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Eram os egípcios descendentes dos maias?

Posted by luxcuritiba em maio 7, 2012

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A história maia ou a heresia de Le Plongeon

Terra do escorpião

De especial interesse para Lê Plongeon era a história contida no Códice Troano, que falava de um terrível cataclismo natural, provavelmente um terremo­to. Segundo sua pesquisa, alguns autores deixaram descrições do mesmo acontecimento em linguagem maia. Um se encontra no Códice Cortesiano, agora considerado parte do Códice Troano; outro aparece no entalhe sobre a entrada do Templo dos Jaguares em Chichén Itzá; e um último relato faz parte de um poema épico encontrado em Atenas. Entretanto, Lê Plongeon não apresentou uma tradução símbolo por símbolo do entalhe em Chichén Itzá.

A descoberta de parte de um mural, pintado em uma construção em Kabah (uma cidade logo ao sul de Uxmal), incitou Lê Plongeon a devotar muitos meses ao estudo do Códice Troano. Muitas páginas no início da segunda parte eram dedicadas a contar sobre os “terríveis fenômenos” que ocorreram duran­te o cataclismo que fez com que dez países submergissem. Entre eles estava a enorme ilha chamada “terra de Mu”, situada entre a linha estranhamente tor­tuosa formada pelas ilhas historicamente conhecidas como índias Ocidentais. Para os maias, era a “terra do escorpião”. Lê Plongeon ficou surpreso e gratifi­cado por encontrar um relato dos acontecimentos escrito durante a vida dos personagens que ele descobriu nas ruínas. A história deles, descrita nas pin­turas dos murais, também era contada nas lendas e esculturas que ainda ador­nam as paredes de seus palácios e templos. Ele também sentiu-se satisfeito por descobrir que essas antigas celebridades já haviam sido convertidas, na época do Códice Troano, em deuses dos elementos. Para os novos maias, es­ses seres se tornaram os agentes que produziram os terríveis terremotos que sacudiram violentamente as “terras do Ocidente”, como conta a narrativa de Akab-cib, e fizeram com que a ilha encontrasse repouso sob as ondas do Ocea­no Atlântico.30

A viagem da rainha Móo

Com a decifração do Códice Troano, a história da rainha Móo continuou. Saindo de lucatã, ela buscou refúgio na terra do escorpião (Índias Ociden­tais), mas descobriu que Mu, o coração daquela terra, havia desaparecido. Sem alternativa, ela continuou navegando em direção ao Oriente e conseguiu chegar ao Egito. Lê Plongeon reforça essa tese sugerindo que ela é menciona­da nos monumentos egípcios e nos papiros, sempre referida como Rainha Mau (Móo). Para os egípcios, ela é mais conhecida como a deusa Ísis, que usa vestimentas de cores variadas que imitam a plumagem da arara, da qual seu nome deriva, na língua maia.31 Segundo Lê Plongeon, Ísis era o apelido cari­nhoso aplicado a ela pêlos seus seguidores e novos súditos, uma corruptela ou possivelmente uma pronúncia dialética da palavra maia icin (pronuncia-se idzin), que significa “irmãzinha”.

Antes de deixar a península de lucatã, a rainha Móo ordenou a constru­ção de um monumento, o Templo dos Jaguares, que era dedicado à memória do príncipe Coh. Os principais acontecimentos da vida dos dois foram descri­tos em cores vivas nas paredes da câmara mortuária. Não satisfeita com isso, ela também ergueu sobre seus restos mortais um mausoléu equivalente às es­plendorosas estruturas em mármore modernas, de propósito similar.

Todos os quatro lados do monumento eram decorados com painéis em mezzo relievo (Meio-relevo, em italiano. – N. da T.). Um friso representa um guerreiro moribundo deitado de cos­tas, joelhos dobrados, as solas dos pés firmemente plantadas no chão. Sua ca­beça, jogada para trás, está coberta por um capacete. De seus lábios entreabertos o sopro da vida escapa na forma de uma delgada chama. Sua postura é a mes­ma dada pêlos maias, durante aquela época, a todas as estátuas de seus gran­des heróis, uma posição que representava o contorno do império maia, na medida em que o corpo humano pode imitá-lo.32

A parte superior do corpo, em vez de estar ereta, é representada reclina­da, e sua cabeça jogada para trás simboliza o chefe da nação sendo morto. Em sua mão direita, que repousa sobre o peito, ele segura um cetro partido com­posto por três lanças, as armas que lhe infligiram os ferimentos mortais. Um ferimento encontra-se embaixo da escápula esquerda, mirando o coração pe­las costas, indicando que a vítima foi morta traiçoeiramente. Os outros dois estão localizados na parte inferior das costas. Seu braço esquerdo está posicio­nado sobre o peito, com a mão esquerda repousando sobre o ombro direito, um sinal de respeito entre os vivos. Lê Plongeon interpreta isso como umaatitude de humildade, com a qual as almas dos mortos devem comparecer diante do trono do juízo de Yum-cimil, o “deus da morte”. Lê Plongeon espe­culou que se tratava do mesmo costume mostrado nas inscrições e papiros egípcios, onde as almas, postadas diante do trono de Osíris em Amenti, aguar­davam sua sentença.

“Os egípcios”, diz o egiptólogo pioneiro sir John Gardner Wilkinson, “posicionavam os braços das múmias estendidos ao longo do corpo, com as palmas voltadas para dentro, ou à frente, sobre a virilha, algumas vezes cruza­dos sobre o peito; e, ocasionalmente, um braço na primeira posição descrita e o outro na última”.33 O bibliotecário e paleógrafo Champollion Figeac (1788-1867), tecendo considerações sobre o monumento ao príncipe Coh, observa que a extremidade superior do cetro com o qual ele é representado é orna­mentada com uma flor dipétala, com um botão no centro da corola apenas meio aberto.34 Isso deve representar o fato de que o guerreiro morto foi assas­sinado na flor da idade, antes de atingir a maturidade. A porção inferior do cetro é esculpida para representar uma pata de jaguar e lembrar o nome do herói morto, Coh, ou Chaacmol, “jaguar”.

     O étimo da última palavra é Chaac, “trovão”, “tempestade”; daí, “força irresistí­vel”; e mol, “a pata de qualquer animal carnívoro”. O jaguar, sendo o maior e mais feroz entre as bestas que habitam as florestas e Iucatã e a América Central, os maias, que, como já foi dito, nomeavam todas as coisas por onomatopeia, chamaram seu mais famoso guerreiro de Chaacmol; ou seja, “a pata veloz como o trovão”, “a pata com uma força irresistível como a tempestade”.35

Nos painéis que adornam a arquitrave foram entalhadas duas figuras. Uma é um jaguar e a outra uma arara no ato de lamber (ou comer) corações. Segundo Lê Plongeon, a primeira é o totem do guerreiro em cuja memória o mausoléu foi erguido. A outra é o de sua esposa, a rainha Móo, sendo repre­sentada no ato de lamber os corações de seus inimigos derrotados em batalha, de modo a herdar seu valor.

Aos pés da balaustrada, grandes cabeças de serpentes com bocas abertas e línguas salientes adornam a escadaria que conduz ao topo do mausoléu. Es­sas cabeças de serpente, totens dos Can (família dominante), eram usadas em todas as edificações erigidas por eles para anunciar que haviam sido construí­das por ordem deles. A língua saliente era o símbolo da sabedoria entre os maias, e era usada com frequência nas representações de sacerdotes e reis, que eram dotados de grande sabedoria.

A Esfinge maia

Uma estátua muito interessante encima o mausoléu do príncipe Coh: um ja­guar moribundo com uma cabeça humana. Para Lê Plongeon, essa era a “au­têntica esfinge”, e, possivelmente, o protótipo da misteriosa Esfinge egípcia. Essa esfinge maia, como o jaguar nas esculturas, possui três orifícios profun­dos em suas costas, simbolizando os ferimentos infligidos em Coh por seu ir­mão Aac.

Esse valoroso guerreiro maia, a quem os inimigos não conseguiriam ma­tar em uma luta justa, foi traiçoeiramente assassinado por seu covarde irmão, justamente como Osíris, no Egito, foi morto por seu irmão Seth, e pelo mes­mo motivo — inveja. Na história egípcia, Osíris nos chega como um mito. En­tretanto, de acordo com Lê Plongeon, o príncipe Coh, o amado Ozil, era uma realidade tangível — os restos do seu coração carbonizado foram encontrados, bem como as armas que causaram a sua morte.

Figura 8.3. Mausoléu do príncipe Coh

Desde a sua descoberta, a Esfinge egípcia foi um enigma em relação à sua cultura e antiguidade, que permanece insolúvel até hoje. Ela ainda é, nas pa­lavras do Barão Christian Karl Josias Bunsen, autor de Egypt’s Place in Univer­sal History (1848), “o enigma da história”.36 Bunsen observa que o nome mais visível na esteia (uma laje de pedra vertical antiga, com inscrições ou marcas) no templo entre as patas da Esfinge é o de Armais, que foi faraó entre 1298 e 1394 AEC, segundo a lista dos reis compilada pelo sacerdote e historiador gre­go Maneton. De acordo com William Osburn, autor de The Monumental History of Egypt, as Recorded on the Ruins of Her Temples, Palaces, and Tombs (1854), a Esfinge foi obra de Quéfren; mas Osburn ainda tinha dúvidas, pois acrescenta:

     Por outro lado, o grande enigma da Esfinge barbada gigante ainda permanece insolúvel. Quando e por quem a estátua colossal foi erguida, e qual era seu sig­nificado? […] Estamos acostumados a encarar a Esfinge no Egito como um retrato do rei, e, de fato, geralmente como um rei em particular, cujas feições dizem que ela reproduz.37

Nos caracteres hieroglíficos, a Esfinge é chamada Neb, “o senhor”.38 Richard Lepsius (1810-1884), considerado o fundador da moderna egiptologia, observa:

     O faraó Quéfren foi citado na inscrição [na esteia entre as patas da Esfinge], mas não parece razoável concluir, por isso, que foi ele o responsável pela construção do leão, já que uma outra inscrição nos diz que o faraó Quéfren já havia visto o monstro, ou, em outras palavras, que a estátua já existia antes dele, obra de ou­tro faraó. Os nomes de Tutmósis IV e Ramsés II, e também o de Quéfren, estão inscritos na base.39

Plínio, o primeiro autor a mencionar a Esfinge, refere-se a ela como o Túmulo de Amasis.40 Como já foi discutido no capítulo I, a idade da Esfinge não pode ser determinada com certeza. Jacques de Rougé (1842—1923), em seu Six Premiere Dynasties, supõe que a Esfinge pertença à quarta dinastia (2575-2467 aec), mas que tem a mesma idade das pirâmides, se não for mais antiga do que elas. Quanto ao seu significado, Clemente de Alexandria sim­plesmente nos diz que a Esfinge era um emblema da “união da força com a prudência ou sabedoria”41 – ou seja, de força física e intelectual, supostos atributos dos reis egípcios.

Lê Plongeon aponta certas analogias que existem entre a Esfinge egípcia e o jaguar com cabeça humana que está agachado no alto do mausoléu do príncipe Coh. Para entendermos melhor essas analogias, é necessário levarmos em consideração não só os nomes da Esfinge, como também sua posição em relação ao horizonte e às construções à sua volta.

A Esfinge egípcia contempla o leste e encontra-se na frente da segunda pirâmide (a de Quéfren), sobranceira ao Nilo. Ela representa um leão (possi­velmente um leopardo) agachado ou em repouso, com uma cabeça humana. Piazzi Smyth nos diz que “pela cabeça e pelo rosto, embora em nenhuma ou­tra parte, muito da superfície original da estátua ainda está pintada de verme­lho desbotado”.42

O mausoléu do príncipe Coh, em Chichén Itzá, encontra-se em frente e a leste do Templo dos Jaguares. A estátua em seu topo era a de um jaguar com cabeça humana. A cor sagrada dos maias era o castanho avermelhado, a julgar pêlos afrescos na câmara mortuária; e, segundo o bispo de Iucatã, Diego de Landa, mesmo durante a época da conquista espanhola os nativos tinham o hábito de cobrir o rosto e o corpo com pigmento vermelho.43

Acerca da Esfinge egípcia, Henry Brugsch-Bey, egiptólogo e autor de A History of Egypt under the Pharaohs (1881), escreve:

     Ao norte dessa forma gigantesca encontra-se o templo da deusa Ísis; um outro, dedicado ao deus Osíris, está localizado do lado sul; um terceiro templo foi de­dicado à Esfinge. A inscrição na pedra sobre esses templos diz o seguinte: Ele, o Hor vivo, rei do alto e baixo país, Quéops, ele, o dispensador de vida, fundou um templo para a deusa Ísis, a rainha da pirâmide; ao lado da casa do deus da Esfinge, a noroeste da casa do deus e da cidade de Osíris, senhor do lugar dos mortos.44

A Esfinge, localizada entre templos, dedicada a Ísis e a Osíris por seu fi­lho, Hor, parece indicar que a pessoa representada por ela era intimamente li­gada a ambas as divindades.

Uma outra inscrição mostra que ela foi especialmente consagrada ao deus Ra-Atum, ou o “Sol no Ocidente”, ligando-a, dessa maneira, às “terras na direção do sol poente”, ao “lugar dos mortos” e ao país de origem de seus an­cestrais. Os antigos egípcios acreditavam que era para lá que retornariam após a morte e apareceriam diante de Osíris, que estaria sentado em seu trono no meio das águas. Então, ele os julgaria por suas ações enquanto estavam na terra.

Samuel Birch, fazendo anotações na obra de Sir Gardner Wilkinson, Manners and Customs of the Ancient Egyptians, diz que “a Esfinge era chamada de Ha ou Akar”.45 Na linguagem maia, essas palavras significam “água” e “lago” ou “pântano”. Nesses nomes, Lê Plongeon sugere, está a pista de que o rei, representado pela Esfinge, habitava um país rodeado pela água.

     Sua posição, com a cabeça voltada para o Oriente e sua parte posterior para o Ocidente, não pode ser desprovida de significado. Não poderia ser o de que o povo que a esculpiu viajou do Ocidente em direção ao Oriente? Do continente ocidental onde Ísis era rainha, quando ela abandonou sua terra natal e navegou em busca de um novo lar, na companhia de seus seguidores? Não pode ser que o leão ou leopardo com cabeça humana seja o totem de algum personagem fa­moso na pátria-mãe, intimamente relacionado à rainha Móo, altamente venera­do por ela e por seu povo, cuja memória ela desejava perpetuar na sua terra de adoção e entre as futuras gerações?46

Figura 8.4. Hieróglifo de Osíris

Lê Plongeon questiona: “Seria a Esfinge o totem do príncipe Coh?” Na linguagem maia, no entablamento do Templo dos Jaguares, e nas esculturas que adornam o mausoléu do príncipe Coh, ele era representado por um ja­guar. No Egito, Osíris, como rei de Amenti (rei do Ocidente), era representa­do por um leopardo, segundo Lê Plongeon (fig. 8.4). Seus sacerdotes usavam uma pele de leopardo sobre suas vestes cerimoniais, e uma pele de leopardo sempre estava pendurada perto de suas imagens ou estátuas.47

Ao procurar explicar o significado dos nomes inscritos na base da Esfin­ge, Lê Plongeon faz uso da linguagem maia e suas coincidências fonéticas com o antigo Egito. Ele cita a obra History of Egypt de Henry Brugsch-Bey:

     No texto, a Esfinge é chamada de Hu, uma palavra que designa o leão com cabe­ça de homem, enquanto o nome real do deus representado pela Esfinge era Hor-makhu, que significa “Hórus no horizonte”. Era também chamado de Khepra, Hórus em seu lugar de descanso no horizonte onde o sol se põe.48

Heródoto nos diz que Hórus foi o último deus a governar o Egito antes do reinado de Menés, o primeiro rei terreno.49 Hórus, o filho mais novo de Ísis e Osíris, veio ao mundo logo depois da morte do seu pai. Ele dispôs-se a vin­gá-lo, combatendo Seth e defendendo sua mãe contra ele.

Na linguagem maia, Hormakhu é uma palavra composta de três primiti­vas: hool, “cabeça” ou “líder”; ma, “país” (ou radical de Mayach, que se torna sincopada pela perda da inflexão yach, que forma o nome composto); e ku, “deus”. Hormakhu poderia então significar “o deus chefe em Mayach”. Vale a pena acrescentar que as inscrições maias, entre outras, eram lidas da direita para a esquerda, assim com as egípcias. Lê Plongeon afirma que ma significa Mayach nesse caso, pois o sinal […], que tem a forma da península de Iucatã, forma parte do hieróglifo egípcio que representa o nome da Esfinge.50

Ele deduz que se isso não fosse intencional, os hierogramáticos teriam usado qualquer outro dentre os vários sinais para representar a letra latina M. Lê Plongeon nos lembra de que a escrita hieroglífica era primordialmente pic­tórica. Ele vai além e afirma que o sinal egípcio […], o “sol se pondo no hori­zonte ocidental”, torna evidente que o hieróglifo […] tinha a intenção de representar um país, com um contorno geográfico parecido, situado no Oci­dente. Os maias faziam uso do mesmo sinal para designar regiões situadas na direção do poente (o sinal forma parte da palavra Alau no Códice Troano, na parte 1, quadros 2 e 3 de Lê Plongeon).31 Em maia, Khepra seria lido Keb-la – keb significa “inclinar”, la é a “verdade” eterna – o deus, em outras palavras, o sol. Então, Kebia ou Khepra é o sol inclinando-se no horizonte. Quanto ao nome Hu, usado em textos para designar a Esfinge, pode ser uma contração da palavra maia hul, que significa “flecha”, “lança”.

Como símbolos de seus atributos, os gregos sempre colocavam armas ofensivas nas mãos dos seus deuses. Assim também faziam os egípcios. Eles representavam Neith, Sati ou Khem, segurando um arco e flecha. Dotaram Hórus com uma lança, hul, com a qual ele matou Seth, o assassino de seu pai. Às vezes, Hórus é representado de pé em um barco, trespassando a cabeça de Seth, que está nadando na água.52 Será que isso era para indicar que a tragédia teve lugar em um país rodeado de água, que só podia ser alcançado por meio de barcos? Eles também representavam Hórus na terra, perfurando a cabeça de uma serpente com uma lança. Lê Plongeon pergunta retoricamente: Seria a serpente no Egito um dos totens de Seth, o assassino de Osíris, assim como a ponta de uma lança era o totem do príncipe maia Aac, assassino do príncipe Coh? Lê Plongeon acredita que a resposta seja sim.

Na celebração da festa de Osíris, os adoradores costumavam jogar uma corda para a assistência, que a despedaçava, como se vingasse a morte de seu deus. A corda representava a serpente, o emblema de seu assassino. O que leva Lê Plongeon a perguntar novamente: “Seria isso uma reminiscência da tragédia ocorrida na terra natal, onde um membro da família Can (serpente) assassinou seu irmão?”

A partir dos retratos de seus filhos entalhados na entrada da câmara mor­tuária do príncipe Coh, sabemos que seu filho mais novo chamava-se Hul. O totem de Hul era uma ponta de lança, gravada acima de sua cabeça. “Hul, Hu, Hor e Hol não são palavras cognatas?”, pergunta Lê Plongeon.

Em Sacred Mysteries Among the Maya and Quiches, Lê Plongeon se esfor­ça para mostrar, por meio da identidade de suas histórias e dos nomes e dos totens, que os egípcios adoravam Geb, Nut e seus filhos (Osíris, Seth, Ísis e Néftis) como deuses. Lê Plongeon argumenta que esses eram os mesmos per­sonagens da família real maia: rei Canchi; sua esposa, Zoe; e seus cinco filhos, Cay, Aac, Coh, Móo e Nike.

Não encontrando a terra de Mu, a rainha Móo foi para o Egito, onde se tornou a deusa Ísis e era adorada por todo o país. Ela sabia que, séculos atrás, colonos maias, vindos da índia e das margens do Eufrates, já tinham se estabe­lecido no vale do Nilo. Ela buscou refúgio entre eles, e eles a receberam de braços abertos, aceitando-a como rainha. Eles a chamaram Icin, “a irmãzinha”, uma palavra carinhosa que com o tempo mudou para Ísis. Com o passar do tempo, seu culto se tornou até superior ao de Osíris.53 O poeta e filósofo Lúcio Apuleio (123-170 EC), em sua obra “Metamorfoses” (também conheci­da como “O Asno de Ouro”), escreve o que Ísis diz: “Mas os etíopes e os egíp­cios, que o sol ilumina, com reconhecida sabedoria ancestral, adoram-me com as cerimônias devidas, e chamam-me pelo meu verdadeiro nome, Ísis”.54

O historiador grego Diodoro Sículo (c. 90-21 aec), em Biblioteca históri­ca, descreve a sua fala:

     Eu, Ísis, rainha do país, educada por Tot, Mercúrio. O que eu decretei, ninguém pode anular. Sou a filha mais velha de Saturno (Seb), o mais jovem dos deuses. Sou irmã e esposa do Rei Osíris. Ensinei os homens a plantar. Sou a mãe de Hórus.55

No Livro dos Mortos (Papiro de Ani, de 1240 AEC), traduzido por Wallis Budge), Ísis diz: “Sou a rainha dessas regiões; fui a primeira a revelar aos mor­tais os mistérios dos grãos. Sou aquela que está na constelação do cão”.

