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Considerações sobre Hulda Clark e Dr. Royal Rife

Publicado por: luxcuritiba em novembro 17, 2015

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Bom dia grupo

Fui fazer a lição de casa, e pesquisar na net.
Eu disse que o trabalho de Hulda era baseado no trabalho de Rife. Tenho que me desculpar, porque não era, não exatamente ao menos. Tirando o fato de que Hulda usa ressonância, e Rife também, e que Hulda acredita que os vírus, bactérias, e toxinas são responsáveis por todas as nossas doenças, e Rife também, tirando esses pequenos detalhes de fato não há quase nada de semelhante entre Rife e Hulda.

Provavelmente Hulda aproveitou alguns conhecimentos que circulavam em sua época (1930-1940-1950) para formular sua base teórica, o que não é grande novidade, já que os Kovacsik também acreditavam que era um vírus que causava o câncer. Hoje não se fala mais nisso, mas me parece que em décadas anteriores havia um pensamento muito forte de que o câncer era causado por um vírus.
Mais informações sobre o Método Kovacsik nos links:

O Método Kovacsik

Resultados do método Kovacsik

Quanto ao trabalho do Rife, resumindo bem resumido:

Ele conseguiu uma façanha de construir um microscópio que conseguia níveis de ampliação extraordinários para a época, e até para o tempo atual. Normalmente um microscópio ótico não consegue ultrapassar 2.000 ou 3.000 vezes de capacidade de aumento de tamanho da imagem, até por questões de princípios físicos da óptica. Mas o Rife conseguiu construir microscópios que chegaram a fantásticos 8.000, ou 12.000 ou até 17.000 vezes de capacidade de aumentar o tamanho das imagens observadas. Isso lhe dava uma vantagem extraordinária sobre outros pesquisadores da época porque dentro do universo biológico ele conseguia ver coisas, vírus e bactérias, que ninguém mais conseguir enxergar.

E foi graças a seus microscópios super potentes que Rife descobriu que os seres minúsculos estudados pelos biologistas mudavam de forma. Naquele tempo acreditava-se que uma bactéria nascia com uma determinada forma e nunca mudava sua forma por toda sua existência. Rife mostrou que as bactérias podem sim e normalmente mudam de forma, e mudam bastante a tal ponto de comparar com a lagarta e a borboleta, ou seja, elas podem se tornar completamente diferentes, dependendo apenas do meio que encontram para se alimentar e se desenvolver. E não só mudam de forma, mas também mudam de tamanho. E é por isso que muitos biologistas da época erravam no estudo dos microorganismos causadores de doenças porque com os microscópios fracos que eles tinham não enxergavam nada, mas Rife conseguia encontrar diversos patógenos porque seus microscópios eram muito mais potentes, e segundo ele, depois de bem alimentados aqueles patógenos se desenvolviam e aumentam de tamanho, e daí provocavam a doença, e somente nesta fase é que se tornavam observáveis nos microscópios comuns. Então, para biologistas parecia que a bactéria tinha surgido do nada, como num passe de mágica, mas Rife sabia que não era assim.

Pois bem, Rife descobriu que havia um tipo de bactéria que estava presente em 90% dos casos de câncer, e de fato ele conseguiu isolar um tipo específico de bactéria que, ao ser injetada em ratos produzia tumores cancerígenos. E assim ele conseguiu provar que há certos tipos de bactérias e vírus que podem causar câncer. E provavelmente vem daí a crença dos kovacsik e da Hulda de que é um vírus ou algo semelhante que causa o câncer.

Indo mais além com seus experimentos Rife descobriu que cada microorganismo reflete a luz de forma diferente, portanto para ser visível no microscópio precisa ser iluminado com uma luz de certa freqüência. Ele também descobriu que, ao iluminar as bactérias com determinada freqüência de luz elas se desenvolviam, cresciam, ou mudavam de forma. Partindo daí ele imaginou que também poderia eliminar os microorganismos usando para tanto ondas de luz em determinadas freqüências, em relação das cores ou freqüências de luz que os microorganismos costumavam reagir. E foi daí que ele desenvolveu uma técnica para eliminar patógenos, inclusive a bactéria que provocava o câncer, usando freqüências de luz.

Portanto, o trabalho feito por Rife no que se refere a cura do câncer estaria mais para o que hoje é chamado de fototerapia, uma linha da ciência que utiliza luz para tratar doenças, um trabalho que é baseado no efeito da luz sobre microorganismos.

É interessante ressaltar que o próprio Rife afirmou, em um artigo da época (década de 1940) que ele não recomendava nem indicava a chamada eletroterapia, que basicamente é o que Hulda fazia com o zapper. Aparentemente, já na época de Rife havia um movimento forte nesta área, de usar aparelhos elétricos para curar doenças. De fato, quando se estuda o trabalho de Rife em detalhes percebe-se que não há realmente quase nada em comum entre ele e a eletroterapia.

No mais, eu estava confundindo o Rife com o Lakowiski, era ele que usava ondas de rádio para curar o câncer. Aliás, tentei achar no face um posto que tinha colocado com uma foto do aparelho usado por Lakoviski e não encontrei, parece que foi simplesmente delatada pela censura do face. Alias…!!! não consegui achar NADA na internet, não sei se estou escrevendo o nome errado, mas tentei de todas as formas, com “i”, com “y”, etc., e simplesmente não encontrei nada. Se alguém aí tiver alguma matéria sobre Lakowiski e puder compartilhar por favor fique a vontade.

Só mais uma coisa, quanto ao trabalho de Hulda, é importante lembrar que o zapper era apenas uma parte do chamado “Protocolo Hulda Clark” para curar doenças. O método dela incluía várias outras coisas, e acredito que uma das mais importantes é o princípio detox. Hulda afirmava que a causa das doenças, além dos vírus e bactérias era o fato de o corpo estar intoxicado, então era fundamental limpar o corpo das toxinas para voltar a saúde. Desnecessário dizer que, talvez aí também ela tenha copiado isso de Rife, pois Rife também afirmava que mais importante do que o vírus que causava o câncer era o meio em que ele vivia, ou seja, o corpo da pessoa, que se a pessoa tivesse um corpo “limpo”, livre de produtos químicos tóxicos que normalmente não estariam lá se a pessoa não tivesse uma alimentação e uma vida saldável ou não tivesse contato com contaminantes, o vírus poderia estar lá mas simplesmente não se desenvolveria.

Então o cuidado com a desintoxicação do corpo era fundamental no trabalho de Hulda, como pode ser visto naquele vídeo que mandei para o grupo antes, como no trabalho de outros estudiosos e terapeutas alternativos. Porém, neste ponto, se a questão é detox, eu ainda prefiro ficar com a “Dieta de Gerson” ou com uma dieta crudívora. Como Hulda usava o zapper junto com várias outras coisas é difícil dizer que o que curava o câncer era realmente o zapper. É bem possível que o que curasse seus pacientes fosse o detox que ela fazia e não o zapper. Minha opinião.

Quanto ao trabalho de Rife, foi virtualmente perdido, e ninguém mais conseguiu construir microscópios opticos com capacidades tão fantásticas de ampliação, até hoje!!!

Ufa… então é isso, acho que já enchi vocês demais por hoje :)

Abs
Z

Fonte de excelentes informações sobre Rife: http://www.rife.org (somente em ingles)

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Espíritos existem? E reencarnação? Para alguns cientistas, sim!

Publicado por: luxcuritiba em outubro 22, 2015

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Ciência espírita

Espíritos existem? E reencarnação? Para alguns cientistas, sim. São pesquisadores sérios, do mundo todo, Brasil incluído, que buscam provas sobre a existência da alma. E eles já conseguiram resultados surpreendentes

Por Carol Castro, Pablo Nogueira

Você sabe como é estar morto?

Bastante gente sabe: as milhares de pessoas que passaram por uma parada cardíaca e foram ressuscitadas logo depois. O intrigante é que boa parte volta com alguma história para contar: enquanto o coração estava parado, elas se enxergaram fora do corpo. Observaram tranquilamente a sala de cirurgia, enquanto os médicos tentavam trazê-las de volta à vida.

Para alguns cientistas, isso é uma evidência séria de que a mente, consciência, é uma entidade que não depende do corpo, do cérebro, para existir. Em português claro: que aquilo que as religiões chamam de “alma” é mais do que uma questão de fé, mas uma realidade científica. Há vários brasileiros entre esses pesquisadores. Inclusive na USP, a maior universidade do país. Vamos conhecer o trabalho deles.

Abadiânia, interior de Goiás. As cenas insólitas se sucediam: João de Deus, um autodenominado “médium de cura”, inseria uma pinça do tamanho de uma tesoura grande por dentro do canal do nariz de um homem, fazia uma incisão com bisturi na barriga de outro e passava objetos cortantes sobre os olhos de duas pessoas. Tudo sem anestesia.

