Piramidal

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Construções Antigas

O “Imbroglio” da “pirâmide” de Fazenda Palmeiras

Publicado por luxcuritiba em maio 25, 2012

O “Imbroglio”* da pirâmide de Fazenda Palmeiras, uma tentativa de explicar a trapalhada.

Em 2003 o proprietário do Hotel Fazenda Palmeiras depois de uma viagem a Grécia e ao Egito, se inspirou para fazer uma pequena pirâmide de pedra em sua propriedade. Com certeza escolheu um local onde havia muitos blocos de pedra amontoados, o que facilitaria a construção. É conveniente inicialmente, afirmar que não há nenhuma pedreira no local do sitio em questão como alguns dizem. Este sitio está localizado no inicio de uma encosta suave, que leva ao topo de uma colina baixa que deve ter no máximo 30 m de altura. Quem quiser ter maiores informações pode ver nosso relatório da visita ao local, na internet sob o titulo: “Visita à chamada “pirâmide” da Serra do Mar em Natividade da Serra”.

E quase evidente, e muito provável, que essas pedras amontoadas eram parte de uma antiga construção, parte desmoronada, parte soterrada. É o que podemos concluir considerando tudo o que aconteceu depois. Mas, em um primeiro golpe de vista, para a maioria não seria nada mais do que um monte de pedras.

Começou-se a aplainar o terreno, fazendo uma escavação, ignorando se havia uma ruína ou não. Todo o material escavado foi colocado ladeira abaixo como se pode ver no local, formando outro amontoado de pedras. É também quase certo que muitas pedras estariam sendo preparadas para serem usadas na pequena pirâmide que seria construída, e com certeza algumas já estariam colocadas montadas umas sobre as outras.

Em dado momento começaram a aparecer, enterradas, pedras de corte reto e com sinais de terem sido trabalhadas por mão humana. O proprietário começou a perceber o que parecia serem restos de uma ruína antiga. E fez contato com o IPHAN. Sendo ele uma pessoa instruída e viajada percebeu logo que havia algo de aparente importância. E não vou entrar em maiores detalhes a respeito dele para não expor sua vida pessoal mais do que o necessário para explicar o assunto tema deste texto. Ele também escreveu um romance passado na Grécia e Egito (“Cinirenaica”, editora Nova Aldeia 2010).

Até um leigo desconfia que uma pedra de corte reto pode ser natural ou não, mas apareceu uma pavimentação, ainda que bruta, vários blocos e varias lajes seguindo um padrão parecido. Todos juntos, com certeza não são uma formação natural, além de que os blocos e lajes aparecem em vários pontos encosta acima. Também foi achado um pedaço de cerâmica embaixo de um grande bloco. É de se supor que houvesse outros, mas em uma escavação não arqueológica, muitos restos se perdem ou não são achados.

Estive no local e sei o que vi. Ali houve uma construção, e foi bem enterrada pelo tempo. Se foi colonial ou não é outro assunto. A priori não é possível dizer a que época pertence e menos ainda com os vestígios remexidos. No entanto os blocos e lajes de pedra claramente trabalhadas parecem ser de acabamento mais para o tipo polido, o que as desclassificaria como vestígios coloniais.

E aqui começa a haver dúvidas sobre o que de fato aconteceu. Segundo o proprietário foram dois membros do IPHAN e atestaram através de um laudo que aquelas formações eram naturais. Será que os técnicos do IPHAN viram todas as evidencias ou só algumas?

Há uma dúvida e uma contradição porque ao que tudo indica um dos técnicos que visitou o local em nome do IPHAN seria o arqueólogo Plácido Cali, que trabalha ou trabalhava no IPHAN, e também possui firma de consultoria arqueológica.

Segundo reportagem de jornal este arqueólogo disse o seguinte sobre o sitio de Fazenda Palmeiras, o que não deixa duvida sobre sua opinião:

Para o arqueólogo da Universidade de São Paulo (USP) e especializado nos sítios na costa paulista, Plácido Cali, essa composição é única no País. E esse achado pode revelar a presença de outras culturas, mais avançadas tecnologicamente, que as tradicionais nações indígenas que povoavam essa faixa da América do Sul. “Com certeza isto não é obra dos índios que conhecemos”, comenta o pesquisador.

E em outra noticia, em 2003 foi dito:

Pirâmides da Serra do Mar são colocadas sob proteção

Reportagem da Gazeta do Povo – Área terá tratamento cientifico.

A policia ambiental de Natividade da Serra, município paulista situado no vale do Paraíba , já esta protegendo as ruínas do monumento arqueológico em forma de pirâmide construído na Serra do Mar há milhares de anos e descoberto recentemente. A intenção das autoridades policiais é evitar novas escavações predatórias no sitio, assegurando que a pesquisa cientifica não venha a ser prejudicada. O arqueólogo Plácido Cali, responsável por diversos projetos de pesquisa na região Rio-São Paulo informou ontem que hoje vai comunicar ao IPHAN sobre a urgência de medidas administrativas para transformar o local num espaço restrito á pesquisa cientifica. Uma das preocupações do pesquisador é a própria atividade desenvolvida na Fazenda Palmeiras que abriga um núcleo de esportes radicais muito freqüentado. Além da busca por apoio do órgão federal, Cali pretende mobilizar os ambientalistas da região para acelerar esse processo de proteção ao monumento e seus arredores.”Temos que agir rapidamente para não haver um dano ainda maior”, alerta o arqueólogo.

É preciso fazer algumas retificações nesta noticia. O único esporte radical que acontece no local é a chegada do pessoal do rafting que descem desde São Luiz do Paraitinga e chegam no hotel, tomam banho e vão embora. Nem chegam perto do sitio. Com relação à proteção do local, ninguém está protegendo nada. Muito menos a polícia ambiental de Natividade da Serra. Desde que esta noticia saiu passaram nove anos e não aconteceu mais nada.

Afinal, o local não é sitio arqueológico para alguns elementos do IPHAN, mas para outros é um caso muito especial? E o tal laudo feito pelo IPHAN, na realidade diz o que?

Alguém tem que explicar esta contradição. O problema é que o proprietário ficou numa situação difícil, receoso de ser acusado de ter depredado patrimônio arqueológico, como de fato foi acusado por alguns. E agora interpreta o laudo do IPHAN como uma proibição de pesquisar o local.

Ora, se o IPHAN disse oficialmente que aquilo não é sitio arqueológico, e porque encerrou suas responsabilidades legais sobre o assunto. Considerou que ali não há nada a proteger. Mas o proprietário está bastante confuso e em suas próprias palavras diz:

“Fui informado por laudo oficial que aquelas pedras são de formação natural, motivo pelo qual qualquer pesquisa a respeito foge às determinações oficiais. (Por que?) Sei que pareço injusto para quem está interessado em aprofundar o conhecimento do assunto, porém mais injusta foi aquela carta que recebi e que me acusou de práticas de destruição de um sítio arqueológico. Primeiro, se soubesse de antemão que era um sítio arqueológico, segundo, se tivesse mesmo a intenção consciente de que o estávamos depredando, então sim, eu poderia ser alvo de críticas. No entanto no ponto em que estão as pedras, foi fruto de remoção de terra para outras finalidades e não a intencional visando um sítio arqueológico. Diante desse fato, acho que qualquer pesquisa no local vai contra o laudo oficial de que são pedras de origem natural e portanto, qualquer pesquisa, que não reconhece esse laudo, torna-se não bem-vinda (para não dizer contrária à lei)” (A pesquisa então estaria proibida!?).

Está claro que o proprietário, com muito receio, ficou intimidado e interpreta o laudo erradamente. Quanto ao fato de que inicialmente possa ter sido atingido um sitio arqueológico, ninguém pode ser acusado de crime algum porque muitos sítios arqueológicos são encontrados por acidente, sendo impossível evitar um impacto inicial. Na verdade devemos a revelação deste sitio a iniciativa do proprietário ao querer fazer sua construção.

Mas o resultado foi que o proprietário foi anulado, o sitio ficou ao deus dará e quem quiser investigar o assunto estaria fora da lei (?!) Se alguém entender algo desta situação ridícula, explique. O sitio parece ter-se tornado maldito. Só falta salgar o terreno e impedir qualquer um de circular no local.

Seria o cúmulo, que o IPHAN, além de dizer que aquilo não é sitio arqueológico ainda proibisse alguém de investigar o assunto. Seria a consagração da ignorância. Poderíamos dizer que seria mais um atentado contra a memória nacional. A perdurar esta situação, é no mínimo uma aberração. Estaríamos no mesmo nível da época da inquisição.

Vamos a deixar claro que a única pirâmide que acabou existindo no local é a estrutura de madeira que balizava o local da futura construção. Existe de fato uma ruína soterrada no local estendendo-se pela encosta da colina. Sem duvida é um sitio arqueológico.

Estou dizendo isso porque sou arquiteto há 40 anos e a maior parte do tempo trabalhei com patrimônio cultural e também arqueologia. Mas para ter certeza do que haja ou não no local é preciso ampliar a pesquisa, ao menos de superfície. Discutir o assunto sem tomar essas medidas é perder tempo.

Toda esta confusão está prejudicando uma pesquisa que deveria ser feita. Parte da desmoralização do assunto se deve a expectativa das pessoas em geral por assuntos sensacionalistas e mal explicados que acabam desvirtuando sua essência.

Ninguém saiu ganhando com isso. Mas ainda há tempo de retomar o caminho certo. Os interessados em esclarecer o assunto devem se mexer. Existe um toque de ridículo e absurdo no caso. E vai ficar assim mesmo?

Aqui estão algumas fotos do local, julgue por si.

Arquiteto Carlos Perez Gomar.

[*] Imbróglio: confusão, trapalhada, bagunça, rolo, desentendimento, engano, mentira, enrascada, complicação.

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Visita à chamada “Pirâmide” da Serra do Mar em Natividade da Serra

Publicado por luxcuritiba em março 30, 2012

Dando seqüência a nossa analise sobre os vestígios encontrados na Fazenda Palmeiras, fizemos uma visita apressada ao local, quando surgiu uma oportunidade não prevista. Não era o melhor momento, nem pela época nem pelo tempo disponível. Sabíamos que não seria possível obter muitos resultados. Mas seria um primeiro contato com o local, e isso já valeria a pena. Pretendemos dar continuidade a este assunto até que se possa esclarecer algo mais. Este assunto tem sido desde seu inicio tratado com irresponsabilidade. De maneira nenhuma este sitio é uma pirâmide, mas é um sitio arqueológico, sim. Mesmo que seja alguma construção do século retrasado. As pessoas que perguntaram sobre este sitio , foram tratadas com desdém por se interessar em um assunto que parecia fugir dos padrões politicamente corretos da arqueologia consagrada no Brasil. E quase ninguém se dignou a responder suas perguntas . Inclusive pela pouca experiência em arqueologia de arquitetura que temos no Brasil. O terror de se envolver é pior se a construção foge aos padrões reconhecidamente coloniais.

As dificuldades para chegar ao local , acabam sendo, a distancia e os engarrafamentos na saída e na chegada ao Rio de Janeiro. Viajamos 800 kmida e volta e demoramos 15 horas na estrada. Esses percalços abreviaram mais o tempo útil para desenvolver as tarefas no local. Quem vai de São Paulo percorre distancia menor.

Existem duas opções de chegada ao local. Indo pela Rio- São Paulo ( Rod. Presidente Dutra) e em Taubaté acessar a Rod. Osvaldo Cruz , até o km 57. Onde, à direita, existe uma discreta entrada a uma estrada de terra com 15 Km. Chegando-se finalmente a Fazenda Palmeiras. A outra opção mais pitoresca seria ir pela estrada Rio-Santos até Ubatuba e então tomar a Rod. Osvaldo Cruz, subindo a serra, porém esse trecho (antigamente chamado de Estrada da Quebra Cangalha) é bastante sinuoso e com curvas muito fechadas além do declive. Nós fomos pela Via Dutra e voltamos pela Rio Santos.

Passamos menos de 48 horas no, local o que foi em parte frustrante. Localizar vestígios, reconhecer o local, tirar fotografias, desenterrar vestígios e fazer observações gerais nesse curto período de tempo não permite aprofundar o trabalho porque alem disso , éramos só dois.

A FORMAÇÃO SIMILAR A UMA PAVIMENTAÇÃO

Existem vestígios pouco explicados na colina que foi classificada como “pirâmide”. Na base desta colina, estão soterradas as pedras que aparecem na foto, nos limitamos a localizá-las e medimos a parte aparente. Foi dito que todas haviam sido removidas. Não é verdade. Ao que parece estão quase todas lá. Compare com as fotos da antiga escavação em 2003, abaixo. As que aparecem nas fotos de cima são as da extrema direita nas fotos de baixo. As fotos são das mesmas pedras O que aconteceu é que voltaram a ser soterradas. Esta formação não tem nada a ver com uma pedreira como alguns especulam. Em qualquer lugar do mundo e em qualquer época isto é uma tentativa de pavimentação, estranha, sim, porque seria mais lógico colocar as pedras em sentido horizontal. Houve algum motivo para fazer isto como se apresenta. Pedreiro nenhum nos séculos passados faria a bobagem de fazer uma pavimentação com as pedras nessa posição (sentido vertical) ainda que fosse pouco inteligente se não tivesse uma boa razão. A altura media destas pedras é de45 cm.

