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Considerações sobre a chamada “Pirâmide” de Natividade da Serra

Posted by luxcuritiba em dezembro 31, 2011

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A chamada “Pirâmide” de Natividade da Serra

Como não estive no local só posso fazer observações pelo que vi em nas descrições feitas pelo geólogo Paulo Roberto Martini e o jornalista Julio Ottoboni. Utilizei as fotos feitas por eles e colocadas nos seus artigos e relatórios. Não conheço pessoalmente nenhum dos dois.

Com esta análise tento dar algum vislumbre para as pessoas interessadas no caso. Porque, tanto o silêncio científico, assim como o alarde sem base que notei em volta do assunto, me pareceram descabidos. Fica claro que não foi desmontado um edifício, foi feita uma terraplenagem e apareceram ruínas em parte atingidas pelo trabalho do trator.

Está muito claro que organismos oficiais não estão interessados no sitio, principalmente porque é um sitio com características muito diferentes do usual.

Porque disseram que havia uma pirâmide? O proprietário do Hotel queria fazer uma pirâmide. E fez. É aquela estrutura de ferro ou madeira que aparece nas fotos e dizem que foi usada para desmontar o edifício. Provavelmente não havia um edifício, e sim ruínas. Se alguém tentar guindar um bloco daqueles com aquela estrutura, ela arriaria.

Repare que o bloco foi colocado bem no centro, e em cima dele há um pendulo. Aquele bloco é para deitar e meditar ou outras atividades místicas ou holísticas. Aquele bloco provavelmente era parte de uma construção, mas foi escolhido pelo proprietário para ficar bem no centro da estrutura e está sobre um monte de terra. Não foi colocado ali para mostrar seu tipo, está lá por outros motivos. O proprietário da terra foi acusado injustamente de ter desmontado um edifício e ter sumido com as pedras. As ruínas estão lá, fora algumas partes danificadas pela terraplenagem. Mas ainda há muita coisa enterrada, para pesquisar.

Clique na imagem para ampliar.

Quando os primeiros curiosos chegaram ao local, algum peão comentou que aquilo era uma pirâmide, e para quem não pode construir uma igual à de Quéops, a solução é esquematizar a pirâmide. Quando o peão falou isso, os primeiros que chegaram devem ter pensado que tinha sido desmontado algum edifício piramidal. É evidente que o peão se referia àquela estrutura simples, tetraédrica, com o pêndulo (tem um fio de prumo ou um pêndulo pendurado para centrar exatamente a estrutura). Mas não devemos esquecer que o local é um lugar de relax, e podem ter feito aquilo para uso dos hospedes, pois está no caminho da cachoeira da Porciana. É quase certo que alguma parede achada foi demolida, durante a terraplenagem e as pedras que vemos nas fotos fariam parte delas. Daí a confusão da historia da pirâmide, e da câmara. Na foto de baixo, a famosa pirâmide e o bloco centrado.

Mapas

Mapa da área. Ampliando localizam-se os locais do sítio e da provável estrutura.

Local do sítio escavado.

Estrutura enterrada? Perto do sitio, no sopé do morro.

Nitidamente são ruínas de uma, ou várias construções. Mereceriam uma análise profunda. Uma pergunta importante seria: De onde saiu aquele bloco que está embaixo da estrutura? A que ele estava associado?

A primeira hipótese em que se poderia pensar é que alguém andou cortando pedras para uso em construções a meados do século XIX. A referencia à ocupação da área, diz que começou em 1853. Não exatamente ali, mas mais ao norte na própria Natividade da Serra. A ocupação do local, do sitio propriamente dito, deve ter sido posterior, depois de 1853. Poderia também ter acontecido que em época anterior, mas já no período histórico, alguém tenha construído algum estabelecimento que depois foi abandonado.

É preciso admitir a hipótese de que tenha havido uma ocupação muito antiga, parcialmente enterrada, más que posteriormente alguém tenha cortado pedras no topo do morro uma vez que havia muitos blocos expostos. O que cria um quadro sujeito a muitas interpretações. Para esclarecer tudo será preciso fazer um levantamento total da área, estando no local e mapeando os restos visíveis. Poderia haver um afloramento rochoso e terem sido cortadas pedras que ficaram largadas por ali, algumas poderiam se assemelhar, ao menos de longe, a lajes para pavimentar pisos. No entanto outras evidências contrariam esta hipótese.

Foto 1. Clique na imagem para ampliar.

[Foto 1] Repare nas lajes que eles estão pisando, na foto 1. Com um pouco mais de análise diria que são muito grossas para servir apenas de pavimentação. Mais parecem blocos para uma alvenaria de pedra aparente, sofisticada. Pela foto, a pedra que esta embaixo do pé de um deles tem 0.60m, de largura por 0.25m, de altura. Já o comprimento não se pode dizer exatamente, mas estimemos em, no mínimo, 1.25m. Esta pedra sendo de granito pesa no mínimo 487 quilos (peso do granito, 2600 quilos por m3). E se o comprimento for 1.80m seriam 700 quilos por bloco. Isto não é o tipo de padrão normal que foi usado corriqueiramente nas edificações nos últimos 500 anos. Se bem que se usavam peças de granito enormes em portadas e elementos de fachada em igrejas importantes, palácios, edifícios públicos ou residências abastadas. Mas pelo que sabemos, na região não há edifícios desse tipo.

As lajes do local são regulares pelos 6 lados, e lajes para pisos antigos coloniais não precisavam ter a parte de baixo regularizada, e seriam menos grossas. Esses blocos possivelmente seriam de paredes de uma construção prestigiada, de importância religiosa ou cerimonial, com certeza não eram de uma simples moradia. Ou então teríamos que admitir que alguém tentou fazer uma igreja ou algo parecido no meio do nada. Haveria ainda que deixar como possibilidade, que tenha havido uma inundação catastrófica no passado e tenha misturado mais o terreno ate certa cota. Não esqueçamos que essa região é propicia a inundações, como aconteceu em São Luiz do Paraitinga, ali perto. Esses vales entre colinas estão sujeitos a este tipo de problema. Se haviam edificações nessa colina e sofreram uma inundação, com certeza suas fundações cederam, e quase tudo desmoronou. E isto pode ter acontecido séculos atrás e nesse caso ninguém teria registro do ocorrido.

Para arquitetos com experiência em monumentos históricos não há grandes dúvidas, é uma ruína e não parece colonial. Mas a superficialidade em que estes blocos se encontram, poderia atestar contra sua extrema antiguidade. Ou alguém andou desenterrando–os.

Mas é preciso diferenciar estas lajes à flor da terra com a possível rampa e escada bem enterradas das fotos 4, 5, e 6. Poderia se pensar que houve deslizamentos que aumentaram a camada de terra mais em baixo.

Nesta primeira foto notamos também que a ruína ocupa o topo de um morro e ao fundo vemos a estrutura que usaram para desmontar parte da ruína. Portanto esta construção se estende numa área bem grande, evidentemente não é uma única construção, mas várias. No sopé desse mesmo morro parece haver outra estrutura enterrada perto do açude. Também parece que no topo desse morro foram usados os materiais mais nobres, como é o caso de alvenaria de pedra com junta seca e bem aparelhada. Más de longe não se pode precisar se aquilo são alvenarias de junta seca desmoronadas ou lajes abandonadas porque não se nota restos de argamassa nas lajes.

Foto 2. Clique na imagem para ampliar.

[Foto 2] Aqui vemos as lajes padronizadas, mas onde se percebe que não há cantos tão vivos, mas são bem arredondados. Nesta foto fica difícil avaliar as dimensões, mas pelo tamanho das folhas das plantas parece que estas lajes não são muito grossas, talvez uns 15cm de espessura. Poderíamos continuar, por enquanto, a desconfiar que fosse material para uso no século XIX. Também haveria que admitir que fosse uma construção anterior a ocupação oficial da área no século XIX, mas já no período histórico. No entanto esses cantos arredondados me fazem pensar que não foram obtidos a base de cinzel, mas por percussão de pedra com pedra. E em conseqüência sua superfície ficou com aparência de apicoado. Porém isso só poderá ser confirmado com exame no local. Mas vamos continuar admitindo que possam ser restos de alguma pedreira do século XIX. Um morro com afloramento rochoso pode ter no seu topo blocos soltos que eventualmente seriam mais fáceis de trabalhar do que uma pedreira do tipo paredão em morro, principalmente se o granito era de boa qualidade.