Isso não é novidade nem para você nem para ninguém. O mais surpreendente ali era um texto afixado na parede. Era um artigo científico, intitulado “Cirurgia espiritual: uma investigação”. Entre seus autores estavam membros das faculdades de medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora e da USP. Eles haviam acompanhado algumas cirurgias espirituais e avaliado os pacientes. Os acadêmicos concluíram que as intervenções e cortes não eram truques de ilusionismo. O que chamava mesmo a atenção era a proposta dos pesquisadores. Eles defendiam a necessidade de mais investigações sobre o “mundo espiritual”. Eram médicos e psicólogos usando a ciência para estudar algo que sempre fora classificado sob a rubrica “Acredita quem quiser”.

Peter Fenwick, neurologista do King's College, em Londres, pioneiro nas pesquisas de vida após a morte.

Peter Fenwick, neurologista do King’s College, em Londres, pioneiro nas pesquisas de vida após a morte.

Boa parte dessa vertente científica surgiu no Departamento de Psiquiatria da USP. Lá foi fundado em 1999 o Programa de Saúde, Espiritualidade e Religiosidade (ProSER), que se dedica justamente a examinar os efeitos da religião na saúde das pessoas, como no caso das cirurgias mediú­nicas. O chefe do Departamento de Psiquiatria da USP, Eurípedes Miguel, explica o trabalho: “A medicina está se movendo de um eixo (que tinha como meta combater a doen­ça) para outro (que privilegia a promoção da saúde)”, diz. “Estamos interessados em qualquer método que possa ajudar as pessoas, mesmo que fuja aos nossos padrões.”

Dr. Fenwick era cético até conhecer um paciente traumatizado por ter visto o que acontece após a morte.

A coisa, porém, vai muito além disso. Uma das pesquisas do ProSER foi a de Frederico Leão. Ele buscou mensurar os efeitos das sessões mediúnicas sobre os internos de uma instituição espírita onde trabalhava como psiquiatra. O lugar abrigava pessoas com retardo mental e semanalmente voluntários espíritas realizavam sessões mediúnicas. Nelas, os médiuns diziam incorporar a consciência dos pacientes (embora estes continuassem vivos e abrigados em outras dependências).

“Encarnada” no médium a “alma” do paciente falaria pela boca dele, externando seus problemas emocionais. E a coisa funcionaria como uma espécie de terapia. Para a maioria dos cientistas, uma coisa dessas soaria como um espetáculo circense, uma farsa. Mas não para Leão. Ele quis saber se aquilo dava resultados. Então submeteu os internos a uma avaliação de seu estado geral. Leão observou 58 supostas comunicações durante as sessões mediúnicas por 6 meses. E chegou a uma conclusão nada convencionalcolocara: 55% dos pacientes que tinham passado pela terapia espírita apresentaram alguma melhora em seu estado mental depois do tratamento, contra 15% dos que não tinham passado.

Trata-se, é claro, de uma avaliação subjetiva, que leva em conta as deduções do pesquisador, que não podem ser medidas por aparelhos. Outro médico poderia ter outra opinião. Mas tratava-se de uma pesquisa científica de fato, tanto que ela foi publicada na própria revista do Instituto de Psiquiatria da USP, a mais conceituada do gênero no país. Desde 2008 Leão é médico no Instituto de Psiquiatria da USP e o atual coordenador do ProSER.

Para os críticos, no entanto, o fato de pesquisas como essas serem aceitas por uma revista científica da universidade não atestam nada. “Mesmo as melhores publicações deixam passar estudos de qualidade duvidosa”, diz o matemático e psicólogo André Luzardo, presidente da Sociedade Racionalista da USP, uma organização que defende o cetismo.

Outro nome forte na ciência da espiritualidade é o do psiquiatra Alexander Almeida. Ele foi um dos autores daquele estudo sobre as cirurgias de João de Deus e hoje trabalha na Universidade Federal de Juiz de Fora coordenando o Nupes (Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde), onde segue desenvolvendo suas pesquisas. Uma delas, inclusive, em conjunto com uma estrela internacional da ciência do além, o inglês Sam Parnia, que estuda as chamadas “experiências de quase morte” – EQMs, no jargão dos pesquisadores.

Vida após a morte

Quando o coração para, o fluxo sanguíneo e os níveis de oxigênio no cérebro caem para quase zero em instantes. Nos próximos 10 ou 20 segundos as máquinas de eletroencefalograma não mostram nada além de uma linha reta. O cérebro não funciona. Fim.

Mas a morte tem volta. Graças aos desfibriladores, médicos podem ressuscitar pacientes que tiveram uma parada cardíaca no leito do hospital. E não falta quem volte desse estado com memórias vívidas.

O roteiro é sempre parecido. E bem conhecido. Depois de ressuscitado, o paciente diz que observou o próprio corpo do lado de fora, como se estivesse no teto do quarto do hospital, enquanto os médicos aplicavam as descargas elétricas do desfibrilador. Então eles se sentem “puxados” lá para baixo.

E voltam à vida.

Frederico Leão, psiquiatra da Universidade de São Paulo (USP), pesquisa a eficácia de terapias mediúnicas.

Frederico Leão, psiquiatra da Universidade de São Paulo (USP), pesquisa a eficácia de terapias mediúnicas.

Intrigado com essas histórias, Parnia bolou um projeto para testar a veracidade delas. Em 1997, conseguiu a autorização do Hospital Geral de Southampton, onde trabalha como cardiologista, para emplacar a pesquisa. A ideia era conversar com todos os sobreviventes de paradas cardíacas do hospital, durante um ano, para saber se haviam passado por algum momento lúcido durante a morte clínica. E o principal: o médico instalou 150 placas pelo hospital, com sinais, textos e desenhos virados para cima, posicionadas de tal maneira que apenas alguém localizado no teto poderia ler. Assim, caso um paciente contasse o que havia na placa, a experiência fora do corpo estaria comprovada.

Parnia contou com a ajuda do mais célebre entre todos os que estudam o além, o neurologista Peter Fenwick. O inglês é o homem que tornou as EQMs assunto de mesa de almoço de domingo pelo mundo.

Fenwick era cético até 1985, quando, durante seu trabalho no hospital Maudsley, em Londres, teve que atender um paciente que demonstrava ansiedade extrema. O homem contou que durante uma cirurgia de cateterismo sofreu uma parada cardíaca. Enquanto os médicos tentavam ressuscitá-lo, sentiu-se puxado para fora do corpo e, do teto do quarto, pôde observar a movimentação. De repente, percebeu que estava de volta à cama do hospital. A experiência fora tão marcante que desencadeou a crise de ansiedade. “Até ter essa conversa, achava que essas coisas só aconteciam na Califórnia”, brincou o médico (o estado americano sempre foi a capital mundial do consumo de alucinógenos).

Mesmo não acreditando em experiências de quase morte, Fenwick começou a buscar mais relatos. Conseguiu algumas dezenas, como o do inglês Derrick Scull. Major aposentado do exército, pai de dois filhos e funcionário de uma respeitada empresa de advocacia, tinha todas as credenciais de uma pessoa centrada e nada mística quando passou por uma experiência que mudou suas crenças. Em 1978 ele sofreu um enfarte e, após ter recebido os primeiros socorros, foi deixado numa cama de UTI. Durante a parada cardíaca, sentiu-se sair do corpo. Do canto esquerdo do teto, pôs-se a observar o próprio corpo, e reparou que estava vestido com um robe e uma máscara contra contaminação. Ao mesmo tempo, foi capaz de enxergar a esposa falando com a enfermeira, e percebeu que ela estava vestida com um tailleur vermelho. Depois, encontrou-se de novo deitado na cama. Percebeu que a esposa havia entrado na UTI e que ela estava vestindo a mesma roupa que ele havia visto “de cima”. Fenwick apresentou esses relatos num documentário da BBC em 1988. E a partir dali os elementos mais comuns das EQMs, como a sensação de sair do corpo, entraram para o folclore moderno.

Parnia também colecionou histórias que pacientes lhe contavam, como a de uma mulher que, enquanto estava na forma de fantasma no teto da sala de cirurgia, viu o médico esbarrar num carrinho com instrumentos cirúrgicos, fazendo-o deslizar pela sala e se chocar contra uma parede. No dia seguinte, quando contou a ele sobre os incidentes com o carrinho, ele achou que alguma das enfermeiras tinha contado a história à paciente. Segundo ela, não tinha.

