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A Magia Curativa da Grande Pirâmide

Publicado por: luxcuritiba em abril 20, 2008

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A principal função da Grande Pirâmide talvez seja o seu efeito curativo, pois está amplamente provado esse conceito por uma infinidade de relatórios de cientistas do Japão, da Rússia e dos Estados Unidos.

Cortes, arranhões e queimaduras, aparentemente saram bem mais depressa depois de uma ligeira e muitas vezes única exposição debaixo de um pirâmide. Conforme já verificamos pessoalmente em algumas experiências, uma pequena dor de cabeça pode ser sanada em apenas quatro minutos.

Tem-se reportado em várias ocasiões – conforme atestados verídicos – que dores de dentes e enxaquecas foram eliminadas prontamente, e muitas pessoas aliviadas de males artríticos e reumáticos depois de se acomodarem durante um tempo mínimo dentro de uma pirâmide de alumínio de maiores dimensões.

O mais surpreendente é que essa fabulosa energia se estende a várias funções diferentes, como por exemplo: as plantas crescem mais rapidamente, quando expostas à irradiação piramidal; a água se purifica totalmente e se torna livre das nocivas bactérias, quando expostas durante duas horas debaixo de uma pirâmide; o ouro se torna reluzente; o leite permanece fresco durante vários dias, naturalmente dentro de um temperatura amena; a carne de desidrata e mumifica sem apodrecer; as flores se conservam vivas por mais tempo nos vasos; a água energizada facilita a digestão; o café, o vinho e os sucos de frutas melhoram de sabor, quando deixados durante duas horas debaixo de uma pequena pirâmide; as baratas fogem espavoridas sob o efeito energético das pirâmides – para elas mortífero!

Pessoas que ficaram sentadas por meia hora dentro de uma pirâmide informaram que se sentiram virtualmente mais relaxadas e revitalizadas fisicamente, sendo que outros disseram ser mais fácil de se obter a meditação profunda por meio desse meio ideal. Depois que uma jovem norte-americana passou a dormir dentro de uma pirâmide em dias alternados, sua progenitora informou que a moça se tornou menos nervosa e que se tornou mais esbelta, tendo inclusive perdido o excesso de peso que a prejudicava.

Vejamos este outro caso: o dente incisivo da arcada superior estava provocando uma dor insuportável na jovem. Como era domingo de manhã, não havia naturalmente nenhum dentista disponível e os analgésicos comuns de nada adiantavam.

Por fim, desesperada, Inez Petit sentou-se no interior de uma pirâmide do seu progenitor, construída em madeira e rezou esperando pelo milagre. Não se sabe ao certo o que aconteceu, mas depois de dez minutos a dor passou completamente. O exame posterior mostrou que anda havia de anormal na aparência, pois o dente se encontrava em ótimo estado!

Várias pessoas que têm usado suas pirâmides se sentiram aliviadas de muitos males, em casos de artroses, cortes, contusões e infecções principalmente, já que a energia piramidal elimina a propagação das bactérias malignas. Interessante frisar que essas curas foram processadas em períodos de tempo espantosamente curtos!

Temos ciência de uma enormidade de casos incríveis, porém o espaço de que dispomos neste livro obviamente restringe curiosas narrações que gostaríamos de transmitir.

Muitos são os casos clínicos observados em relação à energia produzida por uma pirâmide. Vejamos mais este fato curioso: uma senhora norte-americana narra uma história muito interessante. Ao entrar na meia-idade, seu esposo construiu uma pirâmide para seu relax, além de beber água energizada. Poucas semanas após, a mulher ficou estupefata e disse: Acho que o meu velho está retornando aos vinte ou trinta anos; há tempos que ele não tem tanta potência sexual!

O próprio Ed Petit, autor do best-seller norte-americano O Poder Secreto das Pirâmides, afirmou publicamente em seu livro interessante que certa vez se encontrava com um sério tumor na próstata e que a operação deveria ser iminente. Então passou a dormir dentro de uma pirâmide duas noites por semana e a beber regularmente água energizada fornecida por um outro protótipo menos da Grande Pirâmide. Decorreram seis meses, e um dia percebeu que há muito tempo nada mais sentia na próstata e que as suas funções sexuais haviam se normalizado!

Relatórios russo, amplos e pormenorizados, provenientes da sua prodigiosa ciência metafísica, indicam que a água energizada tem sido empregada com resultados surpreendentes em ferimentos de soldados e em tumores malignos, enquanto que um dos seus sábios afirma que a coagulação sanguínea se processa de maneira extremamente rápida, quando ativada sob o campo energético de uma pequena pirâmide e que as bactérias são eliminadas.

Algumas pessoas que têm permanecido meditando dentro de uma pirâmide, têm se referido ao aparecimento fugaz de uma misteriosa luz azulada e diáfana em seu ápice. O próprio Wilhelm Reich sustentava que a cor da energia vital era azul, e talvez seja a mesma impressão luminosa vislumbrada por Enel no interior da Grande Pirâmide.

Teria Napoleão Bonaparte presenciado esse mesmo efeito, quando regressou assustado e lívido da Câmara do Rei, segundo relata a história? Quando um dos seus ajudantes de ordem lhe perguntou em tom jocoso se ele havia deparado com algum fantasma, Bonaparte replicou rudemente que não tinha comentários a fazer, acrescentando depois, mais suavemente, que não queria que o incidente voltasse a ser mencionado.

Mais tarde, em Santa Helena, o grande corso continuou se recusando a falar sobre aquela estranha ocorrência dentro da Grande pirâmide, insinuando que havia recebido um presságio sobre seu destino, sendo que disse a Las Cases, abanando a sua cabeça: “Não, de que adianta! Você não me acreditaria”.

As pesquisas de Reich indicam a existência, na atmosfera, de um certo campo de energia invisível, capaz de ser acumulado e dirigido para o corpo físico de modo a beneficiá-lo. Essa mesma energia – por ele denominada orgônica é a mesma energia ki dos japoneses, ou o mesmo “prana”, dos iogues e mais acertadamente citado como energia vital, dado suas amplas e virtuais facetas.

As comprovadas observações da luz azulada, vistas sobre o cimo das pirâmides em ocasiões excepcionais por alguns sensitivos, ou por outras pessoas que permaneceram meditando dentro delas, oferecem provas suficientes de que a energia piramidal é real e que partilha dos mesmos fenômenos produzidos pelos aparelhos eletroterápicos de ondas curtas largamente utilizados em medicina e outros, tais como o Magnetizer dos japoneses, lâmpadas de infra-vermelho ou raio laser, sendo que o campo energético das pirâmides é mais eficaz e rápido, com a vantagem de nada custar, pois suas múltiplas ações derivam simplesmente de um singelo e barato protótipo da Grande Pirâmide de Quéops! Esse é o grande misterioso enigma que tem desafiado a argúcia dos melhores cientistas de todo o mundo.

Fonte: Os Segredos da Grande Pirâmide, João Medeiros, Editora Tecnoprint S.A, Rio de Janeiro-RJ, 1986, pp. 69-73.

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As profecias da grande pirâmide

Publicado por: luxcuritiba em abril 19, 2008

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Pyramon estava aproveitando bem o tempo de espera. Ele confirmara mais uma vez, com o máximo rigor, todas as medidas que ainda seriam usadas. Pois cada mínima medida aplicada na construção da pirâmide possuía um significado profético, astronômico e geofísico… Portanto, não se podia omitir nem a mínima coisa.

Finalmente chegaram ao ponto de poderem ser reiniciados os trabalho da pirâmide. Kosbi trouxera tantos mantimentos, que os armazéns estavam novamente repletos de provisões. Novas remessas também já estavam providenciadas. Nesse ínterim haviam comparecido de novo também os trabalhadores com suas famílias. Os poucos que haviam sido mortos na sítio de Akeru, ou feridos tão gravemente que não pudessem continuar a trabalhar na pirâmide, foram substituídos por outros.

Não demorou muito e se ouviram as metálicas marteladas dos ferreiros que tinham retomado seu trabalho com grande afinco. Também os sons das flautas de pastores enchiam novamente o ar. Eram as crianças do acampamento que tocavam com grande persistência as flautas feitas por elas mesmas. Para tanto subiam nas árvores mais altas, a fim de que os gigantes também pudessem ouvir sua bonita música. Tudo estava como sempre. Nada mais indicava que os trabalhos haviam ficado paralisados durante tanto tempo.

O trabalho, na realidade, nunca ficara parado, pois os gigantes haviam prosseguido ininterruptamente. Eles haviam, nesse ínterim, acabado o teto da “sala do Juízo”, composto de muitos e pesados blocos de pedra. O sarcófago há muito já estava nessa sala. Os gigantes, com sábia previsão, haviam colocado o grande bloco de granito vermelho, no lugar a ele destinado, muito antes que as paredes laterais dessa sala ficassem prontas. O escultor transformou-o depois, dentro da própria sala, num sarcófago, usando para isso serrote, martelo e talhadeira. O sarcófago nunca poderia ter sido colocado por último na sala do Juízo da pirâmide acabada, pois para tanto, era grande demais.

Além disso, os gigantes também haviam trazido e empilhado nas proximidades, todos os blocos para o revestimento externo da pirâmide. Eram vinte e cinco mil blocos de mármore, reluzentes, de cor amarelo-escuro, pesando muitas toneladas cada um. Os blocos eram cortados com absoluta precisão, possuindo superfícies brilhantes. Não obstante isso, ainda tinham de ser polidos. Uma vez que esse trabalho somente podia ser executado por mãos humanas, os gigantes colocaram certo número deles no chão, em volta da pirâmide, de tal modo que cada um poderia trabalhar neles comodamente. Os trabalhadores retomaram alegremente os trabalhos que ainda antes do sítio de Akeru haviam iniciado.

Incidentes ocorriam sempre de novo. Contudo, nunca mais representaram obstáculos tão sérios, que pudessem prejudicar a continuação da obra.

E então chegou o dia em que os gigantes colocaram a última pedra, fechando a pirâmide. Pyramon contemplou com alegria e satisfação a obra acabada. Pensou no dia em que pisara pela primeira vez o solo do oásis, para começar o trabalho. Como que voando havia passado o tempo. Agora estava cumprida a missão de sua vida. E ele perguntava a si próprio como prosseguiria sua vida…

Os dias que se seguiram à conclusão da pirâmide, foram dias de inquietação para Pyramon. Ele andava de um lado para outro, como se esperasse algo. Mas o que esperava, ele mesmo não sabia. À vezes ficava parado diante da esfinge, levantando pensativamente seu olhar para o rosto de pedra. Os olhos desse rosto pareciam olhara para distâncias longínquas, e eles davam uma impressão tão viva, que ele se assustava cada vez que os via. Da colossal figura de leão deitado emanavam uma serenidade e uma altivez impossíveis de serem perscrutadas. ERa como se um halo de mundos superiores e eternos pairasse em volta dela.

Enquanto Pyramon ainda pensava no misterioso e enigmático que emanava dessa figura de pedra, ele sentiu a forte correnteza de ar, sempre causada pelos gigantes ao se aproximarem. Com alegria olhou para cima. Todos os que haviam trabalhado juntos na pirâmide, estavam presentes. Ao vê-los, ele sabia por que tinham vindo. Estavam prestes a deixar o oásis. Com saudade e tristeza no coração, ele ouviu as poucas palavras que Enak lhe dirigiu, despedindo-se.

“De bom grado trabalhamos contigo”, deu Enak a entender. “Teu amor e tua confiança enriqueceram-nos, aquecendo nossos corações. Nosso trabalho está terminado. Deixamos agora este país e a proximidade da Terra, esperando pelo que vier. Saudamos-te e permaneceremos teus amigos”.

“Não pensei que vos afastaríeis tão rapidamente”, murmurou Pyramon com o olhar abaixado, enquanto percebia, envergonhado, que lágrimas lhe enchiam os olhos. Olhando novamente para cima, viu que estava sozinho. Pela primeira vez, desde a morte de Thisbe, ele sentia-se só e abandonado no Egito. Os gigantes foram durante um longo tempo seus amigos e confidentes, e ele, até certo ponto, havia-os entendido melhor do que aos seres humanos, embora fossem seus semelhantes.

Pyramon não pôde entregar-se muito tempo a seus tristes sentimentos intuitivos. No mesmo dia ainda, ao anoitecer, chegaram mensageiros enviados à frente por Aphek, o sacerdote-rei, para noticiar a sua chegada. Aphek há tempo havia planejado uma solenidade de agradecimento, que deveria ser realizada no oásis, logo depois da conclusão da pirâmide. Agora ele estava se aproximando juntamente com vinte xeques de tribos independentes, três reis dos reinos da Arábia do sul, além de um determinado número de sábios que em caminho se haviam juntado a sua caravana.

Aphek sempre estivera informado exatamente sobre o andamento dos trabalhos da pirâmide. Dessa maneira ele pôde em tempo avisar todos aqueles que ele sabia que gostariam de viajar juntamente com ele para o Egito, a fim de ver a pirâmide acabada e assistir à solenidade de agradecimento.

E todos vieram para ver a obra monumental que há anos vinha agitando todos os ânimos.

Cada um, ao ver a pirâmide acabada pela primeira vez, ficava parado diante dela com sentimentos indizíveis e indefiníveis. Sentimentos esses que deixavam estremecer espíritos e almas. Ninguém ficava sem ser tocado por aquilo.

As paredes dessa obra colossal, lisas como um espelho e de um vislumbre amarelo, davam um aspecto inesquecível, quando eram atingidas simultaneamente pelos raios solares. Do mesmo modo inesquecível ficava a esfinge, lisa e de um vislumbre avermelhado, a qual estava ligada à grande pirâmide de maneira misteriosa.

Um halo de eternidade envolvia ambos os monumentos, dos quais cada pedra falava uma linguagem poderosa!

Milhares de pessoas assistiram à solenidade de agradecimento. A oração de agradecimento, contudo, não pronunciada por Aphek ou um outro sábio, mas sim, foi cantada pelos homens que tinham colaborado na pirâmide e na esfinge. Era um coro maravilhoso de homens que louvava a onipotência do Criador e a grandeza das obras iniciadas e concluídas em Seu nome.

Também pYramon e os gigantes foram louvados, por terem sido escolhidos para edificar essa obra única. Numa outra canção pediam a Thaui, a senhora da Terra, e a Ea, o senhor do sol, para tomarem a pirâmide e a esfinge sob a sua proteção, a fim de que permanecessem conservadas até o fim dos tempos.

Enquanto soava a cação dirigida à senhora da Terra e ao senhor do sol, levantou-se voando da plataforma da pirâmide uma cesta de ouro que parecia conter frutas áureas. Cada um que ainda podia perceber acontecimentos extramateriais, viu a cesta desaparecer bem no alto, no irradiante brilho solar. A cesta que continha os frutos do trabalho feito, saiu das mãos da senhora da Terra, que igualmente se tornava visível acima da pirâmide, por um momento.

Tudo o que o ser humano realiza na Terra, toma forma e produz frutos! Bons ou maus. No caso da pirâmide, os frutos eram de um puro brilho de ouro, pois todos, sem exceção, haviam trabalhado na obra com amor.

O senhor do sol e a senhora da Terra sempre haviam acompanhado com interesse os trabalhos da obra. Pois não se tratava de uma obra comum. A pirâmide surgira da Vontade do Onipotente Criador. Através de milênios deveria ela ser um marco de advertência, lembrando sempre de novo os seres humanos de que o tempo do último julgamento se aproxima.

Havia um motivo especial para que a pirâmide não terminasse numa ponta. É que o Senhor do Universo colocaria ali o seu sinal, quando viesse à Terra no tempo do último Juízo. É o sinal da vida eterna, e este iluminaria o caminho para todos aqueles que conseguissem caminhar até o final do salão do Juízo, passando pelo sarcófago aberto. De lá em diante então começaria a ascensão que conduz para cima, através de cinco degraus do Universo. Para cima, às campinas da paz, em direção à pátria eterna dos seres humanos.

A solenidade de agradecimento ficou inesquecível para todos que a ela assistiram. Cada ano, na mesma data, os sábios realizavam uma solenidade em comemoração, a qual de ano em ano era mais concorrida. Os peregrinos pareciam ter uma predileção especial por essa solenidade. Os sábios esclareciam sempre de novo o sentido e a finalidade da pirâmide, exortando simultaneamente todos os peregrinos, vindos de perto e de longe, para que vivessem sempre de tal maneira que não precisassem temer o Juízo.

Durante o dias subsequentes à solenidade de agradecimento, Pyramon dedicou-se integralmente a seus visitantes. Não podiam ouvir o suficiente das profecias da pirâmide. Antes de tudo, interessavam-se pela maneira com que essas profecias tinham sido expressas.

Pyramon levou-os várias vezes para o meio do pátio, onde havia levantado o modelo da pirâmide, esclarecendo-lhes os acontecimentos mais importantes através do mesmo.

No modelo, que tinha o tamanho de Pyramon, faltavam duas paredes externas, bem com algumas internas, recebendo os visitantes assim uma visão do interior. Pyramon indicou para alguns lugares importantes, dando-lhes os seguintes esclarecimentos.

Pegou no último bastão de ouro que ainda possuía, pois os muitos outros havia deixado na sala do Juízo, e disse:

– A câmara que estais vendo aqui, situa-se mais ou menos, em altura, entre o solo e a sala do Juízo. O tamanho da câmara e a cor com que são pintadas as paredes internas, indicam que uma emissária feminina virá das alturas máximas até a Terra. Por isso denominamo-la “câmara da Rainha”. A época desse acontecimento reconhece-se pela medição da altura em que a câmara se encontra. E essa medida indica uma data daqui a deis mil e quinhentos aos.

Segui agora exatamente o caminho que conduz para essa câmara da Rainha. Ele sobe, sim, contudo, em determinado ponto segue uma ramificação para baixo, até as câmaras subterrâneas. Isso significa que uma parte da humanidade já estará trilhando um caminho que termina no abismo. A emissária das alturas supremas, a Rainha, terá de lidar, portanto, com seres humanos que visam o abismo. A câmara fechada indica que os ensinamentos e as advertências dela não penetrarão nos corações humanos, e que ela mesma sucumbirá numa prisão.

Além da Rainha – o país do seu destino situa-se em direção às ilhas – descerão antes do Juízo Final ainda dois enviados de alturas supremas. A permanência deles foi simbolizada por recintos altos e arejados.

De acordo com as medidas, o primeiro enviado virá quinhentos anos depois da Rainha, à Terra. A vinda do segundo enviado das alturas supremas ocorrerá num futuro mais remoto, daqui a quatro mil e quinhentos anos. Pela posição e direção dos salões, depreende-se que ambos os enviados viverão e atuarão naquela parte da Terra onde agora nos encontramos.

Pyramon afastou mais algumas pedras, indicando agora para um corredor baixo, que se tornara visível.

– Vedes, recomendou ele, que o teto desse corredor se abaixa de tal modo, que uma pessoa somente agachada pode passar por ele. O abaixamento encontra-se no corredor que sai do salão alto e arejado do segundo enviado. Isso indica algo horrível.

O corredor baixo, pelo qual os seres humanos somente podem passar agachados, encolhidos e sem enxergar nada, simboliza a perda da verdadeira dignidade humana. Esse infortúnio desencadear-se-á sobre a humanidade, depois da vinda do último enviado das alturas supremas.

A culpa que acarretará a perda da dignidade humana iguala-se a um pesado muro opressor que deverá calcar ao solo cada um.

O corredor, sim, novamente se torna mais alto, de movo que os que perceberam sua estreiteza e seu peso opressor, poderão respirar de novo um pouco. Nesse período de tempo até lhes seria possível reconhecer sua grave culpa, libertando-se dela. De que espécie essa grave culpa será, não sabemos, disse Pyramon, dirigindo-se a seus visitantes.

– Mas do caminho seguinte depreende-se que não houve nenhum reconhecimento. O teto abaixa-se mais uma vez. Agachados, com o olhar dirigido à Terra, e desligados de qualquer irradiação da Luz, devem os seres humanos prosseguir sua vida. Pyramon indicou para um ponto onde o corredor novamente se tornava mais alto.

– Daqui em diante os seres humanos novamente podem erguer a cabeça. E parece que nada mais pode impedir o prosseguimento de sua caminhada. Contudo, isto é um erro, pois, como vedes, levanta-se de repente uma parede, pondo fim ao caminho deles. Essa parede significa o fim do tempo de desenvolvimento humano. Daqui em diante só existe uma única saída. E essa conduz, quando o ser humano se vira para a direita, à sala do Juízo com o sarcófago aberto.

Pyramon virou-se. Não, ninguém tinha perguntas. Eles queriam que ele prosseguisse falando. Aliás, do Juízo, que todos intimamente temiam. Pyramon tirou uma parede, de modo que todos podiam ver a sala. Calados e com toda a atenção contemplavam o sarcófago aí existente. Eles tinham a impressão de que mesmo o pequeno modelo do sarcófago tinha algo de sinistro.

A execução sem acabamento da sala chamou a atenção do rei de Sabá, e ele perguntou por que assim era.

– Todas as outras paredes e pisos da Pirâmide são lisos e reluzentes. Mesmo o sarcófago parece não estar ainda pronto, disse ele com surpresa.

Pyramon respondeu, sorrindo, que a sala do Juízo, na pirâmide, tinha o mesmo aspecto que no modelo.

– Lá o piso também é desigual, as paredes são ásperas e o sarcófago dá a impressão de torto. Mas assim é intencionado, pois sabeis que tudo na pirâmide tem sentido profundo e duplo.

A sala do Juízo, também chamada câmara do Rei, é o símbolo da época do Juízo. Início e fim desse Juízo poderão ser reconhecidos pela altura em que a sala está situada dentro da pirâmide e pelas suas medidas. Mesmo nas medidas desiguais do sarcófago encerram um profundo sentido.

O piso desigual indica que na época do Juízo os seres humanos não mais terão sob os pés um solo liso e firme. A terra onde eles se locomovem não contém mais nenhuma segurança para eles. Não sabem o que o próximo passo lhes pode trazer.

Além, disso, para onde quer que olhem, deparam com paredes e um teto que pelo seu aspecto, igualmente, nada promete de bom. Resta apenas olharem para o sarcófago, cujo aspecto mais temem. Sentem-se presos num recinto, do qual não há uma fuga.

A época do Juízo não poderia ser transmitida mais impressionantemente do que através dessa sala. Para onde quer que o ser humano se volte, a insegurança e o medo serão sempre seus acompanhantes. Não pode fugir de si mesmo e de sua própria culpa. Além disso, as condições terrenas naquele tempo serão de tal maneira, que ele, quer queira, será lembrado da morte.

A sala do Juízo, porém, não encerra apenas a morte! Ela é grande. Dá suficiente espaço para as pessoas que nela se encontram, andarem eretas e se movimentarem livremente. A amplitude da sala indica que um enviado das alturas supremas – com este entende-se o próprio Regente do Universo – trará, durante o tempo do Juízo, uma mensagem que encerra segurança, saber e salvação aos seres humanos que ainda puderem assimilá-la. De certas medidas do sarcófago depreende-se, contudo, que será mínimo o número daqueles que aceitarão o ensinamento salvador.