Foto 3. Clique na imagem para ampliar.

[Foto 3] No topo do morro muita pedra, parecendo haver um bloco bem grande de aresta reta, mas é impossível dimensionar. Este panorama poderia confirmar que o local teria sido interessante para preparar blocos para uso na época colonial. Mas também teria sido muito oportuno para quem houvesse estado ali centenas de anos atrás e também posteriormente. Poderia haver uma superposição de usos em mais de uma época.

Foto 4. Clique na imagem para ampliar.

[Foto 4]Na foto 4, pelos restos escavados de maneira desordenada, nota-se que escavaram ate o recheio entre os blocos dificultando sua interpretação. Podemos ver o que na foto parece ter sido uma escada rústica, o tipo de escada de caminho empedrado onde se misturam às vezes com partes em rampa. Neste caso o trabalho já é menos sofisticado que em relação aos blocos das fotos 1 e 2. Aqui os blocos não foram padronizados. Pode fazer parte de uma rampa mista com escada que era muito comum na América do Sul tanto na pré-historia quanto já no período histórico. Diria que é uma escada, com certeza.

Foto 5. Clique na imagem para ampliar.

[Foto 5] Na foto 5 parece o que teria sido uma rampa, mas escavaram demais. Nota-se claramente que ela sobe suavemente em direção ao topo do morro. Quem olha o que sobrou terá alguma dificuldade para interpretar. E é uma rampa larga, não parece um simples caminho pavimentado com pedras como se fazia na época colonial. A colocação das pedras alinhadas é muito sugestiva. Houve uma preocupação de alinhar as pedras, até quando isso não seria necessário. A não ser que se intercalassem degraus e rampa, e nesse caso haveria que fazer alinhamentos, é o que está parecendo. Outra observação importante é o espaçamento entre as pedras, parece haver uma preocupação rígida de manter um determinado espaço e que poderia ser o de encher com argamassa de barro de maneira a que as pedras não ficassem bambas. Todo pedreiro quando assenta lajes ou pedras em um piso deixa espaço para a junta, que será preenchida com argamassa. Evidentemente que argamassas fracas, como deve ter sido o caso, vão se desfazer e com o tempo e viram barro. Aqui parece que existiu uma norma de trabalho padronizada.

Olhando a fileira de pedras que sobraram e algumas outras isoladas, nota-se que parecem estar afundadas do lado direito, partindo do principio de que tenham sido colocadas mais ou menos niveladas. Este desnivelamento costuma acontecer em pavimentações de paralelepípedos ou outros materiais de pequenas dimensões, quando colocados em ladeiras sobre camada de material não rígido e sofrem a tração de cima para baixo. Acabam ficando inclinados em relação à superfície original do pavimento. Principalmente quando o transito é mais pesado. Mas sem examinar a colocação das pedras no local é difícil garantir que isto possa ter acontecido. Poderia significar que por ali passaram mulas ou carros de bois. O transito de pessoas apenas não causaria esta deformação. Haveria uma ultima explicação para o desnível das pedras. Pelo que sabemos foi usado um trator para fazer parte da escavação. As esteiras do trator fariam esta deformação. Só pelas fotos é difícil dizer.

Por outras informações que me chegaram foi dito que havia uma parede muito bem feita, e foi demolida porque acharam que “havia uma câmara dentro da pirâmide” (?!). Também foi achado um vaso, segundo disseram. Essa parede inteira e esse vaso teriam falado muito. Por essas mesmas informações, deduzo que nessa área da foto 5 havia uma pequena edificação. Não é tão difícil ir cavando, mesmo que não seja com métodos tradicionais de arqueologia, e perceber o que é um piso, uma parede, uma rampa. Mas como o terreno e a topografia foram alterados é mais difícil fazer a interpretação.

Foto 6. Clique na imagem para ampliar.

[Foto 6] A foto 6 é a mesma foto que a de número 4, só que tirada desde o lado direito. Notam-se blocos bem grandes, que evidentemente não faziam parte de uma parede. Com certeza era um piso. Na outra foto parece uma escada, ou mesmo uma mistura de rampa e escada. Repare na preocupação de alinhar os blocos. Existiu uma diretriz rígida de método de trabalho. Mas para que blocos tão grandes? Parece um desproposito usar blocos tão grandes para uma pavimentação. Só se justificariam se fossem para uma fundação, onde subiria uma parede.

Pelo cabo da enxada que vejo ao fundo poderia dizer que o bloco maior, o que se encontra com a enxada, deve ter 1.80m de comprimento, 0.40m de largura e 0.65m de altura. Isso dá um peso de 1200 quilos. Vale a pena fazer outra observação. Normalmente quando se trabalha com elementos de alvenaria se intercala a junta entre um elemento e outro. Ao menos fazemos isto em paredes, para amarração, mas aqui se nota que os blocos estão alinhados, e em sua maioria, nas duas direções. Bem ou mal as juntas deixam uma passagem livre, entre os blocos. Perguntaria, o que havia entre eles? Material que permitisse drenagem ou argamassa? Se alguém teve o trabalho de pensar nisso, conhecia a importância da drenagem para a estabilidade de uma construção. E mesmo que fosse argamassa permitiria alguma facilidade a mais do que a superfície da pedra. Está parecido com técnicas andinas. Nas culturas andinas e principalmente os incas, usaram a alvenaria de pedras irregulares ou sem acabamento com argamassa de barro. A este tipo de alvenaria se chamava de PIRKA. A medida que as edificações eram de uma importância religiosa ou política maior, se usava alvenaria de pedra seca muito bem feita e polida. As alvenarias de acabamento polido e perfeito tem o nome de ”INCA IMPERIAL”. Era comum em qualquer sitio ter todos os tipos de alvenarias. Quando a alvenaria de pedra seca não é tão sofisticada como a chamada INCA IMPERIAL é chamada de ENCHASED. E o exemplo típico de alvenaria ENCHASED é o templo das três janelas em Machu Pichu. As lajes e os blocos que aparecem na ruína de Natividade da Serra são similares ao tipo ENCHASED. Não podemos afirmar que aqui tenha sido o caso, mas a titulo de comparação, serve.

Foto 7. Clique na imagem para ampliar.

[Foto 7] Mais pedras emparelhadas. Não dá para dizer a que elemento pertenciam. Escavando de maneira caótica se perde a interpretação do que vai aparecendo. Notam-se manchas na pedra. É possível que algum objeto possa ter se desintegrado, deixando esta mancha ou pode ser apenas uma alteração causada por algum mineral. Ou mesmo derramaram algum liquido durante a escavação.

Foto 8. Clique na imagem para ampliar.

[Foto 8] Na foto 8 vemos o local onde havia parte da construção. Mas pela foto podemos dizer varias coisas. À direita o morro sobe e vai ate aquele ponto da foto 1. A rampa que vimos estaria na posição de quem tirou a foto subindo para a direita. Ao fundo se vêm os prédios do Hotel Fazenda Palmeiras. Antes deles o açude, encoberto pelo mato. O que deve ter acontecido neste local é que sendo um conjunto de construções em um morro, com o tempo e as árvores nascendo e morrendo, foi sendo descalçado superficialmente e com a erosão foi desmoronando e ficando com a forma bruta de algo piramidal. Tenho certeza que muita gente achou que o assunto não era sério exatamente porque o descreveram como uma pirâmide. As pessoas imaginam logo a pirâmide de Quéops.