Naquela mesma época, outros médicos tocavam projetos parecidos com os de Parnia. Na Holanda, o cardiologista Pim van Lommel também estudava histórias assim. Lommel conheceu a de um homem que, em estado de coma profundo e com uma parada cardíaca no meio do processo, viu de fora do corpo a enfermeira retirar a dentadura dele e colocá-la em um carrinho especial. Uma semana depois, em fase de recuperação, ele voltou ao hospital e reconheceu uma das enfermeiras. Lembrou-se de que fora ela quem tinha retirado seus dentes e os colocado em um carrinho, com garrafas em cima e uma gaveta embaixo. Para a surpresa da enfermeira, apesar do coma, o paciente descreveu com detalhes a sala e as pessoas que participaram da operação.

Seja como for, isso são só relatos. Acredita quem quer. Justamente por isso, Parnia e Fenwick resolveram dar um passo adiante da simples coleta de casos e partiram para a experiência com placas.

Mas os resultados não foram animadores. A dupla registrou 63 ressuscitações, mas nenhum desses pacientes disse ter viajado para fora do corpo. Então as placas ficaram à toa, sem leitores em potencial.

Outro lado

Para os céticos, o resultado não poderia ser outro, mesmo que houvesse uma EQM. A maior parte dos pesquisadores entende que elas não passam de uma confusão cerebral. No momento de uma parada cardíaca, a perda de oxigênio faz com que a massa cinzenta deixe de distinguir realidade e fantasia. Ela entra em pane. Balançada pela desordem, recorre à memória de curto prazo para compreender a situa­ção. Então se depara com cenas que acabou de registrar, como a própria sala de cirurgia. A partir daí, tenta reconstruir o que está supostamente acontecendo naquele momento. Imagina o atendimento médico, a sala de operação. Então a memória nos prega uma peça. Todas as nossas lembranças registram uma visão panorâmica, como uma imagem de filme, em terceira pessoa, criando a sensação de estarmos fora do próprio corpo – quando você se lembra de um momento do passado, não visualiza exatamente o que os seus olhos registraram; enxerga o seu corpo na cena. Do lado de fora. Você se vê de costas, de lado, de frente… O cérebro é um diretor de cinema. E o seu corpo, o protagonista.

Portanto, em meio à confusão de uma parada cardíaca, a mente enxerga todas as recordações (e recriações) recentes como imagens do presente. Atribui a elas o rótulo de “realidade”. É por isso que os pacientes relatariam as cenas de ressuscitação como se estivessem no teto do hospital. A experiência fora do corpo seria apenas um modelo de memória do cérebro – só que tomado como real.

Alguns pacientes contam detalhes específicos, como o caso da mulher que viu o médico se atrapalhar com o carrinho cirúrgico. Susan, porém, acredita que nesses casos a audição estaria ainda em funcionamento – já que é o último dos sentidos a ser perdido -, e a mente seria capaz de criar aquela imagem visual.

Os pesquisadores que defendem a “distinção entre mente e cérebro”, no entanto, não veem grande coerência nessas teorias. Alegam que, naqueles instantes de morte, os aparelhos de eletroencefalograma não deixam dúvida: não há atividade cerebral. No entanto, outros três estudos feitos no século 21 questionam a ideia de total “desligamento” do cérebro. Sugerem que as máquinas monitoram, principalmente, a atividade na superfície do órgão. O monitor mostra a linha reta, mas outras partes mais internas podem estar em atividade. É o caso do lobo temporal, o “núcleo” do cérebro.

Um experimento em especial parece sugestivo. Os voluntários receberam estímulos elétricos na região do cérebro conhecida como giro angular direito, que é parte do lobo temporal. Com uma certa intensidade de estimulação, os voluntários disseram se sentir “como se estivessem afundando na cama”. Estímulos mais fortes produziram relatos como “estou acima do meu corpo e o vejo estendido” – é que essa parte do cérebro é a responsável por delimitar a percepção sobre onde termina e corpo e onde começa o mundo exterior. Nos primeiros instantes de parada cardía­ca, então, essa região continua ligada, só que em parafuso. Daí para ela agir como nos experimentos em que está sob uma descarga forte de impulsos elétricos é um pulo.

Mas Sam Parnia, apesar de não ser brasileiro, não desiste nunca. Ele preparou uma experiência bem maior para caçar seus fantasmas. O inglês agora trabalha para recrutar hospitais pelo mundo todo que topem instalar placas pelo prédio ou apenas permitir entrevistas com os sobreviventes de paradas cardíacas.

Sam Parnia, cardiologista da Universidade de Southampton, Inglaterra, coordena a maior pesquisa da história sobre a existência de espíritos.

Sam Parnia, cardiologista da Universidade de Southampton, Inglaterra, coordena a maior pesquisa da história sobre a existência de espíritos.

Essa é a pesquisa que Alexander Moreira-Almeida está fazendo com ele. O brasileiro é o braço direito de Parnia por aqui. Três hospitais aceitaram a parceria (Santa Casa, Hospital Universitário e Monte Sinai, todos de Juiz de Fora, a cidade de Alexander).

Fenwick também está nessa: acertou parcerias com hospitais do Reino Unido, da França e da Austrália. “Esperamos conseguir compilar 1 500 relatos de EQMs. Se alguns pacientes conseguirem relatar o texto das placas, poderemos demonstrar que a mente e o cérebro são coisas distintas”, diz. Por “distinção entre mente e cérebro” entenda uma consciência que existe independentemente do corpo. Mas é só um jargão. Na rua as pessoas chamam isso de “espírito”, “alma”, “fantasma.”

O jargão também serviu para batizar o primeiro evento brasileiro dedicado às pesquisas sobre o além, o “I Simpósio Internacional Explorando as Fronteiras da Relação Mente e Cérebro”, em (de novo) Juiz de Fora. Foi um ciclo de palestras em 2010 que reuniu 9 cientistas da área, entre eles Fenwick e Alexander. Na pauta, relatos de experiências transcendentais, como as que você viu aqui, filosofia e surrealidades da física quântica (que até tem seu lado”espírita”: partículas aparecem e desaparecem do nada no mundo subatômico, por exemplo, mas isso é ciência tradicional mesmo).

Bem mais fora do comum, porém, é outro assunto que estava na pauta do seminário: as pesquisas com reencarnação. Como vocês, um dos maiores especialistas nessa área, que também esteve no simpósio: Erlendur Haraldsson, do Departamento de Psicologia da Universidade da Islândia.

Dr. Parnia quer colocar placas com mensagens para espíritos em hospitais do mundo todo. Objetivo: provar que a alma existe.

Reencarnação

Haraldsson passou duas décadas investigando reencarnação. Seu objeto de pesquisa são crianças que alegam terem recordações de uma vida passada. É o caso de Wael Kiman, um menino do Líbano.

A partir dos 4 anos, ele começou a dizer aos pais que seu nome, na verdade, era Rabin, que tinha sido adulto e que seus pais viviam na capital do país. Com o tempo, passou a acrescentar detalhes. Os pais da outra vida moravam numa casa perto do mar, que tinha uma varanda baixa, de onde ele costumava pular direto para a rua. Ele também tinha uma segunda casa. Mas para essa ele só podia ir de avião. Delírio? Parecia. Tempos depois, porém, os pais de Wael identificaram uma família da capital que havia perdido um filho adulto e que se chamava Rabin; então levaram o pequeno Wael para visitá-los. Durante a visita, ele apontou para uma foto do morto e disse que era sua. A casa ficava perto do porto, e tinha uma varanda baixinha. Para completar, o rapaz vivia nos EUA na época em que morreu. Ou seja: ia para sua segunda casa de… avião.

No simpósio, Haraldsson também contou a história de Tsushita Silva, uma menina do Sri Lanka que afirmava que numa outra vida tinha morado numa cidade próxima, estava grávida e havia morrido ao cair de uma ponte. O pesquisador, então, visitou a tal cidade e localizou a família de uma certa Chandra Nanayakkara, que morrera ao cair de uma ponte nos anos 70. Chandra estava grávida de 7 meses.

Outro caso é o da garota Purnima Ekanawake, do Sri Lanka. Quando ela e a mãe presenciaram um acidente no trânsito, Purnima tentou tranquilizá-la: “Não se preocupe com isso. Eu vim para você depois de um acidente também”. Na vida passada, segundo ela, um ônibus a atropelara. Também disse que a antiga família fabricava incensos. Ela lembrava até da marca: Ambiga.

Os pais começaram a investigar e encontraram o dono dessa fábrica de incensos. Ele disse que seu cunhado Jinadasa tinha morrido atropelado por um ônibus. Quando levaram Purnima à casa do sujeito, ela, então com 6 anos, reconheceu o dono da fábrica como seu “cunhado”. Purnima seria a reencarnação de Jinadasa. A menina também mostrou uma marca de nascença. Disse que era onde os pneus do ônibus tinham passado.

