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A Invenção dos Edifícios de Pedra

Posted by luxcuritiba em março 25, 2011

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KHASEKHEMWY NÃO DEIXOU herdeiro masculino ao trono e foi sucedido por Zanakht, o primeiro faraó da III Dinastia, por sua vez sucedido por Neterikhet (Zóser). Imhotep, arquiteto do faraó Zóser, tornou-se o responsável pela construção da primeira pirâmide. Antes de discutir essa grande façanha, vamos revisar a pouca informação relevante que sobreviveu a respeito dessa misteriosa personalidade histórica. É certo que Imhotep deixou um legado inesquecível. Historicamente, a vida de poucos homens é celebrada por três mil anos. Imhotep, porém, foi renomado desde o auge de seus feitos, mais ou menos no ano 2700 a.C., até o período greco-romano. Era tido em tão alta reverência como médico e sábio, que chegou a ser contado entre os deuses. Endeusado no Egito dois mil anos após sua morte, quando foi expropriado pelos gregos, que lhe deram o nome de Imuthes e o identificaram com o deus Asclepio, filho de Apolo, seu grande sábio e lendário descobridor da medicina.

Imhotep escreveu a mais antiga “literatura da sabedoria”, máximas veneradas que desgraçadamente não sobreviveram. O Egito considerava-o como o maior dos escribas. Este gênio orientador do reinado do faraó Zóser foi o primeiro grande herói nacional da terra. No reinado do faraó Zóser, Imhotep ocupava a segunda mais eminente posição no Egito, e este fato foi registrado na pedra. Na base da estátua do faraó Zóser, escavada na Pirâmide Escalonada, o nome e títulos de Imhotep são mencionados no mesmo lugar de honra que os do faraó. Eram muitos os seus títulos: Chanceler do Faraó do Baixo Egito, Primeiro após o Faraó do Alto Egito, Administrador do Grande Palácio, Médico, Nobre Hereditário, Sumo Sacerdote de Anu (On ou Heliópolis), Arquiteto-Chefe do Faraó Zóser e, curiosamente, Escultor e Fabricante de Recipientes de Pedra.

FIGURA 33. Estátua de Imhotep.

Os títulos confirmam os registros deixados pelo historiador greco-egípcio Maneto, escritos em grego 2.400 anos depois, durante princípios da Era Ptolemaica, no século III a.C. Maneto foi um dos últimos sumos sacerdotes de Heliópolis. Parte de seu texto descrevendo a figura de Imhotep foi traduzida no ano 340 d.C. por um historiador eclesiástico chamado Eusébio, sob a forma de “o inventor da arte de construir com pedra talhada”. Este trecho se refere à construção da primeira pirâmide. Na verdade, a tradução de Eusébio está incorreta. As palavras gregas usadas por Maneto, xestos (xeston) lithon, não significam pedra talhada, mas, sim, pedra polida. As palavras descrevem pedra com uma superfície bela, lisa, um aspecto característico de pedra aglomerada de revestimento, tão polida, que refletia a luz do sol. As mesmas palavras foram usadas em textos gregos de Heródoto e Sextus Julius Africanus (século III). É impossível a tradutorestranspor textos com exatidão, se carecem de conhecimentos técnicos fundamentais. Erros semelhantes de tradução foram cometidos ao longo de toda a história, e teremos oportunidade de fornecer mais adiante exemplos a este respeito.

Considerava-se Imhotep como filho de uma mulher chamada Khradu’ankh e do deus Ptah, de Mênfis. O título Nobre Hereditário indica parentesco aristocrático. Sua carreira teria começado quando ao tempo de rapaz, educado por um escriba. Sendo seus pais membros da elite, as lições teriam começado à idade de 12 anos. Como os sacerdotes estavam entre os cultos do Egito, é possível que tenha recebido treinamento como escriba, ingressando na vida sacerdotal. Seu título, Sumo Sacerdote de Heliópolis, era tradicionalmente concedido com observância de duas condições. O homem ou sucedia a seu pai na vida sacerdotal ou era pessoalmente nomeado para o cargo pelo faraó por causa de algum grande feito. Esta posição só podia ser ocupada após extensa educação nas artes e ciências — leitura, escrita, engenharia, aritmética, geometria, medição de espaços, cálculo do tempo pela ascensão e ocaso de estrelas, e astronomia. Os sacerdotes de Heliópolis tornaram-se os guardiães dos conhecimentos sagrados, e sua reputação de sábios do país persistiu até o Último Período.

FIGURA 34. A Pirâmide Escalonada de Zóser foi a primeira estrutura do mundo construída inteiramente em pedra.

As ideologias religiosas e ciências desses homens tinham alta aplicação na construção de tumbas e em outras obras de arquitetura sagrada. Um magnífico templo solar, orientado pêlos corpos celestes, foi construído durante o reinado de Zóser, a fim de assinalar o local mais sagrado de Heliópolis. A cidade era o santuário sagrado do Egito, o terreno em si religiosamente simbólico. O local de Heliópolis fora escolhido no ponto onde ficava o ápice do Delta ou onde as águas de inundação do Nilo começavam a refluir. Aí a terra, fertilizada pela chegada do limo e alimentada pelo Sol, recebia a primeira vida renovada do ano agrícola. Esse terreno representava renascimento e criação.

Localizada a cerca de 32km de Mênfis, estima-se que a cidade media 1.200 x 800m. Tornou-se a capital do 13º nomo, ou distrito, do Baixo Egito. Nunca foi estabelecida a história arqueológica exata dessa cidade. Por isto mesmo, não se sabe quando se rompeu pela primeira vez a terra para início de sua construção. Julga-se que a cidade foi fundada durante a pré-história e que durou um impressionante curto espaço de tempo. Floresceu na Era das Pirâmides e continuava a ser um centro importante quando Heródoto visitou o Egito no século V a.C. Diz a tradição que a Sagrada Família encontrou asilo em Heliópolis durante sua fuga para o Egito. Atualmente, desapareceram todos os templos e prédios de Heliópolis, e o local abandonado foi incorporado a um subúrbio da zona leste do Cairo. No meio dos campos vazios resta apenas um obelisco, erigido para comemorar o jubileu do faraó Sesóstris (1971-1926 a.C.).

Ao ser entronizado, o faraó Zóser esperava sem dúvida ser sepultado em uma mastaba de tijolos de barro, semelhante às de seus antecessores. O local de sua tumba foi escolhido em Saqqara, ao sul de Mênfis. Planos começaram a ser elaborados e cálculos feitos para a orientação do monumento. Nesta altura, a história subsequente da construção da primeira pirâmide terá que ser revista à luz de minhas descobertas.

Minerais estavam sendo escavados para se obter pedra, presumivelmente para revestir paredes internas e pisos. Os trabalhadores do faraó Zóser construíram e entalharam uma esteia nos penhascos de arenito das minas de Wadi Maghara, no Sinai, a fim de comemorar a construção do monumento. Pouco tempo antes do início das obras de construção propriamente ditas, Imhotep fez uma importante descoberta. Alguns de seus títulos, como Arquiteto-Chefe, Escultor e Fabricante de Recipientes de Pedra, descrevem as perícias necessárias à construção de monumentos com pedra alquimicamente produzida. Ele teria se voltado à construção de uma mastaba que duraria para sempre. Tal como o orgulho em uma grande nação, o orgulho intrínseco a um monumento seria sua longevidade.

O clero de Khnum aparentemente combinou sua ciência alquímica com a dos sacerdotes de Heliópolis, quando a pedra foi fabricada pela primeira vez para emprego em arquitetura. Talvez Imhotep tenha se especializado em processamento de materiais ou alquimia. Seu objetivo pode ter sido fortalecer os tijolos de barro do Nilo usados na construção de mastabas. Quaisquer tentativas dele ou de outros de curar no fogo tijolos feitos com o limo do Nilo teriam sido inúteis. O limo do Nilo não contém sílico-aluminato, componente necessário para produzir bons tijolos refratários às temperaturas que podia atingir. Eles não chegariam nem mesmo perto das temperaturas necessárias de 1.300 a 1.500°C. Barro comum fora tratado a fogo na fabricação de vasos desde tempos prédinásticos, usando-se fundentes para baixar a temperatura, mas este material tratado a fogo era impraticável para fins de construção.

Imhotep acrescentou água ao calcário amarelo de Saqqara. Este material contém argila aluminífera, que é liberada na água, obtendo-se um calcário lamacento. A água facilita a desagregação, tornando o calcário ideal para a fabricação de pedra, e a própria argila, ou barro, produz resultados dramáticos em combinação com a soda cáustica. Usando-se argila aluminífera, o volume necessário de mafkat, material do processo mais difícil de se obter, era eliminado da construção da pirâmide. O mafkat era necessário apenas para pedras de alta qualidade, tais como as pedras de revestimento que protegiam o monumento. Reduzindo o volume necessário de mafkat, a inovação simples de Imhotep representou um salto enorme, das aplicações funerárias em pequena escala para a escala maciça das pirâmides.