Também não entendo porque a comparação com coisas longe da América do Sul. Foi comparada a monumentos de sinalização no México. Não é preciso ir muito longe para ter coisas similares. Dá para perceber que estamos aparentemente diante de ruínas claras de um complexo construtivo distribuído, principalmente ocupando um morro, que não parece muito alto. Diria que a metodologia usada é muito similar a construções de culturas andinas. Aquelas lajes das fotos 1 e 2 são parecidas a blocos de alvenarias de pedra seca incaicas. E tenho informações de que há mais fotos com blocos de outras dimensões, mas não as vi ainda.

Quem defendeu a teoria de possíveis incursões de culturas andinas ate São Paulo, mais especificamente dos incas, foi o arqueólogo Luiz Galdino, associando o assunto às trilhas indígenas chamadas de Peabiru. Ele desenvolveu o tema no livro “Os Incas no Brasil”, infelizmente esgotado.

O tipo de lajes seguindo um padrão de paralelogramo como vemos nas fotos, se não tem nada a ver com trabalhos de nossa época ou com culturas andinas só encontraríamos um paralelo nas culturas do Mediterrâneo, inclusive pelo tamanho e peso das pedras.

Deveria ser começada uma pesquisa com escavações pelo topo do morro, onde com certeza vai aparecer mais rapidamente a parte menos afetada das construções. Ou pelo menos tirar a limpo se se trata de lajes abandonadas ou se pertenceram a uma construção.

Foto 9. Clique na imagem para ampliar.

[Foto 9] Este bloco da foto 9, segundo referido no inicio, tem 1.75m de comprimento por 0.35m de altura por 0.75m de largura, e podemos calcular seu peso em 1200 quilos. Com certeza não era um pilar. Poderia fazer parte de uma parede. Mas o que me parece mais provável é que tenha sido uma arquitrave (verga) de janela ou de porta. Seria interessante saber onde exatamente foi achada essa peça. Nesse caso a parede teria 0.75m de largura e provavelmente seria de alvenaria de pedra seca (sem argamassa) ou se fosse de uma construção mais rústica teria argamassa de barro.

Curiosamente, se substituíssemos uma das três que estão no templo das três janelas em Machu Pichu, pela peça da foto, provavelmente passaria desapercebida. Assim como as lajes mais finas que vemos no topo do morro são quase idênticas às lajes que funcionam como arquitraves nas chamadas hornacinas (janelas falsas na parte superior das paredes, ou nichos) nesse mesmo edifício. E estou considerando largura, altura e espessura.

Foto 10. Clique na imagem para ampliar.

[Foto 10] Templo das três janelas vista externa, notem-se as arquitraves.

[Foto 11] Peça encontrada em Natividade da Serra comparada com a arquitrave do Templo das Três Janelas. Pusemos as peças ao contrario para ficarem em melhor posição de comparação.

São muito diferentes? Não parece. E tem praticamente as mesmas medidas e proporções. A de baixo é ligeiramente mais grossa. Pode ser coincidência, apenas. Ou não.

Foto 11. Clique na imagem para ampliar.

No Templo das três janelas em Machu Pichu, as janelas medem 1.32m de altura, do parapeito atá a arquitrave. Sua largura media é de 0.90m (essas duas medidas são exatas). Portanto a peça da arquitrave mede algo assim como 1.80m de comprimento. Sua altura, pelas proporções, anda pelos 0.40m, e dá para estimar a largura da parede em torno de 0.70m. Portanto a arquitrave da janela do templo avaliando pela foto e considerando que a janela tem 1.32m de altura, tem aproximadamente:

1.80m de comprimento por 0.70m de largura por 0.40m de altura.

A peça achada no local tem:

1.75m de comprimento por 0.75m de largura por 0.35m de altura.

Confirmadamente, segundo o relatório do geólogo Paulo Roberto Martini. E é preciso levar em conta que devo ter errado a exatidão das medidas porque as estou avaliando pela foto. É uma coincidência muito grande.

Em todo o mundo, em todas as épocas sempre foi comum usar as medidas do corpo para padronizar construções. Côvado (antebraço), palmo, pé, etc. Fiz uma comparação com as medidas brasileiras antigas, mas não correspondem exatamente. Vejamos: um pé, era um palmo e meio, que são 33cm, o bloco tem 35cm de altura. Um côvado tinha 66 cm, o bloco tem 65cm. Quer dizer que as medidas de largura e altura andam bem perto de padrões antigos brasileiros. Mas no comprimento teríamos para comparação, a braça com 2.20m e a vara com 1.10m. O bloco tem 1.75m. Nesse caso não haveria muita relação. Faço a seguir um comentário sobre medidas incaicas, porque é evidente que numa possível construção fosse sempre necessário ter alguns parâmetros básicos para, ao menos, portas e janelas. E se a construção fosse de natureza militar, religiosa e administrativa esses padrões obedeceriam a regulamentos rígidos.

Os incas tinham uma medida chamada RIKRA, que era a distância entre os dois polegares com os braços estendidos horizontalmente (no meu caso daria 1,79m, minha altura é de 1.82 m). Um homem mais baixo estaria pouco abaixo disso, porém trabalhadores ou soldados criados no esforço desde jovens teriam braços desenvolvidos, e poderíamos ficar com os 1.75m, ainda que tivessem menor altura.

O chamado CUCHUCH TUPU era correspondente ao côvado português, ou seja o antebraço com a mão estendida medido da ponta do dedo maior até o cotovelo (os egípcios também usavam esta medida). Os incas também usaram o palmo, e o YUKU, que era a distância entre o polegar e o índice (no meu caso o YUKU daria 17cm, mas um homem com a mão menor daria 15 ou 16 cm).

É evidente que com as diferenças antropométricas das diferentes raças é preciso adaptar as medidas. Como uma coincidência temos essas medidas nos blocos de Natividade da Serra. Os blocos da foto 2 mediriam um YUKU de espessura e o bloco da foto 9 mediria um RIKRA de comprimento, aparentemente exatos.

Foto 12. Clique na imagem para ampliar.

[Foto12] Lajes que compõem as arquitraves dos nichos (Hornacinas) no templo das Três Janelas. Compare com as lajes da foto 2. Coincidência ou não?

Se fosse possível fazer uma analise das pedras que existem no local teríamos muitas outras conclusões, em função de cortes e formas. Seria um estudo interessante, que nos poderia indicar um caminho a aprofundar.

Quando se está tentando responder a uma incógnita onde não temos dado algum, qualquer pista tem que ser analisada como viável. Ate que alguns dados comecem a se relacionar entre si. Se não se pode afirmar nada, tampouco se pode descartar nada, em princípio.

Existe mais um fato a esclarecer e ser levado em conta. Em 1890 tentou-se fazer uma ferrovia de Ubatuba a Taubaté, que chegou a ter 84 km quase prontos. Teria muitos túneis e pontes. Evidentemente iria precisar de muita pedra, que com certeza era conseguida nas imediações e em vários pontos próximo do traçado da via. Ficaram muitas obras de arte prontas pelo caminho quando a estrada de ferro foi parada em sua construção em 1894. Poderia ter havido alguma atividade de extração e preparo de pedras na área do sitio. É uma possibilidade grande, mas não certa. De qualquer maneira há que ser feita uma analise no local, sem duvida. Devo lembrar que quando comentei a foto 5 falando de uma possível rampa, observei que parecia ter havido transito mais pesado sobre ela. Nessa hipótese seriam carros de bois transportando pedras provavelmente desde o alto do morro E nesse caso a construção que teria havido, seria dos operários. Mas há relatos de que a via só chegou de Ubatuba até o Bairro Alto, antes do Bairro Palmeiras.

Foto 13. Resto de uma das pontes da ferrovia.

[Foto13] Mas tudo isto tem que ser comprovado em campo. E mesmo que seja uma construção do período histórico brasileiro merece alguma pesquisa. Porque não parece haver notícia de ocupação da área no período colonial. Uma avaliação definitiva do sitio e da área só poderá ser feita no local, e com uma equipe multidisciplinar. Também há informações de que existem mais ruínas em propriedades vizinhas.

Espero que estas observações ajudem a ter uma idéia mais clara e realista do sítio e de suas possibilidades.