Haraldsson conheceu a garota em 1996, quando ela tinha 9 anos. Como de costume, ele entrevistou, separadamente, a garota, os familiares e os vizinhos para saber quando e como as lembranças apareceram. Investigou também se havia a possibilidade de a garota ter tido acesso àquelas informações por meios normais. Mas não existia qualquer ligação entre as famílias, e elas moravam em lugares distantes.

Alexander Moreira-Almeida

Alexander Moreira-Almeida, psiquiatra da Universidade Federal de Juiz de Fora, pesquisa experiências de quase morte e curandeiros mediúnicos.

As evidências lhe pareceram fortes, sem armações. Haraldsson, então, investigou o acidente que matou Jinadasa. Com a permissão de um tribunal local, teve acesso ao obituário completo do rapaz. As principais fraturas foram localizadas no lado esquerdo do peito, com várias costelas quebradas, que penetraram os pulmões. A marca de nascença de Purnima fica no lado esquerdo do peito. O psicólogo islandês não tem uma teoria sobre as marcas de nascença. Mas outro pesquisador de reencarnações, o psiquiatra americano Jim Tucker, da Universidade da Virgínia, arrisca: “Sabemos, por meio de trabalhos de outras áreas, que imagens mentais podem, por vezes, produzir efeitos muito específicos no corpo. Meu pensamento é que, se a consciência sobrevive, ela carrega as imagens dos ferimentos fatais, afetando o desenvolvimento do feto”, diz. De acordo com Tucker, na Índia, um terço dos casos investigados de reencarnação inclui marcas de nascença – em 18% deles, registros médicos amparam as semelhanças.

Desnecessário dizer que as pesquisas com reencarnação são severamente criticadas pela academia. Não parece ser coincidência que a esmagadora maioria dos casos estudados ocorra em países onde a crença em reencarnação é largamente disseminada, caso do Sri Lanka. Haraldsson, por exemplo, teve facilidade em encontrar casos por causa do apoio da mídia. Nos veículos de comunicação de lá, histórias de reencarnação ganham espaço de destaque. E a visita de pesquisadores como Haraldsson também. Quem tiver uma história bem contada, então, tem chance de ficar famoso – daí para surgirem fraudes elaboradas é um pulo.

Também é comum que os pesquisadores só tenham acesso a histórias assim quando os pais da criança já “encontraram” a família da outra vida dela, como no caso de Purnima. Isso complica o processo de checagem das informações. É difícil identificar quais eram as afirmações originais do suposto reencarnado e o que ele aprendeu sobre a pessoa falecida a partir do momento em que entrou em contato com a família dela.

Mais: por um lado, os informantes tendem a “esquecer” as afirmações da criança que não coincidem com a vida da pessoa que acreditam que ela foi. Por outro, colocam na boca dela informações que só foram obtidas depois, quando as duas famílias já estavam em contato.

Com tantas evidências contra, é difícil não acreditar que os pesquisadores de reencarnações, EQMs e afins se movam mais pela fé do que pela curiosidade científica. Mesmo assim, continua sendo uma forma de ciência, já que a busca é por resultados concretos. Se um dia eles vão chegar a esses resultados?

Quem viver verá. E quem morrer também.

Para saber mais

Evidence of the Afterlife
Jeffrey Long, Harper One, 2011
What Happens When You Die
Sam Parnia, Hay House, 2007

http://super.abril.com.br

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A ciência tenta explicar o bizarro fenômeno da combustão humana espontânea

Publicado por: luxcuritiba em outubro 13, 2015

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A ciência tenta explicar o bizarro fenômeno da combustão humana

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Surreais e tenebrosos demais para serem verdade, os relatos de pessoas que pegaram fogo sem causa aparente são numerosos o suficiente para chamarem a atenção de médicos e cientistas ao passar dos séculos

O que pode ser mais arrepiante do que morrer assistindo ao próprio corpo queimar em chamas? E se essas chamas surgirem aparentemente do nada, com todos os indícios dando a entender que o fogo começou…dentro de você? Essa cena é tão sinistra quanto recorrente no imaginário humano. Veja o que a ciência tem a dizer sobre o fenômeno da combustão humana espontânea.

O primeiro registro de um caso do tipo foi feito em 1641 pelo médico dinamarquês Thomas Bartholin. Na compilação de episódios médicos não convencionais Historiarum Anatomicarum Rariorum, Thomas escreve sobre um cavaleiro italiano chamado Polonus Vorstius que em 1470 estava tomando vinho quando começou a vomitar labaredas até ter seu corpo totalmente consumido pelo fogo.

“Totalmente” não é a palavra certa, na realidade. Apesar de cercada de mistérios, a combustão espontânea em humanos costuma seguir um padrão: enquanto o tronco e a cabeça ficam completamente desfigurados pelo fogo, os pés e as mãos em geral permanecem intactos. Essa peculiaridade pode ser uma pista importante para descobrir o que causa o fenômeno.

Se em 1673 a literatura científica ganhou uma publicação inteiramente dedicada ao tema – foi nesse ano que o autor francês Jonas Dupont escreveu o livro De Incendiis Corporis Humani Spontaneis, uma coletânea de relatos sobre a combustão humana espontânea, em 1725 ocorreu um dos casos mais emblemáticos e sombrios. O dono de uma pousada de Paris acordou com cheiro de fumaça e quando olhou para o lado sua esposa, madame Millet, jazia carbonizada.

Primeiramente o homem foi considerado culpado pela morte de sua esposa, mas a Justiça acabou aceitando o argumento de combustão espontânea após o depoimento de um cirurgião que estava na pousada no momento do ocorrido. O fato do resto do quarto – incluindo mobília de madeira e o material altamente inflamável dos lençóis – estarem sem nenhum indício de fogo é outro fator comum aos relatos de combustão espontânea, mas essa característica intrigante permanece sem explicação. O legista responsável pelo esclarecimento da morte de madame Millet concluiu que a morte aconteceu em deccorência de “uma visita de Deus”.

Até a primeira metade do século XX, a ciência acreditava que pessoas alcoólatras tinham mais propensão à combustão humana espontânea. Hoje a explicação mais aceita busca nas velas uma analogia para explicar o fenômeno. Uma vela é composta por um pavio coberto de cera. Agora imagine que a sua gordura corporal é a cera e suas roupas o pavio. Uma fonte de fogo qualquer – um cigarro que sumiu no meio das cinzas e passou desapercebido pelos legistas, por exemplo – pode começar a queimar uma camiseta, fazendo com que o fogo chegue até a pele e a rompa, esparramando uma gordura que pode muito bem ser absorvida pelo algodão da camiseta, alimentando o fogo, que vai queimar aonde houver tecido. Como dito anteriormente, essa teoria explica o motivo dos pés e mãos das vítimas saírem ilesos, mas só aumenta o mistério sobre os objetos do entorno também não serem consumidos.

http://revistagalileu.globo.com

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Como funciona a “medicina” da doença

Publicado por: luxcuritiba em outubro 11, 2015

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Brilhante texto do médico, Dr. Carlos Bayma, tocando em um assunto muito sério. Como a saúde é tratada e manipulada por alguns médicos, também manipulados, por grandes laboratórios farmacêuticos que passa desapercebido pela maioria das pessoas que precisam de cuidados médicos e acabam sendo usados, através da “Medicina da Doença”, financiadores dos grandes laboratórios nacionais e internacionais.

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Primeira newsletter de 2015

Publicado por: luxcuritiba em outubro 10, 2015

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Você não é um indivíduo com bactérias: vocês “são” em conjunto

Publicado por: luxcuritiba em outubro 4, 2015

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vocês são em conjunto

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Você é uma rede biomolecular

Parece que os gurus de todas as épocas tinham razão: nós estamos mesmo intimamente ligados a todos os seres vivos que nos cercam – inclusive biologicamente falando.

Pesquisas recentes no campo da microbiologia mostraram que pensar em plantas e animais, incluindo os seres humanos, como indivíduos autônomos é um erro grave de simplificação excessiva.

Esses novos estudos estão demonstrando que o que sempre se definiu como “um indivíduo” é, na verdade, uma “rede biomolecular” formada por um hospedeiro visível mais milhões de micróbios invisíveis.

Há muito tempo se sabe que somos mais um condomínio de seres vivos do que um ser único, mas esses novos estudos mostraram que os micróbios têm um efeito significativo sobre a forma como o hospedeiro se desenvolve, as doenças que ele pega, como ele se comporta e, possivelmente, até mesmo sobre suas interações sociais.

