeira mergulhadas na água.

O químico francês Joseph Davidovits foi ainda mais longe: em 1974, chegou à conclusão que os egípcios teriam sido mais químicos do que os pedreiros. Após analisar amostras de rochas da pirâmide, Davidovits argumentou que os enormes blocos foram fundidos e não cortados. Segundo ele, uma substância semelhante a uma massa de vidraceiro era preparada no local a partir de líquidos e minerais disponíveis. Essa mistura era derramada em um molde e aquecida lentamente, até assemelhar-se ao granito. Embora tenha produzido tais pedras em seu laboratório, Davidovits não convenceu os arqueólogos de que os egípcios haviam feito o mesmo nas areias de Gizé.

Os piramidólogos ainda não abandonaram os temas familiares da profecias e revelações. O escritor Max Toth anunciou que apenas a descoberta de um aposento secreto impede o encontro do homem do século XX com os “Mestres dos Mistérios”, que aguardam silenciosamente o momento de “recobri-lo com as vestimentas da verdade”.

Outros visionários consideravam a pirâmide o elo perdido entre a história registrada e a Atlântida. Manly P. Hall, estudioso de antigas religiões, sugeriu que os cientistas mais talentosos da civilização altamente desenvolvida na Atlântida, conscientes de que o desastre era iminente, fugiram para o Egito e construíram a pirâmide, como um repositório de seus conhecimentos e de seus tesouros. Ao ocultarem sua sabedoria na pirâmide, os avançados atlantes teriam assegurado que apenas aqueles que a merecessem seriam capazes de descobri-la e compreendê-la.

Por mais fantasiosa que seja a tese de Hall, os segredos da pirâmide continuam sem solução, a despeito dos esforços dos cientistas tradicionais e de piramidólogos pouquíssimo tradicionais. Mas, qualquer que seja nossa posição, não podemos ignorar a existência da Grande Pirâmide; ela nos assombra e nos frustra. William Fix, o autor de Odisséia da Pirâmide, coloca: “Ela é enorme; ela é antiga; ela é lendária; ela é sofisticada; ela é o resultado de um grande empreendimento; ela está aqui à vista de todos na encruzilhada da Terra – e ela não parece pertencer a nosso mundo.”

(Texto traduzido por Luiz Alberto Moura Araujo da Obra Todo Egito de Abbas Chalaby e transcrito da Obra Mistérios do Desconhecido / tradução de Cláudio Marcondes e Heloísa Jahn)

Fonte: www.luizalberto.com.br

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