Piramidal.net

Tudo o que você sempre quis saber sobre pirâmides.

  • Pirâmide de cobre C130

  • Pirâmide de alumínio A150

    Pirâmide de alumínio A150

  • Pirâmide de alumínio A150

    Pirâmide de alumínio A150

  • Pirâmide de cobre C150

    Pirâmide de cobre C150

  • Pirâmide de alumínio A130

    Pirâmide de alumínio A130

  • Incenso japones aroma orvalho

    Incenso japones aroma orvalho

  • Incenso japones aroma jasmim

    Incenso japones aroma jasmim

  • Pirâmide de latão fechada

    Pirâmide de latão fechada

  • Fórum sobre jejum, alimentação prânica (viver de luz) e temas relacionados

Especulando sobre a ruína de Natividade da Serra

Posted by luxcuritiba em dezembro 13, 2011

banner

Como não estive no local só posso fazer observações pelo que vi em dois sites. O site “Piramidal” e o site “Jornalismo Ciência e Cia.” E usei as fotos correspondentes tiradas pelo geólogo Paulo Roberto Martini e o jornalista Julio Ottoboni.

Não sei porque se classificou a ruína como uma pirâmide. Nitidamente são ruínas de uma, ou várias construções. Mereceriam uma análise profunda. E explico porque. Pelas fotos apenas é difícil dizer que seja uma pirâmide.

A primeira hipótese em que se poderia pensar é que alguém andou cortando pedras para uso em construções a meados do século XIX. A referencia à ocupação da área, diz que começou em 1853. Não exatamente ali, mas mais ao norte na própria Natividade da Serra. A ocupação do local do sitio propriamente dito deve ter sido posterior, depois de 1853. Mas poderia também ter acontecido que, em época anterior, mas já no período histórico, alguém tenha construído algum estabelecimento que depois foi abandonado.

E preciso admitir a hipótese de que tenha havido uma ocupação muito antiga, parcialmente enterrada, más que posteriormente alguém tenha cortado pedras no topo do morro uma vez que havia muitos blocos expostos. O que cria um quadro sujeito a muitas interpretações. Para esclarecer tudo será preciso fazer um levantamento total da área, estando no local e mapeando os restos visíveis.

Esse sitio chegou até nós porque foi descoberto a pouco tempo e mesmo assim esta sendo depredado e esquecido.

Poderia haver um afloramento rochoso e terem sido cortadas pedras que ficaram largadas por ali, algumas se assemelham, ao meno de longe, a lajes para pavimentar pisos. No entanto outras evidências contrariam esta hipótese.

Foto 1. Clique na imagem para ampliar.

[Foto 1] Repare nas lajes que eles estão pisando. Com um pouco mais de análise diria que são muito grossas para servir apenas de pavimentação. Mais parecem blocos para uma alvenaria de pedra aparente, sofisticada. Pela foto, a pedra que esta embaixo do pé de um deles tem 0.60m de largura por 0.25m de altura. Já o comprimento não se pode dizer exatamente, mas estimemos em, no mínimo 1.25m. Esta pedra sendo de granito pesa no mínimo 487 quilos (peso do granito, 2600 quilos por m3). E se o comprimento for 1.80 m seriam 700 quilos por bloco. Isto não é o tipo de padrão normal que nós usamos nos últimos 400 anos. Se bem que se usavam peças de granito enormes em portadas e elementos de fachada em igrejas importantes e palácios. Mas pelo que sabemos, na região, não há edifícios desse tipo.

As lajes do local são regulares pelos 6 lados, e lajes para pisos antigos coloniais não precisavam ter a parte de baixo regularizada, e seriam menos grossas. Esses blocos possivelmente eram de paredes de uma construção prestigiada, de importância religiosa ou cerimonial, com certeza não eram de uma simples moradia. Ou então teríamos que admitir que alguém tentou fazer uma igreja no meio do nada. Ou então o quê?

O silencio entorno deste sitio, e a incapacidade de todos os que deveriam dar respostas é assustador, pelo que ele possa significar. E mesmo que não seja nada importante (o que duvido muito), o desinteresse cientifico demonstrado é frustrante. Será que precisaremos chamar uma universidade européia ou norte-americana para nos dizer algo?

Para arquitetos com experiência em monumentos históricos não há grandes dúvidas, é uma ruína e não parece colonial.