Aqui há uma lógica que pretendeu atingir algum objetivo que desconhecemos. Posso arriscar uma hipótese. Se o terreno não era muito firme, e parece que não era, as pedras colocadas na horizontal, com qualquer umidade proveniente de chuvas ficariam passiveis de se movimentarem. Já na posição em que estão custariam muito mais a dançar sobre o solo ou a desnivelar-se Outra coisa a observar é que esta formação estava bem enterrada. O barranco à esquerda tem mais de 2m. Repare que a pedra mais larga, ao fundo, que, tem boa altura, foi colocada na posição horizontal, porque tendo boa altura não faria diferença.

Na ocasião em que levaram a escavação ate maior profundidade, nota-se que as pedras aparentam mais regularidade. Nas duas fotos são as mesmas pedras. Observem-se os blocos no fundo, na frente da aresta da estrutura piramidal. Ampliando a fotografia se nota que são quadrangulares, com certeza pertencentes à alvenaria de algum muro ou parede, ou até mesmo à pavimentação. É evidente que o trabalho do trator misturou os vestígios. Esta formação das fotos acima, de maneira alguma é natural, e isso é incontestável.

Croquis da disposição das pedras da foto acima

As pedras da parte de cima do croquis correspondem às da extrema direita das fotos acima.Faltam pedras que com certeza foram arrancadas pelo trator.

A formação das fotos não é uma rampa como parecia nas fotos de 2003 e 2009. Mais bem se assemelha a uma pavimentação bastante irregular, porém quase horizontal, e que se estende para dentro da colina. Haveria que segui-la. Aquele bloco maior que em matéria anterior estimamos como tendo1.80 m, na verdade tem1.33 mde comprimento e sua largura e de 30cm , sua altura é de60 cm. Esse bloco pesa 622 quilos. O havíamos estimado maior porque achávamos que havia um cabo de enxada atrás dele. Não era uma enxada e sim uma alavanca. As outras pedras da foto são bem menores. Mas a disposição é intrigante. Haveria que verificar que,se havendo veios, estes se prolongam de uma pedra para outra , o que nos diria que faziam parte de uma mesma camada. E nesse caso poderia confirmaria de que é uma formação natural. Mas não é o que está parecendo. E muito provável que na ocasião do aplainamento muitos restos de algum muro hajam sido destruídos e as pedras espalhadas. Devem ser as pedras espalhadas logo abaixo do platô da estrutura piramidal.

Subindo desse ponto a encosta da colina há muita pedra solta más não vimos nenhuma muito grande e a maioria não tem formas sugestivas de trabalho humano. Mas há muitos blocos com formas e cortes quadrangulares que se espalham até o topo da colina. E muito provável que aqui houvesse uma construção que usava tanto pedras aparelhadas como pedras em bruto ou pouco aparelhadas.

Um muro de pedras irregulares depois de desmoronado, fica difícil de saber se era muro ou pedras soltas dispostas pela natureza. O capim estava bastante crescido e era difícil ver as pedras mais interessantes. A época certa para esta observação é na época fria e seca ( Junho , julho). Quando o capim está seco ou queimado.

AS LAJES APARENTEMENTE PADRONIZADAS

Não conseguimos localizar todas as pedras das fotos dos relatórios anteriores mas achamos pelo menos uma das que se assemelham a lajes , a qual media 0.75 por 0.55 por16 cmde espessura e conseqüentemente com um peso de 160 quilos.

Uma das lajes quase retangulares. Digo quase, porque sempre há alguma diferença entre as dimensões dos lados opostos. No entanto é evidente que seguem algum padrão. O que chama a atenção é que parece que a sua superfície sofreu o ataque dos elementos durante muito tempo. Por outro lado não tem cantos vivos, são arredondados. Não foram feitas a cinzel. Ou são naturais (o que acho impossível, porque há várias similares) ou foram obtidas por percussão com martelo de pedra dando uma superfície similar a um apicoado.Falando com menos compromisso podemos dizer que estas pedras são polidas. Embaixo as fotos de outras lajes similares que não pudemos localizar ainda, fotografadas em 2009. Sabemos qual é a área onde estão , mas com o capim alto é difícil achá-las, haveria que fazer um varredura.

Nestas duas fotos de 2009 que estamos vendo há pelo menos mais 5 lajes aparentemente do mesmo tamanho ,padrão, proporções e com a mesma espessura ( em torno de16 cm) iguais a que mostramos em foto anterior . Está claro que não é obra da natureza. Aqui esta evidente que houve um trabalho de estereotomia, ainda que rústico, e não mostra traços de ter sido efetuado com talhadeiras.

Dizer que estas lajes são naturais é, forçar a lógica. No entanto é preciso analisar um aspecto importante. Essa padronização de lajes e blocos, na America do Sul só foi uma constante durante o período da expansão do império inca entre 1438 e 1533. Cabe a pergunta se blocos elaborados 600 anos atrás teriam sofrido a alteração superficial que se observa no bloco embaixo da estrutura piramidal ( cinza chumbo por dentro, e enferrujado por fora , igual que a laje mostrada com as ferramentas em cima. Ou se estas lajes e blocos são muito mais antigos e nos coloca numa situação completamente fora de contexto, onde não podemos especular mais nada, pois estaria fora da lógica arquitetônica das épocas e culturas que nos conhecemos e entre quais as poderíamos situar. Por outro lado a arquitetura dos primórdios da colonização européia na America do sul e arquitetura inca do século XV são praticamente contemporâneas ainda que as técnicas, ora sejam parecidas, ora bem diferentes.

A ESTRUTURA PIRAMIDAL QUE POSSIVELMENTE DEU NOME AO SITIO

A estrutura piramidal que se vê na foto é constituída de peças de madeira com 5.5cm por 11cm de seção transversal , bem fracas por sinal. A custo se agüenta em pé, e uma das pernas (vértice da pirâmide) esta cedendo e cairá em breve. Evidentemente que a razão da montagem dessa estrutura é apenas esotérica. Na sua origem pode ter sido um esquema para guiar a construção de uma pirâmide de pedra , que era a intenção original , segundo nos disse o proprietário. Em relatórios a anteriores se diz que aquela estrutura teria servido para desmontar uma ruína. Isso não seria possível porque não agüentaria o peso de uma pedra como a que esta embaixo e nem mesmo uma menor. Além do mais, se alguma pedra foi mexida , foi com a pá de um bulldozer, por ocasião do aplainamento de parte do terreno. E de fato uma pedra igual a essa que está embaixo da pirâmide foi levada e colocada na entrada da fazenda como decoração. Más infelizmente isso só me foi comentado depois de eu ter ido ao local e por isso não a medimos para ver se segue um padrão igual à que está embaixo da estrutura piramidal. Fica para a próxima visita.

A pedra que está embaixo da estrutura piramidal não tem exatamente as dimensões que os relatórios anteriores mencionam e que inclusive eu mesmo adotei para compará-las com as arquitraves do Templo das Três Janelas. Inclusive é ligeiramente irregular, ainda que possa servir de uma boa arquitrave de porta ou janela, e arriscaria a dizer que foi esse seu uso.

O GRANDE BLOCO EMBAIXO DA ESTRUTURA PIRAMIDAL

Note-se, na quebradura ocorrida durante a escavação, a alteração da superfície do bloco em virtude do tempo de exposição aos elementos.Profunda alteração na parte de cima ( superfície original do talhado do bloco) Pouca alteração na parte de baixo onde sofreu uma quebradura posterior,com certeza muito mais nova que a talha original do bloco . Nota-se que a camada esbranquiçada que ocorre em cima, embaixo não existe. Resumindo , a espessura da camada alterada em cima é muito maior que em baixo. Portanto esse bloco já teve esse vértice e outros que estão faltando do outro lado, possivelmente quebradas em algum desmoronamento da estrutura em época longícua e muito posterior à talha original do bloco Observa-se que nesse bloco há fraturas novas (possivelmente ocorridas na movimentação quando o terreno foi aplainado por máquina), mostrando a cor cinza chumbo, e em outras partes ou já era assim, irregular, ou sofreu quebraduras há muitíssimo tempo e igualou toda a cor da superfície.

A camada superficial alterada até boa profundidade em toda a pedra mostra que este bloco foi esculpido há muito tempo, não parece ser coisa de 100 ou 200 anos.

Quando ele foi achado estava enterrado por ali perto e foi colocado nessa posição. Se aumentamos a foto , se nota o que parece um acabamento entre apicoado ( pequenos pontos ) e polido.

Suas medidas reais são:1.66 mde um lado e 1.62 do outro no comprimento, e 0.70 e 0.57 de largura. Sua espessura é de 34 cm em media. Fica claro que só serviria em uma parede de0.70 cmde espessura. Em uma das fotos feita por ocasião do aplainamento do terreno ao fundo parecem se ver duas peças similares a esta,semi enterradas. Elas devem estar no mesmo local, valeria a pena localizá-las. Estas grandes peças igual às das fotos, se foram feitas, é muito provável que funcionassem como arquitraves de vãos. Com certeza não eram pilares. Este bloco é pouco prático para servir de ”grande tijolo“ em uma parede. O peso desse bloco revisto, com suas medidas reais, ainda é enorme, 913 quilos.

Notam-se outras pedras com cantos retos, mas estando em grande parte enterradas, não dá para ver se seguem um padrão de paralelogramo em todas as direções. A pedra da esquerda está encosta acima e as da direita perto da base na estrutura piramidal. Não se pode, a priori, afirmar, se um amontoado de pedras, sendo a maioria irregulares, pode ou não ter sido um antigo muro. No entanto esse monte de pedras que se vê na foto da direita podem ter sido parte de um muro desmoronado. Dando a impressão de que quando aplainaram o terreno as jogaram para baixo. Se esse for o caso , deve haver parte desse muro enterrado e em bom estado ainda.O problema é que varias pessoas estão se negando a responder perguntas e assim fica difícil seguir as pistas do que ainda possa haver no local. Continuo notando uma falta total de interesse e compromisso de todos os envolvidos neste caso, tanto pessoas como instituições. E esta ficando cada dia mais difícil continuar esta pesquisa.

COMPARAÇÕES COM OUTROS LOCAIS SUL AMERICANOS

Acima vemos um antigo muro do Pucará da colina chamada “A Muralha” no Chile. Um muro desse tipo quando desmoronado é difícil de identificar como obra humana. À direita vemos o que se vê onde o muro foi totalmente destruído, apenas um pouco da fundação emerge. Alguém poderia dizer que é apenas um afloramento rochoso.

Abaixo temos um esquema da Waka (santuário e observatório) da colina de Chena no Chile com as posições do nascimento e ocaso do sol em diversas épocas. O colocamos para orientação melhor do sitio, comparando as direções. Essas direções eram balizadas por portas e janelas colocadas em locais exatos.

O divisor de águas da colina está exatamente na direção da linha do solstício de inverno ( a linha vermelha ) sua principal encosta segue esta direção . A “pavimentação” que vimos no início está na base deste divisor de águas, ao lado da parte que aparece como um retângulo verde claro. Citamos isto apenas como uma curiosidade, por enquanto.

A linha amarela representa o norte. As setas do lado direito do desenho acima representa os pontos de nascimento do sol nos solstícios e equinócios, solstício de inverno (em vermelho), solstício de verão( em azul). E em verde a linha de equinócios. O nascimento do sol é do lado direito. A imagem de um animal, é a forma das muralhas da Waka da colina de Chena no Chile. Colocamos lado a lado com o sitio para mostrar a orientação do mesmo em relação aos solstícios e equinócios. Não é o caso que tenhamos achado alguma razão específica, mas pode vir a ser interessante analisar este fato. Se o local é um sitio antigo não identificado, não sabemos a que tipo de cultura possa pertencer, e é preciso destacar qualquer fato que possa ser relevante.

Em baixo temos uma particularidade. O pucará conhecido como “A Muralha“, no Chile. Comparamos sua localização e disposição com a situação do sitio em questão. O tracejado em vermelho indica onde ficava uma antiga lagoa, hoje seca, que protegia aquele flanco. Em branco vemos os muros fechando o outro flanco, indo até a lagoa. O traçado das muralhas desenha uma ave em vôo, propositalmente. A colina do sitio que estamos analisando também está às margens de um açude que com certeza sempre existiu e foi até maior possivelmente chegando até a colina. Portanto fechava todo o flanco leste. Não esqueçamos que existem valas pelo lado oeste e norte, e pelo lado sul é muito íngreme. Poderia ser uma posição defensiva tal como um pucará

Mas parece mais um tipo de local cerimonial com uma waka ou huaca, mas por enquanto são apenas suposições . Na arqueologia brasileira consagrada não existe estes tipo de sítio, mas isso não deve nos deter, até termos evidências do que é realmente o sítio, e se é um sitio arqueológico de fato.E como este sitio estaria totalmente fora de contexto em relação a arqueologia da área poderíamos levantar a suspeita de que quem o construiu esteve de passagem, ou não era uma população autóctone dessa área.

