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Visita à chamada “Pirâmide” da Serra do Mar em Natividade da Serra

Posted by luxcuritiba em março 30, 2012

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Dando seqüência a nossa analise sobre os vestígios encontrados na Fazenda Palmeiras, fizemos uma visita apressada ao local, quando surgiu uma oportunidade não prevista. Não era o melhor momento, nem pela época nem pelo tempo disponível. Sabíamos que não seria possível obter muitos resultados. Mas seria um primeiro contato com o local, e isso já valeria a pena. Pretendemos dar continuidade a este assunto até que se possa esclarecer algo mais. Este assunto tem sido desde seu inicio tratado com irresponsabilidade. De maneira nenhuma este sitio é uma pirâmide, mas é um sitio arqueológico, sim. Mesmo que seja alguma construção do século retrasado. As pessoas que perguntaram sobre este sitio , foram tratadas com desdém por se interessar em um assunto que parecia fugir dos padrões politicamente corretos da arqueologia consagrada no Brasil. E quase ninguém se dignou a responder suas perguntas . Inclusive pela pouca experiência em arqueologia de arquitetura que temos no Brasil. O terror de se envolver é pior se a construção foge aos padrões reconhecidamente coloniais.

As dificuldades para chegar ao local , acabam sendo, a distancia e os engarrafamentos na saída e na chegada ao Rio de Janeiro. Viajamos 800 kmida e volta e demoramos 15 horas na estrada. Esses percalços abreviaram mais o tempo útil para desenvolver as tarefas no local. Quem vai de São Paulo percorre distancia menor.

Existem duas opções de chegada ao local. Indo pela Rio- São Paulo ( Rod. Presidente Dutra) e em Taubaté acessar a Rod. Osvaldo Cruz , até o km 57. Onde, à direita, existe uma discreta entrada a uma estrada de terra com 15 Km. Chegando-se finalmente a Fazenda Palmeiras. A outra opção mais pitoresca seria ir pela estrada Rio-Santos até Ubatuba e então tomar a Rod. Osvaldo Cruz, subindo a serra, porém esse trecho (antigamente chamado de Estrada da Quebra Cangalha) é bastante sinuoso e com curvas muito fechadas além do declive. Nós fomos pela Via Dutra e voltamos pela Rio Santos.

Passamos menos de 48 horas no, local o que foi em parte frustrante. Localizar vestígios, reconhecer o local, tirar fotografias, desenterrar vestígios e fazer observações gerais nesse curto período de tempo não permite aprofundar o trabalho porque alem disso , éramos só dois.

A FORMAÇÃO SIMILAR A UMA PAVIMENTAÇÃO

Existem vestígios pouco explicados na colina que foi classificada como “pirâmide”. Na base desta colina, estão soterradas as pedras que aparecem na foto, nos limitamos a localizá-las e medimos a parte aparente. Foi dito que todas haviam sido removidas. Não é verdade. Ao que parece estão quase todas lá. Compare com as fotos da antiga escavação em 2003, abaixo. As que aparecem nas fotos de cima são as da extrema direita nas fotos de baixo. As fotos são das mesmas pedras O que aconteceu é que voltaram a ser soterradas. Esta formação não tem nada a ver com uma pedreira como alguns especulam. Em qualquer lugar do mundo e em qualquer época isto é uma tentativa de pavimentação, estranha, sim, porque seria mais lógico colocar as pedras em sentido horizontal. Houve algum motivo para fazer isto como se apresenta. Pedreiro nenhum nos séculos passados faria a bobagem de fazer uma pavimentação com as pedras nessa posição (sentido vertical) ainda que fosse pouco inteligente se não tivesse uma boa razão. A altura media destas pedras é de45 cm.

Aqui há uma lógica que pretendeu atingir algum objetivo que desconhecemos. Posso arriscar uma hipótese. Se o terreno não era muito firme, e parece que não era, as pedras colocadas na horizontal, com qualquer umidade proveniente de chuvas ficariam passiveis de se movimentarem. Já na posição em que estão custariam muito mais a dançar sobre o solo ou a desnivelar-se Outra coisa a observar é que esta formação estava bem enterrada. O barranco à esquerda tem mais de 2m. Repare que a pedra mais larga, ao fundo, que, tem boa altura, foi colocada na posição horizontal, porque tendo boa altura não faria diferença.

Na ocasião em que levaram a escavação ate maior profundidade, nota-se que as pedras aparentam mais regularidade. Nas duas fotos são as mesmas pedras. Observem-se os blocos no fundo, na frente da aresta da estrutura piramidal. Ampliando a fotografia se nota que são quadrangulares, com certeza pertencentes à alvenaria de algum muro ou parede, ou até mesmo à pavimentação. É evidente que o trabalho do trator misturou os vestígios. Esta formação das fotos acima, de maneira alguma é natural, e isso é incontestável.

Croquis da disposição das pedras da foto acima

As pedras da parte de cima do croquis correspondem às da extrema direita das fotos acima.Faltam pedras que com certeza foram arrancadas pelo trator.

A formação das fotos não é uma rampa como parecia nas fotos de 2003 e 2009. Mais bem se assemelha a uma pavimentação bastante irregular, porém quase horizontal, e que se estende para dentro da colina. Haveria que segui-la. Aquele bloco maior que em matéria anterior estimamos como tendo1.80 m, na verdade tem1.33 mde comprimento e sua largura e de 30cm , sua altura é de60 cm. Esse bloco pesa 622 quilos. O havíamos estimado maior porque achávamos que havia um cabo de enxada atrás dele. Não era uma enxada e sim uma alavanca. As outras pedras da foto são bem menores. Mas a disposição é intrigante. Haveria que verificar que,se havendo veios, estes se prolongam de uma pedra para outra , o que nos diria que faziam parte de uma mesma camada. E nesse caso poderia confirmaria de que é uma formação natural. Mas não é o que está parecendo. E muito provável que na ocasião do aplainamento muitos restos de algum muro hajam sido destruídos e as pedras espalhadas. Devem ser as pedras espalhadas logo abaixo do platô da estrutura piramidal.

Subindo desse ponto a encosta da colina há muita pedra solta más não vimos nenhuma muito grande e a maioria não tem formas sugestivas de trabalho humano. Mas há muitos blocos com formas e cortes quadrangulares que se espalham até o topo da colina. E muito provável que aqui houvesse uma construção que usava tanto pedras aparelhadas como pedras em bruto ou pouco aparelhadas.

Um muro de pedras irregulares depois de desmoronado, fica difícil de saber se era muro ou pedras soltas dispostas pela natureza. O capim estava bastante crescido e era difícil ver as pedras mais interessantes. A época certa para esta observação é na época fria e seca ( Junho , julho). Quando o capim está seco ou queimado.

AS LAJES APARENTEMENTE PADRONIZADAS

Não conseguimos localizar todas as pedras das fotos dos relatórios anteriores mas achamos pelo menos uma das que se assemelham a lajes , a qual media 0.75 por 0.55 por16 cmde espessura e conseqüentemente com um peso de 160 quilos.

Uma das lajes quase retangulares. Digo quase, porque sempre há alguma diferença entre as dimensões dos lados opostos. No entanto é evidente que seguem algum padrão. O que chama a atenção é que parece que a sua superfície sofreu o ataque dos elementos durante muito tempo. Por outro lado não tem cantos vivos, são arredondados. Não foram feitas a cinzel. Ou são naturais (o que acho impossível, porque há várias similares) ou foram obtidas por percussão com martelo de pedra dando uma superfície similar a um apicoado.Falando com menos compromisso podemos dizer que estas pedras são polidas. Embaixo as fotos de outras lajes similares que não pudemos localizar ainda, fotografadas em 2009. Sabemos qual é a área onde estão , mas com o capim alto é difícil achá-las, haveria que fazer um varredura.

Nestas duas fotos de 2009 que estamos vendo há pelo menos mais 5 lajes aparentemente do mesmo tamanho ,padrão, proporções e com a mesma espessura ( em torno de16 cm) iguais a que mostramos em foto anterior . Está claro que não é obra da natureza. Aqui esta evidente que houve um trabalho de estereotomia, ainda que rústico, e não mostra traços de ter sido efetuado com talhadeiras.

Dizer que estas lajes são naturais é, forçar a lógica. No entanto é preciso analisar um aspecto importante. Essa padronização de lajes e blocos, na America do Sul só foi uma constante durante o período da expansão do império inca entre 1438 e 1533. Cabe a pergunta se blocos elaborados 600 anos atrás teriam sofrido a alteração superficial que se observa no bloco embaixo da estrutura piramidal ( cinza chumbo por dentro, e enferrujado por fora , igual que a laje mostrada com as ferramentas em cima. Ou se estas lajes e blocos são muito mais antigos e nos coloca numa situação completamente fora de contexto, onde não podemos especular mais nada, pois estaria fora da lógica arquitetônica das épocas e culturas que nos conhecemos e entre quais as poderíamos situar. Por outro lado a arquitetura dos primórdios da colonização européia na America do sul e arquitetura inca do século XV são praticamente contemporâneas ainda que as técnicas, ora sejam parecidas, ora bem diferentes.

A ESTRUTURA PIRAMIDAL QUE POSSIVELMENTE DEU NOME AO SITIO

A estrutura piramidal que se vê na foto é constituída de peças de madeira com 5.5cm por 11cm de seção transversal , bem fracas por sinal. A custo se agüenta em pé, e uma das pernas (vértice da pirâmide) esta cedendo e cairá em breve. Evidentemente que a razão da montagem dessa estrutura é apenas esotérica. Na sua origem pode ter sido um esquema para guiar a construção de uma pirâmide de pedra , que era a intenção original , segundo nos disse o proprietário. Em relatórios a anteriores se diz que aquela estrutura teria servido para desmontar uma ruína. Isso não seria possível porque não agüentaria o peso de uma pedra como a que esta embaixo e nem mesmo uma menor. Além do mais, se alguma pedra foi mexida , foi com a pá de um bulldozer, por ocasião do aplainamento de parte do terreno. E de fato uma pedra igual a essa que está embaixo da pirâmide foi levada e colocada na entrada da fazenda como decoração. Más infelizmente isso só me foi comentado depois de eu ter ido ao local e por isso não a medimos para ver se segue um padrão igual à que está embaixo da estrutura piramidal. Fica para a próxima visita.

A pedra que está embaixo da estrutura piramidal não tem exatamente as dimensões que os relatórios anteriores mencionam e que inclusive eu mesmo adotei para compará-las com as arquitraves do Templo das Três Janelas. Inclusive é ligeiramente irregular, ainda que possa servir de uma boa arquitrave de porta ou janela, e arriscaria a dizer que foi esse seu uso.

O GRANDE BLOCO EMBAIXO DA ESTRUTURA PIRAMIDAL

Note-se, na quebradura ocorrida durante a escavação, a alteração da superfície do bloco em virtude do tempo de exposição aos elementos.Profunda alteração na parte de cima ( superfície original do talhado do bloco) Pouca alteração na parte de baixo onde sofreu uma quebradura posterior,com certeza muito mais nova que a talha original do bloco . Nota-se que a camada esbranquiçada que ocorre em cima, embaixo não existe. Resumindo , a espessura da camada alterada em cima é muito maior que em baixo. Portanto esse bloco já teve esse vértice e outros que estão faltando do outro lado, possivelmente quebradas em algum desmoronamento da estrutura em época longícua e muito posterior à talha original do bloco Observa-se que nesse bloco há fraturas novas (possivelmente ocorridas na movimentação quando o terreno foi aplainado por máquina), mostrando a cor cinza chumbo, e em outras partes ou já era assim, irregular, ou sofreu quebraduras há muitíssimo tempo e igualou toda a cor da superfície.

A camada superficial alterada até boa profundidade em toda a pedra mostra que este bloco foi esculpido há muito tempo, não parece ser coisa de 100 ou 200 anos.

Quando ele foi achado estava enterrado por ali perto e foi colocado nessa posição. Se aumentamos a foto , se nota o que parece um acabamento entre apicoado ( pequenos pontos ) e polido.

Suas medidas reais são:1.66 mde um lado e 1.62 do outro no comprimento, e 0.70 e 0.57 de largura. Sua espessura é de 34 cm em media. Fica claro que só serviria em uma parede de0.70 cmde espessura. Em uma das fotos feita por ocasião do aplainamento do terreno ao fundo parecem se ver duas peças similares a esta,semi enterradas. Elas devem estar no mesmo local, valeria a pena localizá-las. Estas grandes peças igual às das fotos, se foram feitas, é muito provável que funcionassem como arquitraves de vãos. Com certeza não eram pilares. Este bloco é pouco prático para servir de ”grande tijolo“ em uma parede. O peso desse bloco revisto, com suas medidas reais, ainda é enorme, 913 quilos.

Notam-se outras pedras com cantos retos, mas estando em grande parte enterradas, não dá para ver se seguem um padrão de paralelogramo em todas as direções. A pedra da esquerda está encosta acima e as da direita perto da base na estrutura piramidal. Não se pode, a priori, afirmar, se um amontoado de pedras, sendo a maioria irregulares, pode ou não ter sido um antigo muro. No entanto esse monte de pedras que se vê na foto da direita podem ter sido parte de um muro desmoronado. Dando a impressão de que quando aplainaram o terreno as jogaram para baixo. Se esse for o caso , deve haver parte desse muro enterrado e em bom estado ainda.O problema é que varias pessoas estão se negando a responder perguntas e assim fica difícil seguir as pistas do que ainda possa haver no local. Continuo notando uma falta total de interesse e compromisso de todos os envolvidos neste caso, tanto pessoas como instituições. E esta ficando cada dia mais difícil continuar esta pesquisa.

COMPARAÇÕES COM OUTROS LOCAIS SUL AMERICANOS

Acima vemos um antigo muro do Pucará da colina chamada “A Muralha” no Chile. Um muro desse tipo quando desmoronado é difícil de identificar como obra humana. À direita vemos o que se vê onde o muro foi totalmente destruído, apenas um pouco da fundação emerge. Alguém poderia dizer que é apenas um afloramento rochoso.

Abaixo temos um esquema da Waka (santuário e observatório) da colina de Chena no Chile com as posições do nascimento e ocaso do sol em diversas épocas. O colocamos para orientação melhor do sitio, comparando as direções. Essas direções eram balizadas por portas e janelas colocadas em locais exatos.

O divisor de águas da colina está exatamente na direção da linha do solstício de inverno ( a linha vermelha ) sua principal encosta segue esta direção . A “pavimentação” que vimos no início está na base deste divisor de águas, ao lado da parte que aparece como um retângulo verde claro. Citamos isto apenas como uma curiosidade, por enquanto.

A linha amarela representa o norte. As setas do lado direito do desenho acima representa os pontos de nascimento do sol nos solstícios e equinócios, solstício de inverno (em vermelho), solstício de verão( em azul). E em verde a linha de equinócios. O nascimento do sol é do lado direito. A imagem de um animal, é a forma das muralhas da Waka da colina de Chena no Chile. Colocamos lado a lado com o sitio para mostrar a orientação do mesmo em relação aos solstícios e equinócios. Não é o caso que tenhamos achado alguma razão específica, mas pode vir a ser interessante analisar este fato. Se o local é um sitio antigo não identificado, não sabemos a que tipo de cultura possa pertencer, e é preciso destacar qualquer fato que possa ser relevante.

Em baixo temos uma particularidade. O pucará conhecido como “A Muralha“, no Chile. Comparamos sua localização e disposição com a situação do sitio em questão. O tracejado em vermelho indica onde ficava uma antiga lagoa, hoje seca, que protegia aquele flanco. Em branco vemos os muros fechando o outro flanco, indo até a lagoa. O traçado das muralhas desenha uma ave em vôo, propositalmente. A colina do sitio que estamos analisando também está às margens de um açude que com certeza sempre existiu e foi até maior possivelmente chegando até a colina. Portanto fechava todo o flanco leste. Não esqueçamos que existem valas pelo lado oeste e norte, e pelo lado sul é muito íngreme. Poderia ser uma posição defensiva tal como um pucará

Mas parece mais um tipo de local cerimonial com uma waka ou huaca, mas por enquanto são apenas suposições . Na arqueologia brasileira consagrada não existe estes tipo de sítio, mas isso não deve nos deter, até termos evidências do que é realmente o sítio, e se é um sitio arqueológico de fato.E como este sitio estaria totalmente fora de contexto em relação a arqueologia da área poderíamos levantar a suspeita de que quem o construiu esteve de passagem, ou não era uma população autóctone dessa área.

Também devemos deixar claro que os pucarás e as huacas não surgiram com o Império Inca, já eram hábito de varias populações americanas antes dos incas. Estamos de acordo em que no Brasil não há antecedentes deste tipo de sitio. Ou ao menos ainda não foram registrados. Estamos apenas levantando possíveis evidencias que ajudem a esclarecer o assunto. E fazemos comparações com casos sul americanos. Não temos convencimento de nada, más devemos desconfiar de tudo. A prova arqueológica só poderá vir com escavações técnicas. E as respostas poderão ser bem diferentes de tudo o que especulamos. Descartar o sitio como sem importância sem fazer maiores sondagens é irresponsabilidade. Apesar de que já houve quem ache tudo obra da natureza. Na verdade, por enquanto, temos pouco material para avaliar que tipo de construção e se houve uma construção, de fato nesse local. Mas aqui, em princípio, há algo diferente.

O TERRENO EM VOLTA DO SITIO

O terreno da colina esta remexido superficialmente por varias causas. Algumas cabeças de gado pastam no local e há muitos montes de estrume, este tipo de atividade causou uma alteração superficial do terreno inclusive deslocando as pedras menores. Evidentemente que animais de 300 quilos transitando no local vão misturar o solo. Se havia uma construção, em épocas passadas , e é o que parece, deve ser investigado. Ela sofreu , primeiro a destruição causada pelas gerações de árvores nascendo e morrendo e posteriormente o uso como pastagem. Se essa construção não era composta com argamassa resistente, com o tempo se transformaria num simples amontoados de pedras, parte soterrada e parte soltas a flor da terra. E isso é o que parece, ao menos nas fotos mais antigas. Há indícios que suas pedras já vem sendo usadas par outras construções faz tempo.

Vista para o lado leste e o açude. Na foto seguinte. Vista com a colina, olhando para sudoeste. Note-se que está separada por uma vala ou garganta. Em primeiro plano se nota a estrutura piramidal, e no topo da colina pode-se ver a linha de transmissão elétrica que passa pelo local

Embaixo vemos o local onde na fotografia aérea há uma alteração do terreno. Estivemos no local e pudemos ver que se trata de uma alteração do terreno criando um barranco. Do lado leste o terreno é mais baixo (lado direito), aproximadamente 1,5m. Não foi possível verificar se há algum muro enterrado ou não causando essa alteração.

A esquerda vala e o riacho que separa a colina pelo lado nordeste. À direita a continuação da vista da colina em direção leste vendo-se a área do açude e áreas outrora possivelmente inundadas pelo açude. A alteração do terreno mostrada na fotografia aérea está um pouco à frente da touceira de bambu mais volumosa. Na foto acima à esquerda, vista da cachoeira da Porciana desde a colina do sitio.

Vista em direção leste um pouco mais à direita , ao fundo o Hotel Fazenda. A foto da direita é continuação da esquerda.

Vista desde o Hotel em direção oeste. No canto esquerdo, no meio da foto, está a pequena colina do sitio em um plano intermediário. Na foto da direita vê-se a encosta suave da colina que desce em direção leste.

O local em si tem algumas particularidades que valem a pena ressaltar. É uma colina relativamente baixa, mais bem é um contra forte de outra maior, atrás dela ( lado Norte e lado Oeste). Fica separada por uma vala ou fosso desse morro maior. Haveria que abrir o mato que cobre essa depressão para poder ver o terreno. Essa vala se prolonga ate encontrar com o riacho que desce da cachoeira da Porciana, ali perto, a uns250 m. A colina vai subindo em direção sudoeste e chegando ao topo cai abruptamente escondida numa mata de maior porte, onde já não é capinzal. Desde o topo se observa que não há vista ampla em todos esses lados descritos. Ou seja, o local está discretamente disfarçado, sendo esses lados os mais íngremes. Já o lado sudeste e leste tem vista bem mais ampla ou até totalmente despejada. Justamente esses lados são os menos íngremes. A visão desse lado chega a mais ou menos a um quilometro, até as margens do rio Paraibúna. Más no meio está o açude, que já deve ter sido muito maior. Foi passada a idéia de que o rio Paraibuna está apenas a alguns metros do sitio em questão. Essa informação não estava correta.

Se há alguma construção em todas essas encostas, é difícil de dizer. A flor da terra não se nota nada. Mas cabe levantar a dúvida de que possa haver elementos construídos desmoronados e que estariam distribuídos na forma de um talude natural. Só se poderá saber isso se forem abertas trincheiras teste em alguns pontos. E em volta de toda a colina em sentido transversal às curvas de nível. Em relação ao terreno circundante, do lado leste, a colina não tem mais de40 mde altura. Considerando sua situação em épocas passadas pré históricas ( me refiro, antes de 1500 ) seria um local razoavelmente apropriado para instalar alguma pequena fortificação ou estabelecimento. Faltaria o motivo para se estabelecer ali. Mas pode ter havido. Entre eles poderia ter sido rota de passagem para quem sabe quem, e quem sabe para onde. E nesses casos se faz um refugio num local razoavelmente apropriado mas que não tem nenhuma particularidade especial servindo como ponto de apoio. Poderia ser este o caso, entre outras coisas.

Mas acredito que se houvessem ruínas significativas nessa colina seriam visíveis na fotografia aérea. E não se nota nada especial. Literalmente, é preciso ir mais fundo. É possível que este sitio seja parte de um maior distribuído pelos terrenos circundantes.

Existe facilidade de abastecimento de água através do riacho que forma a cachoeira da Porciana, é abastecido por um outro açude que esta em cota mais alta e funciona como um grande reservatório que abastece esse riacho de forma perene. Esta é uma condição importante para alguém se estabelecer no local. Esse açude mais alto está no cume como se fosse uma cratera e funciona como uma enorme caixa de água . Nos mapas pode ser visto do lado norte ao sitio.

Vista aérea da área com o hotel na extrema direita , o sitio no meio(retângulo verde claro), no fim da parte mais fina do açude e o outro açude no cume da elevação , que alimenta a cachoeira da Porciana O rio Paraibuna tinha antigamente abundancia de peixes, portanto sustentaria alguma população que ali morase.

Entre as curiosidades do local me foi dito que há abundância de cristal de quartzo, Não chegamos a vê-los, a não ser alguns , na fazenda, dispostos em circulo.

Foi comentado em reportagem na Gazeta do Povo que haviam retirado pedras com as formas mais sugestivas do local. É possível que alguns o tenham feito, mas deviam ser pedras pequenas que estavam na parte mais baixa da colina. As lajes que aparecem nas fotos e a que nós medimos pesam de 160 quilos para cima e estão na parte alta da colina. Não é fácil remove-las, e muito menos trazê-las para baixo, se isso não for uma prioridade.

E aqui tocamos um ponto importante. Foi levantada a hipótese de que alguém tenha cortado pedras para uso em outro local, usando matacões no alto da colina.

Na verdade não há matacões no alto da colina, que era o que parecia nas fotos de 2009. Porém as lajes mais sugestivas estão no alto da colina. Isso nos leva a crer que faziam parte de algo que havia no alto da colina e que exigiu pedras mais regulares. Se alguém quisesse cortar lajes para uso, não precisaria fazê-lo no alto, pois embaixo também a muita pedra solta.

E chegamos a em outro ponto importante. Se aquelas lajes não são naturais, e foram cortadas por mãos humanas, são restos de alguma construção, evidentemente. Mas há quem ache que aquelas pedras em padrão e em diretriz de paralelogramos são apenas naturais e fruto da clivagem natural da rocha. Pelo que podemos ver nas lajes não há vestígios de corte recente ou marcas de corte com talhadeiras. A única maneira de chegar a uma conclusão será abrir trincheiras teste no topo da colina e passando a camada de solo revolvida procurara uma razão arquitetônica nas pedras que por ventura aparecerem. Ou então detectar fundações que possa haver. Devemos lembrar que uma construção de pedras, em parte irregulares, sem argamassa quando desmorona se transforma em algo difícil de definir se natural ou artificial. Más em principio um monte de pedras juntas e soltas podem ser restos de alvenaria rústica. A não ser que tenham sido acumuladas por torrentes de água. A idéia de que as lajes do local possam ter sido restos de material para as pontes da fracassada estrada de ferro Taubaté-Ubatuba pode ser descartada, com certeza. O local não seria fonte abundante de extração de pedras. E a estrada de ferro não chegou nem perto do local

Depois de nossa visita ficamos com a certeza de que tudo é resultado de intervenção humana e houve uma construção no local.

ALGUNS DADOS INFORMATIVOS SOBRE O LOCAL

As condições de visita ao local foram facilitadas pelo apoio que nos deu o proprietário do Hotel Fazenda, nos permitindo ficar nas instalações do próprio Hotel Fazenda que nesse momento não estava muito freqüentado. No entanto não há facilidades para alimentação fora das épocas de grande movimento nem no Hotel nem nas imediações, onde só existem três bares dos quais um, serve refeições. Não há padaria nem supermercado no local. Dois quilômetros à frente está o bairro de Vargem Grande e ali tem ou tinha uma padaria e um local para fazer refeições.

Foi dito que pelo fato de ser o local um hotel fazenda haveria atividades radicais sendo desenvolvidas e deteriorando o sitio que pode ser de interesse arqueológico. Não observamos nada disso. Não há nenhuma atividade radical no sitio nem está a mercê delas. Na verdade ninguém parece se importar muito com o local e muito menos alguém o está estudando. O que para nos é lamentável.

Esta área pertenceu a uma fazenda maior que posteriormente foi dividida. Em épocas passadas antes da divisão, basicamente se explorava a agro pecuária. Não pude levantar informações fidedignas sobre se houve cultura de café, o que poderia fazer ligação entre secagem de café em terraços pavimentados com lajes de pedra. E nesse caso as lajes achadas no sitio poderiam ter sido restos de material destinado a esses terraços. Mas não me parece que seja o caso. Também é o caso de se pensar se alguém faria lajes para terraços de secar café com o peso de 160 quilos cada uma. Uma laje muito menor seria suficiente. Portanto a hipótese de ser uma estrutura criada no período colonial é muito fraca e só vai satisfazer pessoas que não foram ao local. E posso garantir que uma visita ao local mesmo de quem já tenha tido informações e imagens do local antecipadamente, como foi meu caso, não é suficiente para elaborar uma teoria. Creio que por enquanto estamos na estaca zero.

CONCLUSÃO FINAL

Poderia ousadamente presumir que possa haver existido algum monumento de menor porte no topo da colina construído com cantaria de acabamento mais sofisticado. Mas ainda faltaria explicação para as formações do pé da colina e os grandes monólitos que lá existem. No entanto pelo que pude ver há vestígios de uma construção ou construções , na colina do sitio e desconfio de que haja outras nos arredores e inclusive na mata próxima. Que partes destas ruínas foram destruídas, é quase certo , por inabilidade ou desconhecimento. Muitas perguntas minhas ficaram sem resposta porque varias pessoas não quiseram falar claro. Como começou toda a historia da descoberta deste sitio e o que de fato aconteceu não está bem explicado e possivelmente nunca saberemos. Mas ainda está em tempo de salvar o local para uma pesquisa mais aprofundada. Seja ele o que for.

Arquiteto Carlos Perez Gomar, 10 de fevereiro 2012.

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4 Respostas to “Visita à chamada “Pirâmide” da Serra do Mar em Natividade da Serra”

  1. […] Visita à chamada “Pirâmide” da Serra do Mar em Natividade da Serra […]

    • Carlos, se puder me passar o seu contato, fico agradecido. Sou o jornalista que escreveu a reportagem que sucitou a discussão. Como fará 10 anos que ninguém se mobilizou para estudar o local, retomarei de conversarmos a respeito. Att, Júlio Ottoboni (jottoboni@terra.com.br)

  2. Fabio said

    Sou morador de Natividade da Serra, achei curioso o assunto, mas na minha opiniao essas pedras sao restos das pedras que ficaram espalhadas em varios pontos da serra, para a fracassada construçao de uma ferrovia que ia cortar a serra do mar, se vcs passearem pelo municipio veram uma cabeceira de ponte no bairro dos martins com esse tipo de pedra, pedras com mais de uma tonelada, que acho eu eram entalhadas por escravos! Visitem bairro dos martins e perguntem onde fica a ponte de pedra todos aki conhecem!!

    • Carlos Pérez Gomar said

      Fabio :
      Estou pesquisando o local e já fui duas vezes ali.
      Acho importante que sendo você morador da região seja informado sobre o assunto.
      1- A ferrovia Ubatuba – Taubaté nem chegou perto do Bairro Palmeiras, no maximo” arranhou”o Bairro Alto, quando a companhia faliu.
      2- Aqueles blocos e muitos outros que consegui fotografar são talhados por sistema de polimento , método pré-colombiano , eles não foram obtidos com ponteiras e talhadeiras de aço.Isto é constatação minha e do antropólogo Luiz Galdino que também visitou o local. Não tem nada a ver com escravos da epoca colonial.
      3- No local foi achado um muro enterrado a mais de 1m que foi demolido e o resto inferior enterrado pelo proprietário, falei com testemunha que trabalhou nessa escavação . Este muro era visível em um trecho de uns 15 m e tinha mais de 3m de altura , todo feito em cantaria de pedra, muitas delas aparelhadas e tendendo ao esquadro e sem argamassa .
      4- Poucas pessoas visitaram o local e pelo que sei arqueólogo algum quis ir ao local, com certeza achando que já sabia de que se tratava. Erraram ao pensar qualquer coisa sem visitar demoradamente o local.Eu estive cinco dias revisando área e fotografando blocos e lajes , e posso garantir que há muitas , apesar de que foram retirados do local uns 80 caminhões de pedras , a maioria tendendo ao esquadro, as quais foram usadas em obras da fazenda nos últimos anos .
      5- Como arquiteto e havendo trabalhado 40 anos na área de patrimônio cultural , pude fazer uma avaliação deste sitio e mandei um relatório ao IPHAN-SP no dia 5 de novembro de 2012. Estamos aguardando uma visita deste organismo ao local para comprovação de sua origem.Também foi mandado este relatório ao Prefeito atual de Natividade da Serra.
      6- O ultimo relatório que fiz esta na internet neste endereço: http://www.viafanzine.jor.br/arqueolovia.htm, é o mais atualizado
      Vocês, os moradores da área tem um sitio arqueológico muito especial e que esta sendo destruido e ignorado. Estão negando aos moradores do local o potencial turístico que ele poderia aportar.Não dem ouvidos aos atuais funcionarios da fazenda nem ao proprietário porque estão negando tudo para ocultar a destruição feita ali.

      Carlos Pérez Gomar

      Um abraço. arquiteto Carlos Pérez Gomar

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