Nesta primeira foto notamos também que a ruína ocupa o topo de um morro e ao fundo vemos a estrutura que montaram para desmontar parte da ruína. Portanto esta construção se estende numa área bem grande, evidentemente não é uma única construção, mas várias. No sopé desse mesmo morro parece haver outra estrutura enterrada perto do açude. Também, parece que no topo desse morro foram usados os materiais mais nobres, como é o caso de alvenaria de pedra com junta seca e bem aparelhada.

Foto 2. Clique na imagem para ampliar.

[Foto 2] Mais lajes padronizadas, mas onde se percebe que não há cantos tão vivos, mas são bem arredondados. Nesta foto fica difícil avaliar as dimensões, mas pelo tamanho das folhas das plantas parece que estas lajes não são muito grossas, talvez uns 15cm de espessura. Poderíamos continuar, por enquanto, a desconfiar que fosse material para uso no século XIX. Também haveria que admitir que fosse uma construção anterior a ocupação oficial da área no século XIX, mas já no período histórico. No entanto esses cantos arredondados, me fazem pensar que não foram obtidos a base de cinzel, mas por percussão de pedra com pedra. E em conseqüência toda sua superfície ficou apicoada. Mas vamos continuar admitindo que possam ser restos de alguma pedreira do século XIX. Porque um morro com afloramento rochoso pode ter no seu topo blocos soltos que eventualmente seriam mais fáceis de trabalhar do que uma pedreira do tipo paredão em morro, principalmente se o granito era de boa qualidade.

E vou citar um exemplo que confirma esta regra, já aplicada em muitos lugares. Em Sacsay Huaman, em Cuzco, foram demolidas partes das muralhas assim como o torreão em três andares que existia. E não foi por causa da batalha, na tomada desta fortificação pelos espanhóis, mas apenas para servir de pedreira para os edifícios coloniais.

E temo que parte das pedras retiradas desta ruína de Natividade da Serra tenham tido o mesmo fim em edificações atuais.

Foto 3. Clique na imagem para ampliar.

[Foto 3] Muita pedra, parecendo haver um bloco bem grande de aresta reta, mas é impossível dimensionar. Este panorama poderia, confirmar que o local poderia ter sido interessante para preparar blocos para uso na época colonial. Mas também teria sido muito oportuno para quem houvesse estado ali centenas de anos atrás. Pode haver uma superposição de usos em mais de uma época.

[Foto 4] Pelos restos escavados de maneira brutal, se nota que escavaram ate o recheio entre os blocos dificultando sua interpretação,

Foto 4. Clique na imagem para ampliar.

podemos ver o que na foto parece ter sido uma escada rústica, o tipo de escada de caminho empedrado onde se misturam as vezes com partes em rampa. Neste caso o trabalho já é menos sofisticado que em relação aos blocos das fotos 1 e 2. Aqui os blocos não foram padronizados. Pode fazer parte de uma rampa mista com escada que era muito comum na América do sul. Diria que é uma escada, com certeza.

Foto 5. Clique na imagem para ampliar.

[Foto 5] Aqui parece ter sido uma rampa, mas escavaram demais, sem critério, e sem conhecimento. Se nota claramente que ela sobe suavemente em direção ao topo do morro. E a destruição feita por ocasião dessa escavação é angustiante de ver. Quem olha o que sobrou terá alguma dificuldade para interpretar. E é uma rampa larga, não parece um simples caminho pavimentado com pedras como se fazia na época colonial. E posso dizer mais a colocação das pedras alinhadas é muito sugestiva, há uma preocupação de alinhar as pedras, até quando isso não seria necessário. Outra observação importante é o espaçamento entre as pedras, parece haver uma preocupação rígida de manter um determinado espaço. Que poderia ser para encher com argamassa de barro de maneira a que as pedras não ficassem bambas. Todo pedreiro quando assenta lajes ou pedras em um piso deixa espaço para a junta, que será preenchida com argamassa. Evidentemente que argamassas fracas, como deve ter sido o caso, vão se desfazer e com o tempo viram barro. Aqui parece que existiu uma norma de trabalho padronizada.

Por outras informações que me chegaram se disse que havia uma parede muito bem feita, e foi demolida porque acharam que: “havia uma câmara dentro da pirâmide”(?!) Também foi achado um vaso, segundo disseram. Essa parede inteira e esse vaso teriam falado muito. Cadê o vaso? É inacreditável as coisas que aconteceram aqui. Por essas mesmas informações deduzo que nessa área da foto 5 havia uma pequena edificação. Onde foi parar? E porque remover todas as pedras do edifício? Não é tão difícil ir cavando, mesmo que não seja com métodos tradicionais de arqueologia, e perceber o que é um piso, uma parede, uma rampa. Edificação, terreno,topografia, tudo foi arrasado. Isso dificulta a interpretação.