Também devemos deixar claro que os pucarás e as huacas não surgiram com o Império Inca, já eram hábito de varias populações americanas antes dos incas. Estamos de acordo em que no Brasil não há antecedentes deste tipo de sitio. Ou ao menos ainda não foram registrados. Estamos apenas levantando possíveis evidencias que ajudem a esclarecer o assunto. E fazemos comparações com casos sul americanos. Não temos convencimento de nada, más devemos desconfiar de tudo. A prova arqueológica só poderá vir com escavações técnicas. E as respostas poderão ser bem diferentes de tudo o que especulamos. Descartar o sitio como sem importância sem fazer maiores sondagens é irresponsabilidade. Apesar de que já houve quem ache tudo obra da natureza. Na verdade, por enquanto, temos pouco material para avaliar que tipo de construção e se houve uma construção, de fato nesse local. Mas aqui, em princípio, há algo diferente.

O TERRENO EM VOLTA DO SITIO

O terreno da colina esta remexido superficialmente por varias causas. Algumas cabeças de gado pastam no local e há muitos montes de estrume, este tipo de atividade causou uma alteração superficial do terreno inclusive deslocando as pedras menores. Evidentemente que animais de 300 quilos transitando no local vão misturar o solo. Se havia uma construção, em épocas passadas , e é o que parece, deve ser investigado. Ela sofreu , primeiro a destruição causada pelas gerações de árvores nascendo e morrendo e posteriormente o uso como pastagem. Se essa construção não era composta com argamassa resistente, com o tempo se transformaria num simples amontoados de pedras, parte soterrada e parte soltas a flor da terra. E isso é o que parece, ao menos nas fotos mais antigas. Há indícios que suas pedras já vem sendo usadas par outras construções faz tempo.

Vista para o lado leste e o açude. Na foto seguinte. Vista com a colina, olhando para sudoeste. Note-se que está separada por uma vala ou garganta. Em primeiro plano se nota a estrutura piramidal, e no topo da colina pode-se ver a linha de transmissão elétrica que passa pelo local

Embaixo vemos o local onde na fotografia aérea há uma alteração do terreno. Estivemos no local e pudemos ver que se trata de uma alteração do terreno criando um barranco. Do lado leste o terreno é mais baixo (lado direito), aproximadamente 1,5m. Não foi possível verificar se há algum muro enterrado ou não causando essa alteração.

A esquerda vala e o riacho que separa a colina pelo lado nordeste. À direita a continuação da vista da colina em direção leste vendo-se a área do açude e áreas outrora possivelmente inundadas pelo açude. A alteração do terreno mostrada na fotografia aérea está um pouco à frente da touceira de bambu mais volumosa. Na foto acima à esquerda, vista da cachoeira da Porciana desde a colina do sitio.

Vista em direção leste um pouco mais à direita , ao fundo o Hotel Fazenda. A foto da direita é continuação da esquerda.

Vista desde o Hotel em direção oeste. No canto esquerdo, no meio da foto, está a pequena colina do sitio em um plano intermediário. Na foto da direita vê-se a encosta suave da colina que desce em direção leste.

O local em si tem algumas particularidades que valem a pena ressaltar. É uma colina relativamente baixa, mais bem é um contra forte de outra maior, atrás dela ( lado Norte e lado Oeste). Fica separada por uma vala ou fosso desse morro maior. Haveria que abrir o mato que cobre essa depressão para poder ver o terreno. Essa vala se prolonga ate encontrar com o riacho que desce da cachoeira da Porciana, ali perto, a uns250 m. A colina vai subindo em direção sudoeste e chegando ao topo cai abruptamente escondida numa mata de maior porte, onde já não é capinzal. Desde o topo se observa que não há vista ampla em todos esses lados descritos. Ou seja, o local está discretamente disfarçado, sendo esses lados os mais íngremes. Já o lado sudeste e leste tem vista bem mais ampla ou até totalmente despejada. Justamente esses lados são os menos íngremes. A visão desse lado chega a mais ou menos a um quilometro, até as margens do rio Paraibúna. Más no meio está o açude, que já deve ter sido muito maior. Foi passada a idéia de que o rio Paraibuna está apenas a alguns metros do sitio em questão. Essa informação não estava correta.

Se há alguma construção em todas essas encostas, é difícil de dizer. A flor da terra não se nota nada. Mas cabe levantar a dúvida de que possa haver elementos construídos desmoronados e que estariam distribuídos na forma de um talude natural. Só se poderá saber isso se forem abertas trincheiras teste em alguns pontos. E em volta de toda a colina em sentido transversal às curvas de nível. Em relação ao terreno circundante, do lado leste, a colina não tem mais de40 mde altura. Considerando sua situação em épocas passadas pré históricas ( me refiro, antes de 1500 ) seria um local razoavelmente apropriado para instalar alguma pequena fortificação ou estabelecimento. Faltaria o motivo para se estabelecer ali. Mas pode ter havido. Entre eles poderia ter sido rota de passagem para quem sabe quem, e quem sabe para onde. E nesses casos se faz um refugio num local razoavelmente apropriado mas que não tem nenhuma particularidade especial servindo como ponto de apoio. Poderia ser este o caso, entre outras coisas.

Mas acredito que se houvessem ruínas significativas nessa colina seriam visíveis na fotografia aérea. E não se nota nada especial. Literalmente, é preciso ir mais fundo. É possível que este sitio seja parte de um maior distribuído pelos terrenos circundantes.

Existe facilidade de abastecimento de água através do riacho que forma a cachoeira da Porciana, é abastecido por um outro açude que esta em cota mais alta e funciona como um grande reservatório que abastece esse riacho de forma perene. Esta é uma condição importante para alguém se estabelecer no local. Esse açude mais alto está no cume como se fosse uma cratera e funciona como uma enorme caixa de água . Nos mapas pode ser visto do lado norte ao sitio.

Vista aérea da área com o hotel na extrema direita , o sitio no meio(retângulo verde claro), no fim da parte mais fina do açude e o outro açude no cume da elevação , que alimenta a cachoeira da Porciana O rio Paraibuna tinha antigamente abundancia de peixes, portanto sustentaria alguma população que ali morase.

Entre as curiosidades do local me foi dito que há abundância de cristal de quartzo, Não chegamos a vê-los, a não ser alguns , na fazenda, dispostos em circulo.

Foi comentado em reportagem na Gazeta do Povo que haviam retirado pedras com as formas mais sugestivas do local. É possível que alguns o tenham feito, mas deviam ser pedras pequenas que estavam na parte mais baixa da colina. As lajes que aparecem nas fotos e a que nós medimos pesam de 160 quilos para cima e estão na parte alta da colina. Não é fácil remove-las, e muito menos trazê-las para baixo, se isso não for uma prioridade.

E aqui tocamos um ponto importante. Foi levantada a hipótese de que alguém tenha cortado pedras para uso em outro local, usando matacões no alto da colina.

Na verdade não há matacões no alto da colina, que era o que parecia nas fotos de 2009. Porém as lajes mais sugestivas estão no alto da colina. Isso nos leva a crer que faziam parte de algo que havia no alto da colina e que exigiu pedras mais regulares. Se alguém quisesse cortar lajes para uso, não precisaria fazê-lo no alto, pois embaixo também a muita pedra solta.

E chegamos a em outro ponto importante. Se aquelas lajes não são naturais, e foram cortadas por mãos humanas, são restos de alguma construção, evidentemente. Mas há quem ache que aquelas pedras em padrão e em diretriz de paralelogramos são apenas naturais e fruto da clivagem natural da rocha. Pelo que podemos ver nas lajes não há vestígios de corte recente ou marcas de corte com talhadeiras. A única maneira de chegar a uma conclusão será abrir trincheiras teste no topo da colina e passando a camada de solo revolvida procurara uma razão arquitetônica nas pedras que por ventura aparecerem. Ou então detectar fundações que possa haver. Devemos lembrar que uma construção de pedras, em parte irregulares, sem argamassa quando desmorona se transforma em algo difícil de definir se natural ou artificial. Más em principio um monte de pedras juntas e soltas podem ser restos de alvenaria rústica. A não ser que tenham sido acumuladas por torrentes de água. A idéia de que as lajes do local possam ter sido restos de material para as pontes da fracassada estrada de ferro Taubaté-Ubatuba pode ser descartada, com certeza. O local não seria fonte abundante de extração de pedras. E a estrada de ferro não chegou nem perto do local

Depois de nossa visita ficamos com a certeza de que tudo é resultado de intervenção humana e houve uma construção no local.

ALGUNS DADOS INFORMATIVOS SOBRE O LOCAL

As condições de visita ao local foram facilitadas pelo apoio que nos deu o proprietário do Hotel Fazenda, nos permitindo ficar nas instalações do próprio Hotel Fazenda que nesse momento não estava muito freqüentado. No entanto não há facilidades para alimentação fora das épocas de grande movimento nem no Hotel nem nas imediações, onde só existem três bares dos quais um, serve refeições. Não há padaria nem supermercado no local. Dois quilômetros à frente está o bairro de Vargem Grande e ali tem ou tinha uma padaria e um local para fazer refeições.

Foi dito que pelo fato de ser o local um hotel fazenda haveria atividades radicais sendo desenvolvidas e deteriorando o sitio que pode ser de interesse arqueológico. Não observamos nada disso. Não há nenhuma atividade radical no sitio nem está a mercê delas. Na verdade ninguém parece se importar muito com o local e muito menos alguém o está estudando. O que para nos é lamentável.

Esta área pertenceu a uma fazenda maior que posteriormente foi dividida. Em épocas passadas antes da divisão, basicamente se explorava a agro pecuária. Não pude levantar informações fidedignas sobre se houve cultura de café, o que poderia fazer ligação entre secagem de café em terraços pavimentados com lajes de pedra. E nesse caso as lajes achadas no sitio poderiam ter sido restos de material destinado a esses terraços. Mas não me parece que seja o caso. Também é o caso de se pensar se alguém faria lajes para terraços de secar café com o peso de 160 quilos cada uma. Uma laje muito menor seria suficiente. Portanto a hipótese de ser uma estrutura criada no período colonial é muito fraca e só vai satisfazer pessoas que não foram ao local. E posso garantir que uma visita ao local mesmo de quem já tenha tido informações e imagens do local antecipadamente, como foi meu caso, não é suficiente para elaborar uma teoria. Creio que por enquanto estamos na estaca zero.

CONCLUSÃO FINAL

Poderia ousadamente presumir que possa haver existido algum monumento de menor porte no topo da colina construído com cantaria de acabamento mais sofisticado. Mas ainda faltaria explicação para as formações do pé da colina e os grandes monólitos que lá existem. No entanto pelo que pude ver há vestígios de uma construção ou construções , na colina do sitio e desconfio de que haja outras nos arredores e inclusive na mata próxima. Que partes destas ruínas foram destruídas, é quase certo , por inabilidade ou desconhecimento. Muitas perguntas minhas ficaram sem resposta porque varias pessoas não quiseram falar claro. Como começou toda a historia da descoberta deste sitio e o que de fato aconteceu não está bem explicado e possivelmente nunca saberemos. Mas ainda está em tempo de salvar o local para uma pesquisa mais aprofundada. Seja ele o que for.

Arquiteto Carlos Perez Gomar, 10 de fevereiro 2012.

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Descoberta tumba que conserva cores vivas após 4 mil anos no Egito

Publicado por luxcuritiba em março 2, 2012

09.07.2010 ]

Jorge Fuentelsaz

A “porta falsa” da tumba encontrada no Egito; clique aqui para ver mais fotos

Como se tivessem sido pintados ontem, assim podem ser descritas as cores da tumba construída há 4,2 mil anos no sítio arqueológico de Saqara, 25 quilômetros ao sul do Cairo e apresentado pelo chefe do Conselho Supremo de Antiguidades egípcio, Zahi Hawas.

“São as cores mais incríveis jamais encontradas em uma tumba”, disse Hawas aos jornalistas, que sob o forte sol de julho tentavam tomar nota das antiguidades encontradas e das explicações do egiptólogo mais famoso do país.

Para chegar a tumba, que na realidade são duas, é preciso percorrer vários quilômetros por uma inóspita pista de areia, de onde é possível ver a pirâmide escalonada do faraó Zoser.

Na cripta descansam os restos de dois altos funcionários da V dinastia faraônica (2500-2350 a.C): Sin Dua, sepultado na sala principal do túmulo, e seu filho Jonso, cujos restos foram depositados em uma sala adjacente à de seu pai.

Ambos ostentam os cargos de “supervisor de funcionários”, títulos dos quais não se tinha conhecimento até agora, e de “chefe dos escribas”, entre outros.

No entanto, o que chama mais atenção na descoberta são as cores luminosas com as quais a “porta falsa” da tumba de Jonso está pintada, porta pela qual, como acreditavam os egípcios, a alma do morto devia entrar no mundo dos mortos.

Sobre um fundo branco, nítidos tons de marrom, rosa, amarelo, azul e preto mostram quem foi o chefe dos escribas, junto a hieróglifos que indicam seus diferentes cargos e seu nome.

“O túmulo do filho, Jonso, é único e incrível” explicou o especialista, que acrescentou que na “porta falsa” há “um altar de sacrifícios” e pode se ver Jonso “em diferentes posições que mostram a beleza” das cores. “Uma beleza que possivelmente nunca foi encontrada em outra tumba”, disse Hawas.

Na sala reservada a Sin Dua, com dimensões maiores e, assim como a de Jonso, enterrada a quatro metros de profundidade, também se destacam as cores nítidas da “porta falsa”, na qual Sin Dua aparece sentado em frente a uma mesa de oferendas.

“Como estas cores, na minha opinião as mais incríveis descobertas em uma tumba, puderam se manter durante 4,2 mil anos?”, questiona Hawas, que ressaltou que os trabalhos de catalogação e conservação começaram no momento da descoberta.

Perante a “porta falsa” da tumba de Sin Dua foi encontrado também um poço, agora coberto, de 16 metros de profundidade, no qual foram encontrados os restos do caixão do morto, afetado pela umidade.

Além disso, os arqueólogos desenterraram diversos artefatos e objetos utilizados nos ritos fúnebres do antigo Egito que, aparentemente, se mantiveram a salvo dos saqueadores de túmulos graças à profundidade na qual foram depositados.

Entre eles, vários recipientes de pedra em formato de pato que continham ossos destas aves, uma cabeça de madeira e um pequeno obelisco de 30 centímetros.

Segundo Hawas, postado em uma plataforma de madeira situada sobre o poço, os egípcios das dinastias V e VI costumavam colocar em suas tumbas obeliscos como símbolo de sua crença no deus sol Ra.

Estes sepulcros “fazem parte de um enorme cemitério descoberto recentemente na área de Saqara por uma missão arqueológica egípcia que trabalha na região desde 1988″, explicou Hawas.

Esta necrópole, da qual não se tinha notícia, como comentou Hawas, se encontra dentro do complexo arqueológico de Saqara, em uma área conhecida como “Yiser al Mudir” e na qual o arqueólogo egípcio espera realizar muitas descobertas.

Antes de abandonar a tumba subindo por uma escada de madeira rudimentar e junto com seu inseparável chapéu, Hawas fez questão de lembrar aos jornalistas: “Você nunca sabe os segredos que as areias do Egito podem esconder”.

http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/efe/2010/07/09/descoberta-tumba-que-conserva-cores-vivas-apos-4-mil-anos-no-egito.jhtm

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O Castelo de Corais de Edward Leedskalnin

Publicado por luxcuritiba em janeiro 26, 2012

Miami é a morada de um dos mais misteriosos milagres da engenharia. Envolto em lendas que possivelmente nunca serão desvendadas, o Castelo de Corais foi construído pelas mãos de um único homem: Edward Leedskalnin. Tudo por causa de um desgosto de amor.

Conta-se que Edward tinha 26 anos quando a sua noiva cancelou o casamento um dia antes da boda. Sem se conformar, o jovem decidiu a fugir da sua terra natal, na Letónia, para a Florida, nos Estados-Unidos. Sem conseguir esquecer a única mulher por quem algum dia estivera apaixonado, dedicou-se a construir um fantástico castelo para a impressionar. A matéria-prima escolhida para a sua obra foi a rocha de coral.

Durante 28 anos, usando ferramentas fabricadas com pedaços de ferro velho, Edward Leedskalnin construiu, absolutamente sozinho, um castelo e tudo o que está em seu interior com blocos de coral, sendo que alguns chegam a pesar 30 toneladas. De alguma maneira ele conseguiu movê-los e fixá-los no lugar sem ajuda ou uso de maquinaria moderna. E nisso reside o mistério. Como ele fez isso? A maneira como ele deslocou esses pesos colossais continua sendo totalmente desconhecida, mais de meio século após sua morte.

Estima-se que na construção das paredes e torres foram usadas 1000 toneladas de pedra, enquanto que mais 100 toneladas foram empregadas para esculpir mobílias e objetos de arte. Um obelisco que ele ergueu pesa 28 toneladas. A parede que rodeia o castelo tem 2,40m de altura e é formada por grandes blocos, cada um deles pesando várias toneladas. A maior pedra na propriedade calcula-se que pese 35 toneladas. Algumas pedras têm duas vezes o peso dos maiores blocos da Grande Pirâmide de Gizé. A porta de entrada do castelo, feita de uma enorme laje de coral, foi concebida com tal perfeição que pode ser aberta com o leve empurrão de um dedo, embora pese nove toneladas.

Leedskalnin era homem de constituição franzina, com pouco mais de 1,60m de altura e 50 quilos, e até hoje existem muitos rumores mas nenhum dado concreto de como conseguiu construir sua bela e excêntrica obra-prima, localizada na cidade de Homestead, na Flórida. O que se sabe é que ele trabalhava apenas depois que o sol se punha e não permitia que ninguém visse como moldava, movia ou assentava os enormes blocos. Um dos pontos de destaque do castelo é um maravilhoso “telescópio” sem lentes, de 30 toneladas, que se localiza a mais de 7 metros acima das paredes da construção. Outra atração é um relógio de sol que marca o tempo com precisão de dois minutos.

Ao que consta, a única vez na qual ele pediu ajuda foi em 1936, quando deslocou todo o castelo para 16 quilômetros além de sua posição original. Ele deslocou a construção já quase pronta porque ouviu rumores de que uma empresa incorporadora iria explorar uma área próxima ao castelo. Então, desmontou o castelo e colocou os blocos em um chassis de caminhão que foi puxado para o novo local por um trator contratado para isso. Ao motorista do trator não foi permitido ajudar e nem mesmo assistir a movimentação dos blocos feitas por Leedskalnin. Quando o tratorista aparecia para o trabalho todas as manhãs, já encontrava o caminhão carregado com várias toneladas de coral.

Uma das especulações é a de que Leedskalnin descobriu uma maneira para mover os volumosos blocos tirando proveito dos poderes magnéticos da Terra. A Terra está rodeada por uma teia invisível de energia que está concentrada em certos pontos. Nesses locais a energia flui livremente e as pessoas são muito mais fortes do que seriam em qualquer outro lugar. Algumas pessoas sentem-se energizadas quando estão dentro do castelo, sensação que passa quando se afastam daquela área. Mas embora os efeitos rejuvenescedores do castelo possam despertar interesse, a curiosidade maior está em descobrir como Leedskalnin usou energia para mover esses pesadíssimos blocos de coral.

Certa feita, ao ser perguntado como conseguira aquele feito notável, Leedskalnin respondeu: Eu descobri os segredos das pirâmides. Eu descobri como os egípcios e os antigos construtores do Peru, Iucatã e Ásia, apenas com ferramentas primitivas, elevaram e colocaram no lugar blocos de pedra que pesam muitas toneladas.

Quando terminou sua obra, ele abriu o castelo para a visita pública, cobrando 20 cents pela visita. Em Dezembro de 1951, ele deixou em seu castelo um bilhete dizendo que ele estava hospitalizado e partiu rumo ao Jackson hospital de Miami para ser internado, pois estava sofrendo de câncer de estômago. Edward morreu dormindo dois dias depois de se internar voluntariament.

Ao morrer, ele pouco deixou no que se refere a documentação. Escreveu uma série de folhetos sobre suas experiências com forças magnéticas e eletricidade e neles muita atividade misteriosa é sugerida, mas pouco é detalhado. Não há nenhuma dúvida de que Leedskalnin, embora tivesse apenas educação primária, era um excelente engenheiro. O furacão Andrew devastou muito da área circunvizinha ao castelo em 1992, mas a construção em nada foi afetada pela feroz tempestade. Em 2003 o enorme portão da parte traseira da residência trancou numa posição entreaberta e seis operários tiveram que trabalhar durante quase dois dias para remover e reinstalar o portão usando um guindaste. Entretanto, Leedskalnin, um homem de 60 anos, conseguia resolver esse tipo de problema usando apenas ferramentas feitas à mão.

Mais de cinquenta anos depois da obra estar concluída, permanece a dúvida: como é que Edward deslocou as toneladas de rocha de coral sozinho e as cortou em blocos sem equipamento específico? Não há relatos sobre a construção, uma vez que nunca ninguém viu Edward a trabalhar no seu castelo. Para alguns, a explicação passa por supostos poderes de levitação que o homem possuía. Há quem diga também que Edward usava a técnica aplicada nas pirâmides do Egipto. Contudo, para a grande maioria será sempre um mistério por desvendar.

Recentemente uma equipe jornalística foi fazer uma matéria no castelo de Coral de Ed, tentando simular a construção de um castelo como o dele, usando a tecnologia moderna. Após conseguirem cortar um pequeno bloco de coral de aproximadamente 3 toneladas e mesmo usando os mais avançados equipamentos, a equipe técnica e científica da missão declarou oficialmente ser impossível, mesmo nos dias de hoje, realizar tal obra com tanta perfeição.

O que é certo é que a verdade morreu com Edward, em Dezembro de 1951. Embora a obra deslumbre homens e mulheres, mesmo tendo recebido diversos convites, a sua amada nunca chegou a visitar o castelo feito em sua homenagem.

 

Veja mais imagens aqui: http://evelyntorrence.com/byme/castle/galaria.html

Para conhecer mais:

http://www.leedskalnin.com
http://www.coralcastle.com
http://evelyntorrence.com/byme/castle/index.html
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/239987

 

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A cidade subterrânea de Derinkuyu

Publicado por luxcuritiba em janeiro 8, 2012

Em 1963, um habitante de Derinkuyu (na região da Capadocia, Anatolia central, Turquía), ao derrubar uma parede de sua casa, descobriu assombrado que por detrás da mesma se encontrava uma misteriosa habitação que nunca havia visto; esta habitação levou-o a outra e esta a outra e a outra…

Por casualidade havia descoberto a cidade subterrânea de Derinkuyu, cujo primeiro nivel foi escavado pelos hititas cerca de 1400 a.C.

Os arqueólogos começaram a estudar esta fascinante cidade subterrânea abandonada. Conseguiram chegar aos quarenta metros de profundidade, acreditando-se contudo que chegue aos 85 metros.

Actualmente já se descobriram 20 niveis subterrâneos. Só podem ser visitados os oito níveis superiores; os restantes estão parcialmente obstruidos ou reservados aos arqueólogos e antropólogos que estudam Derinkuyu.

A cidade foi utilizada como refúgio por milhares de pessoas que viviam no subsolo para se proteger das frequentes invasões que sofreu a Capadocia, nas diversas épocas da sua ocupação, e também pelos primeiros cristãos.

Os inimigos, conscientes do perigo que corriam ao introduzir-se no interior da cidade, geralmente tentavam que a população viesse à superfície envenenando os poços.

O interior é assombroso: as galerias subterrâneas de Derinkuyu (onde há espaço para, pelo menos, 10.000 pessoas) podiam refugiar-se em três pontos estratégicos deslocando portas circulares de pedra. Estas pesadas rochas que encerravam as entradas impediam a invasão dos inimigos. Tinham de 1 a 1,5 metros de altura, uns 50 centímetros de espessura e um peso de até 500 Kilos.

Derinkuyu tem ainda um túnel de quase 8 kilómetros que conduz a outra cidade subterrânea: Kaymakl.

De cidades subterrâneas desta zona já falava o historiador grego Jenofonte. Na sua obra Anábasis explicava que as pessoas que vivian na Anatolia haviam escavado suas casas no sub-solo  e viviam em alojamentos suficientemente grandes para albergar uma família, seus animais domésticos e armazém de alimentos.

Nos níveis recuperados, encontraram-se estábulos, comedouros, uma igreja (de planta cruciforme de 20 por 9 metros, com um teto de mais de 3 metros de altura), cozinhas (todavia já enegrecidas pelo fumo das fogueiras que acendiam para cozinhar), prensas para o vinho e para o azeite, tabernas, cantinas, uma escola, numerosas habitações e até um bar.

A cidade era beneficiava da existência de um rio subterrâneo; tinha poços de água e um magnífico sistema de ventilação. (Encontraram 52 poços de ventilação que assombraram os engenheiros da actualidade).

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A Aldeia de Matmata na Tunísia

Publicado por luxcuritiba em janeiro 5, 2012

A aldeia de Matmata, célebre por suas casas trogloditas, está localizada numa pequena cordilheira. Seus habitantes, na sua maioria bérberes, construíram as casas debaixo da terra, escavando a areia argilosa, procurando temperaturas mais agradáveis e constantes.

As grutas se dispõem em círculo em volta de um fosso, com uma profundidade de 10 metros, pelo que quando alguém se aproxima parece que não há ninguém por essas zonas. O recente turismo tem originado uma fonte de recursos, com o que os matmatís mostram suas casas e aproveitam para comercializar seus originais artesanatos.

Um pátio enterrado a 8 m de profundidade e área de 10 x 10 m permite a organização de habitações à volta. Os quartos são de 3m largura e uma profundidade variável de 3 a 6 m. O teto está construído com uma abóbada.

O acesso é independente da ventilação e são os dois elementos básicos destes edifícios. Uma vala em todo o perímetro controla a entrada de água. O acesso em rampa está na parte mais baixa.

Pode chegar a ter 12 pisos, aos quais se chega por diferentes acessos. É como uma estrutura de ruas.
Os quartos e as vias de acesso têm ligações com grandes dutos verticais. O ar desses dutos está ligado a rios subterrâneos para garantir boas condições de higiene.

As comunidades subterrâneas de Matmata permaneceram praticamente desconhecidas para o mundo ocidental, até que um acidente as revelou. Em 1967, um evento altamente incomum no Deserto do Sahara, ou seja, uma chuva torrencial, que durou 22 dias, alagou todas as comunidades.

O Governo da Tunísia, enviou de imediato pessoal para avaliar os danos e construir novos edifícios, deparando-se com a surpresa de que havia população berbere que estava completamente escondida, a quem ninguém tinha encontrado antes, e a viver desse modo. Imediatamente eles construíram casas na superfície, mas os berberes recusaram-se a abandonar as suas cavernas tradicionais. Por esse motivo continuam lá até aos dias de hoje, com o valor acrescentado do turismo.

Que foi mais reforçado quando, uma década depois, o cineasta George Lucas escolheu este sítio como local privilegiado para seu novo filme de ficção científica, “Guerra nas Estrelas”. E, para as pessoas da época, os ditos moradores das areias, devem ter parecido alienígenas no meio do século XX.

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Civilizações Perdidas no Tempo

Publicado por luxcuritiba em novembro 8, 2011

CIVILIZAÇÕES PERDIDAS NO TEMPO
O LAPSO NA HISTÓRIA DA NOSSA CIVILIZAÇÃO

Isaías Balthazar da Silva

1.0 – CIDADES PERDIDAS: LENDAS OU RELATOS INTRINCADOS?

A histórica tese de que as primeiras civilizações surgiram por volta de 4500 e 3750 a.C, na região chamada de Mesopotâmia, esta em franco abalo.

Nas ultimas décadas a aplicação da tecnologia, às mais diversas áreas do conhecimento têm possibilitado aos pesquisadores e exploradores a “redescoberta da história da humanidade” a utilização de sonares, radares e satélites de ultima geração tanto para varredura terrestre, quanto subaquática está retirando o véu negro da história perpetrada por nossa geração, fundada sob os auspícios das civilizações greco-romanas.

Quando Platão descreveu a cidade perdida de Atlântida ela entrou imediatamente para o rol de utópicas cidades da era dourada da humanidade – isso se algum explorador não encontrar a própria ilha de UTOPIA descrita por Thomas Morus. Atlântida, até então, figurava no reino da imaginação fértil de escritores e esotéricos, porém como pode ser visto no rol de novas descobertas aconteceu o improvável, das brumas de Avalon surgiram no sul da Espanha indícios de que a mítica cidade existiu. Retirando-se do relato da cidade perdida de Atlântida, os anseios e os ideais de uma sociedade extremamente avançada para o seu tempo. Pode-se afirmar que se confirmada a descoberta, este será apenas o primeiro passo para desmistificar aquela que foi a mais importante lenda de todos os tempos, que abriu o caminho para estudiosos, pesquisadores e exploradores na busca pela verdade. A titulo de exemplo do que ocorreu ao tempo de Platão, em muitas culturas são perpetradas histórias de cidades e civilizações mais antigas que o próprio tempo, histórias que ao longo dos séculos, se não milênios, foram sendo encobertas pela superstição religiosa e pelos interesses políticos de manter forte a posição de império e de domínio, tão cobiçada pelo homem, histórias contadas das mais diversas formas e por diferentes autores que praticamente tornaram-se fábulas na imaginação dos nossos antepassados e da nossa.

Como poderiam seres humanos a cerca 12.000, 10.000, 6.000 anos, construir com complexidade e fundar um sistema urbano organizado, se diante do nosso conhecimento histórico da evolução humana, estavam passando da condição de caçadores/coletores e iniciando a prática agrícola?!

As pesquisas e as investigações estão em andamento e com certeza irão revelar muitas informações essenciais ao estudo e compreensão da evolução humana, desvendando um passado fértil de riquezas históricas perdidas.

Abaixo estão alguns links que noticiam e abordam estas recentes descobertas.

TEMPLO COM CERCA DE 12.000 ANOS ENCONTRADO NA TURQUIA – 1995
- http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-1157784/Do-mysterious-stones-mark-site-Garden-Eden.html
- http://www.gobeklitepe.info

CIDADES SUBMERSAS DE HERACLION, CANOPUS E MENOUTHIS NO EGITO – 2001
- http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u3922.shtml
- http://www.franckgoddio.org/Sitemap/Project/CanopicRegion/Default.aspx

PIRAMIDE ENCONTRADA NO MONTE BAIGONG CHINA
- http://www1.folha.uol.com.br/folha/reuters/ult112u17436.shtml
- http://www.thelivingmoon.com/43ancients/02files/Baigong_Pipes.html#Investigation

CIDADE SUBMERSA ENCONTRADA NA COSTA DE CUBA – 2002
- http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2001/011207_cidadeperdidabg.shtml
- http://www.morien-institute.org/interview1_ADC.html

PIRAMIDES ENCONTRADAS NA BÓSNIA – 2005
- http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1809183-EI295,00.html
- http://www.bosnianpyramid.com

MÍTICA CIDADE INDIANA COM CERCA DE 10.000 ANOS ENCONTRADA NACOSTA DA ÍNDIA – 2005
- http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2005/02/050228_indiams.shtml

PESQUISADOR ALEGA TER ENCONTRADO A CIDADE DE ATLÂNTIDA – 2007
- http://matildetp.wordpress.com/2011/03/15/atlantida-encontrada-dizem-investigadores

PESQUISADORES ENCONTRAM CIDADE SUBMERSA NO JAPÃO – 2007
- http://noticias.uol.com.br/bbc/2007/08/24/ult36u46080.jhtm
- http://www.morien-institute.org/interview1_MK.html

IMAGENS DE ALGUMAS DESTAS CIDADES
- http://rabbithole2.com/presentation/ancient/ancient_underwater_cities_found.htm

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A falsificação da história da Pedra da Gávea e porque Badezir não faz parte dela

Publicado por luxcuritiba em novembro 5, 2011

Vista desde a Gávea para o mar, com um ipê amarelo (esquerda). Marcas na pedra como de retirada de rocha, perto da face (direita). (Clique na imagem para ampliar)

Estamos assistindo a uma farsa monumental a respeito da Pedra da Gávea faz 200 anos. Primeiro por falta de conhecimento especifico para interpretá-la e depois por interesses de determinadas pessoas que resolveram reescrever a historia do Brasil de maneira a dar mais peso a suas filosofias. E a farsa que é a lenda oficial do lugar, continua a ser repetida inúmeras vezes. E depois de tantos anos de acompanhar esta montanha não e possível aceitar a versão estabelecida. Está bem claro que há coisas a investigar, mas não tem nada a ver com o que foi dito ate agora, inclusive porque tudo foi elaborado 100 anos atrás e o conhecimento evoluiu.

O esclarecimento sobre o que seja realmente a Pedra da Gávea ainda está por vir. Ela é indubitavelmente um patrimônio, mesmo que seja apenas natural e temos que preservá-la como ela é. Para a maioria das pessoas tem sido mais fácil dizer que tudo o que vem suscitando nossa curiosidade na Pedra da Gávea é apenas obra da natureza. Explicações geológicas não são suficientes e para qualquer interessado no assunto, menos ainda. Há os que repetem como papagaios as lendas e a velha história sem fundamentos do túmulo do rei Badezir, ou a simplista explicação da erosão..

Freqüento a Pedra da Gávea faz 47 anos, dormi em cima 40 vezes em total subi 440 vezes, portanto não sou apenas um turista curioso. Minha formação é de arquitetura e trabalho, Há 40 anos nesta área, mas também em paisagismo, construção civil, restauração e preservação de monumentos históricos. Esclareço isto para justificar que tenho experiência razoável para fazer uma análise do lugar e espero que outras pessoas tenham interesse em esclarecer o assunto.

Pôr de sol na Gávea (esquerda). Marcas naturais mas que são similares às chamadas inscrições (direita). (Clique na imagem para ampliar)

Tenho ouvido as teorias mais estapafúrdias sobre a Pedra da Gávea. Existe um artigo que diz que Bernardo de Azevedo da Silva Ramos traduziu a “inscrição” da Pedra da Gávea em 1963 (!). Como? Ele faleceu em 1931.

A “tradução” foi feita em 1928.

Em 1841 o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro alem de interessado na Pedra da Gávea também andava interessado no esclarecimento do manuscrito de 1753, chamado de “manuscrito dos aventureiros”, que descrevia uma cidade perdida na Serra do Sincorá, Bahia. Na descrição, a cidade lembra uma cidade romana porque a entrada se faria por um grande arco ladeado de dois menores (exatamente o arco de Tito, em Roma) e inclusive financiou o cônego Benigno José de Carvalho e Cunha para que a procura-se. Nota-se claramente que havia um fervor de arqueologia clássica do mediterrâneo, inclusive por influencia do Imperador dom Pedro II, que era um estudioso.

A Pedra da Gávea que estava mais a mão e despertava muitas lendas ficou na mira. O padre Souto chegou a solicitar, em 1837,ao instituto Histórico e Geográfico Brasileiro a destruição da Pedra da Gávea, para acabar com as lendas do local. Estas são informações de Gerson Brasil em “Historia dos Subúrbios do Rio de Janeiro”. Curiosa essa fúria católica contra a Pedra da Gávea. Uma outra pedra, porém menor, já havia sido destruída pelo reverendo Souto, era a Pedra Santa (ou Pedra da Santa) no caminho do Jardim Botânico, na estrada que margeava a Lagoa Rodrigo de Freitas. Esta pedra parecia uma cabeça com um rosto virado para a lagoa. Robert Streatfield fez uma aquarela onde se pode ver claramente esta formação. Poucos sabem disso. Gerson Brasil não deve ter visto esta aquarela e por isso não dá a informação certa de onde ela ficava.

Seria este padre Souto o reverendo Manuel Gomes Souto, empossado com a criação da freguesia de São João Batista da Lagoa em 1809?Parece que não gostava que seus fiéis andassem com a cabeça em mistérios da terra nativa, só os do Vaticano eram válidos.

Vista desde a Gávea ao mar (esquerda). Vista do famoso paredão das inscrições (direita). Seriam aquelas marcas que horizontalmente sobem da esquerda para a direita. Fazendo zoom pode-se analisar melhor. (Clique na imagem para ampliar)

Me pergunto se com essa atitude não se chegou a estimular a destruição de algo que pudesse ter havido no topo da Pedra da Gávea.É mais que evidente que a Pedra da Gávea foi subida por muita gente nos séculos passados, principalmente quando havia alguma ameaça,como foi o caso das invasões francesas no século XVIII. Desde seu topo pode-se ver o horizonte ate uns 100 km de distancia, principalmente o mar. Conseqüentemente devem ter mexido ou destruído eventuais vestígios de passagens anteriores, quem sabe de quem. Todo seu topo deve ter sido remexido, ao menos superficialmente, e a sucessão de gerações de árvores crescendo e morrendo devem ter destruído mais ainda, qualquer vestígio mais evidente.

Existe um relatório do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro em que conta que uma comissão deste Instituto se deslocou para copiar a inscrição. Este relatório tem a data de 23 de maio de1839. Repare que eles foram em maio, que é a melhor época para ver a “inscrição”. Ou escolheram a época menos quente e de melhor visibilidade, e acertaram. Tenho quase certeza que eles fizeram as observações desde a atual Villa Riso. Porque com certeza, um grupo de senhores citadinos não iria internar-se nas matas de onde não veriam nada e nessa fazenda devem ter tido o apóio e conforto necessários para analisar as marcas no paredão. Esta fazenda pertenceu ao conselheiro Antonio Ferreira Vianna e era chamada de São José da Alagoinha da Gávea.

Toda essa trama da inscrição fenícia pode ter sido arquitetada ou forçada, ainda que subconscientemente, com certeza nessa fazenda, porque até Dom Pedro II, frei Custodio (que era conhecedor de línguas antigas) e o historiador João Capistrano Abreu, freqüentavam o lugar. Quem conhece Vila Riso sabe que a vista da Pedra da Gávea desse ângulo é magnífica. Além de que aproximando-se muito da Pedra, perde-se o ângulo de baixo para cima.

E para tirar definitivamente suas dúvidas tentem identificar a olho nu os caracteres da chamada inscrição, se puderem. De binóculo não vale. Fenícios não tinham binóculos. Tem quem dize que os traços têm 14m de altura, não tem, sua altura é de mais ou menos 3m.

A historia da tradução da ”inscrição” está cheia de dúvidas. Mas chegou em uma hora em que o Brasil estava no meio do redemoinho do estado novo comunismo, nazismo e fascismo todos eles exaltando valores nacionais e isso acontecia no mundo inteiro.

Por aqui tínhamos a versão brasileira desses nacionalismos que era o integralismo. Um fato como uma origem nobre e de grande ancestralidade para a historia do país não ia ser deixado sem ser usado por setores interessados em levantar o sentimento nacionalista. Mas havia interesses sectários também.

Uma bromélia (gravatá), típica do local, gênero alcantarea (esquerda). Vista da entrada da baía de Guanabara com o perfil da face da Gávea à direita (direita). (Clique na imagem para ampliar)

No inicio do século XX, Henrique José de Souza ex-empresário que foi muito prejudicado pela primeira guerra mundial, porque fazia muitos negócios com a Europa, teve que dissolver suas empresas desenvolveu outros interesses.

Passou a dedicar-se ao estudo de filosofias orientais, fez viagens pelo mundo todo, incluindo a Índia e o Tibet. Nessa época também estavam em moda os ensinamentos da teosofia européia através de madame Blavatski. Elena Blavatski e outros ocultistas influenciaram bastante o nazismo.

Seguindo a tendência de valorização da cultura nacional, o professor criou em 1924, a sociedade chamada de Dharana, em Niterói que mais tarde se tornou a Sociedade Teosófica Brasileira e depois a Sociedade Brasileira de Eubiose que existe até hoje.

A Teosofia mistura crenças católicas com conhecimento oculto, budismo, esoterismo e com uma visão de Brasil grande, etc. e o resultado é uma salada espiritual, filosófica e ate política.

E é preciso entender que dentro de uma formação católica conservadora como deve ter sido a do professor, sempre vão ficar convicções básicas arraigadas, apesar de evoluir para as religiões orientais ou filosofias esotéricas. A partir daí forma-se uma nova corrente filosófica com todas as contradições dos componentes originais.

Nossos povos de toda a América latina são excessivamente místicos e querem soluções caídas do céu e se não caem, eles imploram. Na verdade em todo o mundo as coisas são mais ou menos desse jeito. É o acreditar em vez de saber. É melhor saber um pouco do que acreditar muito. E com relação à Pedra da Gávea se tem acreditado muito e sabido pouco.

Mas como se chegou a essa tradução tão difundida da duvidosa inscrição do paredão leste?

Bernardo de Azevedo da Silva Ramos não foi nenhum Champollion brasileiro. Champollion teve em mãos uma laje de pedra que estava escrita em três grafias: hierático (grafia dos hieroglíficos), demótico (grafia popular do antigo Egito), e grego antigo as duas últimas grafias eram conhecidas e ele foi destrinchando as palavras em hieróglifos, teve muita sorte, por ter a pedra de Rosseta nas mãos, e o que ele fez foi uma tradução fundamentada em um texto real existente. Também há que agradecer a invasão do Egito por Napoleão.

No caso de Bernardo de Azevedo da Silva Ramos, ele interpretou os caracteres que haviam sido copiados a respeito de todo o problema de copiar a ”inscrição” com variáveis como sombras e luz rasante, quem sabe como e em que momento. Marcas deste tipo mudam de acordo com a incidência dos raios do sol. Em um momento você julga estar vendo uma letra e depois já não é a mesma. Portanto não pode ter havido nenhuma exatidão nos contornos das letras. Bernardo tinha o hábito de interpretar qualquer marca numa pedra como sendo letras de algum alfabeto, as vezes não se importando nem com a ordem. E tem um detalhe importantíssimo. Que diabo de inscrição é essa que só pode ser lida de binóculo?

As pessoas no afã e entusiasmo de concluir uma pesquisa se deixam levar por fatos duvidosos. Bernardo traduziu o que lhe deram. Ou seja, a copia da “inscrição” feita pela comissão 100 anos antes. Bernardo nunca foi ate o topo da Pedra da Gávea, pois se tivesse ido perceberia mesmo num ângulo ruim que aquelas marcas são apenas caneluras verticais do desgaste natural da rocha. E só ver as interpretações da inscrição, que se nota que os traços verticais são muito maiores que os horizontais. No livro de Bernardo a ”inscrição” está mais endireitada do que realmente é. E se formos tentar identificar caracteres de direita à esquerda como seria em linguagem púnica, piorou porque esta parte dos traços está mais desalinhada e apagada. Falando francamente, foi muita imaginação. E ainda encontrar os nomes de Badezir, Jetball, Fenícia e Tiro associados?! Houve algo muito estranho. Más o nome ”Fenícia“ ou “Foenisian“, como literalmente ele traduziu, lança uma grandíssima dúvida sobre a exatidão do que de fato existiria “gravado na rocha”.

Mas qualquer um que veja uma estela com um texto fenício autêntico vai perceber que é preciso muita imaginação para dizer quais seriam as letras da inscrição da Pedra da Gávea. Bernardo fez sua tradução em 1928. Ele nasceu em 12 de novembro de 1858 e faleceu em 5 de fevereiro de 1931. Finalmente Bernardo chegou a sua interpretação da inscrição: Tiro Fenícia, Badezir primogênito de Jethball.

Mas o maior argumento contra esta inscrição é de que os fenícios não chamavam seu país de Fenícia e sim de Cannan. Só isso põe em duvida toda a tradução. Quem os chamava de fenícios, eram os gregos. A única possibilidade a favor da legitimidade da inscrição e de que um grego tivesse supervisionado a execução da “inscrição” o que já é forçar muito as coisas, e que seria absurdo.

A cópia dessa inscrição teve que ser feita de telescópio desde São Conrado, para poder dar o detalhe, principalmente dos traços horizontais que são mínimos, se bem os traços verticais tem 2m de altura mais ou menos. Na verdade, só poderia ser ”lida” por quem tivesse binóculos. Nem fenícios nem vikings tinham binóculos, eu acho. E se for desde o topo da montanha não da para ler nada..

A copia da inscrição que aparece no livro de Bernardo e em todos os sites da internet não passa de uma fantasia interpretativa feita pela comissão do IHGB em 1839. Como é que se continua a divulgar essa bobagem?

Mesmo assim o professor Henrique José de Souza resolveu adaptar a tradução de Bernardo da Silva Ramos sobre a inscrição da Pedra da Gávea.

Foi exatamente nesse ponto que confundiram ainda mais o problema da Pedra da Gávea. E a reorganizou na seguinte ordem: “Tiro Fenícia Jetbaal primogênito de Badezir”

O professor também ignorou que os fenícios se auto denominavam cananeus ou mais apropriadamente “canani” ou “cunani” ou ”cnani”, e que Fenícia seria ”Canan”.
Disseram que ela se referia a Jetball como filho de Badezir e não ao contrário e que ele tinha uma irmã gêmea Jetball-bel. De onde tiraram isso, não sei.

Esse tipo de informação seria quase impossível de conseguir. Se Bernardo já estava imaginando mais do que devia, quando interpretou a ”inscrição”, como poderia o professor Henrique José de Souza querer melhorar a tradução? E é preciso fazer mais uma pergunta.

Porque Bernardo só se interessou em fazer a ”tradução da inscrição” em 1928, quando já tinha 70 anos,se ele já a conhecia desde criança?

Provavelmente porque sabia que aquilo não era nada. Provavelmente foi “empurrado” a fazer aquela tradução, quem sabe por que motivos.

E há mais coisas suspeitas nesse interesse da Teosófica com a falsa inscrição fenícia. Dizem que Badezir vem de Baal zir, e que zir significa senhor (me desculpem, mas ”sir“ pode significar senhor nas línguas anglo saxônicas, mas em linguagem púnica senhor é mlk). Dizem que Badezir significa deus maior e trocando Bad por Baal teríamos Baalzir que depois por corruptela passou a Baalzil e posteriormente a Brasil (!?).

É forçar muito, e sem base. Aqueles que insistem e atribuir aqueles buracos da “inscrição“ aos fenícios deveriam consultar durante alguns anos, livros e assuntos específicos sobre a civilização púnica, para ter alguma informação mais precisa.

O rei Badezir ou melhor, Baldozor, como a ele se referem Flávio Josefo e Menandro de Éfeso, não foi nenhuma figura exponencial na história da Fenícia, e muito menos fazia parte de elite espiritual como a Teosofia divulga. Fazia parte de uma linhagem de sacerdotes e reis assassinos e assassinados constantemente,na luta pelo poder.

É muito possível que a Sociedade Brasileira de Eubiose pretende-se ter um patrono ancestral como a maçonaria tem Hiram Abiff,o arquiteto (que se confunde com o nome do rei de Tiro na ocasião) e que foi o arquiteto do templo de Salomão, e o grande pedreiro. Não esqueçamos que as lojas Maçônicas em principio procuram ter uma entrada no modelo do templo de Salomão (pórtico com duas colunas,chamadas Joaquim e Boaz) esse modelo de portada era também o modelo dos templos fenícios.

Podem ter tido a idéia de que Badezir seria um similar para a Teosófica do professor Henrique José de Souza, dando a ancestralidade que interessava.

Já dá para entender porque a Teosófica se baseou em uma referência histórica escassa como a de Badezir. Provavelmente para reforçar e dar legitimidade e ancestralidade nobre e monárquica ao Brasil. Ficaria explicado o interesse da Teosofia na ”boa tradução da inscrição”.

Pareceria que tanto Bernardo como o professor eram monarquistas, ao menos nasceram num Brasil monárquico. O curioso é que Bernardo de Azevedo da Silva Ramos foi um dos fundadores do Clube Republicano em Manaus.

Badezir é colocado como uma figura altamente evoluída e que teria vindo ao Brasil com uma grande missão espiritual. A verdade sobre Badezir, cujo nome foi grafado erradamente. (porque ele nunca foi chamado de Badezir) é outra.

E é muito provável que no fundo queriam achar algo mais, no passado brasileiro, do que simples indígenas. Foram ignorados contextos culturais religiosos e históricos.

Na história da Teosófica, Badezir é deposto por um movimento republicano. Isso não é verdade nem tem fundamento porque continuou a haver reis em Tiro depois de Badezir que foi sucedido por seu filho Mattan, que reinou de 853 a 821 a.C. e que foi sucedido pelo rei Pigmalião que reinou de 821 a 774 A.C.

O que provavelmente desestabilizou o governo de Badezir, se é que aconteceu, foi a pressão assíria e o fato dele ser filho de um usurpador,Jetbaal, sacerdote de Astarté, que tomou o trono assassinando Phales, que era o último da dinastia de Hiram, o grande, amigo de Salomão.

Na verdade ninguém disse que Badezir foi deposto e pelo que Flavio Josefo diz, ele pode apenas ter reinado 6 anos porque morreu com 45 anos.

Mas chega a ser irônico que a Irmã de Badezir, Jezabel é vista por outros setores religiosos como um espírito demoníaco, o que e um pouco ridículo, ela foi uma rainha de seu tempo. Governar é uma tarefa penosa, principalmente num país estrangeiro e de religião diferente das crenças dela. Ela sobreviveu a Achab, rei de Israel, mais quatorze anos se Badezir morreu com 45 anos ela deve ter vivido ate, mais ou menos os 60 anos. Considerando que Badezir e Jezabel tivessem idades próximas, como irmãos que eram.

Badezir, como rei e filho de um sacerdote de Astarte que assassinou o rei Phales e assumiu o trono, e totalmente cercado pelo clero de sacerdotes de Baal e Astarte, devia seguir à risca seus preceitos. Que não eram muito civilizados para um espiritualista zen da nossa época. Badezir deve ter participado e assistido a muitos sacrifícios de crianças nas chamas dos templos. Pois era pratica normal. E um rei não poderia fugir disso. Portanto pretender outros tipos de religiosidade para ele, é uma ingenuidade.

A Teosofia diz ainda que Badezir fundou a cidade de Niterói e que o nome original era Nish tao ram. Provavelmente para, de novo,dar ancestralidade à cidade onde foi fundada a Daharana, a primeira loja da Sociedade Brasileira de Eubiose.

Divulgam-se informações, não sei com que fundamento, de que em Niterói foram achadas tumbas fenícias (!?). Não é verdade, se alguém tivesse achado algo parecido haveria mais detalhes e o assunto teria tido mais repercussão. E quem é capaz de reconhecer uma tumba fenícia ou não?

Muita gente que anda com os fenícios na ponta da língua,não sabe nada a respeito deles. E no século passado pior ainda.

Envolveram a Pedra da Gávea num mar de fantasias que e deturpou a legitima interpretação do lugar. E por ignorância muitos continuam repetindo coisas sem fundamento. E a maioria dos sites na internet divulgam a informação errada de que Bernardo de Azevedo da Silva Ramos fez a tradução em 1963! Foi em 1928.

Mas está bastante claro que para a Teosofia a deposição e exílio do rei Badezir seria a chave para o que se pretendia.

Queiram ou,não cheira a magoa, pela deposição de Dom Pedro II. Que a mim também me parece que foi indevida, considerando o que veio depois.

Porque não disseram que foi o rei Luli, (outro rei de Tiro que fugiu de verdade) que veio para o Brasil? Evidentemente porque o Brasil não se chama “Lulil”, ou algo parecido, más Badezir, podia ser adaptado até chegar ao nome de Brasil.

Continuar a repetir essa versão para a Pedra da Gávea é um acinte a historia do Rio de Janeiro. E se a Teosófica teve outros motivos para divulgar essa versão, não importa, continua a ser uma falsa versão da historia do Brasil. E que nenhum historiador ou arqueólogo sério aceita.

O historiador que falou do período de Badezir e da linhagem dos reis de Tiro foi Flávio Josefo que escreveu “Historia dos Hebreus” e conta algumas coisas de seus vizinhos fenícios. Esse livro tem 1600 páginas e pode ser consultado pela internet. Mas muitos nomes são diferentes dos que nos conhecemos. Flavio Josefo conta parte deste período da historia assim:

“Morrendo o rei Hirão (Hiram), sucedeu-lhe seu filho Beleazar (Baalazar). Morreu na idade de quarenta e três anos,depois de ter reinado sete. Abdastrate, seu filho, sucedeu-lhe e só viveu vinte e nove anos, dos quais reinou nove. Os quatro filhos de sua ama mataram-no à traição, e o mais velho reinou doze anos em seu lugar, Astarte, filho de Beleazar, reinou durante doze anos depois de ter vivido cinqüenta e quatro. Aserino, seu irmão,sucedeu-lhe, viveu cinqüenta e quatro anos e reinou nove. Felete (Phales), seu irmão, assassinou-o, usurpou o trono, viveu cinqüenta anos, mas só reinou oito meses. Itobal (Jetbaal,) sacerdote da deusa Astartéia, matou-o, reinou em seu lugar durante trinta e dois anos e morreu com sessenta e oito anos. Baldozor (Badezir), seu filho, sucedeu-o, viveu quarenta e cinco anos e reinou seis. Madgem (Mattan), seu filho, sucede-o, viveu trinta e dois anos e reinou nove. Pigmalião sucedeu-o e viveu cinqüenta e seis anos, dos quais reinou quarenta e sete e foi no sétimo ano de seu reinado que Dido, sua irmã, fugiu para a África, onde construiu Cartago na Libia.”

Como vemos os ares do palácio real de Tiro não eram muito saudáveis e às vezes além do vento fresco do mar, também vinha uma punhalada. É claro que é preciso descontar o fato de que viver menos nessa época era normal. Mas a coisa andava no jeito do, “escreveu, não leu, o pau comeu“. E em muitas ocasiões era melhor ”cair fora“

Elisa ou Dido, a fundadora de Cartago que era neta de Badezir, fugiu de Tiro porque seu marido havia sido morto por seu irmão Pigmalião, o próprio rei. Autores romanos contam que o marido de Elisa se chamava Siqueu, outros o chamam de Acerbas ou Sicharbas, era sacerdote e um homem riquíssimo, que despertou a cobiça de Pigmalião.

Era normal não durar muito no trono de Tiro, e não parece que haviam tão elevados sentimentos espirituais, como a Teosofia atribui a Badezir. Não consta que alguém tenha dito que ele era uma exceção. Lembremos que sua irmã Jezabel não era um “doce de pessoa”, pelo menos na descrição de autores judeus, que não gostavam dela por cultuar deuses fenícios. E a descrevem como de alguma crueldade. Badezir dificilmente seria muito diferente. Com certeza era um homem do seu tempo e de sua cultura.

Voltando ao trecho onde Flavio Josefo diz: “Baldozor (Badezir) viveu quarenta e cinco anos e reinou seis”. Se ele soube quantos anos viveu Badezir, está claro que Badezir não desapareceu do Mediterrâneo e veio para o Brasil porque nesse caso Flávio Josefo não ia saber mais nada dele e nem quantos anos viveu. E nem tampouco há alguma referencia de ele ter sido deposto.

Mas o fim do reinado de Badezir (853 A..C.) coincide com a batalha de Karkar, onde uma coligação de estados cananitas enfrentou Salmanasar III, da Assíria. Nessa batalha morreu o rei de Israel, Achab, que era casado com Jezabel, irmã de Badezir.

Badezir deve ter apoiado com um pequeno contingente militar seu cunhado assim como outros reis cananeus e fenícios fizeram. Na descrição feita na estela Kurkh, por Salmanasar III, se descrevem os contingentes da coalizão contra ele. Mas os nomes estão na versão assíria e alguns são difíceis de identificar com os que conhecemos. Também não da para identificar nenhum contingente militar de Tiro.

Alguns reinos só participaram com 200 ou 500 soldados.É evidente que os reinos que estavam mais ameaçados pela proximidade dos assírios participaram mais. Foi o caso de Aradus, que iria ser o primeiro a ser engolido por Salmanasar III.

Se Tiro participou foi com efetivo similar. Alguns cronistas levantaram a dúvida se Josafat, rei de Judá lutou integrado ao exercito de Israel comandado por Achab. A dúvida e levantada porque na estela de Kurkh, Salmanasar III fala que combateu 12 reis mas só faz a descrição de 11, com suas respectivas tropas. Mas a Bíblia conta claramente que Josafat estava presente. Nessa versão os assírios são chamados de arameus.

Alguns acham que o numero 12 é apenas simbólico, não podendo ser base para tirar conclusões. Mas com certeza a maioria dos reinos cananeus sabiam que essa batalha poderia ser decisiva porque a Assíria ameaçava todos eles.

Mas poderíamos levantar outra hipótese. Dada a vinculação política e familiar entre as casas reais de Tiro e Israel, na ocasião, poderíamos pensar que o contingente militar tírio, se houve, poderia estaria contabilizado e integrado ao grosso da tropa de Israel. E se esse contingente era considerável, Badezir poderia estar à frente dele.

Eventualmente poderia ter sido morto em combate ou ter sido ferido e falecido depois,sem que isso tenha sido relatado, ou se foi, estaria nos arquivos perdidos em Tiro.

Mas também devemos levar em conta que os tírios eram melhores marinheiros que soldados e com certeza não dispunham de forças militares terrestres consideráveis.

O fato é que seu reinado cessou nesse ano e seu filho Mattan assumiu o trono com 23 anos. Por quê? Se seu filho assumiu o trono esta bem claro que não havia nenhum ressentimento interno contra ele.

Na falta de referencias, que se devem ter se perdido com os arquivos reais de Tiro, fica difícil fazer mais especulações.

Com certeza a partir daí as coisas desandaram para Badezir. Mas porque esse ano coincide com a data do fim de seu reinado? Morreu? Não sabemos.O reinado de Achab acabou ali.Será que Badezir participou da batalha e também morreu nessa ocasião?

Sabemos que Achab lutou nessa batalha disfarçado e incógnito, porque sabia que seria visado pelo inimigo, e foi ferido na junção lateral da armadura por uma flecha lançada ao acaso. Conta-se que pediu ao cocheiro do seu carro que o retira-se do campo, mas a batalha estava tão renhida que não foi possível retira-lo ate a noite e acabou morrendo por perda de sangue. Se Badezir estava perto de Achab, as coisas não devem ter sido fáceis para ele. O resultado dessa batalha não está muito claro. Apesar de Salmanasar III cantar vitória.

O fato de Badezir só ter reinado seis anos não diz nada de especial porque a maioria de seus antecessores reinaram também curtos períodos. Na lenda da Teosofia Badezir era viúvo. Que diferença faria? Cabe a pergunta: Viúvo de quem?

Esses reis tinham mais de uma esposa. Salomão, que o antecedeu 150 anos tinha 300, fora as 700 concubinas. Dá para imaginar como deveria sofrer Salomão quando as 1000 mulheres saiam para fazer compras. E dá para desconfiar porque de 3 em 3 anos precisava mandar uma expedição para Ofir trazer recursos.

Creio que já temos dados para acabar com qualquer especulação a respeito da vinda de Badezir ao Brasil em ”missão espiritual”. Continuar a dizer isso é falta de seriedade. Essa versão pode ter sido suficiente para o público de meados do século passado, mas é ingênua para o público atual, medianamente informado.

Mas seria interessante pesquisar autores antigos sobre algum dado mais sobre Badezir pelo menos por respeito, já que seu nome foi usado em vão. No livro História dos Hebreus só há uma única citação do nome dele. E evidente que seu nome não era Badezir simplesmente. Parece-me que como Menandro e Flavio Josefo o citam como Baldozor, isso me soa como o nome atual Baltazar. Os fenícios nem sempre escreviam as vogais, e por isso os nomes posteriormente foram sendo usados de várias maneiras. O que pude saber é que Baltazar significa “Baal proteja o rei”. É provável que o nome mais aproximado seria Baaltzor, mas que eles escreveriam: BLTZR. O problema é que quando um autor escrevesse em grego já seria diferente e assim com tantas outras grafias.Parece-me que a tradução mais apropriada do nome seja ”protegido de Baal”, apenas. Não vejo a palavra rei no nome.

Pelo pouco que sei haveria a hipótese que o nome venha de Baal e tzor ou tzur,que quer dizer fortaleza. Provavelmente “Protegido de Baal“ é o correto Mas a pesquisa já se torna complicada para quem não é erudito em línguas semitas,e eu não sou.

Na verdade sinto-me na obrigação de esclarecer a vida desse homem tão usado,sem que ele pudesse desconfiar.

Mas por honestidade precisamos fazer uma ressalva. Flavio Josefo viveu e escreveu entre 38 a.C. e 100 d.C. Portanto 8oo anos depois do período de Badezir, e se baseou em fontes que podiam estar erradas, ou não totalmente certas. Portanto devemos admitir que sempre existirá uma possibilidade de que seus dados não sejam exatamente aqueles que citou.Más Flavio devia ter boas informações porque ele pertencia a uma linhagem de sacerdotes e reis judeus.

Flávio Josefo se baseou nas cartas de Menandro de Éfeso escritor grego do ano 300 A.C.

Na época de Menandro ainda existiam nos arquivos de Tiro cartas da época de Hiram e Salomão e conseqüentemente dados sobre os reis posteriores.

Sabemos que Jetbaal, também citado como, Ithoball ou, Ethball reinou em 891 ate 859 a.C. Jetball teve dois filhos bem conhecidos por nós,mas é de supor que tenha tido outros. Eram esses filhos famosos Badezir e Jezabel que casou com Achab rei de Israel de 875 a.C. a 853 A.C., nesse momento as casas reais de Tiro e Israel estavam unidas por esse casamento. Os dois reinados acabaram, em 853 a.C. Salmanasar III, rei da Assíria estava espremendo a Fenícia, Israel e Judá.

Quem assumiu o trono de Tiro foi Mattan que certamente era filho de Badezir reinando de 853 a 821 a.C. Nesse período houve uma série de assassinatos de reis de Israel, Jorão de Israel, Azias de Judá e Jezabel foram assassinados por Jehu que usurpou o trono de Israel.

Attalia, outra rainha de Judá foi assassinada. por Joiada em 837 A.C., que era sacerdote e entregou o trono a Joas de apenas 8 anos. Enquanto isso acontecia, o rei de Aradus, outra cidade fenícia, era derrotado em batalha campal por Salmanasar III, rei da Assíria.

Citei todos os fatos acima para que fique claro, qual era o contexto político e ético no qual Badezir estava inserido.Fica claro que Badezir estava enfronhado ate o pescoço com problemas do Oriente Médio e dificilmente deve ter sabido ou pensado algo a respeito do Brasil, e muito menos vindo para aqui.

Alguns anos depois outro rei de Tiro, Luli quis enfrentar também os assírios,foi cercado algumas vezes na ilha que era a cidade de Tiro mas finalmente teve que fugir as pressas para Chipre em 701 A.C.. Existe um relevo No palácio de Senaqueribe em Nínive que mostra a fuga de Luli. Luli era rei,e portanto Tiro continuava a ser um reino,e não uma república como a versão da Teosófica diz.

E é aqui que a historia nos interessa. Luli fugiu com sua corte para Chipre, são 200 km, ali com certeza lhe dariam abrigo.