Holobionte e hologenoma

“É um caso no qual o todo é maior do que a soma de suas partes,” disse Seth Bordenstein, professor na Universidade Vanderbilt (EUA), que contribuiu com esse novo corpo de conhecimentos mostrando que os micróbios simbióticos desempenham um papel fundamental em praticamente todos os aspectos da biologia vegetal e animal, incluindo a origem de novas espécies.

Neste caso, os “indivíduos” são o hospedeiro e o seu genoma, mais os milhares de diferentes espécies de bactérias que vivem dentro ou sobre o hospedeiro, juntamente com todos os seus genomas, coletivamente conhecidos como microbioma.

O hospedeiro é algo como a ponta do iceberg, enquanto as bactérias são a parte do iceberg que está debaixo d’água: Nove em cada 10 células nos organismos vegetais e nos animais são células bacterianas. Mas as células bacterianas são muito menores do que as células hospedeiras, de forma que elas passaram despercebidas por muito tempo.

Os microbiologistas cunharam novos termos para estas entidades coletivas – holobiontes; e para seus genomas, hologenoma. “Estes termos são necessários para definir o conjunto de organismos que constitui os chamados indivíduos,” disse Bordenstein.

Evolução compartilhada

No artigo publicado na revista de acesso aberto PLoS Biology, Bordenstein e seu colega Kevin Theis, da Universidade de Michigan, tomam os conceitos gerais envolvidos neste novo paradigma e os dividem em princípios subjacentes que se aplicam a todo o campo da biologia.

Eles fazem previsões específicas refutáveis com base nesses princípios e conclamam outros biólogos a testá-las teórica e experimentalmente.

“Uma das expectativas básicas deste quadro conceitual é que os experimentos com animais e vegetais que não levam em conta o que está acontecendo no nível microbiológico serão incompletos e, em alguns casos, até mesmo enganosos,” disse Bordenstein.

Outra conclusão é que as forças evolutivas, como a seleção natural e a deriva genética, podem atuar sobre o hologenoma, e não apenas sobre o genoma. Assim, mutações no microbioma que afetam a adequação de um holobionte são tão importantes quanto as mutações no genoma do hospedeiro.

Apesar deste novo quadro teórico não alterar as regras básicas da evolução, os holobiontes têm uma forma de responder aos desafios ambientais que não está disponível para os organismos individuais: eles podem alterar a composição de suas comunidades bacterianas.

“Em vez de sermos tão ‘germofóbicos’, temos de aceitar o fato de que vivemos em um mundo microbiano e nos beneficiamos dele. Nós tanto somos um ambiente para micróbios, quanto os micróbios o são para nós,” disse Bordenstein.

http://www.diariodasaude.com.br

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Físico brasileiro quer saber se podemos mover sistemas quânticos com a mente

Publicado por: luxcuritiba em outubro 3, 2015

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Por Letícia Naísa

A subida era íngreme e o carro não pegava. Gabriel puxou o freio de mão e girou a chave mais uma vez. Nada. Outro veículo estacionou atrás do seu Fusca e o motorista gritou:

— Sai que tá pegando fogo.

Gabriel olhou para trás e viu o fogaréu no motor. A partir daquele momento, entrou em outra dimensão do espaço e do tempo. Estava em estado de choque. A primeira coisa que fez foi pegar o extintor. Tentou abrir e, sem muito jeito, estragou o lacre. Olhou para os lados e não via ninguém se aproximar para ajudar; as pessoas paravam e olhavam com receio de que o veículo explodiria.

Depois de muito tempo, moradores da região lhe trouxeram três extintores. Antes que pudessem agir, porém, houve novo incêndio. Como o tanque de combustível do Fusca fica na parte da frente, a gasolina, na descida, jorrava pra trás. Nada apagaria o fogo do automóvel.

Enquanto Gabriel se lamentava, a iminente tragédia virou evento entre os habitantes da pequena São Bento do Sapucaí, no interior de São Paulo. Uma turma se juntou para ver o carro pegar fogo sem dar conta do perigo. Gabriel então previu todos os acidentes que poderiam acontecer naquele momento. Bolas de metal em chamas, atropelamentos, batidas, queimaduras, mortes. Desesperado, ensaiou uma reza. “Se existe alguma coisa aí, por favor,se manifeste agora e salve essas pessoas, porque vai dar uma cagada”, falou.

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Pouco depois da quase oração, o Fusca desceu a ladeira em alta velocidade; o carro fez uma curva e, sozinho, como que por um milagre, estacionou entre as muretas. O fogo apagou e não houve qualquer explosão. Nenhum ferido.

Para Gabriel, o que aconteceu com o Fusca – batizado de Dorotéia por causa da protagonista da peça de Nelson Rodrigues de mesmo nome que, segundo o dono, tinha o mesmo temperamento do veículo – foi de probabilidade baixíssima, algo muito peculiar. “Tudo poderia ter acontecido de pior ali e nada aconteceu”, disse. “Não acho que foi evidência de nada extraordinário, mas, no mínimo, isso me deixou com a pulga atrás da orelha.” O fato representou uma virada na vida de Gabriel. Ele estava disposto a investigar se a consciência pode exercer algum tipo de influência na matéria.

Curitibano, jovem, cético e prodígio, Gabriel Guerrer entrou no curso de física da Universidade Federal do Paraná aos 16 anos. Formou-se aos 20, tornou-se mestre aos 22 e doutor aos 25. Hoje, aos 31, ele dá cursos livres de física quântica e faz pós-doutorado na Universidade de São Paulo (USP) sobre a “ontologia das interações consciência-matéria”. Em outras palavras e com alguma licença poética, ele estuda se seria possível alterar a trajetória de um Fusca pela força da mente.

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Depois de virar lenda em São Bento, Gabriel voltou para Curitiba, arrumou outro carro e partiu para Belém do Pará. Foi um mês de viagem para pensar no futuro de sua vida – e, por tabela, de sua pesquisa. Gabriel chegou na cidade paraense junto com a Nossa Senhora, na época do Círio de Nazaré, uma das maiores procissões católicas do país, que reúne cerca de duas milhões de pessoas. “Quando cheguei, achei uma merda, não tinha nada a ver com o que estava buscando. Mas você joga um cara bem racional que já estava um pouco chacoalhado no meio dessa festa… Aquele monte de gente e todo mundo em silêncio. De repente, senti uma emoção. Quando vi, eu estava chorando junto com a santa chegando, sentindo aquilo de uma maneira muito intensa”, ele lembra. Na época, sua fé se resumia à ciência e nada mais.

Gabriel agradeceu por ter chegado naquele momento de celebração da fé. Em seguida, viajou para os lençóis maranhenses, onde diz ter entrado em contato com uma natureza selvagem e se questionado sobre qual era sua percepção no mundo. “Percebi que se meu estado de consciência muda, a realidade se transforma”, diz. Ele passou a confiar mais no acaso e na intuição; parou de querer controlar tudo. “Parece que quanto mais na roubada, mais o resgate tá pronto.”

professor Radin

De volta à rotina na sua cidade natal, Gabriel se debruçou sobre a teoria. Começou a pesquisar sobre fenômenos anomalísticos, parapsicologia, psicologia anomalística, misticismo e questões de consciência para além da sua associação com o cérebro. O primeiro contato do físico com pesquisas sobre fenômenos anômalos e a parapsicologia data da sua infância. “Eu era moleque e apareceu o Padre Quevedo no Fantástico falando ‘isso non ecziste’, e isso me marcou de uma maneira negativa. Sempre tive preconceito com a parapsicologia porque associava com algo de cunho religioso”, recorda.

Durante suas pesquisas, ele descobriu o trabalho do professor Dean Radin, do Institute of Noetic Sciences (IONS), nos Estados Unidos. O experimento de Radin trata da influência da mente no comportamento da matéria à distância, conhecido como micro (por se tratar de sistemas de domínio quântico, muito pequenos) psicocinese. O que o Gabriel quer fazer é replicar o experimento feito nos EUA e tentar entender suas reais capacidades. Ele diz que a ciência clássica considera consciência como produto do cérebro, mas ele acha tal visão equivocada e quer ir além. Para ele, o cérebro é um receptor de consciência, não um gerador: “Na visão atual, a consciência é o fenômeno mais raro do universo, o que essa nova visão faz é convidar a gente a imaginar que consciência pode ser um campo, algo mais fundamental.”

experimento

Seu pós-doutorado foi aprovado esse ano no instituto de psicologia da USP com apoio do Laboratório de Psicologia Anomalística e Processos Psicossociais (Interpsi), coordenado pelo Dr. Wellington Zangari, e em parceria com a faculdade de física da mesma universidade. Ele está utilizando um laboratório multiusuário na física para fazer esse teste. No local, fará a montagem de um sistema com um raio laser que atravessa uma fenda dupla sendo observado por uma câmera que mede o padrão de interferência do laser. O próximo passo é colocar pessoas para tentar modificar esse padrão. Serão dois grupos de observadores: meditadores e pessoas sem prática de meditação. O experimento estará isolado e blindado para que não haja nenhuma outra via de troca de informação além do poder da mente.

Gabriel conta que os resultados da pesquisa do professor Radin apontam que o fenômeno de alteração do padrão de interferência existe de um ponto de vista estatístico, mas requer estados modificados de consciência. Traduzindo: o grupo dos meditadores parece conseguir alterar o comportamento da matéria por ter a mente funcionando de forma diferente.

O físico afirma não partir da existência certa do fenômeno em si, mas da pergunta: será? “O que estou propondo é um método experimental empírico de investigar a resposta e não de partir já de um pressuposto”, diz. Ele confessa que considera a possibilidade de que o experimento não dê em nada, mas o importante é tentar encontrar respostas e empurrar a fronteira do desconhecido.

micro psicocinese

Se der tudo errado, fica tudo como está. Mas e se der certo?

O professor Radin responde que aumentará a confiança nos resultados já observados e encorajará outros pesquisadores a tentar o mesmo experimento. “Se os resultados do Dr. Guerrer obtiverem sucesso, isso será importante porque providenciará evidência adicional a favor de uma interpretação da mecânica quântica”, diz. Para Radin, o sucesso da pesquisa daria mais uma prova de que a nossa mente é capaz de ir muito além do nosso corpo e fazer coisas que jamais imaginamos serem possíveis.

O tema é bastante polêmico e enfrenta muito preconceito na academia. Para grande parte dos críticos, trata-se de pseudociência. Gabriel rebate: “não existe nada mais pseudocientífico do que partir de um dogma”. O físico é bastante crítico aos modelos de pesquisa engessados da ciência. Ele acredita que as teorias ainda são muito baseadas no materialismo e, por causa disso, é impossível querer inovar quando não há interesse de investir em novas possibilidades.

cerebro

Segundo Gabriel, a desconfiança gerada pelo tema fez com que o seu pedido de bolsa à Fapesp, órgão de fomento à pesquisa, fosse negado. O argumento da instituição foi de que a investigação “não se enquadra na lista de prioridades deles”. Gabriel insistiu, mas a Fapesp deu o mesmo parecer. Para ele, é evidente que o governo não tem interesse de financiar esse tipo de estudo. O professor Radin acredita que isso vem da crença de que o senso comum é suficiente para explicar a natureza e as pessoas não querem desafiar as suas crenças.

Por causa dos obstáculos enfrentados, o Gabriel está contando com o interesse do público no seu tema de pesquisa e lançou uma campanha de financiamento coletivo para pagar as despesas do laboratório e bancar um estágio com o professor Radin. “O financiamento cai na rede e se espalha porque as pessoas estão muito curiosas, clamando que se pesquise isso. Ninguém tá falando que tem certeza absoluta – algumas pessoas falam – mas dizem: ‘pesquisem isso, por favor, nem que seja pra me falar que não existe nada disso.’”

Otimista, Gabriel acredita que sua estratégia deve funcionar e que os resultados dos seus estudos tendem a ser animadores. E aí, quem sabe, conseguirá explicar como seu pensamento evitou uma catástrofe com a Dorotéia no interior paulista.

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Cientistas chegam mais perto da imortalidade ao desligar o processo de envelhecimento em vermes

Publicado por: luxcuritiba em julho 30, 2015

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Cientistas chegam mais perto da imortalidade ao desligar o processo de envelhecimento em vermes 1

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Bruno Rizzato

Cientistas da Northwestern University, nos EUA, descobriram uma maneira de desligar o ‘interruptor genético’ de envelhecimento em vermes.

Embora isso não seja, ainda, a chave para a imortalidade, a descoberta pode levar a novas formas de tornar as pessoas mais produtivas e ativas nos últimos anos de vida.

De acordo com o estudo, este interruptor genético é automaticamente virado quando um verme atinge a maturidade reprodutiva. As respostas ao estresse, que originalmente protegem as células, mantendo proteínas vitais funcionais, estão desligadas neste ponto, e o processo de envelhecimento começa a ficar mais intenso. As células mantiveram seu nível anterior de resistência, tornando o verme mais capaz de lidar com o desgaste do envelhecimento.

Há uma grande distância entre os vermes e os seres humanos, mas os dois pesquisadores por trás destas experiências dizem que há ligações biológicas comuns suficientes para sugerir que a mesma técnica poderia ser aplicada a outros animais.

Cientistas chegam mais perto da imortalidade ao desligar o processo de envelhecimento em vermes 2

O momento-chave é associado com a reprodução, porque é neste ponto que o futuro da espécie é garantido. Uma vez que a próxima geração nasce, a geração atual pode ‘sair do caminho’. “O estudo nos disse que o envelhecimento não é a continuação de vários eventos, como muitos pensavam”, disse Richard Morimoto, autor sênior do estudo. “Em um sistema em que podemos realmente fazer os experimentos, descobrimos um interruptor que é muito preciso para o envelhecimento. Nossas descobertas sugerem que deve haver uma maneira de reverter este interruptor genético e proteger as nossas células do envelhecimento, aumentando a sua capacidade de resistir ao estresse”.

Muitos contestam os objetivos da pesquisa, mas Morimoto é claro em sua justificativa: “Não seria melhor para a sociedade se as pessoas pudessem ser saudáveis e produtivas por um longo período da vida? Estou muito interessado em manter o sistema com controle de qualidade ideal, agora temos um alvo de estudo”.

Johnathan Labbadia, do laboratório de Morimoto, também ajudou nas experiências. Os cientistas trabalharam bloqueando os sinais bioquímicos mais antigos para retardar o declínio das condições posteriores. Estas mudanças não foram imediatamente óbvias nos vermes usados como cobaias, mas são identificáveis ??em um nível molecular. “Foi fascinante. Tivemos, em certo sentido, um animal super resistente contra todos os tipos de estresse celular e danos de proteína”, disse Morimoto.

Eles acreditam que com mais estudos, será possível reproduzir o mesmo tipo de resistência para as células humanas. O relatório foi publicado na revista Molecular Cell.

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Descoberta a provável causa do vício. E não é o que você pensa!

Publicado por: luxcuritiba em julho 29, 2015

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vicios

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Faz cem anos que as drogas foram proibidas pela primeira vez – e, ao longo desse século de guerra contra as drogas, professores e governos nos contaram histórias de vício. Essas histórias estão enraizadas em nossas mentes. Elas parecem óbvias, verdades evidentes.

Até três ano atrás, quando comecei uma jornada de 50 000 quilômetros para escrever meu novo livro, ‘Chasing The Scream: The First and Last Days of the War on Drugs’(Perseguindo o grito: os primeiros e os últimos dias da guerra contra as drogas, em tradução livre), eu também acreditava nisso. Mas o que descobri em minhas viagens é que quase tudo o que nos contaram sobre o vício está errado – e existe uma história muito diferente à nossa espera, se estivermos prontos para ouvi-la.

Se realmente absorvermos essa nova história, teremos de mudar muito mais que a guerra contra as drogas. Teremos de nos transformar.

Aprendi com uma mistura extraordinária de pessoas que conheci na estrada. Dos amigos de Billie Holiday, que me ajudaram a entender como o fundador da guerra contra as drogas a perseguiu e ajudou a matá-la. De um médico judeu que foi tirado às escondidas do gueto de Budapeste quando era bebê, para depois destravar os segredos do vício quando adulto.

De um transexual traficante de crack do Brooklyn que foi concebido quando sua mãe, uma viciada em crack, foi estuprada pelo pai dele, um policial de Nova York. De um homem que foi mantido preso no fundo de um poço durante dois anos por uma ditadura para depois emergir e ser eleito presidente do Uruguai, começando os dias finais da guerra contra as drogas.

Tinha uma razão bastante pessoal para sair em busca dessas respostas. Uma das minhas primeiras lembranças da infância é tentar acordar um parente, sem sucesso. Desde então, venho pensando sobre o mistério do vício – o que faz algumas pessoas se fixar em uma droga ou um comportamento a ponto de não conseguir parar? Como ajudamos essas pessoas a voltar para a gente? Ao envelhecer, outro parente próximo ficou viciado em cocaína, e eu me envolvi com uma pessoa viciada em heroína. Acho que me sinto em casa perto de viciados.

Se você me perguntasse lá atrás o que provoca o vício em drogas, te olharia como se você fosse um idiota e diria: “Drogas. Dã.” Não é difícil entender. Achei que tivesse visto isso acontecer na minha própria vida. Qualquer um consegue explicar. Imagine se eu, você e as próximas 20 pessoas que passarem na rua tomássemos uma droga potente por 20 dias. Existem agentes químicos fortes nessas drogas, então no vigésimo-primeiro dia nossos corpos precisariam desses químicos. Teríamos uma necessidade urgente deles. Estaríamos viciados. Esse é o significado de vício.

Essa teoria foi estabelecida por meio de experimentos com ratos – experimentos que foram injetados na psique americana nos anos 1980, em um famoso anúncio da Partnership for a Drug-Free America. Você talvez se lembre. O experimento é simples. Coloque um rato numa gaiola, sozinho, com duas garrafas d’água. Uma delas tem só água. A outra tem água misturada com cocaína ou heroína. Em quase todas as vezes que você fizer esse experimento, o rato vai ficar obcecado com a água com drogas. Ele vai tomá-la até morrer.

O anúncio explica: “Só uma droga é tão viciante, nove de dez ratos de laboratório vão usá-la. E usá-la. E usá-la. Até a morte. É chamada cocaína. E ela pode fazer o mesmo com você”.

Mas, nos anos 1970, um professor de psicologia de Vancouver chamado Bruce Alexander percebeu algo estranho nesse experimento. O rato está sozinho na gaiola. Ele não tem nada para fazer além de usar a droga. O que aconteceria se tentássemos algo diferente? Então Alexander criou o Rat Park. É uma gaiola sofisticada, onde os ratos têm bolas coloridas e túneis para brincar, vários amigos e a melhor das comidas: tudo o que um rato poderia desejar. Alexander queria saber o que iria acontecer.

No Rat Park, todos os ratos tomaram água das duas garrafas, é claro, porque não sabiam o que elas continham. Mas o que aconteceu depois foi surpreendente.

Os ratos nessa vida boa não gostavam da água com drogas. Eles basicamente a ignoravam: consumiam menos de um quarto dessa água, em comparação com os animais isolados. Nenhum deles morreu. Todos os ratos que estavam sozinhos em suas gaiolas se tornaram dependentes da droga, mas isso não aconteceu com nenhum dos animais do Rat Park.

Inicialmente, achei que isso fosse meramente uma idiossincrasia dos ratos, até descobrir que havia – na mesma época do experimento do Rat Park – um equivalente humano em andamento. Era a Guerra do Vietnã.

A revista Time relatou que, entre os soldados americanos, usar heroína estava se tornando um hábito tão corriqueiro quanto mascar chiclete, e existem evidências sólidas para sustentar tal afirmação: cerca de 20% dos soldados americanos ficaram viciados em heroína no Vietnã, segundo um estudo publicado no Archives of General Psychiatry. Muita gente ficou compreensivelmente aterrorizada; elas achavam que com o fim da guerra um enorme número de viciados voltaria para casa.

Mas, na realidade, cerca de 95% dos soldados viciados – segundo o mesmo estudo – simplesmente pararam de usar heroína. Alguns poucos foram para clínicas de recuperação. Eles passaram de uma gaiola aterrorizante para uma agradável, e não queriam mais usar drogas.

Alexander argumenta que essa descoberta é uma contestação profunda tanto da visão direitista, segundo a qual o vício é uma fraqueza moral causada por uma vida de festas e hedonismo, quanto da visão liberal, que diz que o vício é uma doença que existe num cérebro quimicamente sequestrado. Na verdade, segundo Alexander, vício é adaptação. Não é você. É a gaiola.

Depois da primeira fase do Rat Park, Alexander levou seu teste além. Ele refez os primeiros experimentos, nos quais os ratos se tornavam usuários compulsivos de drogas. Ele os deixou usar a droga durante 57 dias – se tem um jeito de ficar viciado, é esse.

Então ele tirou os animais do isolamento e os colocou no Rat Park. Alexander queria saber se, uma vez viciado, o cérebro estava sequestrado e não havia maneira de recuperá-lo. As drogas assumem o controle? O que aconteceu – de novo – foi impressionante. Os ratos pareciam exibir alguns tremores de abstinência, mas logo pararam de usar as drogas pesadamente e voltaram a ter uma vida normal. A gaiola boa os salvou. (As referências completas de todos os estudos que estou mencionando estão no livro.)

Quando soube disso, fiquei encucado. Como seria possível? Essa nova teoria é um ataque tão radical ao que nos contaram que não parecia ser verdade. Mas, quanto mais cientistas entrevistava, quanto mais estudos lia, mais descobria coisas que não pareciam fazer sentido – a menos que você leve em conta essa nova abordagem.

Eis um exemplo de experimento que acontece à sua volta, e pode inclusive acontecer com você um dia desses. Se você for atropelado e quebrar a bacia, provavelmente vão te dar diamorfina, o nome médico para heroína.

No hospital, haverá muita gente tomando heroína por longos períodos, para aliviar a dor. A heroína que o médico te der vai ser muito mais pura e potente que aquela usada pelos viciados, que compram uma droga adulterada pelos traficantes. Então, se a velha teoria do vício estiver certa – a culpa é da droga; ela faz seu corpo precisar dela -, é óbvio o que vai acontecer. As pessoas sairão do hospital e irão direto procurar um traficante para comprar heroína.

Mas eis o que é estranho: isso virtualmente nunca acontece. Como me explicou o médico canadense Gabor Mate os usuários de heroína médica simplesmente param, apesar de meses de uso. A mesma droga, usada pelo mesmo período, cria viciados nas ruas, mas não afeta os pacientes de hospitais.

Se você ainda acredita, como eu acreditava, que o vício é causado por agentes químicos, isso não faz sentido. Mas, se você acredita na teoria de Bruce Alexander, a imagem começa a entrar em foco. O viciado da rua é o rato da primeira gaiola, isolado, sozinho, com uma única fonte de conforto. O paciente do hospital é o rato da segunda gaiola. Ele vai para casa, para uma vida em que está cercado pelas pessoas que ama. A droga é a mesma, mas o ambiente é diferente.

Isso nos dá um insight muito mais profundo que a necessidade de entender os viciados. O professor Peter Cohen argumenta que os seres humanos têm uma necessidade profunda de estabelecer laços e conexões. É como nos satisfazemos. Se não conseguirmos nos conectar uns com os outros, vamos nos conectar com o que encontrarmos – a bolinha pulando na roleta ou a ponta da agulha de uma seringa. Ele diz que deveríamos simplesmente parar de falar em “vício”: deveríamos falar em “ligação”. Um viciado em heroína criou uma ligação com a droga porque não conseguiu estabelecer outras conexões.

O oposto de vício, portanto, não é sobriedade. É conexão humana.

Quando soube disso tudo, fui sendo persuadido gradualmente. Mas restava uma dúvida incômoda. Será que os cientistas estão dizendo que a parte química do vício não faz diferença nenhuma?

Me explicaram – você pode se viciar em jogo, mas ninguém vai achar que você vai injetar um baralho nas veias. Você pode ser viciado, mas não há o lado químico. Fui a uma reunião dos Viciados em Jogos Anônimos em Las Vegas (com a permissão de todos os presentes, que sabiam que eu estava lá apenas como observador). Eles eram tão viciados quanto os usuários de cocaína e heroína que conheci. Mas uma mesa de pôquer não tem químicos.

Ainda assim, perguntei: a química desempenha algum papel? Um experimento tem a resposta precisa, que descobri no livro The Cult of Pharmacology (o culto da farmacologia, em tradução livre), de Richard DeGranpre.

Todos concordam que fumar cigarros é um dos processos mais viciantes que existem. Os químicos do tabaco vêm da nicotina. Quando foram inventados os adesivos de nicotina, no começo dos anos 1990, houve uma grande onda de otimismo – os fumantes poderiam satisfazer suas necessidades químicas sem o resto dos efeitos imundos (e mortais) do cigarro. Seria a libertação.

Mas o Ministério da Saúde descobriu que apenas 17,7% dos fumantes conseguem parar de fumar usando adesivos de nicotina. É claro que não é pouca coisa. Se os químicos respondem por 17,7% do vício, como mostra esse dado, ainda temos milhões de vidas arruinadas globalmente. Mas o que ele revela, mais uma vez, é que a história que nos contaram sobre as causas químicas do vício é real, mas só uma parte pequena de uma fotografia muito maior.

Isso tem enormes implicações para a secular guerra contra as drogas. Essa guerra massiva – que, como vi, mata gente dos shoppings mexicanos às ruas de Liverpool – é baseada na afirmação de que precisamos erradicar fisicamente uma vasta gama de químicos, pois eles sequestram cérebros e provocam o vício. Mas, se as drogas em si não são as causadoras do vício – se, na verdade, é a desconexão que causa o vício –, então nada disso faz sentido.

Ironicamente, a guerra contra as drogas na verdade potencializa esses causadores de vício. Por exemplo: fui a uma prisão no Arizona – “Tent City” –, onde os detentos ficam presos em minúsculas celas de pedra (“O Buraco”) por semanas a fio se usarem drogas. É a versão humana mais próxima que consigo imaginar das gaiolas de isolamento dos ratos. Quando os presos saem da cadeia, não conseguirão emprego, porque têm ficha criminal – garantido um isolamento ainda maior. Vi exemplos assim no mundo inteiro.

Existe uma alternativa. Você pode criar um sistema desenhado para ajudar os viciados a se reconectar com o mundo – e, assim, deixar o vício para trás.

Isso não é teoria. Está acontecendo. Vi com meus próprios olhos. Cerca de 15 anos atrás, Portugal tinha um dos piores problemas de drogas da Europa – 1% da população era viciada em heroína. Os portugueses tentaram a guerra contra as drogas, mas o problema só piorava. Então decidiram fazer algo radicalmente diferente. Resolveram descriminar todas as drogas e usar o dinheiro gasto para prender os viciados em programas de reconexão – com seus sentimentos e com a sociedade. O passo mais crucial é garantir moradia e empregos subsidiados, para que eles tenham propósito na vida, algo que os faça sair da cama pela manhã. Em clínicas acolhedoras, vi os viciados aprendendo a se reconectar com seus sentimentos, depois de anos de trauma e de um silêncio forçado causado pelas drogas.

Um exemplo que observei foi um grupo de viciados que recebeu um empréstimos para começar uma empresa de coleta de lixo. Repentinamente, eles eram um grupo, todos conectados entre si e com a sociedade, cuidando uns dos outros.

Agora se conhecem os resultados disso tudo. Um estudo independente do British Journal of Criminology descobriu que, desde a total descriminação, o vício caiu e o uso de drogas injetáveis teve redução de 50%. Repito: o uso de drogas injetáveis teve redução de 50%. A descriminação foi um sucesso tão grande que pouquíssima gente em Portugal defende uma volta ao antigo sistema. O maior opositor dessa política em 2000 era João Figueira, o principal policial da força antidrogas. Ele fez alertas terríveis, do tipo que se espera ouvir na Fox News ou ler no Daily Mail. Mas, quando conversamos em Lisboa, Figueira me disse que nenhuma de suas previsões se confirmou – e agora ele espera que o resto do mundo siga o exemplo português.

Isso não é relevante só para os viciados que amo. É relevante para todos nós, pois nos força a pensar de maneira diferente a respeito de nós mesmos. Os seres humanos são animais que precisam de laços. Precisamos de conexões e de amor. A frase mais sábia do século 20 foi “Apenas se conecte”, de E.M. Forster. Mas criamos um ambiente e uma cultura que cortou conexões, ou que oferece apenas um simulacro delas: a internet. O crescimento do vício é sintoma de uma doença mais profunda na maneira como vivemos – constantemente olhando para o próximo objeto brilhante que queremos comprar, em vez dos humanos que nos cercam.

O escritor George Monbiot fala na “era da solidão“ Criamos sociedades humanas em que o corte de conexões nunca foi tão fácil. Bruce Alexander, o criador do Rat Park, me disse que falamos demais em recuperação de indivíduos. Precisamos falar de recuperação social – como todos nos recuperamos juntos da doença do isolamento que recai sobre nós como uma névoa densa.

Mas essas novas evidências não são apenas um desafio político. Elas não nos forçam somente a transformar nossas cabeças. Elas nos forçam a transformar nossos corações.

É muito difícil amar um viciado. Quando olho para os viciados que amo, é sempre tentador optar pela estratégia durona recomendada por programas como Intervention – falar para o viciado tomar jeito ou então cortá-lo de sua vida. A mensagem é que o viciado que não parar com as drogas deve ser rejeitado. É a lógica da guerra contra as drogas importada para nossas vidas. Mas, na verdade, aprendi que isso só agrava o vício – e você pode perder a pessoa para sempre. Voltei para casa determinado a me aproximar como nunca dos viciados da minha vida – dizer para eles que os amo incondicionalmente, consigam eles parar ou não.

Quando terminei minha longa jornada, olhei para meu ex-namorado, em crise de abstinência, tremendo no quarto de visitas, e pensei nele de um jeito diferente. Há um século estamos entoando cantos de guerra sobre os viciados. Quando secava a testa dele, me ocorreu que deveríamos estar entoando canções de amor.

A história completa da jornada de Johann Hari – contada por meio das histórias das pessoas que ele conheceu – está em ‘Chasing The Scream: The First and Last Days of the War on Drugs’ (Perseguindo o grito: os primeiros e os últimos dias da guerra contra as drogas, em tradução livre), publicada pela Bloomsbury. O livro foi elogiado por Elton John, Naomi Klein e Glenn Greenwald, entre outros. Saiba mais sobre o livro

As referências completas e fontes para todas as informações citadas neste artigo estão nas extensas notas do livro.

http://thesecret.tv.br

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Novo campo da genética afirma que herdamos as experiências de nossos antepassados através do DNA

Publicado por: luxcuritiba em julho 29, 2015

piramidal.net | lojapiramidal.com

epigenetica_comportamental

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Vamos propor uma pergunta com certa ingenuidade: como o DNA humano sabe onde colocar suas peças para criar exatamente um ser humano particular? Não falamos de um indivíduo da espécie humana senão de uma pessoa concreta, filho ou filha de certos pais, descendente de certa genealogia. De primeira impressão poderíamos pensar que a natureza trabalha sobre um quadro básico de ingredientes, os quais sofrem poucas modificações ao longo do tempo. Mas segundo a pesquisa de dois biólogos canadenses, as histórias de vida (hábitos, estados emocionais, traumas psicológicos) de nossos descendentes modificam e outorgam a nosso material genético um grau extra de precisão.

A história resumida começa assim: um neurologista e um biólogo entram em um bar, tomam um par de tragos e falam superficialmente de suas respectivas linhas de pesquisa, ao sair criaram um novo campo da genética. Isto ocorreu em um bar de Madri a Moshe Szyf, biólogo molecular e geneticista da McGill University em Montreal, e a seu amigo Michael Meaney, neurobiólogo da mesma universidade.

Desde a década de 70, os geneticistas sabem que o núcleo das células utiliza um componente estrutural das moléculas orgânicas, o metilo, que ajuda a célula a decidir se será uma célula do coração, do fígado ou um neurônio. O grupo metilo opera próximo do código genético, mas não é parte dele. O campo da biologia que estuda estas relações é chamada epigenética, pois apesar de que estudam fenômenos genéticos, estes ocorrem propriamente ao redor do DNA.

Os cientistas achavam que as mudanças epigenéticas aconteciam só durante a etapa do desenvolvimento fetal, mas posteriores estudos demonstraram que de fato algumas mudanças no DNA adulto podiam resultar em certos tipos de câncer. Em ocasiões os grupos metilo ajustam-se ao DNA devido a mudanças na dieta ou à exposição a certas substâncias; no entanto, a verdadeira descoberta começou quando Randy Jirtle da Universidade de Duke demonstrou que estas mudanças podiam ser transmitidas de geração em geração.

Se este jargão geneticista for árduo para alguns, digamos que Szyf e Meaney simplesmente desenvolveram uma inovadora hipótese enquanto tomavam um par de cervejas: se a alimentação e os químicos podiam produzir mudanças epigenéticas, era possível que experiências como o estresse ou o abuso de drogas também pudessem produzir mudanças epigenéticas no DNA dos neurônios? Esta pergunta foi o ponto de partida para um novo campo no estudo da genética: a epigenética comportamental.

Segundo este novo enfoque, as experiências traumáticas de nosso passado bem como as de nossos ancestrais imediatos deixam uma sorte de feridas moleculares aderidas a nosso DNA. Cada raça e cada povo, assim, levaria inscrito em seu código genético a história de sua cultura: os judeus e a Shoah, os chineses e a Revolução Cultural, os russos e os GULAG, os imigrantes africanos cujos pais foram perseguidos, ou bem uma infância de maus-tratos e pais abusivos, enfim… todas as histórias que possamos imaginar estão influídas por nossos antecessores.

Desde este ponto de vista, as experiências de nossos ancestrais modelam nossa própria experiência de mundo não somente através da herança cultural senão através da herança genética. O DNA não muda propriamente, mas as tendências psicológicas e de comportamento são herdadas: assim, talvez não só tenha os olhos de seu avô, senão também seu bom caráter e sua tendência à depressão ou ao alcoolismo.

Bem como a magia e as terapias psicodramáticas afirmam que para curar uma pessoa é preciso revisar sua árvore genealógica, a genética atual começa a abrir passagem em um novo campo que poderia fazer com que as “maldições familiares” sejam coisa do passado.

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