Terá sido a rainha Móo, para perpetuar a memória do seu marido na ter­ra de sua adoção, quem construiu a Esfinge egípcia em honra ao seu falecido marido em Chichén Itzá – similar ao mausoléu do príncipe Coh? Ali, ela o re­presentou como um jaguar moribundo com uma cabeça humana, suas costas perfuradas três vezes por uma lança. No Egito, ela o representou também por um grande felino com uma cabeça humana, mas o imortalizou como uma alma altiva e glorificada, velando pelo país que garantiu a segurança dela.

Segundo Lê Plongeon, depois de morta a rainha Móo foi deificada, ado­rada e referida como a “boa mãe dos deuses e dos homens”. Os gregos a cha­mam de Maia, os indianos, de Maya, e os mexicanos, Mayaoel. Será que ela incumbiu seu filho Hul da supervisão da construção dessa maravilha do mun­do remanescente? Será por essa razão que vários textos egípcios se referem à Esfinge como Hu? Augustus Lê Plongeon acreditava que sim.

Novas evidências para uma antiga teoria

O trabalho que Augustus e Alice Lê Plongeon realizaram, e o registro que eles criaram em Iucatã, eram tão bons quanto os de seus contemporâneos, mas não havia outros pesquisadores trabalhando na região para que os resultados possam ser comparados. Augustus era um estudioso dedicado e um homem brilhante e empreendedor, mas sem evidências que as comprovassem, suas teorias e ideias não passaram de um exercício de desmoralização para seus adversários que já haviam aceitado uma datação mais recente para as civiliza­ções das Américas. Se Lê Plongeon houvesse refreado suas teorizações, seu trabalho teria sido saudado como uma grande conquista arqueológica. Em vez disso, com a história da rainha Móo e a disseminação da civilização maia, seu trabalho foi deixado de lado e esquecido. O nome de Lê Plongeon rara­mente é citado em textos atuais sobre estudos maias.

Mais de cinquenta anos depois da publicação de Queen Moo and the Egyptian Sphinx, Thor Heyerdahl, um homem que acreditava firmemente que as civilizações antigas, separadas por oceanos, mantinham contato, provou que era possível atravessar o Pacífico e o Atlântico na mais simples das embar­cações. Quarenta anos depois, Svetla Balabanova também encontrou evidên­cias (em sua descoberta de nicotina e cocaína em múmias egípcias) de que o Oriente conhecia o Ocidente, e que eles comercializavam mercadorias. E, é claro, há também o dr. Robert Schoch, que apresentou provas positivas de que a Esfinge é mais antiga do que a civilização dinástica egípcia. Esses fatos che­garam com um século de atraso para Lê Plongeon. Infelizmente, ele estava muito à frente do seu tempo para o seu próprio bem.

Embora o caso da rainha Móo e sua viagem para o Egito permaneça, na melhor das hipóteses, circunstancial, com esses novos fatos podemos agora especular de um ponto de vista muito diferente. Lê Plongeon jamais propôs coisa alguma que estivesse fora do âmbito das possibilidades.

Por último, há a questão das pirâmides, difícil de não mencionar quando se trata de Egito Antigo. É claro que Quéops, Quéfren, Miquerinos e outros das primeiras dinastias construíram as pirâmides. Também é evidente que na Antiguidade, se alguém desejasse construir algo realmente grande, o formato teria de ser piramidal – isso é uma questão de física. Ainda que pirâmides de vários tipos e estilos tenham sido encontradas por todo o mundo, é um enga­no comum acreditar que a terra do Nilo contém mais pirâmides do que qual­quer outro lugar. As culturas do antigo México e da América Central detêm essa honra. Elas construíram mais pirâmides do que qualquer outra civiliza­ção. Com cada lado da base medindo 800 metros e seis vezes maior do que a Grande Pirâmide, a Pirâmide Danta, na Guatemala, é a maior que já foi cons­truída pela humanidade. Foram os maias que a ergueram.59

Será a conexão maias-egípcios sugerida por Lê Plongeon um exagero? Talvez não. Como veremos mais adiante, há evidências nas tradições autócto­nes egípcias que sustentam a ideia de que os maias, de algum modo, tiveram contato com o Egito.

Fonte: O Egito antes do Faraós, Edward F. Malkowski, Editora Cultrix, São Paulo-SP, 2010, pp.199-211.

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