FIGURA 35. Os estágios sucessivos da construção da Pirâmide de Zóser foram a mastaba (M) e as aplicações do projeto (P1 e P2).

Pequenos moldes de tijolos de barro foram enchidos, como havia sido feito durante incontáveis gerações, a fim de serem usados na mastaba do faraó. Mas, pela primeira vez, estavam sendo enchidos com material de concreto de calcário. Os novos tijolos de pedra, de vários centímetros de comprimento, eram secados ao sol, retirados dos moldes e transportados para o canteiro de obras. Estes primeiros tijolos não foram moldados in situ. Os tijolos de pedra alquimicamente produzidos foram usados para se construir uma enorme mastaba quadrada, com seus lados orientados pêlos pontos cardeais. A câmara funerária ficava sob o solo. Recobria-se a mastaba com pequenos tijolos de revestimento, lisos, de calcário alquimicamente produzido, e o monumento sagrado era considerado completo.

Passou algum tempo, e os tijolos de pedra não demonstraram sinais de rachadura. O faraó desejou sem dúvida usar o novo material de construção em novas obras. Imhotep traçou planos para ampliar a mastaba. Inicialmente, nove metros de calcário de fina qualidade, aglomerado, foram aplicados a cada um dos lados. Em seguida, ele elaborou um plano mais ambicioso. Um acréscimo, ou ampliação, de 7,5m, na face leste, transformou a mastaba quadrada em retangular, e o projeto mais uma vez foi encenado.

FIGURA 36. A fim de construir as pirâmides da III Dinastia, os trabalhadores (A) fabricavam tijolos de calcário em moldes de madeira, (B) transportavam-nos para o canteiro de obras e (C) construíam as pirâmides em camadas inclinadas.

Uma inspeção posterior mostraria que a pedra, sob o peso da massa, não apresentava rachadura. O faraó Zóser e Imhotep conferenciaram mais uma vez e elaborou-se um plano para elevar em duas camadas a estrutura. Escavaram-se também câmaras subterrâneas adicionais, um poço e corredores. Aumentando o tamanho da estrutura, aumentou-se também o tamanho dos tijolos. Somos testemunhas, portanto, de dramáticas alterações no projeto, inevitáveis com todas aquelas inovações tecnológicas.

Quanto mais extraordinária se tornava essa maravilha arquitetônica, mais construíam sobre ela. O volume de pedra que poderia ser fabricado teria parecido interminável. Uma transformação em uma estrutura de quatro camadas foi seguida por outra fase de construção, na qual a forma final de uma pirâmide em seis degraus, de sessenta metros de altura, emergiu. Seu projeto incluía paredes internas e camadas inclinadas de pedra, a fim de proporcionar maior estabilidade ao todo. Com grande perícia e engenhosidade Imhotep incorporou todos os métodos de engenharia e artísticos que a nação herdara de incontáveis décadas de construção com madeira, feixes de caniços e talos e tijolos de limo secados ao sol.

FIGURA 37. Os tijolos de calcário da pirâmide de Zóser são arredondados, como tijolos moldados.

O resultado final assumiu a forma de um complexo funerário extraordinário. A doutrina religiosa de Heliópolis influenciou profundamente sua forma arquitetônica e o simbolismo de seus motivos ornamentais. O tema do projeto incorporou mitologia, que preservava e amalgamava as mais antigas e acalentadas crenças cosmológicas do Egito. Ensinava a teologia de Heliópolis que, no princípio, um megálito primordial, conhecido como Ben Ben (benben), emergiu das águas do Caos. O benben representava a colina ou monte sobre o qual começou a Criação. Mas tem sido interpretado como simbolizando substância física primeva, densa, ou a matéria. O Criador apareceu no benben sob forma humana, como Atum, a personificação do Sol, ou sob a forma de Bennu, a fénix da luz. Do caos elementar, o Criador separou as trevas das águas. Formou uma trindade, após ter criado a si mesmo e a Shu, o deus do ar, e Tefnut, a deusa da umidade. Tefnut e Shu procriaram Geb, a terra, e Nut, os céus. Quatro outras divindades foram criadas, e todos os deuses juntos formaram a novena de Heliópolis. Em tempos mais recentes, o filósofo grego Empédocles (circa 495-435 a.C.) reconheceu nos deuses primordiais egípcios personificações do ar, da água, da terra e do fogo. Empédocles e alquimistas de eras posteriores sustentavam que estes eram os elementos indestrutíveis que compunham toda matéria.

James Henry Breasted (1886-1935), fundador do Instituto Oriental da Universidade de Chicago, foi o primeiro a reconhecer que as próprias pirâmides são representações do benben. Após a construção do primeiro templo de Heliópolis, o Egito adotou a ideologia de que o benben, ou pedra simbólica do deus Sol, localizava-se embaixo do templo.

O tema teogônico aparece nas câmaras subterrâneas da pirâmide de Zóser. Câmaras especiais são revestidas com mosaico cerâmico azul, em desenhos que mostram o pântano primevo de caniços, de onde emergiu inicialmente a vida vegetal. O azul era a cor simbólica do Criador, e a vitrificação azul dos mosaicos imitavam a crisocola, o mineral mafkat indicativo da Criação. Com exceção desta primeira pirâmide monumental, o tema artístico que mostra os fatos da Criação foi preservado apenas no mais sagrado dos grandes templos ao Sol.

Em uma sala especialmente projetada, uma estátua em pedra, em tamanho natural de Zóser sentado no trono, representava seu espírito eternamente reinante, ou ka. Ao ser encontrada por arqueólogos, estava intacta, exceto por alguns danos nos olhos e na área facial circundante. Os olhos eram provavelmente de pedras semipreciosas, e tudo indica que foram removidas ao ser saqueada a tumba. Algumas estátuas de pedra do Antigo Império, que ora se encontram no Louvre e no Museu do Cairo, são muito admiradas por seus olhos incrustados, técnica esta que conferia à peça extraordinário realismo e que podia ser facilmente conseguido pelo uso de pedra alquimicamente produzida. Outras salas guardavam os trinta mil recipientes de pedra de Khnum, aglomerados onde haviam sido usados agregados de xisto, brecha, granito, diorito e vários outros tipos de pedras.

Em volta da pirâmide, uma muralha de linhas arquitetônicas limpas, originariamente de mais de nove metros de altura, formava uma área fechada de mais de 2,5km2. Uma das características da pedra lisa que revestia a muralha e que desapareceu na maior parte é que parece ter sido polida. A muralha protegia uma elegante entrada de colunas, grandes pátios, avantajados edifícios, um templo mortuário e altares e santuários cerimoniais. A área fechada constituía virtualmente uma cidade completa. O caráter do projeto da muralha circundante lembra a arquitetura moderna e, na verdade, influenciou um estilo arquitetônico deste século. Arquitetos europeus que visitaram Saqqara em princípios deste século acharam a muralha circundante um desvio novo interessante da rebuscada arquitetura vitoriana. Voltaram de lá com inspiração para um estilo de arquitetura que hoje consideramos moderno e aceitamos como natural.

A pirâmide era o orgulho do Egito. O complexo funerário de Zóser, com sua pirâmide imponente e arte refinada, não tinha precedente na história do mundo. Durante toda a história egípcia, a era de Imhotep foi considerada como uma época de grande sabedoria. Tal como o evento da Primeira Vez da Criação, como foi chamado, e a fundação ou amálgama da nação egípcia pelo primeiro faraó, Menes, a construção da Pirâmide Escalonada foi considerada como outro evento de primeira vez de suprema importância.

As pirâmides. A solução de um enigma. Joseph Davidovits e Margie Morris, Editora Record, 1988, Rio de Janeiro-RJ, pp. 120-129.

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Pesquisadores podem ter localizado a cidade perdida de Atlântida

Posted by luxcuritiba em março 16, 2011

14.03.2011 ]
Um time de pesquisadores americanos pode ter finalmente localizado a cidade perdida de Atlântida, metrópole legendária que sucumbiu a uma tsunami, há milhares de anos, na Espanha.

– É difícil entender que a tsunami tem o poder de varrer 100 Km de terra, mas é disso que estamos falando – disse o professor Richard Freund, da Universidade de Hartford, Connecticut, que liderou a pesquisa.

Para solucionar o mistério, a equipe usou uma foto de satélite de uma suspeita cidade submersa para encontrar a localização, ao norte de Cadiz, na Espanha. Lá, enterrada nos pântanos do Parque Doña Ana, eles acreditam ter mapeado o antigo domínio conhecido como Atlântida.

O time de arqueólogos e geólogos em 2009 e 2010 usou uma combinação de radar, mapeamento digital e tecnologia subaquática para pesquisar a localização. Primeiro, descobriram uma série de cidades memorial construídas à imagem de Atlântida.

– Os moradores que não pereceram na inundação pela tsunami foram para o interior e construíram novas cidades – disse Freund, que vai revelar a descoberta no novo canal da National Geographic chamado “Finding Atlantis”.

O filósofo grego Platão escreveu sobre a cidade há 2.600 anos, descrevendo-a como “uma ilha situada em frente ao estreito chamado de Pilares de Hércules”, como o Estreito de Gibraltar era conhecido na antiguidade. Com a descrição detalhada de Platão como mapa, as buscas foram direcionadas no Mediterrâneo e no Atlântico como melhores possibilidades de localização da cidade. O debate sobre se a cidade realmente existiu dura milhares de anos. Os diálogos de Platão de 360 A.C. são as únicas fontes históricas de informação sobre a cidade.

Especialistas planejam futuras escavações no local onde acreditam que Atlântida esteja localizada e nas cidades misteriosas da Espanha para estudar mais a fundo formações geológicas e artefatos.

http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2011/03/14/pesquisadores-podem-ter-localizado-cidade-perdida-de-atlantida-924005472.asp

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Como foram construídas as pirâmides, por Joseph Davidovits

Posted by luxcuritiba em março 15, 2011

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A Solução

AS GRANDES PIRÂMIDES REFLETEM uma tecnologia do mundo antigo que gerou um produto, ou resultado, sofisticado, mas que nenhuma relação guarda com o que hoje consideramos como tecnologia alta ou avançada. Visitar a Era das Pirâmides implicaria entrar em um mundo em que não existiria nossa visão objetiva, secular, de ciência. Antigamente, no Egito, ciência e religião faziam parte do mesmo e único corpo de conhecimentos, cabendo aos sacerdotes fomentá-los e preservá-los. Atribuía-se a certas divindades artes e ciências particulares. Ptah, por exemplo, era o deus dos artesãos. Khnum, o Divino Oleiro, era um deus adorado pêlos faraós da Idade das Pirâmides. Conforme veremos adiante, era a Khnum que se atribuía a tecnologia em questão. Thoth era o deus da escrita, e nos Livros de Thoth foram vertidos os conhecimentos de Khnum.

Sabemos que os antigos sacerdotes-cientistas de Heliópolis fomentaram as ciências de engenharia, matemática e astronomia e que todas elas tiveram papel a desempenhar na construção das pirâmides. Ignorou-se, no entanto, a ciência mais pertinente a esse trabalho. A misteriosa ciência nada teve a ver com a física clássica da eletricidade, calor, óptica, mecânica, ou qualquer coisa em comum com a física do quanta — atômica, nuclear, ou de estado sólido. A ciência que tornou possível as pirâmides foi a química, ou mais exatamente, sua precursora, a alquimia. De que modo, então, foram os monumentos de pedra construídos com auxílio da química antiga?

A palavra alquimia evoca atividades medievais de misticismo e magia. Velhos cadernos de anotações alquímicas descrevem buscas frustradas da sempre esquiva Pedra Filosofal, que se dizia ter o poder de transformar metal comum em ouro e prover o elixir da eterna juventude. Conforme veremos adiante, a lendária Pedra Filosofal representou os últimos vestígios mal-interpretados da ciência alquímica, que floresceu durante a Era das Pirâmides e era conhecida no Egito há mais de seis mil anos.

Embora a alquimia medieval se fizesse acompanhar de ensinamentos esotéricos, pois derivava de uma era que unia ciência e religião, tecnicamente falando a alquimia abrange progressos na química obtidos ao longo da história. A palavra alquimia constitui a origem da palavra moderna química, tendo esta última surgido há apenas 250 anos. Foram grandes os progressos alquímicos na antiguidade.

Podemos avaliar a engenhosidade dos pesquisadores da antiguidade, bastando lembrar que foram os primeiros a extrair cobre de um minério de malaquita, e que esta não tem a menor aparência metálica. Esta grande descoberta alquímica tirou o homem da Idade da Pedra e colocou-o no Período Calcolítico. Durante algum tempo, pensaram historiadores que o ponto de fusão do cobre, 1.083°C, fora alcançado com grande dificuldade, usando-se um fole de mão. Depois, tornou-se claro que o trabalho fora provavelmente realizado de maneira mais fácil, com emprego da química.

Temperaturas podem ser elevadas com emprego de energia liberada durante reações químicas exotérmicas (produtoras de calor). O cobre e o chumbo são encontrados geralmente associados, e o segundo desempenhou um papel fundamental na extração primitiva do primeiro. O chumbo pode ser oxidado facilmente com auxílio de um fole manual. Uma mistura de minério de cobre (malaquita) e minério de chumbo (galena) aquecida em forno a apenas 700°C atinge, automaticamente, uma temperatura, através de uma reação química produtora de calor, que se aproxima da necessária para a extração do cobre. A adição de um fundente, que no Egito era um sal nativo chamado natrão (carbonato de sódio), baixava o ponto de fusão o suficiente para extração do cobre. A prata pode ser fundida de maneira análoga.

Os alquimistas egípcios criaram um esmalte azul vibrante em tempos pré-históricos, aproximadamente no ano 3800 a.C. Esta descoberta constitui um subproduto da fundição de cobre. Mostraremos no Apêndice 1 que, ao contrário da crença popular, a produção de esmalte não constituiu um acidente. Em vez disso, um experimentador qualquer misturou pó de crisocola com natrão e aplicou uma chama. Obteve um esmalte duro, lustroso, azul, que era em seguida derretido e aplicado em contas e pedras.

Os antigos egípcios são bem conhecidos por usarem minerais como crisocola e lápis-lazúli a fim de produzir esmaltes, que para eles constituíam imitações desses minerais ou pedras. Possuíam, inclusive, uma palavra para esses produtos, ari-kat, significando feitos pelo homem ou sintéticos. Procuravam imitar as gemas, porque atribuíam a elas a mais alta influência espiritual. Os sacerdotes primitivos aprenderam a identificar rochas e minerais e classificaram-nos segundo crenças espirituais. Na mitologia egípcia, a cornalina e outras pedras vermelhas representavam o sangue de Ísis, a deusa da fecundidade. Já o lápis-lazúli tinha relações com o amanhecer, a aurora. A crisocola estava ligada ao que era chamado de “Primeiro Evento” da Criação. Não é de se surpreender que minerais e rochas possuíssem propriedades divinas em um mundo onde se reverenciava toda a natureza.

Todas as pedras conhecidas, tanto as não preciosas como as semipreciosas, possuíam qualidades sagradas, eternas. Deve ter sido bem conhecido, com base na sabedoria popular, que mesmo que todas as coisas vivas perecessem, até as árvores, as imponentes rochas e penhascos permaneciam para sempre. Quase tudo era mostrado simbolicamente, e a pedra era um símbolo do reino eterno. Sabendo disto, podemos compreender por que alguns materiais rochosos eram reservados exclusivamente a monumentos religiosos e à parafernália funerária sagrada. Eram selecionados para remanescer por toda a eternidade, ao passo que as moradas terrenas, até mesmo palácios reais, eram construídos em tijolos de barro perecível, secados ao sol e que só precisavam durar pelo espaço de vida da pessoa.

Quando os alquimistas egípcios desenvolveram a fabricação do vidro durante o Novo Império, era para dar prosseguimento à velha tradição religiosa de produção de pedras sintéticas. Esta velhíssima tradição revela o próprio núcleo de uma notável invenção alquímica relevante para a solução do enigma da construção das pirâmides: os sacerdotes de Khnum há muito eram peritos na arte de fabricação de cimentos extraordinários. Cimento encontrado em várias partes da Grande Pirâmide tem cerca de 4.500 anos de idade, mas ainda está em boas condições. Esta argamassa antiga é muito superior aos cimentos hoje usados em construção civil. O moderno cimento Portland, usado para reparar antigos monumentos egípcios, rachou e degradou-se em apenas cinquenta anos.

Se os egípcios antigos possuíam capacidade de produzir cimento de qualidade excepcionalmente alta, o que os impediria de adicionar ao mesmo carcaças fósseis a fim de produzir concreto calcário de primeiríssima classe? A resposta é que nada os impediu. Demonstrarei adiante que os blocos da pirâmide não são pedra natural, mas, na verdade, concreto de calcário de qualidade excepcionalmente alta — pedras sintéticas — moldadas diretamente no local. Os blocos consistem de cerca de 95% de pedregulho de calcário e de 5 a 10% de cimento. Constituem imitações de calcário natural, fabricados segundo a antiquíssima tradição de produção alquímica de pedras. Nenhum corte de pedra ou exaustivas operações de arrastamento ou içamento foram jamais necessárias à construção das pirâmides.

Para que não haja dúvida sobre o que me dá autoridade para fazer esta alegação espantosa, darei um resumo de minha formação no que interessa a esta pesquisa. Sou pesquisador, um cientista que se especializa em síntese mineral a baixa temperatura. Em 1972, fundei uma companhia particular de pesquisa, a CORDI (Coordination and Development of Innovation) e, em 1979, o Geopolymer Institute, ambos na França. No Geopolymer Institute, criei um novo ramo da química, que denominei de geopolimerização. Atualmente, sou detentor de mais de 25 patentes internacionais relativas a produtos e processos geopoliméricos. Meus produtos são manufaturados nos Estados Unidos e na Europa por grandes indústrias. E servem para muitas e diferentes aplicações.

Os produtos geopoliméricos variam de materiais avançados a cimentos simples, mas, ainda assim, altamente sofisticados. Estes são produzidos com auxílio de reações químicas inorgânicas, nas quais materiais de alumina e sílica são integrados para formar zeólitos sintéticos ou minerais secundários formadores de rochas. Não há maneira de distinguir um zeólito sintético de um natural. E os cimentos geopoliméricos são quimicamente comparáveis aos cimentos naturais que aglutinam pedras, tais como, arenito, pudingues e calcário com carcaças fósseis.

Os geopolímeros são revolucionários para a indústria de concreto. Pode-se usar qualquer tipo de agregado de rocha, e o concreto produzido com aglutinante geopolimérico não se distingue praticamente da pedra natural. Geólogos pouco familiarizados com as possibilidades técnicas criadas pela geopolimerização analisaram detidamente concretos geopoliméricos e confundiram-no com pedra natural. Trata-se de uma tecnologia sem precedentes. Nem calor nem pressão tremendas são necessários para produzir essa pedra sintética. Os concretos geopoliméricos endurecem rapidamente a temperaturas ambientais para formar pedra sintética, de aparência bela, e abundante em propriedades sem precedentes.

Criar um novo ramo na química é uma coisa, mas aplicá-lo à história antiga é outra muito diferente. De que modo, perguntará o leitor, descobri que a pedra da pirâmide é também geopolimérica? Toda e qualquer teoria precisa ser viável; em seguida, deve acompanhar-se de evidências e, finalmente, apoiar-se em prova científica inconteste. Todos os mistérios ligados à construção das pirâmides têm que ser resolvidos.

A tecnologia avançada nenhum papel desempenha na produção de geopolímeros. Esta é a precondição mais fundamental para que a teoria seja exequível. Qualquer indivíduo da Idade da Pedra poderia produzir geopolímeros, se aplicasse habilmente os conhecimentos obtidos com observação inteligente, repetida, e experimentação com substâncias encontradas no meio ambiente. Teria que adquirir apenas conhecimentos teóricos sobre elementos minerais, como distinguir uns dos outros e como manipulá-los quimicamente. Ciente destes fatos, estudei a ecologia egípcia, a fim de descobrir se existiam ou não os materiais necessários à produção de um aglutinante geopolimérico.

Verifiquei que alguns ingredientes apropriados existiam em quantidades de milhões de toneladas. A lama do Nilo contém alumina e é bem apropriada à síntese mineral em baixa temperatura. O sal natrão abunda nos desertos e nos lagos salgados. O natrão reage com a cal e água e produz soda cáustica, o ingrediente principal para produzir alquimicamente a pedra. Abundância de cal teria sido possível pela calcinação de calcário em fornos simples. Nos tempos antigos, as minas do Sinai eram ricas em depósitos de turquesa e crisocola, necessárias à produção de zeólitos sintéticos. Essas minas continham ainda minerais arsenicais, como olivenita e escorodita, necessários ao rápido endurecimento hidráulico de grandes blocos de concreto.

Esses mesmos elementos foram usados pêlos egípcios em outros processos. Utilizavam eles o limo do Nilo, por exemplo, na fabricação de tijolos de barro secos ao sol, empregando também numerosos minerais na produção de esmaltes. O natrão era produto sagrado empregado não apenas como fundente, mas também em mumificação e em ritos de divinização. Os excertos seguintes, extraídos dos Textos da Pirâmide, encontrados nas paredes da câmara funerária da pirâmide de Unas, da V Dinastia, demonstram o valor sagrado do natrão:

Tu te purificas, Hórus é purificado: Uma pastilha de natrão.
Tu te purificas, Seth é purificado: Uma pastilha de natrão.
Tu te purificas, Thoth é purificado: Uma pastilha de natrão.
Tu te purificas, Deus é purificado: Uma pastilha de natrão.
Tu te purificas para que repouses entre eles: Uma pastilha de natrão.
Tua boca é como a do novilho no dia de seu nascimento:
Cinco pastilhas de natrão do norte, no Stpt.

A boca do bezerro recém-nascido era considerada limpa, porque ele jamais comera. Stpt, lugar onde era apanhado o natrão, é hoje chamado de Wadi el-Natron.

Muitos dos mesmos elementos usáveis na fabricação alquímica de rochas desempenharam mais tarde um papel importante na produção de vidro. Estudando a ecologia, produtos e documentos antigos dos egípcios, consegui rastrear as invenções alquímicas básicas, que culminaram no desenvolvimento da pedra da pirâmide. Essas invenções são discutidas cronologicamente com alguns detalhes no Apêndice 1.

Emerge assim uma visão fascinante das pirâmides nunca imaginada em tempos modernos. Essas descobertas alquímicas referem-se a um aspecto exótico da construção das pirâmides. Passaremos, em seguida, a estudar a questão da viabilidade.

As pirâmides. A solução de um enigma. Joseph Davidovits e Margie Morris, Editora Record, 1988, Rio de Janeiro-RJ, pp. 62-67.

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Mistérios do Mundo Antigo

Posted by luxcuritiba em março 8, 2011

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A REPUTAÇÃO LENDÁRIA dos egípcios como mestres das artes da alvenaria estende-se por quase toda a história da civilização. Em uma época anterior aos hieróglifos, aos números, e na qual o cobre ainda estava por ser fundido, colonos pré-históricos estabelecidos no vale do Nilo herdaram, ou deram início, a um legado notável que sobrevive há pelo menos seis mil anos. Nessa era, surgiram, pela primeira vez, sólidos recipientes de pedra feitos de ardósia, xisto metamórfico, diorito e basalto. Praticamente indestrutíveis, esses objetos figuram entre os mais estranhos e enigmáticos do mundo antigo. Em uma época posterior, trinta mil desses recipientes foram armazenados em uma câmara subterrânea da primeira pirâmide, a Pirâmide Escalonada, da III Dinastia, situada em Saqqara.

“Examinando-os com atenção, minha perplexidade tornou se ainda maior”, escreveu o renomado historiador alemão, Kurt Lange, depois de conhecer alguns desses recipientes de pedra. “Como teriam sido feitos as travessas, os pratos, as tigelas e outros objetos de diorito, que estão entre os mais belos de todos os refinados objetos de pedra? Não tenho a menor idéia… De que maneira poderia ter sido trabalhada uma pedra tão dura assim? Os egípcios da época tinham à disposição somente pedra, cobre e areia abrasiva… Mais difícil ainda é imaginar a fabricação de vasos de pedra dura com gargalos estreitos e longos, e bojos arredondados.” Evidentemente, os recipientes introduziram um problema que a “imaginação” de Lange não podia resolver.

O xisto metamórfico é mais duro que o ferro. O diorito usado, uma rocha granítica, inclui-se entre as mais duras conhecidas. Escultores modernos não se aventuram a esculpir essas variedades de pedra. Além disso, esses recipientes surgiram no Egito antes que aparecessem metais suficientemente fortes para cortar pedra. Muitos dos recipientes possuem gargalos compridos e finos, e bojos largos e redondos. Suas partes interna e externa se correspondem com perfeição. Não se concebeu ainda uma ferramenta que pudesse ter sido inserida nos longos gargalos a fim de modelar os bojos arredondados perfeitos. Lisos e lustrosos, esses recipientes não revelam nenhum sinal de marcas de ferramenta. Como teriam sido feitos?

De extraordinária dureza, a estátua em diorito do faraó Khafra (Quéfren em grego), construtor da Segunda Pirâmide de Gizé, foi esculpida durante a IV Dinastia. Reconhecida como uma das maiores obras-primas de estatuária jamais produzida, foi encontrada, de cabeça para baixo, em uma sepultura no Templo do Vale, ao sul da Esfinge, templo este vinculado à pirâmide de Quéfren, em Gizé. Segundo arqueólogos, durante o período da IV Dinastia, os egípcios não possuíam ainda metal duro o suficiente para esculpir essa estátua em diorito e, nesse mesmo período, foram também construídas as grandes pirâmides de Gizé.

Analogamente, pequenos amuletos em forma de escaravelho, feitos de diorito, datam de épocas mais antigas e tampouco revelam sinais de ferramentas. Em outras partes do mundo antigo, minúsculas contas de pedra, com orifícios ultrafinos para a passagem do fio, desafiam também uma explicação. Somente a tecnologia mais moderna consegue abrir, na pedra, orifícios de tamanho miniaturizado comparável.

Misteriosos trabalhos antigos na pedra, variando do minúsculo ao gigantesco, servem hoje de testemunho da sabedoria daqueles povos. Os blocos de pedra mais avantajados, encontrados na construção de templos, são aqueles existentes em Baalbek, no Líbano, um notável centro antigo de adoração do Sol. Os majestosos templos de Baalbek, com seus pátios imensos e pilares impressionantes, constituem, na maior parte, estruturas mais recentes do que o aspecto pelo qual é famoso este sítio. Em uma muralha externa da Acrópole de Baalbek, há três blocos tão grandes, que adquiriram um nome próprio, os “Trílitos”. Cada um desses blocos mede 19m50cm de comprimento por 3m96cm de largura. Com um peso calculado em 1.200 toneladas cada, inserem-se na muralha a uma altura de 6m96cm acima do nível do solo. Estima-se que seria necessária a força de 25 mil homens para erguer essas pedras. A colocação dos trílitos tem deixado perplexos os engenheiros mais experientes.

