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A Invenção dos Edifícios de Pedra

Posted by luxcuritiba em março 25, 2011

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KHASEKHEMWY NÃO DEIXOU herdeiro masculino ao trono e foi sucedido por Zanakht, o primeiro faraó da III Dinastia, por sua vez sucedido por Neterikhet (Zóser). Imhotep, arquiteto do faraó Zóser, tornou-se o responsável pela construção da primeira pirâmide. Antes de discutir essa grande façanha, vamos revisar a pouca informação relevante que sobreviveu a respeito dessa misteriosa personalidade histórica. É certo que Imhotep deixou um legado inesquecível. Historicamente, a vida de poucos homens é celebrada por três mil anos. Imhotep, porém, foi renomado desde o auge de seus feitos, mais ou menos no ano 2700 a.C., até o período greco-romano. Era tido em tão alta reverência como médico e sábio, que chegou a ser contado entre os deuses. Endeusado no Egito dois mil anos após sua morte, quando foi expropriado pelos gregos, que lhe deram o nome de Imuthes e o identificaram com o deus Asclepio, filho de Apolo, seu grande sábio e lendário descobridor da medicina.

Imhotep escreveu a mais antiga “literatura da sabedoria”, máximas veneradas que desgraçadamente não sobreviveram. O Egito considerava-o como o maior dos escribas. Este gênio orientador do reinado do faraó Zóser foi o primeiro grande herói nacional da terra. No reinado do faraó Zóser, Imhotep ocupava a segunda mais eminente posição no Egito, e este fato foi registrado na pedra. Na base da estátua do faraó Zóser, escavada na Pirâmide Escalonada, o nome e títulos de Imhotep são mencionados no mesmo lugar de honra que os do faraó. Eram muitos os seus títulos: Chanceler do Faraó do Baixo Egito, Primeiro após o Faraó do Alto Egito, Administrador do Grande Palácio, Médico, Nobre Hereditário, Sumo Sacerdote de Anu (On ou Heliópolis), Arquiteto-Chefe do Faraó Zóser e, curiosamente, Escultor e Fabricante de Recipientes de Pedra.

FIGURA 33. Estátua de Imhotep.

Os títulos confirmam os registros deixados pelo historiador greco-egípcio Maneto, escritos em grego 2.400 anos depois, durante princípios da Era Ptolemaica, no século III a.C. Maneto foi um dos últimos sumos sacerdotes de Heliópolis. Parte de seu texto descrevendo a figura de Imhotep foi traduzida no ano 340 d.C. por um historiador eclesiástico chamado Eusébio, sob a forma de “o inventor da arte de construir com pedra talhada”. Este trecho se refere à construção da primeira pirâmide. Na verdade, a tradução de Eusébio está incorreta. As palavras gregas usadas por Maneto, xestos (xeston) lithon, não significam pedra talhada, mas, sim, pedra polida. As palavras descrevem pedra com uma superfície bela, lisa, um aspecto característico de pedra aglomerada de revestimento, tão polida, que refletia a luz do sol. As mesmas palavras foram usadas em textos gregos de Heródoto e Sextus Julius Africanus (século III). É impossível a tradutorestranspor textos com exatidão, se carecem de conhecimentos técnicos fundamentais. Erros semelhantes de tradução foram cometidos ao longo de toda a história, e teremos oportunidade de fornecer mais adiante exemplos a este respeito.

Considerava-se Imhotep como filho de uma mulher chamada Khradu’ankh e do deus Ptah, de Mênfis. O título Nobre Hereditário indica parentesco aristocrático. Sua carreira teria começado quando ao tempo de rapaz, educado por um escriba. Sendo seus pais membros da elite, as lições teriam começado à idade de 12 anos. Como os sacerdotes estavam entre os cultos do Egito, é possível que tenha recebido treinamento como escriba, ingressando na vida sacerdotal. Seu título, Sumo Sacerdote de Heliópolis, era tradicionalmente concedido com observância de duas condições. O homem ou sucedia a seu pai na vida sacerdotal ou era pessoalmente nomeado para o cargo pelo faraó por causa de algum grande feito. Esta posição só podia ser ocupada após extensa educação nas artes e ciências — leitura, escrita, engenharia, aritmética, geometria, medição de espaços, cálculo do tempo pela ascensão e ocaso de estrelas, e astronomia. Os sacerdotes de Heliópolis tornaram-se os guardiães dos conhecimentos sagrados, e sua reputação de sábios do país persistiu até o Último Período.

FIGURA 34. A Pirâmide Escalonada de Zóser foi a primeira estrutura do mundo construída inteiramente em pedra.

As ideologias religiosas e ciências desses homens tinham alta aplicação na construção de tumbas e em outras obras de arquitetura sagrada. Um magnífico templo solar, orientado pêlos corpos celestes, foi construído durante o reinado de Zóser, a fim de assinalar o local mais sagrado de Heliópolis. A cidade era o santuário sagrado do Egito, o terreno em si religiosamente simbólico. O local de Heliópolis fora escolhido no ponto onde ficava o ápice do Delta ou onde as águas de inundação do Nilo começavam a refluir. Aí a terra, fertilizada pela chegada do limo e alimentada pelo Sol, recebia a primeira vida renovada do ano agrícola. Esse terreno representava renascimento e criação.

Localizada a cerca de 32km de Mênfis, estima-se que a cidade media 1.200 x 800m. Tornou-se a capital do 13º nomo, ou distrito, do Baixo Egito. Nunca foi estabelecida a história arqueológica exata dessa cidade. Por isto mesmo, não se sabe quando se rompeu pela primeira vez a terra para início de sua construção. Julga-se que a cidade foi fundada durante a pré-história e que durou um impressionante curto espaço de tempo. Floresceu na Era das Pirâmides e continuava a ser um centro importante quando Heródoto visitou o Egito no século V a.C. Diz a tradição que a Sagrada Família encontrou asilo em Heliópolis durante sua fuga para o Egito. Atualmente, desapareceram todos os templos e prédios de Heliópolis, e o local abandonado foi incorporado a um subúrbio da zona leste do Cairo. No meio dos campos vazios resta apenas um obelisco, erigido para comemorar o jubileu do faraó Sesóstris (1971-1926 a.C.).

Ao ser entronizado, o faraó Zóser esperava sem dúvida ser sepultado em uma mastaba de tijolos de barro, semelhante às de seus antecessores. O local de sua tumba foi escolhido em Saqqara, ao sul de Mênfis. Planos começaram a ser elaborados e cálculos feitos para a orientação do monumento. Nesta altura, a história subsequente da construção da primeira pirâmide terá que ser revista à luz de minhas descobertas.

Minerais estavam sendo escavados para se obter pedra, presumivelmente para revestir paredes internas e pisos. Os trabalhadores do faraó Zóser construíram e entalharam uma esteia nos penhascos de arenito das minas de Wadi Maghara, no Sinai, a fim de comemorar a construção do monumento. Pouco tempo antes do início das obras de construção propriamente ditas, Imhotep fez uma importante descoberta. Alguns de seus títulos, como Arquiteto-Chefe, Escultor e Fabricante de Recipientes de Pedra, descrevem as perícias necessárias à construção de monumentos com pedra alquimicamente produzida. Ele teria se voltado à construção de uma mastaba que duraria para sempre. Tal como o orgulho em uma grande nação, o orgulho intrínseco a um monumento seria sua longevidade.

O clero de Khnum aparentemente combinou sua ciência alquímica com a dos sacerdotes de Heliópolis, quando a pedra foi fabricada pela primeira vez para emprego em arquitetura. Talvez Imhotep tenha se especializado em processamento de materiais ou alquimia. Seu objetivo pode ter sido fortalecer os tijolos de barro do Nilo usados na construção de mastabas. Quaisquer tentativas dele ou de outros de curar no fogo tijolos feitos com o limo do Nilo teriam sido inúteis. O limo do Nilo não contém sílico-aluminato, componente necessário para produzir bons tijolos refratários às temperaturas que podia atingir. Eles não chegariam nem mesmo perto das temperaturas necessárias de 1.300 a 1.500°C. Barro comum fora tratado a fogo na fabricação de vasos desde tempos prédinásticos, usando-se fundentes para baixar a temperatura, mas este material tratado a fogo era impraticável para fins de construção.

Imhotep acrescentou água ao calcário amarelo de Saqqara. Este material contém argila aluminífera, que é liberada na água, obtendo-se um calcário lamacento. A água facilita a desagregação, tornando o calcário ideal para a fabricação de pedra, e a própria argila, ou barro, produz resultados dramáticos em combinação com a soda cáustica. Usando-se argila aluminífera, o volume necessário de mafkat, material do processo mais difícil de se obter, era eliminado da construção da pirâmide. O mafkat era necessário apenas para pedras de alta qualidade, tais como as pedras de revestimento que protegiam o monumento. Reduzindo o volume necessário de mafkat, a inovação simples de Imhotep representou um salto enorme, das aplicações funerárias em pequena escala para a escala maciça das pirâmides.

FIGURA 35. Os estágios sucessivos da construção da Pirâmide de Zóser foram a mastaba (M) e as aplicações do projeto (P1 e P2).

Pequenos moldes de tijolos de barro foram enchidos, como havia sido feito durante incontáveis gerações, a fim de serem usados na mastaba do faraó. Mas, pela primeira vez, estavam sendo enchidos com material de concreto de calcário. Os novos tijolos de pedra, de vários centímetros de comprimento, eram secados ao sol, retirados dos moldes e transportados para o canteiro de obras. Estes primeiros tijolos não foram moldados in situ. Os tijolos de pedra alquimicamente produzidos foram usados para se construir uma enorme mastaba quadrada, com seus lados orientados pêlos pontos cardeais. A câmara funerária ficava sob o solo. Recobria-se a mastaba com pequenos tijolos de revestimento, lisos, de calcário alquimicamente produzido, e o monumento sagrado era considerado completo.

Passou algum tempo, e os tijolos de pedra não demonstraram sinais de rachadura. O faraó desejou sem dúvida usar o novo material de construção em novas obras. Imhotep traçou planos para ampliar a mastaba. Inicialmente, nove metros de calcário de fina qualidade, aglomerado, foram aplicados a cada um dos lados. Em seguida, ele elaborou um plano mais ambicioso. Um acréscimo, ou ampliação, de 7,5m, na face leste, transformou a mastaba quadrada em retangular, e o projeto mais uma vez foi encenado.

FIGURA 36. A fim de construir as pirâmides da III Dinastia, os trabalhadores (A) fabricavam tijolos de calcário em moldes de madeira, (B) transportavam-nos para o canteiro de obras e (C) construíam as pirâmides em camadas inclinadas.

Uma inspeção posterior mostraria que a pedra, sob o peso da massa, não apresentava rachadura. O faraó Zóser e Imhotep conferenciaram mais uma vez e elaborou-se um plano para elevar em duas camadas a estrutura. Escavaram-se também câmaras subterrâneas adicionais, um poço e corredores. Aumentando o tamanho da estrutura, aumentou-se também o tamanho dos tijolos. Somos testemunhas, portanto, de dramáticas alterações no projeto, inevitáveis com todas aquelas inovações tecnológicas.

Quanto mais extraordinária se tornava essa maravilha arquitetônica, mais construíam sobre ela. O volume de pedra que poderia ser fabricado teria parecido interminável. Uma transformação em uma estrutura de quatro camadas foi seguida por outra fase de construção, na qual a forma final de uma pirâmide em seis degraus, de sessenta metros de altura, emergiu. Seu projeto incluía paredes internas e camadas inclinadas de pedra, a fim de proporcionar maior estabilidade ao todo. Com grande perícia e engenhosidade Imhotep incorporou todos os métodos de engenharia e artísticos que a nação herdara de incontáveis décadas de construção com madeira, feixes de caniços e talos e tijolos de limo secados ao sol.

FIGURA 37. Os tijolos de calcário da pirâmide de Zóser são arredondados, como tijolos moldados.

O resultado final assumiu a forma de um complexo funerário extraordinário. A doutrina religiosa de Heliópolis influenciou profundamente sua forma arquitetônica e o simbolismo de seus motivos ornamentais. O tema do projeto incorporou mitologia, que preservava e amalgamava as mais antigas e acalentadas crenças cosmológicas do Egito. Ensinava a teologia de Heliópolis que, no princípio, um megálito primordial, conhecido como Ben Ben (benben), emergiu das águas do Caos. O benben representava a colina ou monte sobre o qual começou a Criação. Mas tem sido interpretado como simbolizando substância física primeva, densa, ou a matéria. O Criador apareceu no benben sob forma humana, como Atum, a personificação do Sol, ou sob a forma de Bennu, a fénix da luz. Do caos elementar, o Criador separou as trevas das águas. Formou uma trindade, após ter criado a si mesmo e a Shu, o deus do ar, e Tefnut, a deusa da umidade. Tefnut e Shu procriaram Geb, a terra, e Nut, os céus. Quatro outras divindades foram criadas, e todos os deuses juntos formaram a novena de Heliópolis. Em tempos mais recentes, o filósofo grego Empédocles (circa 495-435 a.C.) reconheceu nos deuses primordiais egípcios personificações do ar, da água, da terra e do fogo. Empédocles e alquimistas de eras posteriores sustentavam que estes eram os elementos indestrutíveis que compunham toda matéria.

James Henry Breasted (1886-1935), fundador do Instituto Oriental da Universidade de Chicago, foi o primeiro a reconhecer que as próprias pirâmides são representações do benben. Após a construção do primeiro templo de Heliópolis, o Egito adotou a ideologia de que o benben, ou pedra simbólica do deus Sol, localizava-se embaixo do templo.

O tema teogônico aparece nas câmaras subterrâneas da pirâmide de Zóser. Câmaras especiais são revestidas com mosaico cerâmico azul, em desenhos que mostram o pântano primevo de caniços, de onde emergiu inicialmente a vida vegetal. O azul era a cor simbólica do Criador, e a vitrificação azul dos mosaicos imitavam a crisocola, o mineral mafkat indicativo da Criação. Com exceção desta primeira pirâmide monumental, o tema artístico que mostra os fatos da Criação foi preservado apenas no mais sagrado dos grandes templos ao Sol.

Em uma sala especialmente projetada, uma estátua em pedra, em tamanho natural de Zóser sentado no trono, representava seu espírito eternamente reinante, ou ka. Ao ser encontrada por arqueólogos, estava intacta, exceto por alguns danos nos olhos e na área facial circundante. Os olhos eram provavelmente de pedras semipreciosas, e tudo indica que foram removidas ao ser saqueada a tumba. Algumas estátuas de pedra do Antigo Império, que ora se encontram no Louvre e no Museu do Cairo, são muito admiradas por seus olhos incrustados, técnica esta que conferia à peça extraordinário realismo e que podia ser facilmente conseguido pelo uso de pedra alquimicamente produzida. Outras salas guardavam os trinta mil recipientes de pedra de Khnum, aglomerados onde haviam sido usados agregados de xisto, brecha, granito, diorito e vários outros tipos de pedras.

Em volta da pirâmide, uma muralha de linhas arquitetônicas limpas, originariamente de mais de nove metros de altura, formava uma área fechada de mais de 2,5km2. Uma das características da pedra lisa que revestia a muralha e que desapareceu na maior parte é que parece ter sido polida. A muralha protegia uma elegante entrada de colunas, grandes pátios, avantajados edifícios, um templo mortuário e altares e santuários cerimoniais. A área fechada constituía virtualmente uma cidade completa. O caráter do projeto da muralha circundante lembra a arquitetura moderna e, na verdade, influenciou um estilo arquitetônico deste século. Arquitetos europeus que visitaram Saqqara em princípios deste século acharam a muralha circundante um desvio novo interessante da rebuscada arquitetura vitoriana. Voltaram de lá com inspiração para um estilo de arquitetura que hoje consideramos moderno e aceitamos como natural.

A pirâmide era o orgulho do Egito. O complexo funerário de Zóser, com sua pirâmide imponente e arte refinada, não tinha precedente na história do mundo. Durante toda a história egípcia, a era de Imhotep foi considerada como uma época de grande sabedoria. Tal como o evento da Primeira Vez da Criação, como foi chamado, e a fundação ou amálgama da nação egípcia pelo primeiro faraó, Menes, a construção da Pirâmide Escalonada foi considerada como outro evento de primeira vez de suprema importância.

As pirâmides. A solução de um enigma. Joseph Davidovits e Margie Morris, Editora Record, 1988, Rio de Janeiro-RJ, pp. 120-129.

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