Foto 6. Clique na imagem para ampliar.

[Foto 6] Blocos bem grandes, que evidentemente não faziam parte de uma parede, com certeza, era um piso, no máximo seria uma escada ou mesmo uma mistura de rampa e escada. Repare na preocupação de alinhar os blocos. Existiu uma diretriz rígida de método de trabalho. Mas para que blocos tão grandes? Pelo cabo da enxada que vejo ao fundo poderia dizer que o bloco maior, o que se encontra com a enxada, deve ter 1.80m de comprimento, 0.40m de largura e 0.65m de altura. Isso dá um peso de 1200 quilos. Vale a pena fazer outra observação. Aqui se nota uma coisa que pode parecer bobagem, mas não é. Normalmente quando se trabalha com elementos de alvenaria se intercala a junta entre um elemento e outro. Ao menos fazemos isto em paredes, para amarração, mas aqui se nota que os blocos estão alinhados, em sua maioria. Bem ou mal as juntas deixam uma passagem livre, entre os blocos. Perguntaria, o que havia entre eles? Material que permitisse drenagem ou argamassa? Se alguém teve o trabalho de pensar nisso, conhecia a importância da drenagem para a estabilidade de uma construção. E mesmo que fosse argamassa permitiria alguma facilidade, e de novo está parecido com técnicas andinas. Nas culturas andinas e principalmente os incas usaram a alvenaria de pedras irregulares ou sem acabamento com argamassa de barro. A este tipo de alvenaria se chamava de PIRKA. A medida que as edificações eram de uma importância religiosa ou política mais se usava alvenaria de pedra seca muito bem feita e polida. Similares as lajes que aparecem nestas fotos. Essa alvenaria tem o nome de Inca Imperial. Era comum em qualquer sitio ter todos os tipos de alvenaria.

Foto 7. Clique na imagem para ampliar.

[Foto 7] Mais pedras aparelhadas. Não dá para dizer a que elemento pertenciam. Escavando de maneira caótica se perde a interpretação do que vai aparecendo. Notam-se manchas na pedra.

É possível que algum objeto possa ter se desintegrado deixando esta mancha ou pode ser apenas uma alteração causada por algum mineral.

[Foto 8] Na foto 8 vemos o local onde havia parte da construção. Só deixaram esse bloco. Mas pela foto podemos dizer varias coisas. À

Foto 8. Clique na imagem para ampliar.

direita o morro sobe e vai ate aquele ponto da foto 1. As rampas que vimos estariam na posição de quem tirou a foto subindo para a direita. Ao fundo se vêm os prédios do Hotel Fazenda Palmeiras. Antes deles o açude, encoberto pelo mato. Entre este morro e o açude se pode ver pela fotografia aérea no Google Earth que existe uma estrutura enterrada com pelo menos 70m de comprimento, antes do açude na direção desta foto. Ela é reta e se notam dois ângulos retos nas extremidades.

Mas a foto 8 nos faz pensar que o que vemos é estarrecedor, parte da ruina foi retirada do local como se houvesse um trabalho de zapa planejado, como se se quisesse ocultar algo. Aquele bloco sozinho, resto dos restos, é uma gargalhada na nossa cara. Ate quando? E o pior é que talvez tudo tenha acontecido, apenas por ignorância.

Ou há um trabalho deliberado para apagar parte da memoria nacional?

Não sei por que insistem em dizer que é uma pirâmide. O que deve ter acontecido é que sendo um conjunto de construções em um morro, com o tempo e as árvores nascendo e morrendo, foi sendo descalçado superficialmente e com a erosão foi desmoronando e ficando com a forma bruta de algo piramidal. Tenho certeza que muita gente achou que o assunto não era sério exatamente porque o descreveram como uma pirâmide. As pessoas imaginam logo a pirâmide de Quéops.

Também não entendo porque a comparação com coisas longe da América do Sul. Foi comparada a monumentos de sinalização no México. Não é preciso ir muito longe para ter coisas similares.