FIGURA 1. Estátua em diorito de Khafra (Quéfren), de mais ou menos 2600 a.C.

As partes mais antigas da muralha da acrópole, contendo esses blocos imensos, datam dos períodos fenício ou cananita. No templo de Júpiter, construído pêlos romanos nesse mesmo sítio, uma das pedras da fundação, datando de época ainda mais remota, pesa duas mil toneladas. As pedras da base e os trílitos possuem um traço comum com os milhões de enigmáticas pedras que constituem as pirâmides do Egito. Há entre elas uma conexão estelar — já que foram construídas sob a direção de sacerdotes de cultos solares, durante a longa era em que o Sol era adorado como o Deus supremo. Teriam os construtores antigos utilizado a mesma técnica construtiva quando ergueram ao Sol os mais grandiosos monumentos ora conhecidos na terra? Não há dúvida de que um intercâmbio cultural e tecnológico ocorreu entre o Egito e outras terras.

No Templo do Vale de Quéfren, em Gizé, cada bloco pesa até quinhentas toneladas. Conforme explicaremos adiante, tais blocos não foram, como geralmente se supõe, talhados in situ no leito rochoso. Quem foram os homens do Egito que, sem o auxílio de maquinaria poderosa, colocaram nos templos esses blocos de quinhentas toneladas? Como conseguiram colocar centenas de blocos de quinze e vinte toneladas nas pirâmides, em camadas equivalentes a trinta andares acima do solo? Antes de ponderar sobre a tecnologia desses construtores antigos, consideremos, por um momento, alguns fatos relativos às pirâmides, para os quais os egiptólogos não oferecem explicação adequada.

A Grande Pirâmide foi construída para um faraó chamado Khnumu-Khufu (Quéops em grego), durante seu reinado de vinte anos. Nesses vinte anos, aproximadamente 2,5 milhões de blocos de calcário, pesando de duas a setenta toneladas cada, foram incorporados a este monumento sagrado. Grandes carcaças de fósseis dificultavam cortar com precisão esse material rochoso. Tampas enormes de granito, mais duras que o calcário, bloqueavam outrora as galerias superiores. As paredes da chamada Câmara do Rei são de granito. Esta contém um sarcófago de granito, que, por suas grandes dimensões, não poderia ter passado pela porta e corredor contíguos.

Foto da estátua de Quéfren

Alegam os egiptólogos que essa estrutura singular foi construída com emprego de pedra e ferramentas de cobre. Ferramentas de sílex, embora possam receber gumes afiados, não servem para modelar à perfeição milhões de grandes blocos de pedra. O cobre, minerado em sua forma nativa e fundido pelos egípcios, é um metal mole. Com serras de cobre, é possível cortar madeira, mas não o tipo de granito duro encontrado na Grande Pirâmide. Implementos de cobre, além disso, não poderiam cortar 2,5 milhões de blocos de calcário em vinte anos. A arte de trabalhar em bronze surgiu no Egito apenas cerca de oitocentos anos depois da construção da Grande Pirâmide, durante ou pouco antes do período egípcio conhecido como Médio Império. O ferro só mais tarde chegou ao Egito e continuou raro, mesmo durante o Novo Império.

Se os blocos da Grande Pirâmide, material de dureza média, tivessem sido cortados com emprego de ferramentas de bronze, o trabalho acarretado teria sido igual ao necessário na construção de todos os monumentos de pedra do Novo Império, Último Período e Era Ptolemaica, períodos estes que, em conjunto, se estenderam por 1.500 anos. De que modo conseguiram os construtores de pirâmides do Antigo Império realizar, em vinte anos, uma obra que exigiu de seus sucessores 1.500 anos de trabalho?

A Grande Pirâmide não constitui uma aberração. O filho de Khnumu-Khufu (Quéops), o faraó Khafra (Quéfren), construiu a Segunda Pirâmide em Gizé, quase tão grande quanto a de seu pai, nos 26 anos que durou seu reinado. O pai de Khnumu-Khufu, o faraó Sneferu, foi o mais prolífico dos construtores de toda a longa história do Egito. Construiu duas pirâmides colossais, aplicando o princípio de justaposição de blocos e erigiu monumentos de pedra por todo o Egito. Estima-se que os trabalhadores de Sneferu utilizaram nove milhões de toneladas de pedra durante o reinado de 24 anos do faraó. E tudo isto realizado com grande perícia, antes da invenção da roda como meio de transporte.

Para ser erguida, uma porta levadiça, de duas toneladas, existente em uma estreita galeria na pirâmide de Quéfren, exige a força de pelo menos quarenta homens. O fato da galeria não permitir que mais de oito homens ali trabalhassem ao mesmo tempo, levou alguns arqueólogos a admitir que meios extraordinários, sobre os quais não dispõem de qualquer indício, foram usados na construção da pirâmide.

Os blocos justapostos das pirâmides são feitos de calcário de granulação fina, que parecem ser polidos. A Grande Pirâmide possuiu originalmente 115 mil desses blocos, alguns deles pesando cerca de dez toneladas, cobrindo uma área de oito hectares. Uma lâmina de barbear não pode ser inserida entre quaisquer de dois blocos justapostos restantes. O famoso egiptólogo, Sir Flinders Petrie, verificou que, na Grande Pirâmide, alguns blocos se encaixam com uma margem de folga de apenas 0,005cm. Os que cobrem a pirâmide de Quéfren, ajustam-se também à perfeição, mas com um toque adicional de perícia — encaixam-se em juntas do tipo macho e fêmea. Como teriam sido esses blocos talhados com tal perfeição? De que modo teriam os trabalhadores os instalado sem tirar mesmo pequenas lascas dos cantos?

Vinte e dois degraus próximos do topo da pirâmide de Quéfren não sofreram efeitos do tempo e estão em boas condições, uma vez que os blocos externos que os revestiam foram retirados há apenas 150 anos. Em um estudo preliminar realizado em 1984, eu, Joseph Davidovits, medi o comprimento dos milhares de blocos que constituem esses degraus e cerca de 10% da área da pirâmide. Todos os blocos se conformam a dez comprimentos uniformes. De que maneira poderia uma civilização, sem o auxílio de metais duros, preparar tantos milhares de blocos, com tal precisão?

O calcário frequentemente racha durante o corte, mesmo com emprego de ferramentas modernas mais eficientes. Falhas e estratos na rocha viva fazem com que para cada bloco cortado de acordo com o padrão, pelo menos um se fenda ou tenha seu tamanho alterado durante a mineração. Note-se, ainda, que esta taxa de quebra é mais otimista do que realista. Dados os muitos milhões de blocos existentes nas numerosas pirâmides, deveriam haver milhões de blocos rachados, próximos ou espalhados em algum lugar no Egito, mas em parte alguma eles foram encontrados.

Sabemos que milhões de blocos quebrados de calcário não foram cortados e usados na construção de monumentos, quando da introdução do bronze e do ferro. Por essa época, usava-se em monumentos apenas variedades moles de arenitos e granitos. Historiadores antigos que documentaram suas visitas a Gizé, tampouco mencionam pilhas de blocos quebrados. Este é, portanto, o paradoxo tecnológico do Egito: antes de o país possuir metais fortes para o corte de pedras, variedades duras de rochas foram empregadas na construção de monumentos. Surgindo o bronze e o ferro, utilizaram os construtores apenas as variedades mais moles de pedras, salvo algumas raras exceções.

Em vez de fornecer uma solução lógica para o enigma da construção das pirâmides, os estudiosos, até agora, só conseguiram mesmo apontar falhas nas numerosas teorias propostas. Mas há aspectos ainda muito mais complexos e desnorteantes no enigma das pirâmides. Antes de descrevê-los, consideremos o conhecimento de que dispunham os sacerdotes dos cultos solares responsáveis pela construção das pirâmides.

A antiga cidade egípcia de Anu, conhecida por On pêlos hebreus e por Heliópolis pêlos gregos, foi durante milhares de anos um grande centro religioso. Localizada a cerca de quarenta quilômetros de Gizé, a cidade foi erigida em terras sagradas, simbolizando o renascimento e a criação. Começando pelo grande Imhotep, um sacerdote de Heliópolis, a quem se atribui a inspiração e construção da primeira pirâmide, os outros sacerdotes de Heliópolis lançaram-se à tarefa de erguer pirâmides e templos espetaculares ao Sol. Esses sacerdotes sobressaíam nas artes e ciências e foram considerados os sábios tradicionais da terra durante toda a história extremamente longa da nação. A filosofia religiosa, o misticismo, a matemática, a geometria, a horologia e a astronomia estavam entre as ciências promovidas pêlos sacerdotes.

A preocupação com os céus refletia-se na orientação das pirâmides e templos e tinha origem na profunda reverência pelo Sol e pelas demais estrelas. Os sacerdotes eram descendentes de uma linhagem extremamente antiga e culta. Em tempos pré-históricos, seus ancestrais inventaram o calendário de 365 dias.

Supõem os arqueólogos que a ciência moderna é, em todos os sentidos, superior à ciência da antiguidade. Não obstante, sendo as possibilidades tecnológicas e científicas tão ilimitadas quanto a imaginação humana, constitui um preconceito inútil supor que a tecnologia moderna é toda abrangente e sempre superior. As pirâmides e outros monumentos permitem-nos um vislumbre de um imenso hiato de conhecimentos entre a ciência antiga e a moderna. Um conjunto soberbo de métodos e conhecimentos muito diferente do nosso aguarda ainda o dia em que será redescoberto. Em numerosas regiões do mundo, o homem moderno depara-se com vários exemplos intrigantes da tecnologia antiga.

Um exemplo notável de tecnologia antiga de qualidade superior está na preservação, a longo prazo, de alimentos e outros materiais orgânicos. Um dos casos mais extraordinários neste particular é a tumba de uma mulher, a Dama de Tai, encontrada por arqueólogos em Hunan, China. Esposa de um nobre, ela faleceu há mais de dois mil anos, aproximadamente no ano 186 a.C. Ao ser descoberto, o corpo estava no estado de alguém falecido há não mais de uma semana. Mais espantoso ainda, a carne continuava suficientemente elástica para voltar à forma normal depois de aplicada alguma pressão. O corpo não estava mumificado, nem embalsamado, curtido ou congelado. A preservação ocorreu graças à imersão do corpo em um misterioso líquido pardacento contendo sulfeto de mercúrio. O caixão estava envolvido em outros de proteção, vedados com argila branca pastosa e camadas de carvão vegetal. A câmara, à prova d’água e hermeticamente fechada, mantinha seu conteúdo a uma temperatura constante de 13°C.

São conhecidos também exemplos espantosos de preservação de alimentos a longo prazo. Até recentemente, poucos arqueólogos acreditavam que povos antigos conseguissem armazenar cereais durante períodos dilatados. Durante o século XIX, porém, viajantes europeus descobriram antigos silos de cereais na Espanha. A partir daí, confirmou-se que cereais eram armazenados, por toda parte, em depósitos subterrâneos. Silos antigos foram descobertos na Hungria, Ucrânia, Turquestão, Índia e em várias regiões da África. Numerosas tribos índias construíram silos subterrâneos nas Américas Central e do Norte. Na França e na Inglaterra, igualmente, não foram poucos os silos subterrâneos descobertos. Inicialmente, agrônomos ficaram surpresos ao descobrir que silos hermeticamente fechados podiam conservar bem os cereais.

No vale do Nilo, as inundações periódicas do rio tornavam impraticáveis os silos subterrâneos, o que ocasionou a construção de silos acima do nível do solo. Foram eles retratados em baixo-relevo e lembram jarros de cerâmica virados de cabeça para baixo. Nas pirâmides, igualmente, descobriu-se cereal isento de mofo e em boas condições após milhares de anos de armazenamento. Embora a germinação dessas sementes fracassasse, o estado do cereal era tão bom que pesquisadores se sentiram animados a tentá-la.

Em contraste, usando a tecnologia mais moderna, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos não consegue armazenar cereais por mais de quatro anos, antes que a infestação por insetos e mofo os tornem impróprios para o consumo humano. Os métodos modernos de armazenagem, baseados em ventilação, contrastam radicalmente com os sistemas de vedação usados na antiguidade, o que demonstra a diferença imensa entre as tecnologias moderna e antiga.

A Grande Pirâmide tem uma reputação legítima por sua capacidade de preservar matéria orgânica. Historicamente, as pirâmides foram chamadas de celeiros de José, o patriarca hebreu, filho de Jacó. O Gênese, livro da Bíblia, conta que cereais foram guardados por José no Egito durante sete ou talvez até vinte anos. Nos tempos modernos, pouca importância se dá à narrativa da Gênese, pois historiadores em geral desconhecem que os povos antigos eram capazes de possuir tal tecnologia. O crédito, porém, não pode ser posto em dúvida à luz das informações até aqui apresentadas.

Na década de 1930, o francês Antoine Bovis observou que animais que entravam por acaso na Grande Pirâmide e morriam antes de descobrir a saída, não entravam em decomposição. Ele iniciou estudos, e assim nasceu a teoria do poder das pirâmides. Seus defensores atribuem ao alinhamento e à forma da própria pirâmide a capacidade de preservar matéria orgânica. Esta teoria, no entanto, não explica por que a preservação pode ocorrer também em outros túmulos. Sugerem alguns teóricos que as pirâmides e o meio onde se situam são protegidos por uma força misteriosa, embora nenhuma força desse tipo tenha impedido que elas fossem saqueadas na antiguidade ou escavadas em tempos modernos.

Ao entrar na Grande Galeria e na chamada Câmara do Rei da Grande Pirâmide, a maioria dos turistas fica surpresa com o alto grau de umidade. Em 1974, um projeto conjunto de pesquisa empreendido pelo Stanford Research Institute (SRI International), da Stanford University (Califórnia), e a Ain Shams University, do Cairo, verificou que enquanto o leito rochoso de Gizé é seco, os blocos das pirâmides revelam-se cheios de umidade. O alto grau de umidade contido nos blocos impediu o trabalho de cientistas, que, munidos de equipamento eletromagnético de sondagem, procuravam localizar câmaras ocultas, nas Grandes Pirâmides de Gizé. As ondas emitidas pelo equipamento não se propagavam pela pedra da pirâmide. Ao contrário, eram absorvidas, o que frustrou a missão. As Grandes Pirâmides atraem umidade no meio de uma árida necrópole no deserto. Por quê? Como pode a atmosfera existente em suas câmaras ser conducente à preservação de matéria orgânica?

Numa tentativa de descobrir segredos antigos de preservação, a Organização de Antiguidades Egípcias (EAO), no Cairo, convocou uma impressionante equipe de cientistas da National Geographic Society e da National Oceanic and Atmospheric Administration. Esses cientistas estão estudando o ar encerrado no túmulo retangular existente em frente à Grande Pirâmide — ar que ali está há 4.500 anos. Utilizando-se tecnologia espacial desenvolvida pela NASA, amostras do ar estão sendo encapsuladas para testar a atmosfera de outros planetas. Os cientistas têm esperança de descobrir, com base nas temperaturas ambientais, pressão e no próprio ar, a forma como se processava a conservação da matéria orgânica.

Uma vez que artefatos começam a se deteriorar tão logo escavados e expostos ao ar, um dos artigos mais valiosos da antiguidade correu grande risco. Na década de 1950, uma escavação realizada em uma das sepulturas situadas próximas à Grande Pirâmide resultou na descoberta da barca funerária sagrada de Quéops. Para deleite dos arqueólogos, a peça valiosíssima estava preservada em condições perfeitas. A barca, medindo pouco mais de 36m58cm, tinha uma capacidade de deslocamento de mais de quarenta toneladas.

O casco, construído com centenas de peças de madeira cortadas de maneira a se encaixarem uma nas outras como num quebra-cabeça, foi habilmente costurado com um único pedaço de corda. O barco não precisava de calafetagem ou piche para se tornar inteiramente estanque. O princípio orientador de seu projeto baseia-se no fato de que, quando úmida, a madeira incha, ao passo que a corda encolhe, produzindo uma vedação automática, impermeável à água.

A Organização de Antiguidades Egípcias construiu um museu especialmente projetado para abrigar e exibir a barca de Quéops. Após a inauguração do museu, surgiram graves problemas. O sistema de ar condicionado não pôde dar conta do imenso número de turistas que entravam e saíam do prédio. A barca, que os egípcios antigos haviam confiantemente chamado de “Barca de Milhões de Anos”, começou rapidamente a desintegrar-se. Durante algum tempo, o museu ficou fechado ao público. Posteriormente, aparelhos caros, grandes consumidores de energia, foram usados para substituir, com êxito desta vez, os meios originais isentos de custo, automáticos, que de modo tão sutil e perfeito haviam conservado indene a barca durante 4.500 anos.

A barca de Quéops tinha condições de navegabilidade infinitamente melhores do que qualquer embarcação dos dias de Cristóvão Colombo. A famosa viagem de Thor Heyerdahl, realizada em 1970, do Marrocos a Barbados a bordo de um barco de caniço de papiro, deixou claro que os antigos navios egípcios eram capazes de viagens intercontinentais. A navegabilidade dos barcos era impressionante, mas cruzar um oceano constituía aventura difícil. Dado o conhecimento que possuíam sobre estrelas, é provável que os egípcios fossem excelentes navegadores, mas de que maneira obteriam água doce no mar? Em tempos modernos, a dessalinização é obtida através de vários métodos, incluindo a destilação, a eletrodiálise, o congelamento, a troca de íons e a osmose reversa, todos eles exigindo alto insumo de energia e aparelhos e materiais de concepção avançada. Há indicações de que os egípcios possuíam não só tecnologia para sempre obter umidade no deserto, mas também extrair do oceano água potável.

Coube a um naturalista romano, Plínio (23-79 d.C.), descrever o método antigo. Em sua obra latina, História Natural, descreveu ele curiosos recipientes de cerâmica, que, durante viagens, eram arrolhados rigorosamente e imersos no mar dentro de redes – onde automaticamente se enchiam com água pura e fresca. Ao ser traduzido, em 1833, do latim para o francês, por iniciativa da Academia Francesa de Ciências (a fim de comparar a ciência antiga com a ciência da época), cientistas recusaram-se a acreditar nessa história. No tempo desses cientistas, a destilação era o único método utilizado para se obter água doce da água salgada.

Os romanos ocuparam o Egito do ano 30 a.C. até o ano 395 d.C. e absorveram parte da tecnologia desenvolvida no país em tempos mais antigos. Não é provável que os egípcios tivessem construído navios capazes de cruzar oceanos, a menos que possuíssem também tecnologia que lhes assegurasse a sobrevivência.

É assunto controvertido se os antigos viajantes egípcios, ou aqueles que porventura lhes herdaram a tecnologia, influenciaram ou não civilizações construtoras de megálitos em volta do globo. Enigmáticos edifícios, em pedra quase sempre difícil de transportar e alocar, e sem marcas de ferramentas, são encontrados em numerosas regiões. Blocos de fundações em Tiahuanaco, Bolívia, pesam, cada um, cem toneladas. As muralhas de Cuzco, no Peru, exibem pedras enormes – espetaculares devido a suas estranhas juntas de encaixe em forma de quebra-cabeça. Um grupo patrocinado pela UNESCO, que estudou as estátuas da ilha da Páscoa, relatou que as mais velhas entre elas não correspondem mineralogicamente às rochas das pedreiras da zona. Torres pré-históricas da Grã-Bretanha, em pedra e em posição vertical, se erguem a uma altura de vinte metros, e uma delas supera 340 toneladas de peso. Curiosas também são as Pirâmides do Sol, no México, numerosos relógios solares na América do Norte, e o calendário em pedra ou observatório, de Stonehenge, na Inglaterra.

Entre todos os mistérios do mundo antigo, as Grandes Pirâmides, com seus complexos contíguos, fornecem a prova mais evidente de uma tecnologia sofisticada muito diferente da nossa. Embora outras civilizações construtoras de megálitos não tenham deixado história contendo pistas importantes sobre a tecnologia usada, os antigos egípcios legaram-nos grande riqueza de informações. A história egípcia escrita abrange um período de três mil anos, e, embora muito tenha sido destruído, registros remanescentes constituem um tesouro de informações sobre cirurgia, medicina, matemática, artes, topografia, religião e muito mais. Os egiptólogos, porém, há muito alegam que nenhum dos registros remanescentes descreve como foram construídas as pirâmides. Todavia erraram nessa alegação, conforme demonstraremos adiante.

Considerando o número de trabalhadores necessariamente envolvidos no projeto e obras das pirâmides, presume-se que o método de construção de fato utilizado foi conhecido ou visto por um número enorme de pessoas. Esses métodos, por conseguinte, não podem ter sido secretos e provavelmente devem ter sido documentados. No século XIX, procedeu-se à decifração da maioria dos textos hieroglíficos e cuneiformes, que não foram atualizados de modo a refletir achados arqueológicos correntes ou progressos científicos. Não podem, por isto, ser inteiramente exatos, e tampouco conclusões precisas sobre a tecnologia antiga podem ser alcançadas com base neles.

Com o intuito de descobrir mais sobre o nível da tecnologia antiga, estudiosos de pirâmides concentram atenção nas dimensões, projeto, orientação e aspectos matemáticos da Grande Pirâmide, espelhando o nível de parte da ciência da Era das Pirâmides, muito embora negligenciem o seu aspecto mais enigmático, os próprios blocos.

Grande parte da pesquisa científica sobre as pedras da Grande Pirâmide provoca mais perguntas do que respostas. Em 1974, por exemplo, geólogos da Stanford University analisaram amostras de revestimentos externos de blocos da Grande Pirâmide. Não conseguiram, porém, classificar paleontologicamente as amostras que não continham fósseis. Este fato dá origem à pergunta: De onde veio a pedra da pirâmide? Uma equipe de geoquímicos da Universidade de Munique, Alemanha, tirou amostras de pedreiras ao longo do Nilo e retirou espécimes de vinte diferentes blocos do corpo principal da Grande Pirâmide. A fim de determinar a origem dos blocos, compararam microelementos das amostras da pirâmide com outros das pedreiras. E divulgaram uma interpretação surpreendente sobre o resultado dos testes. Concluíram os cientistas que os blocos das pirâmides vieram de todas as vinte pedreiras amostradas. Em outras palavras, para construir a Grande Pirâmide, segundo esses geoquímicos, os egípcios arrastaram pedras por centenas de quilômetros, de todas as regiões do país — uma façanha espantosa, para a qual os arqueólogos não oferecem explicação lógica.

Os geólogos não concordam com esta conclusão. Podem demonstrar que a fonte de pedra fica perto da própria pirâmide. Ainda assim, não conseguem explicar que enquanto o leito rochoso do platô de Gizé compõe-se de estratos, estes não são encontrados nos blocos.

Embora geólogos e geoquímicos não possam concordar sobre a origem dos blocos, os primeiros tampouco concordam entre si sobre a origem da pedra usada nas maravilhosas estátuas esculpidas para o faraó da XVIII Dinastia, Amenhotep III, no Vale dos Reis. Essas impressionantes peças, os Colossos de Mémnon, foram originariamente monolíticos e pesavam 750 toneladas cada. E por sua vez repousavam em pedestais monolíticos de 550 toneladas. As estruturas equivalem a um prédio de sete andares. São de quartzito duro, denso, quase impossível de talhar. No início do século XIX, membros da expedição napoleônica ao Egito registraram observações sobre essas estátuas e sobre as pedreiras de quartzito do Egito, no Description de l’Egypte:

Nenhum dos morros ou pedreiras de quartzito exibe marcas de ferramentas, tão comuns em pedreiras de arenito e granito. Temos que concluir que um material tão duro e impróprio a ferramentas afiadas deve ter sido explorado por um processo diferente do geralmente empregado nos casos de arenito ou mesmo granito. (…) Nada sabemos sobre o processo usado pêlos egípcios para dar forma retangular a essa pedra, aparar as superfícies ou lhe conferir o belo polimento que vemos hoje em algumas partes das estátuas. Mesmo que não tenhamos descoberto os meios usados, somos forçados a admirar os resultados. (…) Quando a ferramenta do gravador, no meio de um caractere hieroglífico, atingia um fragmento de ardósia ou ágata na pedra, o desenho nunca era prejudicado, mas continuado em toda sua pureza. Nem o fragmento de ágata nem a própria pedra eram mesmo ligeiramente quebrados pelo trabalho de gravação.

Esta última observação reveste-se de implicações profundas. Que processo de alvenaria poderia permitir que os hieróglifos fossem gravados dessa maneira? O amado faraó Amenhotep III considerou “um milagre” a produção de suas estátuas. Documentos hieroglíficos, escritos após sua época, referem-se a esse tipo de pedra como biat inr, que significa “pedra resultante de uma maravilha”. Que maravilha tecnológica presenciou Amenhotep?

Estudiosos franceses e alemães, cuja obra discutiremos adiante, afirmam que os Colossos de Mémnon foram esculpidos com material de uma pedreira situada a oitenta quilômetros de distância e levado de barco pelo Nilo. Geólogos ingleses e norte-americanos, por outro lado, defendem a realização de uma façanha que chega às raias do inacreditável. Alegam que as estátuas foram esculpidas e transportadas pelo rio por setecentos quilômetros, contra a corrente. À medida que métodos mais sofisticados, tais como, absorção atômica, fluorescência de raios X e ativação neutrônica, são usados a fim de se estudar os mais enigmáticos monumentos do Egito, aumenta a confusão.

A Grande Esfinge, localizada em frente à pirâmide de Quéfren, tornou-se mais controvertida do que nunca à luz de recentes estudos geológicos. Com base na forte erosão que sofreram os blocos que cobrem as camadas inferiores do corpo e patas, a idade da Esfinge provocou, mais uma vez, sérias dúvidas.

Atualmente, esse monumento é atribuído a Quéfren. Egiptólogos mais antigos, porém, julgavam que fora erigido muito antes do reinado desse faraó, talvez no fim do Período Arcaico. A Esfinge parece muito mais antiga do que as pirâmides.

Nenhuma inscrição liga a Quéfren esse sagrado monumento. É fato, no entanto, que no Templo do Vale foram descobertas, na década de 1950, doze estátuas desse faraó, uma delas em forma de esfinge. Alguns egiptólogos dizem haver semelhança entre essas estátuas e a face da Esfinge.

