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O prisioneiro da pirâmide

Posted by luxcuritiba em abril 19, 2008

O incidente da Torre de Babel pôs um fim súbito e inesperado à mais longa era de paz na Terra de que o homem tem notícia. A cadeia de eventos trágicos que esse acontecimento iniciou teve uma relação direta com a Grande Pirâmide e seus mistérios. Para desvendar esses segredos, apresentaremos nossa teoria sobre como essa estrutura singular foi projetada e construída, e posteriormente lacrada e invadida.

Como se não bastassem os inúmeros enigmas existentes sobre a construção da Grande Pirâmide, existem outros dois relacionados com a estrutura terminada. Todas as teorias que tentaram explicálos, uma vez que se baseavam na hipótese de que a pirâmide seria uma tumba real, mostraram-se inconsistentes. Acreditamos que as respostas para esses enigmas não estão nas lendas dos homens, mas sim nas dos deuses.

Várias referências à Grande Pirâmide encontradas em crônicas gregas e romanas comprovam que naquela época era bem conhecida a entrada protegida pela pedra giratória, o Corredor Descendente e a Cova Subterrânea. No entanto, ninguém desconfiava da existência de todo o sistema de túneis e câmaras superiores, porque a entrada para o Corredor Ascendente encontrava-se lacrada por três grandes blocos de granito e camuflada com uma pedra triangular encaixada no teto da passagem.

Durante os séculos que se seguiram, até mesmo a posição da entrada da pirâmide acabou sendo esquecida. Por isso, quando o califa Al-Mamun decidiu penetrar na pirâmide, no ano 820, seus homens forçaram uma abertura, abrindo um túnel escavado a esmo.

O Corredor Descendente foi descoberto por acaso. O som de uma pedra que caiu no vazio incentivou os trabalhadores a continu-ar com a escavação até atingi-la. Mas o que caíra com o impacto das picaretas e martelos era uma pedra triangular que disfarçava a entrada do Corredor Ascendente, e a queda revelou o tampão feito com os blocos de granito. Incapazes até mesmo de lascá-los com suas ferramentas, os homens do califa cavaram as pedras de calcá-rio em torno deles e chegaram ao Corredor Ascendente, e daí ao conjunto de câmaras e túneis superiores. Todos os historiadores árabes contemporâneos de Al-Mamun afirmam que ele não encon-trou no interior da pirâmide nada além de espaços vazios.

Depois de retirarem o entulho – pedaços de calcário que com o passar dos séculos tinham deslizado pela passagem e se acumulado junto ao tampão de granito -, os árabes subiram agachados o estreito túnel quadrado. Ao chegar ao seu final puderam ficar em pé, pois tinham atingido a junção do Corredor Ascendente com o Corredor Horizontal e a Grande Galeria. Seguindo pelo túnel hori-zontal, eles chegaram à câmara com teto em V invertido, que ex-ploradores de épocas posteriores passaram a chamar de “Câmara da Rainha”. Ela e seu enigmático nicho estavam completamente vazios, e as paredes não mostravam nenhum sinal de decoração. Voltando à junção, os homens subiram pela Grande Galeria, usando para se apoiar os orifícios perfeitamente cortados na pedra, agora não mais que buracos vazios, pois uma camada de poeira branca que cobria o piso e as rampas era limosa e escorregadia. Depois de subirem o Grande Degrau no final da galeria, viram-se diante da Antecâmara e, ao entrarem nela, descobriram que as portas corrediças que de-viam fechá-la não existiam mais. Agacharam-se para penetrar na câmara superior (mais tarde batizada “Câmara do Rei”) e constata-ram que a única coisa que havia nela era uma pedra escavada em forma de baú (“O Caixão”, dos exploradores posteriores).

Voltando à junção das três passagens, os árabes notaram um buraco num canto junto à entrada da Grande Galeria e viram que uma das pedras de calcário que formava a rampa tinha sido arrebentada. Entrando pelo buraco, eles encontraram-se numa curta passagem horizontal que se abria para um túnel vertical, que ima-ginaram ser um poço de água. Enquanto desciam por esse Po-ço (como veio a ser conhecido), descobriram que aquele era apenas o trecho superior de uma longa série de dutos, com cerca de 60 metros de comprimento total, que terminava no Corredor Descen-dente, dessa forma ligando as câmaras e corredores superiores com os inferiores. Tudo indica que a abertura para o Corredor Descendente estava fechada e escondida de quem passava por ela até os homens do califa a abrirem, vindos de cima para baixo.

As descobertas dos árabes e investigações posteriores desen-cadearam uma infinidade de enigmas. Por que, quando e quem ve-dou o Corredor Ascendente? Por que, quando e quem fez o Poço que atravessava o terço inferior da pirâmide até atingir sua base rocho-sa?

A teoria mais corrente que tentou responder essas perguntas dizia que a pirâmide fora construída por Khufu (Quéops) para ser sua tumba e que, depois de o corpo mumificado do faraó ter sido colocado no “caixão da Câmara do Rei”, os servos, por ordem dos sacerdotes, fizeram deslizar os três blocos de granito pelo Corredor Ascendente, de cima para baixo, para vedarem sua entrada. Eles, portanto, ficariam enterrados vivos com o faraó. Contudo, esses servos enganaram os sacerdotes: arrebentaram a pedra no canto da Grande Galeria, escavaram o poço e atingiram o Corredor Descendente, fugindo pela entrada da pirâmide situada na face norte.

Essa teoria é muito difundida, mas não resiste a um escrutínio crítico.

O Poço é constituído por sete segmentos distintos. Seis deles são constituídos com precisão, possuindo linhas e planos retos, e um é tortuoso, escavado a esmo, obviamente sem seguir um projeto anterior. A série de dutos começa com a parte horizontal superior (A) curta, que liga a Grande Galeria com o segmento vertical B, que, por meio do segmento tortuoso C, liga-se com um trecho verti-cal inferior (O). Segue-se um trecho bastante inclinado (E), que leva a um segmento mais curto (F), com uma inclinação bem menor do que a anterior. Por fim há um pequeno trecho que deveria ser horizontal para se equiparar com A, mas que é ligeiramente inclinado e desigual (G), abrindo-se para o Corredor Descendente. O poço propriamente dito, constituído pelos trechos B, C, D, E e F, apesar das mudanças de rumo quando visto num plano norte-sul está precisamente alinhado dentro de um plano leste-oeste paralelo ao plano das passagens e câmaras.

Enquanto os três segmentos superiores do Poço cortam cerca de 20 metros de blocos de calcário, os inferiores atravessam cerca de 50 metros de rocha pura. Ora, segundo a teoria acima, alguns poucos servos deixados no interior da pirâmide para fazerem desli-zar o tampão de granito não poderiam ter escavado a rocha com tanta perfeição. Também, se a escavação foi feita de cima para baixo, onde teria ido parar o entulho que, obrigatoriamente, teria de ser levado para cima enquanto eles cavaram? Levando-se em conta que o Poço tem cerca de 70 centímetros de largura na maio-ria de seus trechos, quase mil quilos de pedaços de calcário e rocha teriam de ser depositados nas câmaras e passagens superiores.

Em vista dessas improbabilidades, novas teorias foram apresentadas, tendo como base a hipótese de que o Poço fora escavado de baixo para cima (nesse caso, o entulho teria sido removido pelo Corredor Descendente). E qual seria a explicação para isso? Segundo essas teorias, quando o faraó estava sendo enterrado, um terremoto sacudiu a pirâmide, fazendo soltarem-se prematuramente os blocos de granito que iriam vedar a passagem. E não somente servos, mas também membros da família real, e altos sacerdotes, ficaram presos. Como os projetos de construção da pirâmide ainda con-tinuavam disponíveis, equipes de salvamento fizeram o Poço para atingir a Grande Galeria e libertar os dignitários.

Essa teoria e muitas outras, como uma há muito descartada, que afirmava ser o Poço obra de ladrões de túmulos, pecam por não explicar a questão da precisão. Por que equipes de salvamento ou ladrões perderiam tempo em construir dutos tão perfeitos? Como já dissemos, todos os segmentos são retos, com ângulos uniformes ao longo de todo o comprimento e cuidadosamente acabados.

Enquanto cresciam os indícios de que jamais um faraó fora enterrado dentro da Grande Pirâmide, surgiu uma nova teoria, que logo ganhou muitos seguidores: o Poço fora construído para permitir o exame de fissuras na rocha resultantes de um terremoto. A me-lhor obra com base nessa hipótese é o livro The Great Pyra-mid Passages and Chambers, dos irmãos John e Morton Edgar. Moti-vados por um zelo religioso que via no monumento uma expressão em pedra das profecias bíblicas, os Edgar limparam, examinaram e fotografaram todos os cantos da pirâmide. Com isso, demonstraram conclusivamente que tanto o trecho horizontal curto A como o primeiro segmento vertical B eram parte da construção original. Além disso, descobriram que o segmento D não fora escavado, mas cuida-dosamente construído com blocos de calcário, para atravessar uma cavidade natural na base rochosa. Essa cavidade só poderia ter sido preenchida por ocasião da construção da pirâmide. Em outras pala-vras, esse trecho também era muito antigo.

Segundo a teoria dos irmãos Edgar, quando a base da pirâmide estava em construção, um terremoto abalou vários pontos da rocha em que ela se assentava. Para avaliar a extensão dos danos e determinar se a obra poderia continuar, os construtores fizeram os dutos E e F como poços de inspeção. Ao constatarem que os estragos não tinham sido importantes, eles autorizaram o prosseguimento da obra. No entanto, visando possibilitar inspeções periódicas mais rápidas, foi escavado o pequeno trecho horizontal G, não tão per-feito e com cerca de 1,80 metros de comprimento, ligando a Passa-gem Descendente com o segmento F.

Embora as teorias dos irmãos Edgar (ampliadas por Adam Ru-therford em seu livro Pyramidology) tenham sido adotadas por mui-tos, elas ainda estão longe de dar solução aos enigmas. De novo, se os trechos E e F foram construídos como poços de inspeção feitos numa emergência, por que tanto gasto de tempo e preocupação com precisão durante sua construção? Qual o propósito original dos dutos B e D? Como explicar o trecho tortuoso C, escavado grosseiramente no calcário? E o tampão de granito? Por que lacrar o Corredor Ascendente se não tinha havido um enterro?

Apesar de a teoria dos Edgar ser falha, a árdua e minuciosa medição feita por eles guarda a chave dos enigmas. Acredito que as partes essenciais do Poço foram de fato executadas pelos construtores originais e eram parte integrante do projeto, sendo características destinadas a servir de diretrizes arquiteturais durante a construção da pirâmide.

Ao longo dos séculos, muito se escreveu sobre as maravilhosas proporções e notáveis relações geométricas da Grande Pirâmide. No entanto, como todas as outras estruturas similares do Egito possuíam apenas passagens inferiores, sempre houve a tendência de se encarar todo o sistema superior como uma melhoria que surgiu com o passar do tempo. Em resultado disso, foi dada pouca atenção a certos alinhamentos entre os dois sistemas, que só poderiam existir se as partes inferiores e superiores tivessem sido planejadas e cons-truídas simultaneamente. Assim, por exemplo, o ponto na Grande Galeria onde o piso eleva-se abruptamente para formar o Grande Degrau (U – fig. 71), o eixo central da Câmara da Rainha (Q) e um recesso no segmento G estão todos situados na linha central da pi-râmide. Um enigmático degrau (5), situado na parte superior do Corredor Horizontal, está alinhado com o ponto que marca o final do Corredor Descendente (P). O diagrama que se segue revelará muitos outros alinhamentos.

Mostraremos agora que todos esses alinhamentos não foram obra do acaso, mas de um cuidadoso trabalho de concepção e planejamento, e que os dutos acabados do Poço eram parte integrante da pirâmide.
Comecemos pelo trecho D, porque acreditamos que foi o pri-meiro a ser construído. Atualmente todos concordam que a eleva-ção rochosa onde a pirâmide está assentada foi aplainada em de-graus. O nível mais inferior da rocha (visível do lado de fora) formava a Linha Base. O nível superior da rocha fica na altura da Gruta, e ali pode ser vista a primeira camada (“Curso”) de blocos de calcário. Uma vez que o trecho D esta abaixo desse primeiro curso, ele deve ter sido construído antes, pois o único modo de se abrir um túnel numa rocha é da face externa para dentro. O duto E co-meça sua descida inclinada exatamente no final do trecho D, o que significa que ele só foi escavado quando D já estava pronto. Termi-nado E, foram feitos F e G.

Por que – e esse é um fato que geralmente passa despercebido o segmento E está inclinado em relação ao trecho D e a Linha Base num ângulo exato de 45 graus? Por que, se era meramente um poço de inspeção, ele não continua até o Corredor Descendente em vez de inclinar-se, dando origem ao trecho F? E por que esse trecho F está num ângulo exato de 90 graus em relação ao Corredor Descen-dente?
Como os arquitetos da pirâmide projetaram essas simetrias, alinhamentos perfeitos e notáveis relações geométricas? Nossa ex-plicação para isso mostra a disposição das partes interiores da pi-râmide como devem ter sido projetadas pelos que a conceberam. Trata-se de um projeto arquitetônico simples, mas muito engenhoso que alcança a perfeição com o auxílio de apenas três circunferên-cias e algumas linhas!

A construção da pirâmide começou com o nivelamento da colina rochosa onde ela seria erigida. Para conferir maior estabilidade à estrutura, a rocha só foi cortada perto da circunferência da base da pirâmide. No núcleo o leito rochoso foi deixado mais alto, elevando-se em degraus. Então a Gruta – uma falha natural na rocha ou uma cavidade artificial – foi escolhida para ser o ponto onde come-çariam os alinhamentos da estrutura.

O primeiro dos dutos verticais, D, foi construído atravessando a Gruta, sendo em parte feito de blocos de calcário e parte escava-do diretamente na rocha. A altura do trecho D marca exatamente a distância do nível base até onde termina a rocha e começa o assen-tamento de blocos de calcário no núcleo da pirâmide.

Há muito reconhece-se que o valor de n, ou seja, a relação entre o valor do comprimento da circunferência e seu diâmetro, foi empregado para se calcular a circunferência da base, lados e altura da pirâmide. Mas, como mostra claramente o diagrama, não apenas o aspecto exterior, mas também suas características interiores fo-ram projetadas com o auxílio de três circunferências iguais.

É claro que antes de desenhar as três circunferências, os ar-quitetos das pirâmides tiveram primeiro de escolher uma medida de raio adequada. Os que vêm estudando a Grande Pirâmide nunca conseguiram encaixar em suas proporções perfeitas nenhuma das antigas unidades egípcias de medição: o cúbito comum, com 24 de-dos, ou o “cúbito real”, com cerca de 28 dedos (525 milímetros). Há uns três séculos, Isaac Newton concluiu que um enigmático “cúbito sagrado”, com 600 milímetros, fora empregado não somente na construção da pirâmide como também na Arca de Noé e no templo de Jerusalém, conclusão que atualmente os egiptólogos e piramidó-logos aceitam para o caso da pirâmide. Nossos próprios cálculos mostram que o raio adotado para as três circunferências foi igual a 60 desses cúbitos sagrados e, como se sabe, 60 era o número-base do sistema matemático sumério, o sistema sexagesimal. Essa medi-da de 60 cúbitos sagrados é dominante nos comprimentos e alturas da estrutura interior da pirâmide e nas dimensões de sua base.

Uma vez escolhido o raio das circunferências, traçou-se a Li-nha Horizontal que marcaria o fim do leito rochoso e início das ca-madas de blocos de calcário, passando pelo ponto D, situado na Gruta. O centro da primeira circunferência ficou nesse ponto (1). Os dois seguintes ficaram nas interseções dessa circunferência com a linha horizontal.

No ponto onde a segunda circunferência cortava o Nível da Base da Pirâmide (4) elevar-se-ia uma das faces da pirâmide, com uma inclinação de 52 graus – o ângulo perfeito porque é o único que incorpora as relações Pi na estrutura.

O trecho E seria construído num angulo de 45 graus, saindo do fundo do duto D. A projeção da linha E para cima, cortando o círculo 2 no ponto 5, forneceu a linha inclinada para a face oposta da pirâmide e também demarcou a altura onde deveriam ficar a Câmara do Rei e a Antecâmara (linha 5-U-K), e o final da Grande Galeria. Projetada para baixo, a inclinação do trecho E determinou o ponto onde terminaria a Passagem Descendente. Uma linha vertical saindo de P determinou a posição do Degrau (5) no Corredor Hori-zontal, perto da Câmara da Rainha.

Passando para a terceira circunferência, a da esquerda, ve-mos que seu centro (ponto 3) marca a linha vertical da pirâmide. No local onde ela corta a linha que passa pela parte superior das três circunferências foi colocado o Grande Degrau (V), marcando o final da Grande Galeria e a posição do piso na Câmara do Rei. A linha central vertical em si determinou a posição da Câmara da Rainha. Ligando-se o centro da segunda circunferência (ponto 2) com V, obteve-se a linha de piso do Corredor Ascendente e da Gran-de Galeria.

O duto vertical F sai do final do segmento E, numa inclinação que permite que a linha projetada para cima a partir dele corte a linha de piso 2-V num ângulo reto. À partir do ponto formado pela interseção da projeção do segmento F com a primeira circunferên-cia, a central, (ponto 6), desenhou-se uma linha passando pelo pon-to 2 e continuando até se encontrar com a face da pirâmide (ponto 7), o que determinou a posição do Corredor Ascendente, sua junção com o Corredor Descendente (ponto 2) e a entrada da pirâmide.

Portanto, as três circunferências e os túneis verticais D, E e F determinaram a maioria das partes essenciais da Grande Pirâmide. No entanto ainda faltava marcar onde ficariam os pontos em que terminaria o Corredor Ascendente e começaria a Grande Galeria e, conseqüentemente, o nível do Corredor Horizontal levando para a Câmara da Rainha. É aqui que entra em cena o trecho B do Poço. Ninguém até agora salientou que seu comprimento é exatamente igual a D e que ele marca exatamente a distância entre o nível da entrada e o nível do Corredor Horizontal. B foi colocado no ponto onde a linha do Corredor Ascendente corta a circunferência 2 (pon-to 8), e sua extensão vertical determina o inicio da parede da Grande Galeria. A distância entre o ponto 8 e o ponto 9, onde a linha vertical saindo de D corta a linha horizontal que sai de 8 é o local da grandiosa junção das passagens e a Grande Galeria.

Para a execução desse projeto, a construção teve de começar pelo trecho D, com o aproveitamento da cavidade natural da rocha, e nele foi colocado o teodolito ou equipamento similar que deter-minou a direção em que os segmentos E e F teriam de ser escavados na rocha pura. Esses trechos sumiram de vista quando o assenta-mento dos blocos de calcário subiu acima do nível rochoso. Então foi escavado o duto G, mais grosseiro, para a retirada dos instru-mentos de medição ou então para se permitir inspeções de última hora. No ponto de junção do trecho G com o Corredor Descendente, colocou-se um bloco de calcário bem ajustado fechando a abertura, o que terminou escondendo de vez esses dutos inferiores.

O trecho B, ligado no ponto 8 com as passagens através do pequeno segmento horizontal A, permitiu aos construtores da pirâmide terminar o seu interior. Uma vez concluída essa parte da obra, deixou de haver necessidade do uso funcional ou arquitetural desses segmentos e a entrada para eles foi fechada por meio de uma pedra de calcário da rampa, bem ajustada, em forma de cunha.

A obra estava completa, com todos os segmentos do Poço o-cultos de vista. No entanto, resta um deles que, pelo que vimos anteriormente, não teve nenhuma função ou propósito no projeto ou na construção da Grande Pirâmide.

Essa exceção é o trecho C, escavado grosseiramente nas ca-madas de blocos de calcário, torto, desigual, deixando as pedras quebradas, cheias de pontas e asperezas. Quando, por que e como surgiu esse enigmático pedaço do Poço?

Esse trecho, acreditamos, não existia quando a pirâmide foi concluída pelos seus construtores. Como mostraremos adiante, tra-ta-se de um túnel feito apressadamente muito mais tarde, quando Marduk foi aprisionado vivo dentro da Grande Pirâmide.

Não existe dúvida de que Marduk foi aprisionado vivo na “Tumba Montanha”, porque vários textos mesopotâmicos traduzidos com competência atestam esse fato. Outros relatos nos esclarecem so-bre a natureza do crime que redundou nessa sentença. Todos juntos nos permitem fazer uma reconstrução plausível dos acontecimen-tos.

Expulso da Babilônia e de toda a região da Mesopotâmia, Mar-duk voltou ao Egito e não perdeu tempo para se estabelecer em Heliópolis, enfatizando o papel da cidade como seu “centro de cul-to” ao reunir os objetos celestiais que possuía num santuário espe-cial, ao qual, daí em diante e por muitos séculos depois, os egípcios faziam peregrinações.

Porém, ao tentar restabelecer seu domínio hegemônico sobre o Egito, Marduk descobriu que as coisas tinham mudado desde que ele partira dali para tentar seu golpe de Estado na Mesopotâmia. Embora, pelo que se pode depreender, Thot não tenha se empenhado numa luta pela supremacia e Nergal e Gibil estivessem muito distantes desse centro de poder, surgira um novo rival nesse ínterim: Dumuzi. O filho mais novo de Enki, cujos domínios faziam fronteira com o Alto Egito, estava emergindo como o novo preten-dente ao trono.

Havia alguém insuflando as ambições de Dumuzi e era nin-guém mais ninguém menos que sua noiva Inanna/Ishtar – mais um motivo para o desagrado e suspeitas de Marduk.

A lenda de Dumuzi e Inanna, já que ele era o filho de Enki e ela neta de Enlil, faz o leitor recordar-se da história de Romeu e Julieta. E, tal como no drama de Shakespeare, essa crônica também termina em tragédia, morte e vingança.

A primeira presença de Inanna/Ishtar no Egito está registrada no texto de Edfu que conta a Primeira Guerra da Pirâmide. Ali chamada de Astarot, seu nome cananeu, conta-se que ela surgiu no meio do campo de batalha para ajudar as forças de Hórus. O motivo para essa inexplicável presença no Egito poderia talvez ser uma visita ao seu noivo Dumuzi, por cujos domínios o exército passava no seu avanço para o Alto Egito. Um texto sumério registra uma visita que a deusa fez ao noivo, “O que Cuida do Gado”, em seu dis-tante distrito rural. Ele nos conta como Dumuzi esperava a chegada de sua prometida e como dirigiu palavras de incentivo a uma noiva ansiosa em relação a seu futuro numa terra estranha:

O rapaz aguardava;
Dumuzi abriu a porta.
Como um raio de luar ela avançou ao seu encontro…
Ele a contemplou, regozijou-se com o que viu, tomou-a nos braços e a beijou.
O que Cuida do Gado colocou o braço em torno da donzela.
“Não a trouxe para a escravidão”, ele disse.
“Sua mesa será esplêndida, a mesma em que eu mesmo como…”.

Naquela época, Inanna/Ishtar tinha a bênção de seus pais, Nannar/Sin e Ningal, e também a de seu irmão, Utu/Shamash, para uma união tipo Romeu e Julieta entre a neta de Enlil e um filho de Enki. Alguns irmãos de Dumuzi, e talvez o próprio Enki, concordavam com o casamento e a presentearam com contas e peças de lápis-lazúli, a pedra preciosa de que ela mais gostava. E, para sur-preendê-la, esconderam as jóias no fundo de uma cesta cheia de tâmaras. Além disso, ao entrar no quarto que lhe fora destinado, Inanna encontrou “uma cama de ouro, adornada de lápis-lazúli, que Gibil mandara fundir para ela na morada de Nergal”.

Foi então que a guerra explodiu, e irmão lutou contra irmão. Enquanto eram apenas os filhos de Enki que se enfrentavam, nin-guém viu grandes problemas na presença de uma neta de Enlil na região. No entanto, depois da vitória de Hórus, quando Set ocupou terras que não lhe pertenciam, a situação mudou por completo. A Segunda Guerra da Pirâmide atirou os filhos e netos de Enlil contra os descendentes de Enki, e a “Julieta” teve de ser separada de seu “Romeu”.

Quando, terminada a guerra, os noivos se reuniram e consu-maram o casamento, passaram muitos dias e noites envoltos em êxtase e bem-aventurança, fato que foi tema de muitas canções de amor sumérias. Mas mesmo enquanto eles faziam amor, Inanna sus-surrava palavras provocadoras ao marido:

Suas partes são tão doces como sua boca e fazem jus a sua posição principesca!
Subjugue o país rebelde, faça a nação se multiplicar.
Eu o governarei corretamente!

Numa outra ocasião, Inanna revelou a Dumuzi:

Tive a visão de uma grande nação escolhendo Dumuzi como seu deus…
Pois eu fiz de Dumuzi um nome a ser exaltado, eu lhe dei posição.

Apesar de todo esse amor, a união não foi considerada feliz, pois não produziu um herdeiro – ao que tudo indica, um requisito essencial para tornar realidade os anseios dos dois deuses. Dumuzi, na esperança de ter um herdeiro homem, recorreu a uma tática que já fora adotada por seu pai: tentou seduzir e fazer sexo com a própria irmã. Mas enquanto em épocas anteriores Ninharsag cedera aos avanços de Enki, Geshtinanna recusou a proposta do irmão. Deses-perado, Dumuzi violou um tabu sexual e a estuprou.

Essa trágica história está registrada numa plaquinha de argila que os estudiosos catalogaram como CT.15.28-29. O texto conta como Dumuzi despediu-se de Inanna, dizendo-lhe que precisava ir à planície deserta onde guardava seus rebanhos. Geshtinanna, “a irmã que conhecia canções, estava sentada lá”, pois pensava que fora convidada para um piquenique. Quando os dois estavam “comendo o alimento puro, rico em mel e manteiga, enquanto bebiam a fra-grante cerveja divina” e “divertiam-se alegremente… Dumuzi tomou a solene decisão de fazê-lo”. A fim de preparar Geshtinanna para o que ele tinha em mente, pegou um cordeiro e o fez copular com a ovelha-mãe, depois fez um cabrito copular com sua irmã cabrita. Enquanto os animais cometiam incesto, Dumuzi tocava Geshtinanna, procurando imitá-los. Quando suas intenções foram ficando mais óbvias, a moça “gritou e gritou em protesto”. Mas, “ele a montou… sua semente estava se derramando na vulva de Geshtinanna”… Ela gritou: “Pare! Isto é uma desgraça!” Mas Dumuzi não parou.

As rachaduras na placa de argila não nos permitem ler o que aconteceu depois do ato, mas tudo indica que Dumuzi explicou à irmã que aquilo fora premeditado, tendo talvez sido planejado com a ajuda de Inanna.

No código moral dos Anunnaki, o estupro era considerado um grave crime sexual. Em épocas mais remotas, quando os primeiros grupos de astronautas tinham chegado à Terra, Enlil, o comandante supremo, fora condenado ao exílio por ter estuprado uma jovem enfermeira (que posteriormente veio a ser sua esposa). Sem dúvida Dumuzi sabia bem o que estava fazendo e só deve ter tomado a irmã à força porque jamais imaginara que ela iria recusá-lo ou porque seus motivos eram muito fortes para superar seu temor pela proibição. Já o consentimento de Inanna nos faz lembrar da história de Abraão e Sara, sua esposa estéril, que lhe ofereceu a criada para ele ter um herdeiro homem.

Consciente de que cometera uma falta terrível, Dumuzi previu que pagaria por seu ato com a própria vida, como está contado no texto sumério SHA.GA.NE.IR.IM.SHI – “Seu Coração Estava Cheio de Lágrimas”. Composta como se fosse um sonho de Dumuzi, a história conta como ele viu todos os seus títulos e propriedade lhe serem tirados um a um pelo “Pássaro Principesco” e um falcão. O pesadelo terminou com Dumuzi vendo-se morto no meio de seus currais.

Ao acordar, ele pediu a Geshtinanna para interpretar o sonho. “Meu irmão, está muito claro para mim, seu sonho não é favorável”, ela respondeu. Ele prevê que “bandidos o atacarão em tocaia… você será manietado, terá os pés presos em grilhões”. Nem bem a jovem acabou de falar, os inimigos capturaram Dumuzi.

Ao se ver em ferros, Dumuzi lançou um apelo a UtuShamash: “Ó, Utu, és meu cunhado, sou o marido de tua irmã… Faça meus pés se transformarem nos de uma gazela, para que eu consiga escapar dos malvados!”. Ouvindo a súplica, Utu facilitou a fuga de Du-muzi. Depois de algumas aventuras, este foi se esconder na casa do Velho Belili – que tinha um caráter bastante duvidoso, que fazia jogo duplo. Mais uma vez foi capturado e fugiu. Finalmente encon-trou-se de novo entre seus currais, onde tentou esconder-se de seus perseguidores. Soprava um vento forte, que derrubou as cercas, tal como Dumuzi vira em seu sonho. E, no final:

As taças de beber estavam tombadas;
Dumuzi jazia morto.
O curral fora levado pelo vento.

A arena desses eventos, pelo menos nesse texto, é uma planí-cie desértica perto de um rio. A geografia do local é ampliada numa outra versão da história, um texto intitulado “O Mais Amargo dos Gritos”. Composto como um lamento de Inanna, ele conta como sete delegados de Kur entraram no curral e acordaram Dumuzi, que dor-mia. Diferente da versão anterior, que fala apenas que os persegui-dores eram os “malvados”, esse texto deixa claro que eles represen-tavam uma autoridade mais alta: “Meu amo mandou-nos vir buscá-lo”, disse o chefe. Em seguida, o grupo começou a tirar os objetos divinos do prisioneiro:

Tire a tiara divina de sua cabeça; levante-se de cabeça descoberta.
Tire o manto real de seu corpo, levante-se nu.
Ponha de lado o cajado divino que carrega, levante-se de mãos nuas.
Tire as sandálias sagradas de seus pés, levante-se descalço!

Dumuzi, porém, consegue fugir e alcança o rio “no grande di-que no deserto de E.MUSH (‘Casa das Cobras’)”. Só havia um lugar no Egito onde deserto e rio encontravam-se num grande dique: a pri-meira catarata do Nilo, onde atualmente está localizada a represa de Assuã.

Dumuzi atirou-se à água, mas devido à violenta correnteza não conseguiu atingir a margem oposta, onde sua mãe e Inanna ten-tavam oferecer-lhe proteção. As ondas o levaram para Kur.

Esses e outros textos paralelos revelam que os que haviam ido prender Dumuzi o faziam por ordem de um deus mais alto, o Senhor de Kur, que “lhe passara uma sentença”. No entanto a condenação não poderia ter vindo da Assembléia dos Deuses, pois deuses enlili-tas, como UtuShamash e Inanna, estavam ajudando Dumuzi. Portan-to, a sentença deveria ter sido dada por decisão única do Senhor de Kur, ou seja, Marduk, o irmão mais velho de Dumuzi e Geshtinanna.

Essa identidade surge num texto que os estudiosos chamam de “Os Mitos de Inanna e Bilulu”. Por ele ficamos sabendo que o Velho Belili da versão que vimos anteriormente era o Lorde Bilulu (EN.BILULU) disfarçado, a mesma deidade que ordenara a ação pu-nitiva contra Dumuzi. Os textos acadianos que tratam dos epítetos divinos explicam que En-Bilulu era il Marduk ska hattati: “O Deus Marduk que Pecara” e “O Lamentador de Inanna”.

Tendo desaprovado a união Inanna-Dumuzi desde o início, Marduk sem dúvida se colocou mais fortemente contrário a ela depois das guerras da pirâmide. O estupro de Geshtinanna, feito com motivos políticos, foi a oportunidade que ele esperava para pôr fim às intenções de Inanna em dominar o Egito. Talvez Marduk não te-nha decretado a morte de Dumuzi, pois a pena costumeira nesses casos era o exílio. É possível que ela tenha sido acidental.

Mas, para Inanna, acidentalmente ou não, Marduk causara a morte de seu amado. E, como deixam bem claro os textos, ela procurou vingança:

O que é sagrado no coração de Inanna?
Matar!
Matar o Lorde Bilulu.

Trabalhando com fragmentos encontrados em diversos mu-seus, os estudiosos reconstituíram um texto que Samuel N. Kramer chamou de “Inanna e Ebih” e classificou como parte do ciclo dos mitos de “morte do dragão”, pois trata da luta da deusa contra um deus cruel que se escondia no interior da “Montanha”.

As partes disponíveis dessa lenda contam como Inanna armou-se com tudo o que pôde para atacar o deus em seu esconderijo. Embora os outros deuses tenham tentado dissuadi-la, ela aproximou-se confiante da Montanha, que chamava de E.BIH (“Morada do Chamado Tristonho”), e proclamou:

Montanha, és tão alta, elevas-te acima de todas as outras…
Tocas o céu com teu ápice…
Mesmo assim, eu a destruirei, ao solo te atirarei…
No interior de teu coração, dor eu causarei.

Além dos textos, um escudo cilíndrico sumério deixa bem cla-ro que a Montanha era a Grande Pirâmide, e o local, o Egito. Inan-na, em sua habitual semi-nudez, é vista em confronto com um deus situado sobre três pirâmides, que aparecem exatamente como sur-gem diante de um observador em Gizé. A tiara do sacerdote, o signo egípcio ankh e as serpentes entrelaçadas apontam para o único lu-gar: o Egito.

Enquanto Inanna continuava a desafiar Marduk, agora escondendo-se dentro da grandiosa estrutura, sua fúria ia aumentando porque ele ignorava suas ameaças: “Pela segunda vez, indignada com aquele orgulho, a deusa aproximou-se novamente e proclamou: ‘Meu pai Enlil me permitiu entrar na Montanha!”‘. Exibindo suas ar-mas, Inanna anunciou: “No coração da Montanha penetrarei… Den-tro da Montanha, estabelecerei minha vitória!”. Não obtendo res-posta, deu início ao ataque:

Ela não parou mais de golpear os lados de E-Bih e todos os seus cantos, até mesmo sua miríade de pedras assentadas.
Mas dentro… A Grande Serpente que entrara não parava de cuspir seu veneno.

O próprio Anu interferiu na disputa, alertando Inanna de que o deus que se escondia na Montanha possuía armas terríveis: “Sua explosão é avassaladora; elas a impedirão de entrar”. Em seguida, Inanna foi procurar justiça pelos trâmites legais, levando sua causa contra o deus ofensor ao tribunal.

Os textos não deixam dúvida sobre a identidade do inimigo de Inanna. Tal como nas histórias sobre Ninurta, ele é chamado de A.ZAG e apelidado de “A Grande Serpente”, ou seja, Marduk. O local onde ele se escondeu é o “E.KUR, cujas paredes atingem os céus”, isto é, a Grande Pirâmide.

O registro do julgamento e da condenação de Marduk está num texto bastante fragmentado publicado pela Seção Babilônica do Museu da Universidade da Pensilvânia. As linhas legíveis começam com os deuses já sitiando a pirâmide e um porta-voz dirigindo-se a Marduk, “enclausurado”, implorando-lhe que se entre-gasse. O “malvado” ficou comovido com o apelo: “apesar da raiva em seu coração, lágrimas marejaram-lhe os olhos”. Marduk concor-dou em sair e apresentar-se diante do tribunal. O julgamento teria lugar perto das pirâmides, num templo situado à beira do rio.

Ao local de reverência, junto ao rio, acusadores e acusados se dirigiram.
Os inimigos ficaram a um lado.
A justiça foi colocada em ação.
Ao chegar a hora de sentenciar Marduk, veio à baila o mistério da morte de Dumuzi. Não havia dúvida de que ele era o responsável, mas teria sido propositado ou um acidente? Se o crime não fora premeditado, não caberia uma sentença de execução.
Enquanto estavam ali, perto das pirâmides, Inanna teve uma idéia, que apresentou diante do Conselho dos Deuses:

Nesse dia, a própria Dama, aquela que fala a verdade, a acusadora de Azag, a grande princesa, emitiu seu impressionante julgamento.

Existia um jeito de condenar Marduk à morte sem de fato e-xecutá-lo, disse a deusa. “Que ele seja enterrado vivo dentro da Grande Pirâmide”.

Que ele fique lá, como dentro de um envelope lacrado.
Sem ninguém para lhe fornecer alimento; sozinho deve sofrer, a fonte de água potável será cortada.

O Conselho dos Deuses aceitou a sugestão. “Tu és a dona da arte… A sorte decretas. Que assim seja!”. Imaginando que Anu concordaria com o veredicto, “os deuses passaram a ordem para o Céu e a Terra”. Ekur, a Grande Pirâmide, acabara de se transformar nu-ma prisão e, daí em diante, um dos epítetos de sua dona passou a ser “Senhora da Prisão”.

Foi então, acreditamos, que se terminou a lacração da pirâ-mide. Deixando Marduk sozinho na Câmara do Rei, os deuses que o prenderam saíram e, ao atingirem o Corredor Descendente, solta-ram o dispositivo que fez deslizarem os blocos de granito que lacra-ram a entrada para o Corredor Ascendente.

Devido aos dutos inclinados que ligavam a Câmara do Rei às faces norte e sul da pirâmide, Marduk tinha ar para respirar, mas não lhe fora deixado nenhum alimento ou água. Ele estava enterrado vivo, condenado a morrer em agonia.

O registro do enclausuramento de Marduk ficou preservado em tabuinhas de argila encontradas nas ruínas de Assur e Nínive, as antigas capitais assírias. O texto de Assur sugere que ele servia de roteiro para uma cerimônia realizada habitualmente na Babilônia, reencenando o sofrimento e o salvamento do deus. No entanto, nem a versão babilônica original nem o texto anterior sumério em que esse roteiro se baseou foram descobertos.

Heinrich Zimmem, que transcreveu e traduziu o texto de Assur a partir das tabuinhas guardadas no Museu de Berlim, criou uma grande comoção nos círculos teológicos ao anunciar sua interpreta-ção numa conferência realizada em setembro de 1921, pois viu nele um Mistério pré-cristão, tratando da morte e da ressurreição de um deus e, portanto, uma lenda do Cristo primitiva. Stephen Langdon, por sua vez, ao incluir o texto em seu livro sobre os Mistérios de Ano-Novo da Mesopotâmia, deu a esse relato em especial o titulo de A Morte e Ressurreição de Bel-Marduk, salientando seus paralelos com a história da morte e ressurreição de Jesus contada no Novo Testamento.

Mas, como conta o texto, Marduk ou Bel (“O Senhor”) não morreu, embora tenha sido encerrado dentro da Montanha como se ela fosse uma tumba – o que faz com o que o paralelo ainda se susten-te.

Essa antiga “peça teatral” para as festividades de Ano-Novo começa quando Marduk já está encarcerado na Montanha. Um men-sageiro vai avisar Nabu, o filho do deus, que, chocado com a notí-cia, toma seu carro para ir à Montanha. Ele chega “à casa na beira da Montanha, onde é interrogado”. Respondendo às indagações dos guardas, o filho aflito diz que é “Nabu, que vem de Borsippa, procu-rando saber sobre o bem-estar de seu pai, que foi feito prisioneiro”.

Vários atores entram e saem no palco. Eles representam “as pessoas das ruas que correm à procura de Bel, perguntando: ‘Onde ele está preso?”‘. O texto explica que depois de Bel “ter entrado na Montanha, a cidade foi tomada pelo tumulto” e, “por causa dele, houve muita luta”. Então surge uma deusa, Sarpanit, a irmã-esposa de Marduk, que é avisada por um mensageiro em lágrima que seu marido foi levado para a Montanha. Ele mostra as roupas de Marduk (possivelmente manchadas de sangue), dizendo: “Esta é a veste que tiraram dele, que foi trocada por um Traje de Condenação”. O homem então exibe uma mortalha para a platéia. “Isto significa que ele está num caixão”.

Sarpanit aproxima-se de uma estrutura que simboliza a Montanha. Ela vê um grupo de carpideiras. O roteiro explica:

Essas são as que lamentam depois que os deuses o trancaram, separando-o dos vivos.
Na Casa do Cativeiro, longe do sol e da luz, eles o prenderam.

O drama chega ao clímax: Marduk está morto…

Mas… Esperem, nem tudo está perdido! Sarpanit recita u-ma súplica aos dois deuses capazes de falar com Inanna a respeito de seu marido: seu Pai, Nannar/Sin, e seu irmão, Utu/Shamash. “Ela reza para Sin e Shamash, dizendo: ‘Dêem vida a Bel’.”

Sacerdotes, astrólogos e mensageiros entram no palco numa procissão, recitando preces e encantamentos, para fazer sacrifícios em honra de Inanna/Ishtar, pedindo sua misericórdia. O sumo sacerdote roga ao deus supremo e também a Sin e Shamash: “Devolvam Bel à vida!”.

O drama agora muda inesperadamente. O ator que faz o papel de Marduk, vestindo uma mortalha “tinta de sangue”, de repente começa a falar: “Não sou um pecador! Não serei exterminado!”. Em seguida anuncia que o deus supremo reviu seu caso e considerou-o inocente.

Mas, então, quem era o assassino? A atenção da platéia é desviada para a “porta de Sarpanit na Babilônia” e fica sabendo que o verdadeiro deus culpado foi capturado e vê sua cabeça por uma fresta da porta. “Essa é a cabeça do malvado, que será executado”.

Nabu, que retornara a Borsippa, volta para “parar diante do malvado e olhá-lo bem de perto”. Não ficamos sabendo a identidade do verdadeiro culpado, mas somos informados de que Nabu já o vira antes na companhia de Marduk. “Este é o pecador”, diz ele, selando o destino do cativo.

Os sacerdotes agarram o malvado, e ele é executado. “Aquele que cometeu o pecado” é levado num caixão. O assassino de Dumuzi pagou o crime com a própria vida.

Mas o pecado de Marduk, o de ser o causador indireto da mor-te de Dumuzi, pode ser reparado? Sarpanit reaparece em cena, u-sando as Vestes da Expiação. Ela limpa simbolicamente o sangue que foi derramado e em seguida lava as mãos em água purificada. “Esta é a água para a lavagem de mão que trouxeram depois de o Malvado ter sido levado embora.” Tochas são acesas em “todos os lugares sagrados de Bel”, e novamente todos dirigem súplicas ao deus supremo. A supremacia de Ninurta, que fora proclamada por ocasião de sua vitória sobre Zu, é reassegurada, aparentemente para aplacar qualquer receio de que Marduk, libertado, pudesse tentar contestá-la. Os rogos se sucedem até que o deus supremo envia um mensageiro divino, Nusku, para “anunciar as boas novas”.

Num gesto de boa vontade, Gula, a consorte de Ninurta, envia a Sarpanit novas roupas e sandálias para ser entregues a Marduk. A carruagem do deus, sem o condutor, é trazida à cena. Mas Sarpanit está confusa; não entende como Marduk poderá ser libertado, se estava preso numa tumba lacrada. “Como poderão colocar em liberdade aquele que não tem como sair?”

Nusku, o mensageiro divino, explica que Marduk passará pelo SA.BAD, a “abertura superior entalhada”. Conta que ela é:

Dalta biri ska iqabani ilani
Uma porta-túnel que os deuses perfurarão

Shunu itasrushu ina biti etarba
Seu vórtice eles levantarão, em sua morada reentrarão.

Dalta ina panishu etedili
A porta que foi barrada diante dele

Shunu harrate ina libbi dalti uptalishu
No vórtice do buraco, dentro das entranhas, uma porta eles perfurarão.

Qarabu ina libbi uppashu
Aproximando-se, em suas entranhas forçarão uma passagem.

Essa descrição de como Marduk seria libertado permaneceu sem sentido para muitos estudiosos. Todavia, para nós, o significado está mais do que claro. Como explicamos anteriormente, o segmen-to irregular e grosseiro C do Poço da Pirâmide não existia quando a construção foi concluída nem quando Marduk foi encarcerado. Ele foi o túnel que os deuses abriram para libertar o prisioneiro perdo-ado.

Como ainda estavam familiarizados com a disposição interior da estrutura, os Anunnaki perceberam que o caminho mais curto para chegarem a Marduk, faminto e sedento, seria abrindo uma passagem unindo os segmentos B e D do Poço de construção, o que representaria escavar um túnel de pouco mais de dez metros através dos relativamente moles blocos de calcário, uma tarefa que poderia ser realizada em poucas horas.

Removendo a pedra que cobria a entrada do Poço no Corredor Descendente, os salvadores entraram no trecho G e subiram rapidamente pelos segmentos inclinados E e F. No local onde E se ligava com o trecho vertical D, existia uma pedra de granito cobrindo a entrada na Gruta. Ela foi empurrada para um lado – e ainda continua nessa posição. Os salvadores galgaram a pequena distância até o alto de D e viram-se diante do primeiro curso de blocos de calcá-rio da pirâmide.

Cerca de dez metros acima ficava o fundo do trecho vertical B e o caminho para a Grande Galeria. Quem mais, senão os que ti-nham construído a pirâmide poderiam saber de suas seções superio-res lacradas e tinham as plantas do projeto para localizá-las?
Portanto, nossa teoria é que foram os salvadores de Marduk que escavaram o trecho C, usando ferramentas para “perfurar uma porta-túnel”.

Tendo atingido B, eles passaram para a pequena passagem horizontal A, onde um estranho, sem conhecimento do interior da i-mensa estrutura, teria parado mesmo se tivesse conseguido chegar até lá, pois só o que teria visto era uma parede de caleário sólido. Por isso, sugerimos que só os Anunnaki, que tinham em mãos a plan-ta do projeto da Grande Pirâmide, poderiam saber que atrás do bloco de caleário que tinham diante deles ficava a imensa cavidade da Grande Galeria e todas as outras partes superiores.

Para eles conseguirem acesso a essas câmaras e passagens, eles teriam de remover a pedra de rampa em forma de cunha, mas ela estava ajustada demais e não podia ser movida.

Se ela pudesse ter sido puxada, continuaria ali, na Grande Ga-leria. No entanto, o que vemos é um buraco, e todos os que o exa-minaram atentamente usaram a palavra explodido para descrevê-lo, afirmando que a explosão não foi de dentro da Galeria, mas a partir do Poço. Segundo Rutherford, em Pyramidology, “o buraco parece ter sido explodido por uma força tremenda vinda do interior do Po-ço”.

Mais uma vez os textos mesopotâmicos nos dão a solução do mistério. A pedra de fato foi retirada a partir do interior do trecho A. Como diz o verso final do texto que vimos: “Aproximando-se, em suas entranhas forçarão uma passagem”. Os fragmentos do bloco de calcário deslizaram pelo Corredor Ascendente abaixo até chegarem aos tampões de granito, e foi ali que os homens de Al-Mamun os encontraram. A explosão também cobriu a Grande Galeria com o pó fino e branco que os árabes encontraram – uma prova muda da anti-ga explosão e do enorme buraco que deixou.

Tendo entrado na Grande Galeria, os salvadores retiraram Marduk por onde tinham ido. A entrada pelo Corredor Descendente foi novamente fechada, mas já não com tanto cuidado, pois os ho-mens de Al-Mamun a encontraram com facilidade. Já os tampões de granito continuaram no mesmo lugar, com a pedra triangular escon-dendo-se da vista, e assim o Corredor Ascendente continuou ignora-do por milênios. E, no interior da pirâmide, as partes superiores e inferiores originais do Poço ficaram para sempre ligadas por um túnel tortuoso, grosseiramente escavado.

E quanto ao prisioneiro da pirâmide?

Os textos mesopotâmicos contam que ele foi exilado. No Egito, Ra adquiriu o epíteto de Amen, “O Escondido” ou “O Oculto”.

Por volta de 2000 a.C., Ra/Marduk reapareceu para novamente exigir a supremacia. Por causa disso, a espécie humana terminou pagando um preço por demais amargo.

Fonte: As Guerras de Deuses e Homens – Zecharia Sitchin

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