Dá para perceber que estamos diante de ruínas claras de um complexo construtivo distribuído principalmente ocupando um morro. Diria ousadamente que é muito similar a construções de culturas andinas. Aquelas lajes das fotos 1 e 2 são perturbadoramente parecidos a blocos de alvenarias de pedra seca incaicas. E sendo mais atrevido diria que parecem as arquitraves das construções incaicas (peças que arrematavam a parte superior das janelas, junto ao início do telhado). E digo claramente, janelas, porque uma arquitrave de porta é maior, mais comprida. Fazendo-se analise e medição das peças de pedra encontradas daria até para presumir como seria o edifício parcialmente (espessura de paredes, largura de janelas, etc.). Poderiam ser comparadas ao estilo definido como ”inca imperial”.

O tipo de lajes seguindo um padrão de paralelogramo como vemos nas fotos, se não tem nada a ver com culturas andinas só encontraríamos um paralelo nas culturas do Mediterrâneo, anteriores a era cristã, inclusive pelo tamanho e peso das pedras.

Deveria ser começada uma pesquisa de escavações pelo topo do morro onde com certeza vai aparecer mais rapidamente a parte menos afetada das construções.

Foto 9. Clique na imagem para ampliar.

[Foto 9] Este bloco segundo os artigos referidos, tem 1.75m de comprimento por 0.35m de altura por 0.75m de largura, e podemos calcular seu peso em 1200 quilos.

Ao que parece existem mais ruínas em propriedades vizinhas. Quem sabe o massacre e a destruição que está acontecendo por lá.Também há noticias de formações curiosas em Lagoinha ao leste deste sitio, uns 6o km e também na conjunção da estrada para Salesópolis com a rodovia Tamoios. Olhando a fotografia aérea da cidade de Lagoinha é possível ver no topo de um morro, a uns 1250 metros ao leste da cidade onde existem muitos montículos com mais ou menos 10m de diâmetro, que se não são apenas efeito da fotografia, com certeza são obra humana. Parece haver mais, porem mais apagados.

O preocupante é que o sitio de Natividade da Serra não existe oficialmente. Pelo que sei ninguém assumiu a responsabilidade de proteger, muito menos estudar, assim como tantos outros. E para mim este sítio, escandalosamente interessante, é um sitio com vestígios arquitetônicos da pré-história brasileira, é um fato sem precedentes oficiais.

E se seguimos assim, nunca vai haver um lugar para a arqueologia de arquiteturas na pré-história brasileira, porque todas as evidencias e sítios que se enquadram nesse caso vem sendo sistematicamente destruídos fazem séculos, e nada consegue chegar para ser oficialmente reconhecido e estimular esse ramo da arqueologia. E é por isso que a pré-historia brasileira é escassa de culturas mais refinadas. Provavelmente existem, mas não conseguem colocar a cabeça fora da água. E quando afloram, vem alguém e pisa.

Não se trata de uma conspiração dos organismos oficiais, se trata de ineficiência pura e falta total de recursos para o setor. Há poucos arqueólogos no Brasil e para sobreviver eles não podem se meter em áreas desprestigiadas. E para piorar as coisas a população é mantida ligada em assuntos medíocres como crimes, acidentes, futebol etc. Não tenho nada contra o futebol, mas futebol é para ser praticado, não para se tornar um fanático de arquibancada. Como o público está ligado nas futilidades que lhe são impostas, outros temas como a arqueologia não dão ibope. O homem moderno está sendo levado a ser um espectador de sofá e não um ator. E o que está acontecendo no sitio, acima comentado, é perturbador.

E toda essa desconfiança transmitida neste texto pode ter coerência com as hipóteses do arqueólogo Luiz Galdino, que desconfia que o império inca fez algumas penetrações ate o litoral de São Paulo. E para quem achar isso extremamente improvável, citaria um exemplo. Os franceses estiveram na Baia da Guanabara alguns anos, e nem por isso falamos francês. E nem houve maiores conseqüências culturais. É preciso pesquisar a fundo.

Com esta análise tentei dar algum vislumbre para as pessoas interessadas no caso. Porque o silencio que notei em volta do assunto, me pareceu excessivo.

Arquiteto Carlos Perez Gomar

log_pir_47

.

 Gostou? Então Curta nossa página no Facebook.

eu_47 Seja amigo do autor do site no Facebook, e esteja sempre antenado em assuntos interesantes como este.

Anúncios

Uma resposta to “Especulando sobre a ruína de Natividade da Serra”

  1. Marcos said

    isso é impressionante, se eu pudesse fazer alguma coisa… É triste saber que, fora a falta de interesse governamental, há o preconceito acadêmico que gera resistência em aceitar a possibilidade de ter havido civilizações antigas desconhecidas no solo brasileiro. Lamentável…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: