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Você não é um indivíduo com bactérias: vocês “são” em conjunto

Posted by luxcuritiba em outubro 4, 2015

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vocês são em conjunto

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Você é uma rede biomolecular

Parece que os gurus de todas as épocas tinham razão: nós estamos mesmo intimamente ligados a todos os seres vivos que nos cercam – inclusive biologicamente falando.

Pesquisas recentes no campo da microbiologia mostraram que pensar em plantas e animais, incluindo os seres humanos, como indivíduos autônomos é um erro grave de simplificação excessiva.

Esses novos estudos estão demonstrando que o que sempre se definiu como “um indivíduo” é, na verdade, uma “rede biomolecular” formada por um hospedeiro visível mais milhões de micróbios invisíveis.

Há muito tempo se sabe que somos mais um condomínio de seres vivos do que um ser único, mas esses novos estudos mostraram que os micróbios têm um efeito significativo sobre a forma como o hospedeiro se desenvolve, as doenças que ele pega, como ele se comporta e, possivelmente, até mesmo sobre suas interações sociais.

Holobionte e hologenoma

“É um caso no qual o todo é maior do que a soma de suas partes,” disse Seth Bordenstein, professor na Universidade Vanderbilt (EUA), que contribuiu com esse novo corpo de conhecimentos mostrando que os micróbios simbióticos desempenham um papel fundamental em praticamente todos os aspectos da biologia vegetal e animal, incluindo a origem de novas espécies.

Neste caso, os “indivíduos” são o hospedeiro e o seu genoma, mais os milhares de diferentes espécies de bactérias que vivem dentro ou sobre o hospedeiro, juntamente com todos os seus genomas, coletivamente conhecidos como microbioma.

O hospedeiro é algo como a ponta do iceberg, enquanto as bactérias são a parte do iceberg que está debaixo d’água: Nove em cada 10 células nos organismos vegetais e nos animais são células bacterianas. Mas as células bacterianas são muito menores do que as células hospedeiras, de forma que elas passaram despercebidas por muito tempo.

Os microbiologistas cunharam novos termos para estas entidades coletivas – holobiontes; e para seus genomas, hologenoma. “Estes termos são necessários para definir o conjunto de organismos que constitui os chamados indivíduos,” disse Bordenstein.

Evolução compartilhada

No artigo publicado na revista de acesso aberto PLoS Biology, Bordenstein e seu colega Kevin Theis, da Universidade de Michigan, tomam os conceitos gerais envolvidos neste novo paradigma e os dividem em princípios subjacentes que se aplicam a todo o campo da biologia.

Eles fazem previsões específicas refutáveis com base nesses princípios e conclamam outros biólogos a testá-las teórica e experimentalmente.

“Uma das expectativas básicas deste quadro conceitual é que os experimentos com animais e vegetais que não levam em conta o que está acontecendo no nível microbiológico serão incompletos e, em alguns casos, até mesmo enganosos,” disse Bordenstein.

Outra conclusão é que as forças evolutivas, como a seleção natural e a deriva genética, podem atuar sobre o hologenoma, e não apenas sobre o genoma. Assim, mutações no microbioma que afetam a adequação de um holobionte são tão importantes quanto as mutações no genoma do hospedeiro.

Apesar deste novo quadro teórico não alterar as regras básicas da evolução, os holobiontes têm uma forma de responder aos desafios ambientais que não está disponível para os organismos individuais: eles podem alterar a composição de suas comunidades bacterianas.

“Em vez de sermos tão ‘germofóbicos’, temos de aceitar o fato de que vivemos em um mundo microbiano e nos beneficiamos dele. Nós tanto somos um ambiente para micróbios, quanto os micróbios o são para nós,” disse Bordenstein.

http://www.diariodasaude.com.br

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