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6 Respostas to “Considerações sobre a chamada “Pirâmide” de Natividade da Serra”

  1. paolo said

    Good evening it is true that the building was demolished by bulldozers?

    Response:
    Hi Paolo

    Unfortunately it seems that is true. There are people studying it independently, because the authorities of Brazilian archeology is not interested in the site. Soon we will have new information that will be posted on the blog.

    Hug
    Zhannko

  2. Muito interessante e deve ser investigado com seriedade

  3. Gustavo Izeppe said

    Paolo, muito interessante suas ponderações. Sigo acompanhando.
    Abraços,
    Gustavo.

  4. Gustavo Izeppe said

    Zhannko, muito interessante suas ponderações. Sigo acompanhando.
    Abraços,
    Gustavo.

  5. profelucasrenan said

    Moro em Lagoinha vizinho a São Luiz do Paraitinga, no início dos anos 2000, um amigo e historiador local entrevistou o juiz de direito aposentado Paulo de Campos Azevedo, homem muito culto, escritor de vários livros e na época professor aposentado da Universidade de Taubaté, pois o Dr. Paulo conhecia profundamente a história da região, e contou que um das possíveis origens da então Villa de São Luiz, seria uma tentativa dos franceses que no século XVI tentaram invadir o Rio de Janeiro e foram expulsos pelos portugueses, de reinvadir a região via Litoral norte paulista e Vale do Paraíba, devido as inúmeras trilhas indígenas existentes na região. Não poderia as ruínas que estão a meio caminho entre o litoral e São Luiz ser a tentativa frustrada da construção de um pequeno forte pelos franceses ou mesmo alguma fortificação mais deficiente que não levou exito e foi abandonada. Não conheci o local e estou apenas fazendo conjecturas devido ao formato das pedras.
    Em relação a teoria com a conexão Inca é bem plausível uma vez que as trilhas dos Índios se ligavam ao caminho do Peabiru no sul do país e esse sim comprovadamente era uma rota entre o litoral atlântico com o império Inca. ,

  6. Poderíamos levantar a hipótese de que , sim, estas ruinas fossem parte de alguma ocupação pré-colonial de origem europeia. mas alguns fatos já comprovados no local não a favorecem . Primeiro, aos blocos são de basalto, o europeu sempre daria prioridade ao granito, o basalto é mais duro e difícil de trabalhar através de cortes com talhadeiras, e a dureza do basalto na escala de Mohs fica entre 5 e 6.5 enquanto o granito entre 4 e 5 .Segundo, os blocos foram trabalhados por polimento e não por corte de talhadeira, forma típica de trabalho pré-colombiano. Suas arestas são arredondadas e não vivas como no corte do granito deforma tradicional. Terceiro, sendo os blocos de basalto e tendo o basalto 10 % de ferro em sua composição, normalmente sofre uma oxidação superficial que cria uma camada amarronzada , visível quando se faz zum corte no bloco. Os blocos tem essa alteração superficial muito espessa, o que nos leva a crer que sejam de uma antiguidade de 1000 ,2000 anos ou mais
    No entanto é difícil avaliar esta antiguidade pela oxidação superficial porque em terrenos mais ácidos ela se acelera. Já fizemos três visitas ao local e nos próximos dias faremos a quarta. Pelo que pudemos levantar ate agora pode-se avaliar que ali houve uma aldeia construída com blocos de basalto aparelhados e que ficava à
    margem de um lago que se unia ao rio Paraibuna. Há muita ruina muito enterrada e sem equipamentos especiais e difícil comprovar sua existência. Nesse local devia haver abundancia de peixe além de haver uma cachoeira a disposição ali mesmo . Em resumo, era um local ideal para qualquer um estabelecer-se. Já achamos cerâmica, que pode ser de uma ocupação posterior mas também achamos pedras de basalto com pictografias estranhas, assim como cunhas de basalto que podem ter sido ferramentas. Mais informações atualizadas em: sitioarqueologicofazendapalmeiras.blogspot.com/

    Carlos Pèrez Gomar arquiteto urbanista

    Abs. para você e para Zhannko.

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