Para esses poucos agraciados, a sala do Juízo bem como o sarcófago, não amedrontarão. Deparam, sim, por toda a parte, com um mundo feio e desequilibrado, e o caminhar no piso desigual também nem sempre será fácil.

Em contraste com os outros, carregados de culpas, que dentro de si e em seu redor somente enxergam coisas feias, os agraciados procurarão melhorar e embelezar o seu ambiente! Devido ao seu anseio de criar um ambiente harmonioso, quererão ajudar os outros, que apenas enxergam coisas feias, a fim de que também o ambiente interior deles se torne belo e equilibrado.

– E o sarcófago? perguntou o rei de Ma’in. Os agraciados também vêm o sarcófago! E esse indica para a morte!

– A morte não encerra pavor para os seres humanos que vivem dentro das leis do Regente do Universo! Pelo contrário! Sabem que a morte terrena significa para eles o nascimento num mundo mais belo e superior! disse Pyramon com convicção.

Todos concordaram com Pyramon. Todos eles desejavam de todo coração que também para eles a morte fosse o nascimento num mundo superior.

Pyramon pegou um dos rolos de couro branco que estavam na mesa e desenrolou-o, indicando para os sinais de escrita verdes e vermelhos que cobriam o couro.

– Colocamos setenta placas com sentenças instrutivas nos diversos compartimentos da pirâmide. Os sábios da Caldéia escreveram essas sentenças em couro e em finas chapas de cobre, mandando-as para cá. Aqui nós as transcrevemos em placas pesadas e as colocamos na pirâmide. A sentença de uma dessas placas que coloquei no sarcófago, diz:

“Sem terminar realiza-se o mistério da vida e da morte. O mistério da transformação e do renascimento! Aquele que durante a sua vida terrena se lembrar da morte, não precisa temer o Juízo, quando o fim chegar!”

– Repete essa sentença para nós, Pyramon, pediu um dos xeques. Ela me deu esperanças! A seguir Pyramon teve de repeti-la várias vezes ainda, pois cada um queria gravar as palavras exatamente.

Quando todos sabiam de cor a sentença, Pyramon disse que ele havia mencionado apenas algumas das muitas profecias apontadas na pirâmide. Mas eles podiam perguntar, se quisessem saber mais.

Depois de pensar algum tempo, um dos xeques levantou a mão, indicando para uma grande rachadura visível num dos blocos de pedra que formavam o teto.

Todos levantaram as cabeças e viram a fenda na pedra, a qual parecia perigosa.

– Quase parece como se o teto estivesse rachado, murmurou o rei de Sabá. Logo depois, porém, ele olhou sorrindo para Pyramon e perguntou o que isso significava.

– Um rachadura na construção tão perfeitamente executada, seguramente indica algum acontecimento!

Pyramon deu-lhe razão e olhou um momento para o teto, dizendo a seguir que essa rachadura indicava um acontecimento que ocorreria dois mil e quinhentos anos mais tarde.

– Deve tratar-se de um gravíssimo delito da humanidade, pois as respectivas profecias dizem que os efeitos disso serão sentidos até as alturas máximas.

– O trabalho dos gigantes é insuperável. Essa rachadura parece um corte na pedra, disse um dos visitantes com admiração.

– As salas e os corredores também apresentam fendas, aliás, somente perceptíveis àqueles que conhecem os lugares, recomeçou Pyramon. Hoje são apenas fissuras fina, não representando nenhum perigo de desmoronamento. Contudo, se as salas e os corredores, em cujas pedras se encontram essas fissuras, estiverem desmoronados até o fim dos tempos, então a respectiva profecia diz o seguinte:

“O Regente do Universo poderá entrar na pirâmide, certificando-se de que o serviço de seus servos fora bem feito. Se, porém, até a sua vinda, as paredes, em todos os lugares onde hoje existem as rachaduras estiverem gravemente danificadas e desmoronadas, então a destruição esperará os seres humanos. Eles mesmos terão destruído os caminhos que conduzem para cima. A Divindade abandonará a Terra, voltando para o seu céu e tristeza haverá em seu coração…”

As palavras dessa profecia desencadearam em todos um medo atormentador. Foi como se um pesado fardo se deitasse sobre eles. Por que estavam com medo? Eles seguramente não estariam entre aqueles que destruiriam os caminhos para cima… Mas também sabiam que tais angustiantes sentimentos intuitivos saíam do espírito, e que deviam dar atenção a eles… Mais tarde então iriam se ocupar com a causa desse medo inexplicável. Agora não havia tempo para isso, pois Pyramon já prosseguia falando. Ele tirara um pequeno bloco ao lado da entrada da sala do Juízo e dizia:

– Este lugar indica o início do Juízo. Aqui já nos encontramos no último século. No século do Juízo. Na placa encostada neste lugar, dentro da pirâmide, encontram-se gravadas as seguintes palavras:

“O dragão que levou a ordem universal ao desmoronamento, deslocando seu eixo, alcançou o ápice de seu poder. Todos os povos até aqui já traíram o seu Criador! Voluntariamente curvaram-se ao domínio do dragão, ao domínio da mentira! Aqui chegou o fim do dragão. O Juiz Universal venceu-o com sua lança, pondo-o fora de ação! A sagrada lança está então dirigida contra a humanidade! O sarcófago aberto está esperando!”

– Essas palavras não significam nada de bom para nós, disse o rei de Sabá, quando Pyramon calou. Soam sem esperança. Mas eu te agradeço, em nome de todos, por nos teres comunicado justamente essa profecia. Há anos nossos pensamentos rodeiam esta extraordinária construção! E eu acho que todos me darão razão, se eu agora digo que será bom para nós, termos medo daquilo que ainda está no futuro! Tanto mais nos acautelaremos agora, para não cometermos erros que talvez não mais possam ser resgatados até o Juízo…

Quando o rei de Sabá terminou, todos agradeceram a pYramon. Eles esperavam, de todo coração, que essas palavras significativas se gravassem tão profunda e duradouramente em suas almas, que eles também se lembrassem delas em vidas terrenas posteriores.

– Achas, Pyramon, que as palavras dessa pavorosa profecia ainda estarão tão vivas em nossas almas, em nossa última vida terrena, que possam penetrar até os nossos cérebros?… Pergunto a mim mesmo, se até lá elas ainda terão bastante força para fazer com que nos tornemos conscientes delas!

Fora o irmão de Pyramon que falara. Também os outros haviam formulado essa pergunta intimamente. O que Pyramon responderia?

– Não sei qual será o estado de nossas almas então, disse Pyramon, após sérias reflexões. Acho que ninguém poderá predizer isso agora… Aphek, o sacerdote-rei da Caldéia, ainda falará convosco sobre as profecias… talvez ele possa dar-vos alguns esclarecimentos sobre isso.

Um dos xeques que se ocupava com a astronomia, ainda quis saber como seriam as influências dos astros no começo do Juízo.

– Nossos sábios já agora estão observando movimentos sob forma de turbilhões em redor do sol. E do próprio sol eles viram conjuntos de chamas elevarem-se tão alto, que não podiam segui-las com os olhos… Dizem também que ainda muito longe, atrás do sol, está girando um cometa, o qual transformará, no fim dos tempos, nosso sol num mar de chamas. Viram também, várias vezes, o próprio senhor do sol. O aspecto dele, contudo, havia-os inquietado profundamente. O maravilhoso era quase irreconhecível, de tão envolto que estava de chamas vermelhas de ira… A ira dele dirigia-se contra os seres humanos. Os sábios não tinham uma explicação para isso.

Com alívio, Pyramon viu Salum parado na entrada. O muito falar deixara-o cansado. Agora não mais precisaria dar outros esclarecimentos. Ultimamente sentia cada vez mais necessidade de estar só. Os visitantes tinham vindo de tão longe. Não devia perder a paciência. Percebendo que eles hesitavam em seguir o convite de Salum, ele então perguntou amavelmente se alguém ainda queria saber algo…

Mal Pyramon havia pronunciado essas palavras, e um dos visitantes saiu do grupo, colocando-se diante dele.

Era um velho, de estirpe nobre, chamado por todos xeque Ibrahim. Ele pediu a Pyramon que lhe dissesse uma sentença que tratasse da morte.

– Minha última vontade de ver a pirâmide ainda se realizou, mas eu sei que o tempo de minha existência terrena está no fim. Só me restam as forças vitais para voltar a minha pátria. A sepultura que acolherá meu corpo, já está preparada.

Pyramon, de bom grado, satisfez o desejo do velho. Ele tirou um rolo de couro branco da pilha, desenrolou-o e leu os sinais de escrita que ele mesmo escrevera:

“A alma do justo elevar-se-á cheia de força do seu invólucro terreno. Ela será recebida por entes que jubilarão de alegria e será conduzida em uma canoa vermelha, que navega num rio comprido e fundo, para o país ensolarado das almas. Entes dos ventos impulsionam a canoa rapidamente para frente. A viagem parece curta e logo alcançam a margem do novo e luminoso país. Também no novo país a alma é recebida com júbilo, e grinaldas de flores de Ankham são oferecidas a ela. Ela chegou ao destino, e a nova vida no país das almas se inicia!”

O velho xeque ouvira essas palavras com uma expressão de felicidade no rosto. Contudo, somente quando Pyramon, a pedido dele, ainda as repetiu novamente, ele se retirou, deixando vagarosamente o pátio.

– Qual é o teor da sentença escrita na placa de bronze, ao lado da estrada? perguntou um outro xeque com interesse.

Pyramon tirou uma pequena e fina placa de cobre de uma prateleira e leu os sinais de escrita gravados nela ainda pelo próprio Sargon:

“Vós, seres humanos, que entrastes nesta construção perfeita, prossegui com profundo respeito! Pois esta obra perfeita é um gigantesco papiro coberto de muitos sinais de escrita, que contêm uma dupla revelação!

Aquele que quiser decifrar o segredo do papiro de pedra, deverá implorar primeiramente o auxílio dos eternos!

Aquele que procura perscrutar a sabedoria oculta na pedra, deve inclinar-se diante da grandeza da obra e esquecer seus próprios pequenos conhecimentos durante algum tempo!

Aquele que se torna consciente de que é apenas uma minúscula partícula no mundo, e de que outros muito maiores do que ele mesmo governam o mundo, mantendo-o em movimento, novamente fará parte, como outrora, dos iniciados, e será um escolhido na Terra!

Somente aquele que for pequeno na Terra e grande no espírito, decifrará o segredo das pedras falantes, pois somente esse caminhará na graça dos eternos!

Aquele, porém, que tece redes de mentira, turvando a verdade, revela com isso apenas que faz parte dos seres humanos caídos, que se ligaram às forças do mal já desde muito tempo. Sejam esses advertidos, pois os filhos de Osíris zelam até o fim, e eles destruirão cada malfeitor.

Os grandes no espírito sema bem-vindos com a saudação da paz da eternidade. Eles trazem o amor no coração e a eles será permitido ver a sagrada chama no cristal. Os filhos de Osíris pedem a bênção deles!”

Também essas palavras Pyramon teve de ler repetidas vezes, antes que eles se dessem por satisfeitos, pois tinham o mais ardente desejo de que essa palavras se gravassem em suas almas para sempre.

Antes de deixar o pátio, o rei de Ma’in disse que todos eles se preocupavam muito por causa do último Juízo.

– O que podemos fazer, para que reconheçamos logo o Juiz Universal, quando ele vier à Terra? Pelas profecias da pirâmide sabemos de sua vinda. Sabemos também em que época o Juízo acontecerá, e também quando estará consumado. E embora estejamos convictos de que nada nos poderá acontecer de mal, se sempre seguirmos a lei do Onipotente Criador, a inquietante preocupação de que nesse ínterim possamos cair nas redes habilmente colocadas pelas servas de Septu, não nos abandona.

Quando o rei terminou, todos olharam para Pyramon. Aliás, com a silenciosa esperança de que ele lhes pudesse dar um conselho nesse sentido.

Pyramon recolocou a placa de cobre na prateleira, dirigindo-se depois a seus visitantes e olhando para cada um. O que deveria ele responder? Todos eles estavam firmemente ligados com os mundos superiores da Luz. Nenhum deles precisava preocupar-se… De repente lembrou-se de Harpo. Essa lembrança atingiu-o como um golpe… Os rostos dos que estavam a sua frente confundiam-se diante de seus olhos e o solo sob seus pés parecia oscilar. O acesso de fraqueza passou tão rapidamente como viera. Além de seu irmão, o rei de Kataban, ninguém havia notado algo.

Pyramon dominou seu susto e seu atordoamento. Por que fora ele lembrado da horrível mulher? Pois não estava morto o que se relacionava a ela? Tão morto como ela mesma?

Os visitantes ficaram inquietos. Por que Pyramon ficava calado tanto tempo? Talvez ele não pudesse entender a preocupação deles.

Somente reunindo toda sua força de vontade, Pyramon pôde novamente voltar a atenção aos seus visitantes. Ele já se havia considerado muito superior e inviolável, e agora caíra de sua altura imaginada.

– Posso compreender as vossas preocupações, pois elas também são minhas! disse ele finalmente. Contudo, não vos posso dar nenhum conselho. Oh! sim… de repente um sorriso libertador iluminou o seu rosto. Ele viu Tahia e Kina, que, despercebidas, haviam entrado no pátio. Logo depois apareciam também Chatna e Lachis com um grupo de mulheres, que, curiosas, investiram para dentro do pátio.

– Oh! sim, começou Pyramon de novo, pois existem também mulheres que vivem e atuam afastadas dos charcos de vícios. Essas mulheres possuem um poder que desperta o bem em cada um que chega em contato com elas. Nós todos apenas podemos pedir e esperar que nossos guias espirituais nos conduzam, na época do Juízo, àquelas mulheres, cuja total aspiração esteja dirigida rumo à Luz. E se formos de boa vontade, também acontecerá!

Essas palavras de Pyramon desencadearam uma alegria geral. Algo melhor do que uma mulher ligada a mundos superiores ninguém poderia desejar! Eles circundaram Pyramon, agradecendo-lhe a paciência e a atenção que ele lhes dispensara.

– Transmitiremos tuas palavras a nossos filhos e seus descendentes, para que eles também possam tirar proveito de tua sabedoria!

Depois dessa palavras eles deixaram o pátio, para ceder lugar às mulheres.

Fonte: A grande pirâmide revela seu segredo, Roselis von Sass, Ordem do Graal na Terra, 13 Edição, 1991, Embu-SP, pp. 283-296.

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A Grande Pirâmide

Publicado por: luxcuritiba em abril 19, 2008

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Heródoto, o historiador grego, apesar de haver criticado bastante o o Egito e seus habitantes, deixou para a humanidade uma documentação surpreendente e preciosa.

“Keóps”, escreve ele “deixou atrás de si uma obra colossal, sua pirâmide. Dizia-se que até o reinado do Faraó Ramsinitos era o Egito muito próspero e bem governado. Keóps, que sucedeu a Ramsinitos, fez com que todos os egípcios trabalhassem para ele. Uns foram encarregados de transportar até o Nilo as pedras extraídas das canteiras dos montes da Arábia; outros deviam carregá-las em barcos para cruzar o rio e arrastá-las desde os montes da Libia. Havia sempre cem mil homens trabalhando, cuja troca se dava a cada três meses. Dez anos foram gastos para ser construído o caminho que devia servir para transportar as pedras e foi aquela uma obra que nada tinha a dever às próprias pirâmides.

Media a estrada cinco estádios (923,50 metros). Estava construída com pedras polidas nas quais se haviam gravado figuras de animais. Somando-se a isto, tiveram que trabalhar dez anos para terminar a calçada, construir as câmaras subterrâneas que deviam servir de tumba. A construção da pirâmide mesmo necessitou de vinte anos de trabalho. Era quadrada. Cada uma de suas faces mede 8 pletos (246,26 metros) e tem a mesma medida de altura. As pedras são polidas e unidas com cuidado, sendo que nenhuma delas mede menos de 30 pés (9,24 metros)”.

O relato de Heródoto sobre a construção da grande pirâmide nos proporciona indicações muito precisas, desde os caracteres típicamente egípicios, até as somas pagas para a construçaõ daquele estranho edifício. E assim prossegue ele: Esta pirâmide foi primeiramente construída em forma de grande escada, composta pelo que alguns chamam de almenas e outros de gradas. Depois de ser-lhe dado esta primeira forma, levantaram-se as outras pedras por meio de Máquinas (Heródoto não descreveu o tipo de máquina a que se referiu) feitas de madeira cortada. Uma vez levantada a pedra até a primeira grada, colocava-se uma outra máquina que ali se encontrava com a qual se levantava até a segunda grada, e assim sucessivamente de grada em grada, pois havia tantas máquinas quantas gradas. O imporatante era a máquina, fácil de transportar, que era trasladada de um piso a outro depois de desarmada. Indicamos ambos procedimentos, pois assim nos foi relatado. A pirâmide leva inscrições que indicam em caracteres egípicios quantos rábanos, quantas cebolas e quantas de alho se gastaram para com os trabalhadores, e se bem recordo as palavras do intérprete que traduzia as inscrições, a soma alcançou seis mil talentos de prata, o que equivale a 41.884 quilos de metal. Se isto for verdadeiro, quantos mais talentos de prata se terão gastos para alimentar e vestir os obreiros?

Quatro séculos depois de Heródoto, o historiador Diodoro da Sicília (século I a.C.) visita o Egito e também se acorre as pirâmides que se conta entre as sete maravilhas do mundo. Igualmente ao seu predecessor, Diodoro de Sicilia se admira frente aos monumentos. “Tenho que reconhecer”, disse, “que estes monumentos são mais importantes do que tudo que se pode ver no Egito, não só pela magnitude de sua massa e das somas que foram gastas, senão também por sua beleza”.

Diodoro da Sicilia nos dá em seguida sua versão da construção das pirâmides. Seu relato fala também de três pirâmides, que representa como o conjunto funerário da IV Dinastia, do qual a Grande Pirâmide é seguramente o elemento mais importante e prestigioso, porém impossível de ser estudada e entendida fora deste contexto.

Tal como Heródoto, Diodoro de Sicilia estima em seis mil talentos a soma gasta em rábanos, cebolas e cabeças de alho para os trabalhadores da grande pirâmide. Porém, contráriamente a Heródoto não crê que os monumentos sejam as tumbas dos Faraós, os quais, em sua opinião, estão sepultados em lugares escondidos e secretos.

Todos os grandes escritores da antiguidade, assim como Heródoto e Diodoro de Sicilia têm ficado igualmente impressionados pela originalidade e pela beleza dos monumentos funerários egípcios.

Chegando-se em Gizé, o espetáculo que se oferece aos olhos do visitador é um dos mais harmoniosos criados pelo ser humano. Há um refrão egípcio que diz: “Todo o mundo teme ao tempo, porém o tempo teme às Pirâmides”.

A Grande Pirâmide tem sido motivo de estudos, interpretações, fonte de inspiração para crédulos e incrédulos; místicos e não místicos especulam o seu por que e para que. Isto tem dado motivação e impulsionado muitos a sobre ela escrever, investigar, pesquisar, enfim, buscar decifrar o seu sentido, a sua causa, os seus autores e até mesmo se os seus projetistas pertenceram ou não a este mundo.

A transcrição que se segue é bem reveladora do interêsse despertado pela Grande Pirâmide, pelos mistérios que a mesma encerra:

“No início de 1985, após alguns dias de mergulho no mar Vermelho, ao largo da costa egípcia, dois arquitetos franceses foram conhecer a Grande Pirâmide em Gizé. Ao examinar a enorme estrutura, notaram que diversos detalhes arquitetônicos simplesmente não faziam sentido. Alguns dos imensos blocos de pedra, por exemplo, foram colocados verticalmente, e não em sentido horizontal como os outros. Em certas partes da pirâmide, curiosos blocos irregulares sobressaem meio à pedra calcária polida. Assim como gerações de visitantes das pirâmides, os arquitetos Gilles Dormion e Jean-Patrice Goidin ficaram cativados pelo grande monumento. E também, como muitos outros, acharam que podiam desvendar seus enigmas. As anomalias estruturais, deduziram os franceses, eram indícios de câmaras ocultas e ainda inexploradas, no interior da pirâmide. Eles achavam que uma dessas câmaras secretas talvez até abrigasse os despojos do faraó Quéops, e que poderiam, assim, solucionar uma das eternas questões sobre a pirâmide: onde está o corpo para o qual ela supostamente foi construída?

Dormion e Goidin dispunham de significativa vantagem tecnológica em relação a investigadores anteriores. Após inúmeras visitas exploratórias às galerias internas, eles retornam em agosto de 1986 com um microgravímetro, um sofisticado aparelho capaz de registrar vazios de densidade, ou cavidades no interior da pirâmide. E, por trás das paredes de uma galeria que levava a um aposento conhecido como Câmara da Rainha, o aparelho detectou os vazios previstos pelos arquitetos. Encorajados por esse resultado, os dois conseguiram permissão do governo egípcio para perfurar a antiga parede de calcário.

Durante dias, os arquitetos e seus auxiliares trabalharam nos apertados corredores da pirâmide, perfurando cerca de dois metros em três locais diferentes. Mas tudo que descobriram foram bolsões de areia cristalina. O microgravímetro podia indicar a presença de cavidades na estrutura da pirâmide, mas não era capaz de determinar sua localização exata. As câmaras secretas, se existem, permaneceram ocultas. A Grande Pirâmide frustrara mais uma tentativa no longo e fascinante esforço de solução de seus perenes enigmas.

Desde a época dos gregos clássicos, os homens contemplam esse último sobrevivente das sete maravilhas do mundo antigo e se colocam questões que não conseguem responder. Como ela foi construída? Se era uma sepultura, como em geral se supôs, por que jamais foram encontraram símbolos ou objetos da realeza – para não falar do corpo do faraó? Se não era uma tumba, então para que foi erguida? E de que modo foi construída? Como, dadas as técnicas de construção da época, explicar a extraordinária exatidão de sua estrutura, seu alinhamento quase perfeito em relação aos pontos cardeais, a elegante precisão de sua alvenaria? Se o projeto da pirâmide incorpora avançados conhecimentos matemáticos e astronômicos, conforme muitos estudiosos acreditam, como foi que os egípcios adquiriram tal sabedoria antes de outras civilizações? Poderia o enigmático edifício ser a chave para algum tipo de poder místico desconhecido pela ciência moderna?

Não foram poucos os arqueólogos, astrônomos, estudiosos da religião e diletantes que discutiram tais questões ao longo dos séculos. Enquanto os arqueólogos que estudam as pirâmides apenas como artefatos históricos, os outros investigadores podem, em geral, ser classificados em três linhas de pensamento. A primeira, e mais comum, argumenta que a pirâmide representa um sistema universal de medida, que suas próprias dimensões expressam medidas arquetípicas de extensão e até mesmo de tempo. No século XIX, um grupo dissidente de estudiosos deu origem à segunda escola, que privilegia as extraordinárias propriedades da pirâmide enquanto gigantesco relógio solar e observatório astronômico. Os “arqueo-astrônomos” defendem à concepção de que os construtores das pirâmides possuíam conhecimentos de astronomia e das dimensões da Terra muito superiores ao que se possa imaginar.

Com a continuação do fascínio pelas pirâmides, surgiu no século XX uma terceira escola, muito mais especulativa, que se concentrou na própria forma da pirâmide e em seus efeitos físicos sobre seres vivos e objetos inanimados. Esses pesquisadores afirmam que a forma de pirâmide pode, de algum modo, ajudar no crescimento de plantas, manter os alimentos frescos por mais tempo e até mesmo reconstituir o fio de lâminas de barbear. Outros tentaram explicar os conhecimentos matemáticos supostamente inscritos na forma das pirâmides imaginando que seus construtores tivessem vindo da desaparecida Atlântida, ou té mesmo de outros planetas, ou de ambos. A pirâmide mantém-se em obstinado silêncio.

A pirâmide de Quéops ergeu-se em sua enigmática majestade no planalto rochoso de Gizé, 16 quilômetros a oeste do Cairo. Através de acácias, eucaliptos e tamarineiras que ornamentam o bulevar que dá acesso ao planalto, ergeu-se no terreno plano e varrido pelo vento à margem do deserto Líbio, de modo abrupto e dramático, uma assombrosa montanha de pedra cor-de-areia dominando os luxuriantes palmeirais junto ao Nilo. Em épocas passadas, as caravanas que vinham pelo deserto avistavam a pirâmide dias antes de alcançarem-na, um minúsculo triângulo no horizonte tornando-se cada vez maior em sua simétrica perfeição. A pequena distância, sua imponência é esmagadora. Os números dão uma pálida idéia de sua imensidão – a base ocupa uma área de 53 mil metros quadrados e a estrutura é composta de cerca de 2,3 milhões de blocos de calcário, cada um pesando 2,5 toneladas. Com a pedra usada em sua construção seria possível erguer um muro com blocos de 90 centímetros cúbicos, suficiente para cobrir dois terços da linha do Equador, totalizando 26 mil quilômetros.

A Grande Pirâmide e as duas outras existentes no mesmo local – atribuídas aos sucessores imediatos do faraó Quéops – foram erguidas durante o período da história egípcia conhecido como IV Dinastia, entre 2613 e 2494 a.C. Os egiptólogos acreditam que Quéops (assim o chamavam os gregos; seu nome egípcio era Khufu) mandou construir o imenso edifício para que servisse de sepultura e monumento a si mesmo. A camada externa era originalmente composta de blocos de calcário polido, encaixados uns nos outros com apurada precisão, mas esse invólucro de pedra foi retirado no século XIV e usado na construção do Cairo. Em algum momento na história, a pedra original do topo, que acrescentava 9 metros à altura da pirâmide, também foi removida.

Com base em seus conhecimentos acerca da religião egípcia, os egiptólogos afirmam que a forma da pirâmide estaria associada ao culto do sol. As laterais inclinadas, dizem eles, assemelham-se à difusão dos raios solares ao alcançarem a Terra a partir de uma nuvem e, por isso, a pirâmide representaria uma escada para o céu. Alguns estudiosos do antigo Livro Egípcio dos Mortos, como o escritor ocultista moderno Manly P. Hall. sustentam até mesmo que a pirâmide proporciona mais do que uma passagem simbólica para os domínios celestiais. segundo Hall, o edifício era um templo secreto onde os eleitos passavam por um ritual místico que os tornava divinos. Os iniciados permaneciam durante três dias e noites no interior da pirâmide enquanto seus ka – almas ou essências – deixavam os corpos e entravam nas “esferas espirituais do espaço”; assim “alcançavam a verdadeira imortalidade” e tornavam-se iguais aos deuses.

Em um plano mais terreno, restam muitas dúvidas sobre o modo como, em uma época sem roldanas ou mesmo rodas, foi construída a maciça pirâmide. Os arqueólogos, contudo, propuseram uma explicação geral: os construtores aplainaram de algum modo o local e em seguida delimitaram os lados da pirâmide baseando-se na observação das posições das estrelas circumpolares. Nas pedreiras situadas a poucos quilômetros, os pedreiros cortavam o calcário com martelos de pedra e cinzéis de cobre. Grupos de centenas de homens arrastavam os blocos até o local da construção; o granito usado em algumas partes internas foram trazidos de balsa, pelo Nilo, de um lugar a 640 quilômetros. Para erguer os blocos de várias toneladas pelas laterais da pirâmide, os construtores podem ter usado uma rampa de terra em espiral, embora alguns especialistas acreditem que tenham usado alavancas para mover algum tipo de elevador. Os blocos eram em seguida encaixados com precisão milimétrica, demonstrando uma habilidade que impressiona os engenheiros contemporâneos.

Muitos estudiosos duvidaram que uma estrutura tão imponente quanto a Grande Pirâmide – um milagre de engenharia, um prodígio de décadas de trabalho estafante – tivesse sido construída para abrigar uma única múmia de faraó. Explicações alternativas foram propostas desde antes da era cristã. O historiador romano Júlio Honório afirmou que as pirâmides serviam para armazenar cereais. (Outro escritor da Antigüidade achava que eram vulcões extintos). Os árabes, que dominaram o Egito durante séculos, pensavam que fossem repositórios de conhecimentos antigos construídas por reis que temiam uma catástrofe, talvez o dilúvio; os contos populares da região diziam que na Grande Pirâmide estavam gravados um guia para as estrelas e uma profecia do futuro. A superstição dava origem a lendas; segundo os árabes, fantasmas assombravam os corredores e uma mulher nua com dentes estragados seduzia os invasores levando-os à loucura.

O historiador grego Heródoto foi o primeiro a registrar de modo sistemático informações sobre a Grande Pirâmide. Heródoto visitou Gizé no século V a.C., quando o monumento já existia há 2 mil anos, e descreveu sua construção com base nas conversas que manteve com os egípcios. Impossibilitado de penetrar no interior do edifício (a entrada estaca escondida), aceitou a explicação de seus informantes de que a pirâmide era uma sepultura construída para o tirânico Khufu. A câmara mortuária do rei, disseram eles ficava no subterrâneo.

De acordo com Heródoto, 100 mil homens trabalharam na pirâmide, com novas turmas de operários sendo convocada a cada três meses. Eles construíram a estrada entre o rio e o planalto em dez anos; outros vinte foram necessários para completar a pirâmide. Os engenheiros ergueram, passo a passo, os gigantescos blocos pelas laterais da estrutura utilizando “máquinas feitas de curtas tábuas de madeira”. Heródoto não especificou o modo de funcionamento de tais máquinas. Também disseram a ele que os blocos de revestimento externo foram colocados do topo para a base, após o término da estrutura interna. As pedras, polidas e brilhantes, eram recobertas de inscrições – perdidas quando os blocos foram removidos para o Cairo. Heródoto interessou-se pela Grande Pirâmide principalmente enquanto projeto de engenharia. Mas o estudioso seguinte da pirâmide abordou o monumento de uma perspectiva diferente e introduziu o que se tornaria um tema constante: a busca dos conhecimentos matemáticos à disposição dos antigos.

Um califa árabe do século IX, Abdullah Al Mamun, jovem governante de espírito científico com interesse pela astronomia, sonhava fazer um mapa do mundo e outro das estrelas. A pirâmide atraiu sua atenção quando ouviu dizer que as câmaras secretas do monumento continham mapas e tabelas altamente preciosos, compilados pelos construtores. Para os companheiros do califa, talvez atraísse mais a notícia de um grande tesouro escondido no interior da pirâmide.

Historiadores árabes posteriores registraram a dramática história de como o califa e sua equipe de arquitetos, construtores e pedreiros realizaram sua exploração em 820 d.C. Incapazes de encontrar a entrada do edifício, optaram por um ataque direto, aquecendo com fogos o bloco de calcário e em seguida encharcando-os com vinagre frio até racharem. Após abrirem um túnel de 30 metros na rocha, os exploradores por fim alcançaram um estreito corredor de um metro de altura, que subia de maneira íngreme. Na extremidade superior, encontraram a entrada original da pirâmide, 15 metros acima do nível do chão, bloqueada e escondida por uma porta rotatória de pedra. Então, os homens do califa desceram pela galeria original. Depois de se arrastarem de cócoras por uma escuridão de breu, encontraram apenas uma câmara vazia e inacabada. Se havia algum texto secreto ou tesouro do faraó, estavam em outra parte.

A excitação voltou, contudo, quando os homens de Al Mamun desceram pelo corredor e descobriram o que parecia ser uma outra galeria ascendente. Infelizmente, a entrada estava completamente fechada por um enorme bloco de granito, obviamente colocado ali de propósito. O granito era um obstáculo intransponível aos martelos e cinzéis, mas os obstinados árabes descobriram que podiam escavar os blocos de calcário em torno do granito. No entanto, assim que conseguiram ultrapassá-lo, encontraram outro obstáculo de granito e, depois, vários outros. Alguém tomara muito cuidado para evitar que intrusos penetrassem no interior da pirâmide.

Após penosamente abrirem caminho pelos blocos de granito, alcançaram um corredor de teto baixo que subia até cruzar uma galeria nivelada. Esta levou-os a um aposento de teto inclinado, com 6 metros de altura e 6 metros quadrados de área, que depois seria conhecido como a Câmara da Rainha (por causa do costume árabe de enterrar as mulheres em sepulturas com tetos inclinados). Nenhuma rainha foi encontrada e a câmara estava completamente vazia. Extenuados, os árabes retornaram à galeria ascendente e descobriram que ela abruptamente transformava-se em um esplêndido corredor, cujas paredes de calcário polido, com 8,5 metros de altura, receberam mais tarde o merecido nome de Grande Galeria. Ainda subindo, a galeria prolongava-se por mais 50 metros antes de desembocar em uma antecâmara; depois dela estava o maior aposento no interior da pirâmide, uma imponente sala com cerca de 10 metros de comprimento, 5 de largura e quase 6 de altura – mais tarde batizada de Câmara do Rei.

Al Mamun e seus assistentes entraram animados no salão, sem dúvida certos de encontrarem o prêmio fabuloso pelo qual haviam trabalhado tão duro. E ali, junto a uma parede de granito vermelho, eles o viram – um grande sarcófago de pedra marrom, tão grande que a câmara devia ter sido construída em torno dele. Empunhando as tochas, correram para ver o que havia no interior. Não encontraram nada. O sarcófago estava vazio. Terrivelmente desapontados, os árabes arrebentaram parte do assoalho e golpearam as paredes, esperando encontrar algum indício do tesouro. Al Mamun concluiu que o sarcófago sempre estivera vazio, ou que saqueadores haviam pilhado a sala muito tempo antes. Mas se intrusos estiveram antes na câmara, uma questão simples permanecia sem resposta: como conseguiram passar pelos blocos de granito que deram tanto trabalho ao califa e seus homens?

Oito séculos se passaram antes do passo seguinte na busca dos conhecimentos inscritos na pirâmide. Durante esse período, a Europa saiu da Idade Média e iniciou uma era de expansão e conquista do mundo. Aventureiros, mercadores e estadistas estavam igualmente limitados por sua ignorância da geografia mundial e pela inexistência de um sistema único de pesos e medidas. A fim de solucionar isso, os estudiosos voltaram-se – como faziam com frequência – para a Antigüidade, na esperança de encontrar alguma unidade de medida esquecida, que se baseasse no conhecimento preciso das dimensões da Terra.

Com esse objetivo, o matemático britânico John Greaves visitou o Egito em 1638. O erudito de 36 anos passara a maior parte de sua vida em ambientes universitários, primeiro em Oxford e, depois, como professor de geometria no Gresham College, em Londres. Mas os livros, descobriria Greaves, não substituíam a experiência. Ele foi à Itália, onde mediu os monumentos romanos a fim de descobrir o lendário pé romano (uma fração de polegada menor que o pé britânico, concluiu) e depois a Gizé.

Greaves acreditava, assim como o califa Al Mamun, que os construtores da pirâmide haviam tido aceso a conhecimentos geométricos que depois se perderam. Na esperança de descobrir a unidade de medida empregada, Greaves galgou o monte de entulho com 12 metros de altura que se acumulara junto à base e, munido de seus instrumentos, entrou na pirâmide pela abertura feita por Al Mamun. A primeira coisa que encontrou foi uma nuvem de morcegos, que dispersou disparando uma pistola. Em seguida, arrastou-se ao lado dos blocos de granito como os árabes haviam feito, mediu cuidadosamente a Câmara do Rei e o sarcófago (1,97 metro, o que indicou a Greaves que as dimensões humanas não haviam se modificado) e observou maravilhado a exatidão do trabalho de alvenaria.

Sua principal descoberta, todavia, foi um estreito poço que mergulhava nas trevas a partir do assoalho da Grande Galeria. Seria ele uma saída utilizada pelos construtores após terem colocado no lugar os blocos de granito? Uma passagem aberta por saqueadores? Greaves nunca descobriu; os morcegos e as atmosfera insalubre forçaram-no a desistir do reconhecimento do poço após ter descido 18 metros. Encerrou seus estudos concluindo que a pirâmide media 146 metros de altura e tinha 211 metros de lado, na base; esta última estimativa revelou-se depois incorreta. Retornou à Inglaterra, onde publicou um livreto eruditamente intitulado Pyramidographia. O matemático não encontrara a unidade básica de medida que procurava, mas seu livreto, com as medidas e a descrição da pirâmide, chamou a atenção de alguns dos maiores sábios da época.

Por exemplo, William Harvey, o descobridor da circulação do sangue, deduziu corretamente que Greaves deixara de pesquisar um possível sistema de ventilação no interior da pirâmide (descoberto por exploradores posteriores); o fisco Sir Isaac Newton utilizou os números apresentados por Greaves para deduzir medidas que chamou de cúbitos sagrados e profanos. Newton tinha esperança de que tais unidades básicas ajudassem-no a calcular a circunferência da Terra, um valor numérico fundamental para sua teoria de gravitação. Infelizmente os números de Greaves não eram preciosos o suficiente para tal finalidade e Newton precisou aguardar alguns anos até que outros determinassem o comprimento de um grau terrestre.

O assalto seguinte às pirâmides foi literalmente um ataque militar. Em julho de 1978, as disciplinadas tropas francesas sob o comando do general Napoleão Bonaparte derrotaram soldados egípcios armados de cimitarras na sanguinolenta batalha das Pirâmides. E não demorou muito para que o jovem Bonaparte lançasse um ataque contra os segredos da Grande Pirâmide por meio dos cientistas franceses que acompanhavam seu exército.

Os sábios ficaram intrigados por muitas das mesmas questões sobre a pirâmide e seus construtores que haviam fascinado John Greaves mais de um século e meio antes. O estudante mais interessado nos segredos da pirâmide era um jovem cientista chamado Edmé-François Jomard, que vasculhara a escassa e pouco confiável literatura sobre o assunto acumulada ao longo do século. Do mesmo modo que Greaves, estava particularmente ansioso para determinar a unidade de medida empregada pelos construtores e descobrir se estava baseada nas dimensões da Terra – como o era o sistema métrico então recentemente adotado pelos revolucionários franceses. (O metro foi então definido como 1/10.000.000 do quadrante da circunferência terrestre, do Pólo Norte ao Equador.)

Jomard e seus colegas logo desistiram da tentativa de investigar o interior da pirâmide ao depararem com enormes montes de guano depositado por morcegos. Os furiosos animais, relatou um coronel francês, “arranhavam com suas garras e sufocavam com o ácido fedor de seus corpos”. Impossibilitados de seguir adiante, os sábios concentraram-se na parte externa da pirâmide. Auxiliados por uma turma de 150 operários turcos, removeram toneladas de areia e entulho das extremidades noroeste e nordeste; com isso, descobriram duas depressões retangulares no leito rochoso, onde se apoiavam os alicerces originais, removidos séculos antes. Esta descoberta proporcionou-lhes dois bons pontos de referência para a medição da base da pirâmide, embora tal tarefa ainda fosse dificultada pela acumulação de entulho ao longo do lado norte. Jomard mediu primeiro um dos lados da base: 230,9 metros. Em seguida, escalou penosamente a pirâmide até chegar ao que restara do topo, uma plataforma de 13 metros quadrados, de onde tentou, em vão, lançar uma pedra além do perímetro da base. Ao descer, mediu a altura de cada degrau. Altura total: 146,6 metros. Com estes números, Jomard calculou o ângulo de inclinação da pirâmide – 51º 19’ – e seu apótema, ou seja, a linha que une o ápice ao ponto mediano de cada um dos lados da base, cujo valor era 184,7 metros.

O jovem cientista sabia que autores antigos haviam atribuído ao apótema o valor de um estádio. Também sabia que o comprimento de um estádio – uma unidade de medida fundamental na Antigüidade – estava supostamente associado à circunferência da Terra. O valor que obtivera para o apótema, portanto, era um número de grande importância. A seguir, Jomard voltou sua atenção para o cúbito, outra antiga medida de comprimento. Segundo Heródoto, um estádio equivalia a 400 cúbitos; assim, o francês dividiu o valor do apótema por 400, obtendo como medida do cúbito 0,4618 metro. Outros autores gregos haviam afirmado que a base da Grande Pirâmide media 500 cúbitos de lado. Quando Jomard multiplicou 0,4618 por 500 obteve o resultado de 230,9 metros, exatamente o valor que encontrara ao medir o lado da base. O significado disto era claro para Jomard: os egípcios possuíam avançados conhecimentos de geometria. Conhecendo as dimensões da Terra, deduziram suas unidades de medida a partir da circunferência terrestre e registraram tais conhecimentos na Grande Pirâmide. A prova estava nas pedras.

Infelizmente para Jomard, medições feitas com instrumentos pouco precisos em meio aos bancos de areia móveis do deserto podiam ser bastante inexatas. A tarefa de medir a pirâmide era complicada devido aos deslocamentos de areia causados pelos ventos e ao entulho que se acumulava em enormes montes ao redor do monumento. Era preciso um grande trabalho de escavação apenas para aproximar-se da base. Não surpreendeu, portanto, que os colegas de Jomard, ao refazerem as medições da base e da altura, chegassem a resultados ligeiramente diferentes. Além disso, concluíram, nenhuma evidência do cúbito de Jomard podia ser encontrada em outras antigas construções egípcias. No final, os sábios franceses recusaram-se a abandonar a idéia de que haviam sido os gregos, e não os egípcios, os fundadores da ciência da geometria. Quando retornaram à França e publicaram um minucioso relatório de 24 volumes sobre suas descobertas (inclusive a Pedra de Rosetta, chave que permitiu decifrar os hieróglifos egípcios), as concepções obstinadamente defendidas por Jomard não tiveram repercussão.

A expedição francesa e os relatos sobre ela divulgados na Europa provocaram uma explosão de interesse pela civilização egípcia. Os europeus do século XIX ficaram apaixonados pelo Egito: os museus disputavam múmias, estátuas e obeliscos; os artistas pintavam pirâmides em paisagens bucólicas; os criadores dos estilos Império e Regência lançavam mão de temas egípcios; e os aristocratas mandavam entalhar esfinges e crocodilos em seus móveis. Ao morrer, o nobre escocês Alexander, décimo duque de Hamilton, foi ele próprio mumificado.

O tema das pirâmides difundiu-se exatamente na época em que a sociedade européia, especialmente a sociedade vitoriana inglesa, entrava em um período agitado e a ciência moderna parecia ameaçar as crenças religiosas tradicionais. Em reação a isso, alguns eruditos religiosos utilizaram as misteriosas construções egípcias como prova da presença da mão divina no mundo. O primeiro grande defensor dessa teoria foi um editor e crítico londrino chamado John Taylor. Taylor era um homem erudito profundamente religioso, um grande conhecedor das Escrituras, da matemática, da astronomia e da literatura. Após começar a vida como aprendiz de livreiro, Taylor chegara na década de 1820, a editor da London Magazine; seu círculo de conhecidos incluía os poetas John Clare e John Keats. Porém, ele acabou “espantando a metade de seus amigos”, segundo um deles, por causa de sua obsessão, que se prolongaria por trinta anos, pelo mistério da Grande Pirâmide.

Taylor nunca visitou o Egito; em vez disso, construiu um modelo da pirâmide em escala a fim de realizar seus estudos. Descartando a hipótese de a pirâmide ser apenas uma sepultura, Taylor debruçou-se sobre os números obtidos por Jomard e outros em busca de um princípio unificador. Para sua surpresa, descobriu que, ao dividir o perímetro da pirâmide pelo dobro de sua altura, o resultado era um número quase idêntico ao valor de pi (3,14159…), a constante pela qual se multiplica o diâmetro de um círculo para obter sua circunferência. Para Taylor, esta era uma descoberta promissora: se os construtores da pirâmide tinham conhecimento do pi, que havia sido calculado corretamente até a quarta casa decimal apenas no século VI de nossa era, o que mais eles sabiam? No mínimo, concluiu, sabiam o valor da circunferência do globo e, também, a distância de centro da Terra aos pólos. Usando o pi como elo de ligação, Taylor calculou que a relação entre a altura da pirâmide e seu perímetro era igual à existente entre o raio polar da Terra e sua circunferência, ou seja, dois pi. Longe de ser uma simples câmara mortuária, concluiu Taylor, a pirâmide trazia inscrita em sua estrutura a sabedoria dos antigos egípcios. “Ela foi construída para ser um registro das medidas da Terra”, afirmou.

No entanto, Taylor não acreditava que os sábios egípcios da IV Dinastia estivessem de posse dos conhecimentos gravados na pirâmide. Esses conhecimentos deviam ter vindo de Deus. “É provável”, escreveu ele, “que, nas épocas iniciais da sociedade, o Criador tenha proporcionado a alguns indivíduos certo grau e poder intelectual, que os levou muito acima do nível dos posteriores habitantes da Terra. “Deus instruíra os construtores de pirâmides do mesmo modo que orientara Noé para a construção da Arca, escreveu Taylor, segundo o qual a humanidade havia degenerado intelectualmente desde então. Taylor estava com 78 anos quando seu livro A Grande Pirâmide: Por Que foi Construída? Quem a Construiu? foi publicado em 1859. Embora suas teorias fossem bem recebidas em alguns círculos, a Sociedade Real recusou-se polidamente a ouvir uma palestra que ele preparara sobre o assunto. Contudo, antes de morrer, poucos anos mais tarde, Taylor conquistaria pelo menos um adepto influente – o astrônomo-real da Escócia, Charles Piazzi Smyth.

Intelectual e socialmente, Smyth superava Taylor: era filho de um almirante e afilhado do renomado astrônomo italiano Giuseppe Piazzi, o primeiro a descobrir um asteróide. Chegara ao posto de astrônomo-real da Escócia com apenas 26 anos; doze anos depois, um importante ensaio sobre óptica levou-o a ser eleito membro importante da Sociedade Real de Edimburgo, uma honraria cobiçada por todos os cientistas. No entanto, a piramidologia, dificilmente o assunto popular na Sociedade Real da época, acabou dominando sua carreira profissional. Fascinado por Taylor, Smyth abraçou a causa do editor moribundo com um ardor que, como no caso de Taylor, era científico e religioso, além de conter uma parcela de patriotismo. Convencido de que a unidade básica de medida era a por ele denominada polegada piramidal, identificou essa distância como sendo 1/25 de um cúbito, praticamente o mesmo valor de uma polegada britânica. Esta foi uma contribuição oportuna à campanha empreendida pelos cientistas britânicos contra a adoção do sistema métrico decimal elaborado pelos franceses, uma proposta vista por Smyth com sobressaltos nacionalistas.

No final de 1864, o astrônomo – que estava com 45 anos – foi ao Egito, acompanhado de sua mulher, para fazer o que Taylor não havia feito: realizar suas próprias medições e levantamentos. Equipado com os instrumentos mais modernos, inclusive uma câmara, o casal montou seu acampamento em uma tumba abandonada na parede de um rochedo, de onde viam nuvens de morcegos saindo da pirâmide ao anoitecer.

Smyth passou várias noites no topo do monumento, fazendo observações astronômicas que mostraram estar a pirâmide situada a minutos dos 30º de latitude norte. Também observou que a sombra desaparecia completamente no equinócio da primavera e concluiu que isto indicava um avançado conhecimento de astronomia. Suas medições do exterior da pirâmide resultaram em números próximos ainda mais de pi do que os números de Taylor, chegando à quinta casa decimal.

Smyth concordava com Taylor quanto a idéia de que a Grande Pirâmide preservara antigos conhecimentos científicos. As medidas incorporadas em sua estrutura eram “comensuráveis à Terra de maneira mais sábia e admirável”, escreveu ele, “que qualquer outra coisa jamais concebida pelo espírito do homem”. Smyth foi ainda mais longe do que Taylor, afirmando que também medidas de tempo estavam incorporadas na construção da pirâmide. Segundo o astrônomo, o perímetro da estrutura, em polegadas piramidais, era equivalente a mil vezes 365,2 – o número de dias em um ano solar. Com assombrosos conhecimentos físicos, os construtores das pirâmides haviam calculado tudo isso, escreveu Smyth, 1.500 anos antes “do infantil início de tais coisas entre os antigos gregos”.

Em seu livro Nossa Herança na Grande Pirâmide, Smyth concluiu, assim como Taylor fizera antes dele, que apenas Deus poderia ter projetado a Grande Pirâmide. A Bíblia, disse ele, afirma que em épocas passadas Deus conferiu “sabedoria e instruções métricas para construções” a alguns poucos escolhidos “por algum motivo especial e desconhecido”.

Anos mais tarde Smyth afirmaria que a pirâmide também revelava a distância da Terra ao sol quando sua altura em polegadas era multiplicada por dez à nona potência; e dez para nove era a proporção entre a altura e a largura da pirâmide. Além do mais, a pirâmide provava a existência de Deus, e também previa a data da segunda vinda de Cristo.

Embora o pitoresco estilo literário de Smyth tenha ajudado a vender seus livros, ele não convenceu muitos cientistas. Um companheiro da Sociedade Real de Edimburgo classificou suas idéias de “estranhas alucinações nas quais apenas mulheres débeis acreditam”. Um crítico dos Estados Unidos expressou, de modo brincalhão, a visão cética de que os números podiam ser manipulados de modo a provar quase tudo: “Se uma unidade adequada de medida for encontrada”, comentou ele, “um equivalente exato da distância até Timbuctu será encontrado (…) no número de postes da Bond Street, ou na gravidade específica da lama, ou ainda no peso médio do peixe dourado adulto.”

Mesmo assim, a obra de Taylor e Smyth encontrou adeptos, que quanto mais investigavam a Grande Pirâmide, mais descobriam mensagens ocultas de cunho espiritual, científico e histórico. O clérigo norte-americano Joseph Seiss escreveu em 1877 que as pedras da pirâmide continham “um grande sistema de números, medidas, pesos, ângulos, temperaturas, graus, problemas geométricos e referências cósmicas inter-relacionados”. Seiss ficou especialmente impressionado pela inexorável repetição do número cinco: a pirâmide tinha cinco pontas e cinco lados (incluindo a base), e uma polegada piramidal era um quinto de um quinto de um cúbito. Seria apenas coincidência, indagou ele, que tivéssemos cinco sentidos, cinco dedos em cada membro e que fossem cinco os livros de Moisés?

Os piramidólogos também chamaram a atenção para um fato extraordinário: a latitude e a longitude que se cruzam na pirâmide – 30º N e 31º L – passam por mais terras firmes do que quaisquer outras. Seria possível que os antigos egípcios soubessem isso e tivessem construído de propósito a imensa estrutura exatamente no centro do mundo habitável? Em escala menor, um quadrante estendendo-se em linhas retas a nordeste e noroeste a partir da pirâmide abarcava todo o delta do rio Nilo. Os agrimensores da Antigüidade certamente teriam considerado isso de grande utilidade, considerando que viviam em um território regularmente sujeito a inundações periódicas.

O suposto significado religioso, no entanto, foi o que desencadeou os debates mais acalorados na Inglaterra vitoriana. A teoria de muitos piramidólogos, segundo a qual a estrutura da pirâmide teria sido inspirada por Deus, intensificou o choque entre os evolucionistas, recém-armados com as idéias de Charles Darwin sobre as origens da vida, e os cristãos fundamentalistas, que acreditavam na verdade literal da Bíblia.

Smyth e seus seguidores, somando polegadas piramidais, consideravam a pirâmide uma prova irrefutável da existência de uma divindade que criara o mundo em 4004 a.C. – data calculada por um clérigo irlandês do século XVIII, James Usher, e amplamente aceita pelos ortodoxos. Os ancestrais mais remotos do homem, portanto, não teriam sido primatas que viviam em florestas, mas mestres-construtores que seguiam os desígnios de Deus. Nos Estados Unidos, um grupo se formou para defender a adoção de um sistema de medidas baseado nos cúbitos piramidais sagrados, em oposição ao sistema decimal ateu. Um dos membros dessa organização era o próprio presidente da República, James Garfield.

Tal controvérsia em torno das pirâmides exigia, sem dúvida, a contribuição da ciência pura, desvinculada de preconceito e ilusões. Assim, em 1880, um inglês de 26 anos com o altissonante nome de William Matthew Flinders Petrie zarpou para o Egito, carregado de sofisticados instrumentos, com a ambição de dar fim a todas as especulações sobre as dimensões e o alinhamento da misteriosa construção.

Flinders Petrie, como era conhecido, tinha excelentes qualificações, tanto por sua linhagem quanto por sua educação, para essa tarefa. Seu avô materno, o capitão Mattew Flinders, tornara-se famoso por suas expedições na Austrália. Seu pai, William Petrie, era um engenheiro que ficara muito impressionado com as idéias de Taylor e se tornara ele próprio um estudioso de pirâmides, dedicando vinte anos de sua vida ao projeto e fabricação de equipamentos especiais capazes de medir a Grande Pirâmide com uma exatidão sem precedentes. Seguindo o exemplo do pai, o jovem Flinders Petrie lera o livro de Smyth com apenas 13 anos. Fascinado pela noção de diversos padrões de medida, Petrie tornou-se topógrafo e passou a viajar pela Inglaterra, registrando meticulosamente as dimensões de várias construções e antigos sítios megalíticos, como os grandes círculos de pedra de Stonehenge.

Quando chegou ao planalto de Gizé, com abundantes provisões e inúmeras caixas contendo os instrumentos construídos pelo pai, Petrie agiu como muitos outros antes dele e montou seu acampamento em uma tumba vazia no paredão rochoso. em seguida, pôs-se a trabalhar, medindo repetidamente todas as partes da Grande Pirâmide e de suas duas vizinhas menores. Para afastar os aborrecidos e curiosos turistas britânicos, ele às vezes se vestia com uma calça e uma camiseta de cor rosa berrante. No interior quente e poeirento da pirâmide, com frequência trabalhava nu até altas horas da noite, evitando assim encontrar-se com os turistas.

O trabalho não era isento de riscos, como constatou seu amigo, dr. Grant, que certa noite acompanhou o topógrafo em sua expedição. “Passei por momentos terríveis quando ele desmaiou no poço”, escreveu Petrie. “Carregar um homem muito pesado, quase inconsciente, para fora de um poço de 20 metros, com pouco apoio para os pés, e sabendo que a qualquer momento ele poderia nos fazer cair até o fundo, é uma situação de perigo que nunca se esquece.”

Petrie ficou assombrado com a perfeição do trabalho realizado pelos antigos construtores. Utilizando instrumento cuja precisão chegava a 2,4 milímetros, ele descobriu que os erros tanto nos comprimentos quanto nos ângulos da pirâmide eram mínimos. As paredes da galeria descendente eram perfeitamente retas, com variações da ordem de 6 milímetros, ao longo de 106 metros. Ele comparou a colocação das pedras do revestimento externo “ao mais delicado trabalho de um óptico, mas em uma escala de acres”. A qualidade do trabalho, contudo, começava a piorar na ante-sala da Câmara do Rei, levando o jovem topógrafo a levantar a hipótese de que o arquiteto original não terminara o trabalho. O resultado dos esforços de Petrie, apresentado em um livro de 1883 intitulado As Pirâmides e Templos de Gizé, foi ao mesmo tempo favorável e desfavorável a Smyth e aos piramidólogos. Petrie confirmou a relação equivalente a pi entre a altura e o perímetro da pirâmide. Descobriu também que o pi estava presente na relação entre o perímetro e o comprimento da Câmara do Rei. Mas o valor que obteve para a base da pirâmide era menor que o de Smyth, refutando assim a teoria do escocês de que o comprimento da base equivalia ao número de dias em um ano. Petrie também chegou a uma medida de cúbito diferente, e não encontrou qualquer indício favorável à querida polegada piramidal de Smyth.

Após constatar o que chamou de “pequena e feia ocorrência que destruiu a bela teoria”, Petrie embarcou em uma ilustre carreira como egiptólogo, que acabou rendendo-lhe um título de nobreza. E os números que encontrou para as dimensões da pirâmide permaneceram os mais confiáveis até 1925, quando um levantamento feito pelo governo egípcio acabou com todas as discussões numéricas.

Revelou-se então que os quatro lados apresentavam uma variação de comprimento que não ultrapassava 20 centímetros: o lado sul tinha 230,45 metros de comprimento; o leste 230,39; o oeste 230,36; e o norte 230,24 metros. Mais impressionante do que isso era o fato de os lados estarem perfeitamente alinhados com os quatros pontos cardeais. O cientista francês Jomard estimara a altura corretamente em 146 metros, mas errara no cálculo do ângulo dos lados, que é 51º 52’.

Mesmo tendo Petrie arrasado definitivamente a teoria dos piramidólogos, esta continuou atraindo adeptos, os quais não cessaram de fazer novas descobertas durante o século XX. O engenheiro britânico David Davidson, que começou suas investigações como agnóstico desdenhoso e em 25 anos tornou-se um verdadeiro crente, conseguiu reconciliar as descobertas de Petrie com as idéias de Smyth por meio de um complexo conjunto de cálculos que levava em conta a concavidade praticamente invisível das paredes da pirâmide (que não são na verdade completamente planas). Petrie não deixara de levar isso em conta, afirmou Davidson, mas ele não havia estendido essa projeção ao revestimento externo original. Ao fazer isso, segundo Davidson, via-se que a afirmação de Smyth, de que o perímetro representava o ano solar, estava correta. Em 1924, Davidson, o antigo cético, publicou um livro de 568 páginas no qual, após cerrada argumentação, concluía que a pirâmide era “a verdade em forma estrutural”.

Os adeptos das comparações numéricas continuariam a ser alvo de acusações de manipulação por parte da comunidade científica. Martin Gardner, um escritor moderno que pertence sem dúvida ao grupo dos céticos, ridicularizou a obsessão pelo número cinco de Joseph Seiss, aplicando o mesmo critério ao monumento a Washington, nos Estados Unidos. Segundo Gardner, além de o monumento ter uma altura de 555 pés e 5 polegadas, sua base tem 55 pés quadrados e suas janelas estão a 500 pés da base. O assim chamado, por Gardner, pé monumental, resulta em uma base de 56,5 pés, os quais, multiplicados pelo peso da pedra que fica no topo do monumento, resultam em um número muito próximo ao da velocidade da luz. Haveria aí alguma coincidência?, indaga Gardner.

As dimensões da pirâmide não foi o único aspecto investigado. Na mesma época em que Petrie e Davidson contavam cúbitos, outros estudiosos britânicos voltavam sua atenção para o céu. No final do século XIX, o astrônomo britânico Richard Proctor inaugurou os estudos sobre as pirâmides que receberiam o nome de arqueoastronomia. A pesquisa de Proctor revelou que, antes de ficar pronta, a Grande Pirâmide pode ter sido usada como observatório astronômico, conforme haviam dito os historiadores árabes e também o autor romano Proclo. O astrônomo britânico afirmou que o perfeito alinhamento das galerias internas em relação ao eixo norte-sul, e também ao fato de apresentarem uma inclinação de 26º, permitiam que os egípcios as utilizassem como se fossem um telescópio. Ao observarem os fenômenos celestes através da abertura no início da galeria, os antigos astrônomos teriam condições de mapear o céu setentrional. Aqueles que se colocassem na Grande Galeria da pirâmide – Proctor chamou-os de “guardiães da noite” – poderiam ter registrado o trânsito das principais estrelas através de um arco de aproximadamente 80º. Quando, terminada a construção, as galerias foram fechadas, esses antigos astrônomos teriam perdido seus postos de observação.

Os egiptólogos replicaram que a ciência egípcia não era assim tão avançada, mas a tese de Proctor recebeu significativo apoio quando o eminente astrônomo britânico Sir J. Norman Lockyer publicou, em 1894, um livro sobre as pirâmides e as estrelas intitulado A Aurora da Astronomia. Lockyer não era alguém que se pudesse ignorar. Descobridor do hélio, membro da Sociedade Real e erudito enobrecido pela rainha Vitória por suas realizações científicas, Lockyer visitou as antigas construções egípcias e observou que estavam orientadas na direção em que nascem e se põem o sol e certas estrelas importantes, em determinada épocas do ano.

Mais tarde, chegou a conclusões semelhantes em relação aos megálitos britânicos de Stonehenge. Lívio Stecchini, professor norte-americano de história da ciência e especialista nos sistemas de medidas da Antigüidade, afirmaria mais tarde que as meticulosas observações astronômicas dos egípcios possibilitavam o cálculo de um grau de longitude e latitude com precisão de poucas centenas de metros, um feito que seria repetido somente 4 mil anos depois, no século XVIII.

O esforço de decodificação da pirâmide avançaria pelo século XX, contribuindo para o aumento do número de teorias, especulações e lendas. A idéia mais intrigante – e, com frequência, a mais ridicularizada – a surgir nas últimas décadas não se refere propriamente à Grande Pirâmide, mas à forma piramidal. De acordo com alguns teóricos, há nessa forma um fator inexplicado, do qual emana uma força capaz de atuar sobre objetos, plantas e até mesmo pessoas.

Essa idéia, que veio a ser conhecida como o poder das pirâmides, originou-se de uma série de observações e experimentos realizados a partir da década de 20. Contudo, seu primeiro indício foi constatado em 1859, no próprio centro do grande enigma, a misteriosa montanha de pedra em Gizé.

Werner Von Siemens, o fundador do gigantesco conglomerado alemão de indústrias, visitou Gizé naquele ano ao conduzir um grupo de engenheiros até o mar Vermelho, onde sua companhia instalava um cabo telegráfico. Sempre curioso e empreendedor, Siemens decidiu escalar a pirâmide e, enquanto o fazia, o vento do deserto levantava uma pálida névoa de areia ao seu redor. Ao chegar no topo, Siemens fez uma pose de vitória, apontando um dedo para o ar. Nesse momento, sentiu uma ferroada no dedo e ouviu um ruído agudo. O efeito foi semelhante a um leve choque elétrico. Siemens, que estava a par dos avanços da nascente ciência da eletricidade, resolveu fazer uma experiência.

Colocando papel molhado em volta de uma garrafa de vinho com gargalo de metal, Siemens improvisou uma garrafa de Leyden, um dispositivo simples que armazena eletricidade estática. Retornando ao topo da pirâmide, segurou a garrafa acima da cabeça e verificou satisfeito que a garrafa se tornara eletricamente carregada, produzindo fagulhas quando tocada.

A experiência elétrica de Siemens não foi, em si mesma, especialmente importante. sob certas condições atmosféricas, outros já haviam notado efeitos similares no topo de edifícios altos e pontiagudos. Difícil, contudo, é explicar o fenômeno ainda mais estranho relatado, no início da década de 30, pelo comerciante francês Antoine Bovis. Segundo Bovis, ao visitar a Câmara do Rei por volta de 1920, ele encontrou restos mortais de vários gatos e outros animais pequenos que aparentemente haviam morrido na pirâmide. Curiosamente, os corpos não exalavam odor. Ao examiná-los, Bovis descobriu que os animais haviam sofrido um processo natural de desidratação e mumificação, a despeito da umidade na Câmara. De volta a Nice, o francês resolveu pesquisar o que ocorrera. Após construir um modelo da pirâmide em madeira, orientou-o para o norte e colocou no interior um gato recentemente morto. O corpo ficou mumificado em questão de dias. Bovis repetiu a experiência com outros animais mortos, com carne e com ovos; em todos os casos, afirmou ele, a matéria orgânica secava e ficava mumificada ao invés de apodrecer.

Ainda mais impressionante foi a revelação seguinte. O engenheiro tcheco Karl Drbal, após ouvir falar da experiência de Bovis, resolveu reproduzi-la empregando uma pirâmide de papelão para mumificar pedaços de carne e flores. Colocou uma lâmina de barbear dentro de seu modelo de cerca de 15 centímetros, em uma posição correspondente ao local da Câmara do Rei. Drbal esperava que a lâmina perdesse o fio. Para sua surpresa, contudo, ela ficou mais afiada do que antes. E ele afirmou que, em experiências subsequentes, recuperou o fio de lâminas de modo a poder utilizá-las até duzentas vezes.

Drbal sugeriu que uma energia desconhecida afetava a estrutura das lâminas. Após uma espera de dez anos, o departamento de patentes tcheco acabou vencendo o ceticismo e em 1959 expediu uma patente para Drbal pelas pirâmides de papelão (mais tarde de plástico) que ele chamou de Afiadores de Lâminas de Barbear Pirâmide Quéops.

As forças atribuídas às formas piramidais continuaram a se multiplicar. Segundo alguns, as pessoas podem aproveitar as influências benignas da energia das pirâmides entrando em uma pequena pirâmide de plástico. Os efeitos terapêuticos incluem a diminuição de cólicas menstruais, o aguçamento da acuidade mental, a tranquilização de crianças, a melhora do sono e o aumento da potência sexual. Um dentista da Califórnia pendurou 72 pequena pirâmides de metal sobre o local onde trata seus pacientes e afirmou que ele passaram a sentir menos dor e a recuperar-se mais rápido.

G. Patrick Flanagan, de Glendale na Califórnia, um dos principais promotores do poder das pirâmides, alega que uma forma de energia chamada biocósmica está presente nos objetos piramidais. Descreveu-a pomposamente como “a essência da própria força vital”. Como objetos de pesquisa, Flanagan usou desde brotos de alfafa até seu poodle de estimação: os brotos cresceram mais rápidos e o cão, depois de dormir por várias semanas no interior de uma delas, tronou-se vegetariano. Do mesmo modo que Drbal, Flanagan comercializou seu achado, vendendo barracas piramidais e placas energizadoras feitas de inúmeras pirâmides minúsculas.

Essas teorias, contudo, não foram bem recebidas pela maioria dos cientistas. Experiências realizadas pelo Instituto de Pesquisas de Stanford na Grande Pirâmide mostraram que os alimentos armazenados em seu interior deterioravam normalmente. O geólogo Charles Cazeau e o antropólogo Stuart Scott, conduzindo uma pesquisa independente, relataram por sua vez que “os ovos (…) retirados de nossa pirâmide após 43 dias, estavam malcheirosos, de um amarelo grudento e cheios de sedimentos (…) os tomates nas pirâmides não se saem melhor do que aqueles em sacos de papelão. Não conseguimos afiar lâminas de barbear”.

Os pesquisadores continuam a buscar respostas para os enigmas da Grande Pirâmide. Perguntas do tipo quem, como e por quê vêm intrigando todos os que visitam Gizé, há mais de dois milênios. Em meados da década de 80, os egiptólogos levantaram o primeiro mapa detalhado do planalto de Gizé, para analisar a construção da pirâmide. Utilizando sofisticados teodolitos e fotografias aéreas, o arqueólogo Mark Lehner e sua equipe detectaram pedreiras nas proximidades e deduziram um método pelo qual os antigos egípcios poderiam ter construído a base assombrosamente plana da pirâmide. Segundo esses pesquisadores, após abrir trincheiras na rocha e inundá-la, os antigos egípcios poderiam ter feito as marcações topográficas para a base em estacas de madeira mergulhadas na água.

O químico francês Joseph Davidovits foi ainda mais longe: em 1974, chegou à conclusão que os egípcios teriam sido mais químicos do que os pedreiros. Após analisar amostras de rochas da pirâmide, Davidovits argumentou que os enormes blocos foram fundidos e não cortados. Segundo ele, uma substância semelhante a uma massa de vidraceiro era preparada no local a partir de líquidos e minerais disponíveis. Essa mistura era derramada em um molde e aquecida lentamente, até assemelhar-se ao granito. Embora tenha produzido tais pedras em seu laboratório, Davidovits não convenceu os arqueólogos de que os egípcios haviam feito o mesmo nas areias de Gizé.

Os piramidólogos ainda não abandonaram os temas familiares da profecias e revelações. O escritor Max Toth anunciou que apenas a descoberta de um aposento secreto impede o encontro do homem do século XX com os “Mestres dos Mistérios”, que aguardam silenciosamente o momento de “recobri-lo com as vestimentas da verdade”.

Outros visionários consideravam a pirâmide o elo perdido entre a história registrada e a Atlântida. Manly P. Hall, estudioso de antigas religiões, sugeriu que os cientistas mais talentosos da civilização altamente desenvolvida na Atlântida, conscientes de que o desastre era iminente, fugiram para o Egito e construíram a pirâmide, como um repositório de seus conhecimentos e de seus tesouros. Ao ocultarem sua sabedoria na pirâmide, os avançados atlantes teriam assegurado que apenas aqueles que a merecessem seriam capazes de descobri-la e compreendê-la.

Por mais fantasiosa que seja a tese de Hall, os segredos da pirâmide continuam sem solução, a despeito dos esforços dos cientistas tradicionais e de piramidólogos pouquíssimo tradicionais. Mas, qualquer que seja nossa posição, não podemos ignorar a existência da Grande Pirâmide; ela nos assombra e nos frustra. William Fix, o autor de Odisséia da Pirâmide, coloca: “Ela é enorme; ela é antiga; ela é lendária; ela é sofisticada; ela é o resultado de um grande empreendimento; ela está aqui à vista de todos na encruzilhada da Terra – e ela não parece pertencer a nosso mundo.”

(Texto traduzido por Luiz Alberto Moura Araujo da Obra Todo Egito de Abbas Chalaby e transcrito da Obra Mistérios do Desconhecido / tradução de Cláudio Marcondes e Heloísa Jahn)

Fonte: www.luizalberto.com.br

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