Durante o século XIX, entretanto, egiptólogos franceses encontraram no platô de Gizé documento indicando maior antiguidade. O texto, denominado “Estrela do Inventário”, contém inscrições relatando fatos ocorridos durante o reinado do pai de Quéfren, Quéops. Diz o texto que Quéops ordenara que se erigisse um templo ao lado da Esfinge para indicar que esta já existia antes da época de Quéfren. Questionou-se, no entanto, a exatidão da estela, porquanto ela data da XXI Dinastia (1070-945 a.C.), ou muito depois da Era das Pirâmides. Porém, uma vez que os egípcios se orgulhavam muito da precisão de seus registros e tomavam todo cuidado com a cópia de documentos, nenhuma razão válida existe para se considerar o texto como inexato.

Fragmentos de antigos papiros e blocos de papel, bem como os escritos do historiador greco-egípcio Maneto, que viveu no século III a.C., indicam que o Egito foi governado por milhares de anos antes da I Dinastia — chegando alguns textos a mencionar 36 mil anos. Esta cronologia, no entanto, é ignorada pêlos egiptólogos, que a consideram lenda. Não obstante, a história egípcia antiga é estudada pêlos especialistas, principalmente da perspectiva do Novo Império, porquanto numerosos documentos sobreviveram da época de Tebas. A capital de Mênfis, fundada em tempos pré-históricos, foi um importante centro religioso, comercial, cultural e administrativo, durante milhares de anos. Infelizmente, porém, esta não foi efetivamente explorada.

Estudos geológicos recentes sobre a Esfinge provocaram mais debates que os relativos apenas a seu autor e idade. A própria história aceita da evolução da civilização sofre contestação.

O estudo da forte erosão do corpo da Esfinge e da depressão em que ela se situa indica como agente danificador a água. Uma erosão lenta ocorre no calcário, quando a água, absorvida, reage com sais existentes na pedra. A controvérsia tem origem na enorme quantidade de água responsável pelo fenômeno.

No momento, duas teorias são populares. A primeira diz que o lençol d’água subiu lentamente pelo corpo da Esfinge. Esta teoria gera problemas irreconciliáveis: Recente pesquisa levada a termo pelo Centro Americano de Pesquisa no Egito (ARCE), verificou que três operações de reparos, nitidamente separadas, foram realizadas na Esfinge, entre o Novo Império e a Era Ptolemaica, isto é, em um período de aproximadamente setecentos mil anos. O estudo indicou também que a Esfinge já se encontrava em seu atual estado de erosão ao serem feitos os primeiros reparos. Nenhuma grande erosão ocorreu desde o dano inicial e tampouco houve danos posteriores no leito rochoso contíguo à depressão, área esta que nunca sofreu reparos.

Sabendo disto, deve-se considerar que o Nilo, em suas inundações, tenha ao longo de milênios elevado vagarosamente o nível de assoreamento, e que isto se fez acompanhar da gradual subida do lençol d’água. Na época de Quéfren, o nível do lençol d’água era cerca de nove metros mais baixo do que hoje. Para se sustentar a teoria do lençol freático em elevação, uma inacreditável situação geológica deveria ter ocorrido. Significaria que, a partir de nove metros mais baixo do que o atual nível do lençol freático, a água subiu cerca de sessenta centímetros pelo corpo da Esfinge e na depressão circundante, ocasionando erosão durante cerca de seiscentos anos e interrompendo, em seguida, seus efeitos danosos.

Historiadores julgam mais inconcebível ainda a segunda teoria. Sugere ela que a água teve origem nas fases úmidas da última idade glacial — cerca de 15 mil a dez mil anos a.C. — quando o Egito passou por períodos de grandes inundações. Esta hipótese pressupõe que a Esfinge existiu necessariamente antes das inundações. Se pudessem ser provadas, teorias tradicionais sobre a pré-história seriam fortemente abaladas. A mais misteriosa escultura do mundo teria como origem uma época em que os historiadores colocam a humanidade no estado neolítico, vivendo em espaços abertos e dependendo para sua sobrevivência, principalmente, da caça e coleta de alimentos.

Um projeto recente, realizado em cooperação com o Centro Americano de Pesquisa no Egito (ARCE), com datação pelo radiocarbono (carbono-14), contesta a idade das próprias pirâmides. Embora o calcário não contenha carbono para fins de datação, a argamassa encontrada em várias partes do núcleo de alvenaria da pirâmide continha minúsculos fragmentos de material orgânico, em geral carvão vegetal calcinado ou caniços. Alguns fragmentos são pequenos demais para admitirem tratamento pêlos métodos padronizados e, por isso, a datação pelo carbono-14 teve que ser efetuada com auxílio de um acelerador atômico, em Zurique, Suíça.

Recolheu-se 71 amostras de treze pirâmides ou de seus monumentos funerários circundantes. Do núcleo de alvenaria da própria Grande Pirâmide extraiu-se 15 amostras em vários níveis, da base até o topo.

Os resultados dos testes anunciados pêlos pesquisadores foram espantosos. Indicavam que a Grande Pirâmide era até 450 anos mais antiga do que a egiptologia havia determinado com base no registro arqueológico. Mais notável ainda foi a informação de que a argamassa no topo da Grande Pirâmide era mais antiga do que a existente na base e que ela era mais velha do que a Pirâmide Escalonada de Zóser, que egiptólogos comprovaram ser a mais antiga de todas.

Todos os egiptólogos concordam, sem a menor dúvida, que a Grande Pirâmide foi construída cerca de cem anos depois da de Zóser. Aqueles questionados sobre o recente projeto de datação com carbono negam a possibilidade de exatidão desses testes. Os pesquisadores, no entanto, declaram que a amostragem foi cuidadosa e que se utilizou métodos eficazes. Anteriormente, um laboratório alemão realizou amostragens em tumbas no Saqqara, e seus testes forneceram também datas em quatrocentos a 450 anos anteriores às tradicionalmente estabelecidas.

Os desnorteantes aspectos do Templo do Vale situado perto da Esfinge impressionaram membros da expedição napoleônica no início do século XIX. François Jomard, membro da expedição, pensou inicialmente que os enormes blocos do templo eram protuberâncias do leito rochoso, cortados toscamente em forma retangular. Conforme já mencionado antes, supõe-se, hoje, que os blocos tenham sido esculpidos in situ. Jomard, porém, notou cimento sobre os blocos e deu-se conta de que observava pedras ali colocadas deliberadamente e que chegavam a pesar quinhentas toneladas. Demonstrando espanto e admiração, escreveu em Description de l’Egypte: “Gostaria de saber quem foram esses egípcios, que, quase que brincando, moveram massas colossais, pois cada pedra em si é um monólito, no sentido de serem enormes.”

Engenheiros não solucionaram até hoje os problemas logísticos implicados no levantamento de pedras de tal magnitude. Teria sido impossível movê-las manualmente e colocá-las com tal perfeição, cimentadas entre si, na pequena área de trabalho. Este ponto ficou bem claro em uma observação de Petrie ao descrever as pedras da galeria interna da pirâmide de Quéops: “A colocação dessas pedras em contato perfeito exigiu trabalho cuidadoso, mas fazer isto com adição de cimento entre as juntas parece quase impossível.” Petrie referia-se a pedras que pesavam dezesseis toneladas — uma mera fração do peso dos blocos do templo.

O chão do Vale do Templo é de lajes de alabastro branco. Blocos de granito faceados e ligados com precisão revestem as paredes internas. A curiosa junção dos cantos no interior não tem semelhança na arquitetura moderna. Blocos se curvam em volta das paredes e se juntam em variados padrões de encaixe tipo quebra-cabeça. Essas pedras duras e maravilhosamente trabalhadas constituem exemplo de um método extraordinário de alvenaria.

Petrie introduziu os enigmas da construção das pirâmides com a publicação do Pyramids and Temples of Giza, em 1883. O tópico permaneceu em banho-maria na mente do público até que os trabalhos de um arqueólogo amador, Erich von Daniken, provocou uma explosão de controvérsias na década de 1970. Em seu livro, Chariots of the Gods?, von Daniken tentou solucionar os numerosos problemas de engenharia do passado. Escreveu: “A Grande Pirâmide é (e continua a ser?) um testemunho visível de uma técnica que nunca foi compreendida. Hoje, no século XX, nenhum arquiteto consegue construir uma cópia da Pirâmide de Quéops, mesmo que disponha dos recursos técnicos. De que modo poderá alguém nos explicar esses e outros enigmas?”

Nosso livro revela o verdadeiro método de construção das pirâmides e, conforme explicaria adiante, a maioria dos mistérios do mundo antigo é finalmente solucionada por uma única e grande inovação científica. A descoberta é tão espetacular e de tal alcance que muitos e importantes aspectos da história antiga serão reescritos inteiramente. Mas, em primeiro lugar, impõe um exame mais profundo dos problemas sem solução da construção das pirâmides.

As pirâmides. A solução de um enigma. Joseph Davidovits e Margie Morris, Editora Record, 1988, Rio de Janeiro-RJ, pp. 07-24.

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