Porque Badezir deposto iria viajar, no mínimo 8000 km para vir para o Brasil, sem conforto algum, numa terra completamente selvagem? Essa viagem seria uma loucura. Teria que ter passado por todo o Mediterrâneo, onde havia dezenas de bons lugares para ficar, chegado a Gibraltar costeado a África até o Senegal e então cruzar o Atlântico, atingindo a costa brasileira, seguir costeando ate chegar ao Rio de Janeiro. Uma viagem dessas seria possível e justificada para um grupo de comerciantes aventureiros, mas para uma comitiva de nobres seria um castigo indizível. Um navio fenício fazia 100 km por dia e então aportava em algum local. Considerando que sempre há contratempos, a viagem levaria uns três meses,mesmo que na travessia do atlântico obrigatoriamente navegassem, inclusive de noite.
Condições técnicas para uma viagem destas os fenícios tinham, marinheiros experientes e conhecimentos exaustivos de navegação, também. Com relação a barcos capazes de atravessar o Oceano, há muita coisa pouco divulgada com relação a tamanho, qualidade e tecnologia dos barcos antigos. Não se pode julgar a capacidade deles por parâmetros modernos. Em outro texto aprofundo este tema.

Que os fenícios possam ter estado no Brasil, é bem provável. Mas Badezir, com certeza não. Ele tinha problemas suficientes na Fenícia e que provavelmente o levou a morte. E se os fenícios andaram por aqui, com certeza conheceram e estiveram na Pedra da Gávea. Era comum eles fazerem santuários em cima de montanhas, mas sem grandes construções, as vezes sem nenhuma. Mas se estiveram por aqui não iam perder tempo fazendo esfinges ou monumentos, porque não era o objetivo deles.

E o pior é que o clima de fantasia e falta de seriedade contaminou o assunto Pedra da Gávea. A partir daí qualquer cientifico mesmo o mais ousado se afastou do assunto. Se algum objeto que se relacione com fenícios for achado na área a primeira coisa que vão pensar, e que é uma fraude, ainda que não seja.

Quer dizer que a Pedra da Gávea não tem mistério algum? Tem sim, e são vários.

Olhei, estive em frente e vi mais de 400 vezes a cara no paredão. É uma cara, mal feita, é tosca, mas é uma cara. Olhem-na bem, de baixo e de lado e do outro lado, e não apenas de frente. Queriam o que? que estivesse assinada?

E foi encaixada exatamente no lugar certo para complementar uma cabeça, que provavelmente era natural. E está na posição exata para ser iluminada pelo sol em qualquer época do ano, seu lado direito é muito mais definido que o esquerdo (Lado do nascente). Quem fez? Os tamoios provavelmente não. Mas eles chamavam a Pedra da Gávea de “cabeça enfeitada”, Metaracanga, que vem de Metara que era o botoque de enfeite usado no lábio inferior e Canga significa cabeça. Parece que também se referiam a Pedra da Gávea como ”cabeça de um deus“. Alguma coisa eles sabiam ou tinham ouvido.

E o portal? Também olhei, estive em frente e vi,mais de 400 vezes. Parece um portal, mas pode ser um nicho usado para oferendas e rituais, seja ele natural ou não. É quase certo que não há nenhum túnel atrás dele. Mas como sempre se pode estar enganado, deixemos alguma probabilidade em aberto.

E cabe levantar uma suspeita. Tanto a face quanto o portal podem ter sido inicio de obras inacabadas.O que viria ao encontro de outros fatos, tais como seria o caso de uma expedição fracassada ou abortada ou que não teve continuidade. Nota-se no desgaste da superfície da rocha que compõe a face,uma cor mais clara que o resto da montanha o que daria a entender que essa superfície não foi exposta a tanto tempo assim. Por outro lado os tamoios que aqui viviam não eram gente fácil de tratar e podem ter criado muitos problemas a quem quer que fosse fazer alguma coisa por aqui.

Mas às vezes as coisas, não são, mas parecem, e acabam sendo usadas como se fossem, o que cria um ponto de culto religioso.E o que quer dizer isso? Quer dizer que devemos primeiramente procurar semelhanças com locais próximos.

Caras monumentais na montanha com o mesmo tamanho temos em Ollantay tambo, Peru (Veja a cara de Tunupa). Portais no paredão da montanha temos vários no Peru. Mas o mais significativo e o de Hayu Marca em Puno ou o portal de Amaru Muru que é metade do tamanho do portal da Gávea (que pode ate ser natural, por desprendimento de um bloco)

E deixo uma pergunta mais. Tupã e Tunupa (deus supremo no Peru) poderiam ter a mesma origem fonética?

Ambos eram divindades associadas ao raio e trovão.E as caras e os portais tanto aqui como no Peru poderiam ter um mesmo simbolismo religioso? Contatos eventuais? Origem comum?

E como uma especulação muito improvável poderíamos deixar no ar a possibilidade de que, sim,os fenícios tenham iniciado um monumento na Pedra da Gávea, que não foi acabado. E de fato a montanha sugere um touro alado da Assíria, imagem usada no Oriente Médio para dar a idéia de grande poder. Mas isso vai contra toda a tradição deles, porque nunca fizeram um monumento desse tamanho na Fenícia. Seria um fato anômalo.

Porem sem escavações que nos possam dar utensílios para identificar qual foi a presença, e de quem, não podemos dizer muita coisa.

Arquiteto Carlos Perez Gomar
Agosto 2011

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Turquia: Encontramos a Arca de Noé

Publicado por luxcuritiba em outubro 31, 2011

04.05.2010 ]

(Clique na imagem para ampliar)

Uma equipe composta de arqueólogos de Hong Kong e do governo Turco procurava os restos da Arca de Noé no Monte Ararat, na Turquia oriental, conseguiram chegar dentro de uma grande estrutura de madeira a uma altitude de mais de 4.000 m acima do nível do mar. Composta de espécimes de madeira que foram datados de 4.800 anos de idade.

Funcionários do governo turco e do Ministério da Cultural,  altamente considerados, anunciaram a descoberta em conjunto com a equipe de exploração em Hong Kong. Eles planejavam apresentar um pedido para a estrutura de madeira seja incluída na Lista do Património Mundial da UNESCO.

Um acordo mútuo para reforçar a cooperação foi assinado e os membros da equipe de Hong Kong que foram reconhecidos como cidadãos de Honra da Província de Agri, na Turquia. Na conferência de imprensa em 25 de abril, Cônsul Geral da Turquia, Mehmet Sr. Raif Karaca, foi convidado para vir e apoiar as grandes conquistas da equipe de exploração no aspecto da pesquisa da Arca de Noé.

Informações gerais

Registro históricos contam que há mais de 2.000 anos A.C. a “Arca de Noé veio a repousar nas montanhas de Ararat após o Dilúvio. Os mesmos registros podem ser encontrados na Bíblia. Na região do local, a tradição foi transmitida através das gerações: “Há um barco antigo na montanha.

O tempo é impiedoso no inverno

O registro mais antigo da busca da Arca por um cientista ocidental foi o naturalista alemão Dr. Friedrich Parrot, que escalou o Monte Ararat em 1829. Embora ele não conseguiu encontrar provas substanciais para a prova, ele foi o precursor no campo – em 200 anos seguintes, muitos cientistas e exploradores foram dedicados à busca de um barco antigo, que corresponde a registros históricos. No entanto, o maior resultado da pesquisa no lado ocidental  em dois séculos, foi a recuperação de fragmentos de madeira na geleira a uma altitude de 4.000 m acima do monte Ararat. Do ponto de vista do objetivo científico, a descoberta de madeira no Monte Ararat é animador porque os cientistas afirmam que altitudes altas das montanhas teriam esgotados as árvores e nenhuma ocupação humana jamais foi encontrada em uma altitude acima de 3.000 metros. Os fragmentos de madeira foram descobertos no passado pode ter vindo da Arca.

A descoberta da estrutura de madeira

O Ministério Internacional da Arca de Noé realizou um grande avanço na pesquisa. A primeira equipe encontrou um local em uma altitude acima de 4.000 m, escavado a geleira, encontrou e aventurou-se no interior da estrutura de madeira. YUEN Man-Fai, um representante do ministério disse em conferência de imprensa, “A equipe de pesquisa e eu, pessoalmente, entramos em uma estrutura de madeira no alto da montanha. A estrutura é dividida em diferentes espaços. Acreditamos que a estrutura de madeira que entrou é a mesma estrutura registrada em relatos históricos e mesmo barco antigo indicado pelos moradores. “Membros da equipe entraram na estrutura de madeira e começaram a realizar estudos de campo, fazer medições e coletar amostras, com todo o processo filmado. Este é a primeira equipe na história que documentou visualmente o interior da estrutura de madeira na montanha.

Ahmet Ertugrul, o líder da equipe de pesquisa, foi o primeiro a obter informações sobre a localização e, em seguida, começou a busca. Ele explicou: “Eu consegui saber a localização secreta em junho de 2008. A fonte disse-me que esta é a Arca de Noé. Eu levei uma equipe para lá e a pesquisa em torno da região iniciou e encontraram uma estrutura de madeira. Eu tirei algumas fotos do interior da estrutura interior. Eu tenho trabalhado em estreita colaboração com o ministério há alguns anos, eu informei-os da descoberta”.

A pesquisa estendeu por quase dois anos. A etapa foi marcada por um dos membros da equipe, Panda Lee, que foi pioneiro em uma subida para testemunhar a existência de uma estrutura de madeira em uma altitude de 4.000 m. Ele também pesquisou a paisagem, preparando-se para outra pesquisa. Panda Lee disse: “Em outubro de 2008, subi a montanha com a equipe turca. A uma altitude de mais de 4.000 metros, eu vi uma estrutura construída com madeira tipo de riga. Cada prancha era de cerca de 8 centímetros de largura. Eu podia ver espigas, a prova da antiga construção anterior à utilização de pregos de metal.

Caminhamos cerca de 100 metros para outro local. Eu podia ver fragmentos quebrados de madeira embutidos em uma geleira, e cerca de 20 metros de comprimento. Eu examinei a paisagem e que a estrutura de madeira foi permanentemente coberta por gelo e rochas vulcânicas. Antes da minha expedição, a equipe turca tinha escavado o local para expor a estrutura”.

Após a confirmação da Panda, embora as atividades de busca foram interrompidas por tempo indeterminado por causa da situação tensa, a busca foi realizada incansavelmente durante um ano inteiro. Finalmente, em outubro de 2009, uma equipe de filmagem acompanhou a equipe de pesquisa para documentar a expedição. Seis membros da equipe de Hong Kong entrou na estrutura de madeira, com Fiona Leung uma única membro do sexo feminino.

Ela diz: “A expedição foi difícil. Ficamos alguns dias no acampamento na base a 2.800 metros acima do nível do mar, a fim de aclimatar. Todos nós sofremos vários sintomas da doença da altitude. O clima no Monte Ararat era imprevisível. A diferença de temperaturas do dia e da noite eram tão grandes com cerca de 30 graus Celsius em variação. À noite, as temperaturas caíam para menos 20 graus Celsios, nevagava. A última parte do percurso que conduz ao local era muito acidentada. Escalamos terrenos íngremes de 60 graus onde pode-se ver rochas de basaltos rolando sobre nós: o sol derretendo a neve provocava o desprendimento e elas rolavam. Alguns dos basaltos eram tão grandes como a nossa cabeça e poderia ter ferido gravemente se nos atingisse”.

Sete espaços revelados

A estrutura de madeira que foi descoberta pela equipe está quebrada, por isto, os membros da equipe entraram na estrutura através de várias aberturas. Até agora, a equipe descobriu sete espaços. Um dos membros da equipe, Yeung Wing-Cheung explica durante a conferência de imprensa.

1. Um dos espaços descobertos está congelado pelo gelo. Sob o gelo está a madeira, com vigas de madeira acima. Não é a construção da espiga na parede e é óbvio que é uma estrutura artificial.

2. O espaço testemunhado por Panda Lee é em forma de L. Este é o primeiro espaço descoberto. É em forma de L e suas características combinam bem com alguns espaços descobertos mais tarde, como a construção da espiga. Concluiu-se que ele foi originalmente uma sala em forma de caixa e está muito decomposto.

3. Este espaço é de mais de 5 metros de altura. Os membros da equipe tiveram de passar por uma abertura de trincas e saltar para entrar. Todas as paredes são de madeira e o espaço não é em forma de caixa. Estritamente falando, as paredes não são verticais, mas curvas e inclinado. A largura da porta pequena de um lado, das dimensões é de um metro de altura e meio de largura, provavelmente leva a um outro espaço, mas nossa equipe não arriscou mais devido à falta de oxigênio.

4. Esta sala é em forma de caixa, tendo uma dimensão de altura, largura e comprimento de mais de dois metros. Há uma viga de madeira com pregos de madeira de um lado da parede. Acredita-se que a corda que era utilizada nesses pregos era para manter os animais no local. No outro lado da parede, há prateleiras.

5. Um espaço muito pequeno túnel como liga dois espaços.

6. A poucas escadas de madeira foram encontradas no interior da estrutura, que aparentemente feita de madeira de logs. Nossa equipe escalou um e encontrou uma porta no teto e concluiu que a estrutura de madeira tem mais de um andar. Nós tentamos abri-lo, mas não conseguiu. Nós não queremos destruir a estrutura, vamos tentar novamente com equipamento adequado no futuro.

7. A equipe não entrou neste espaço. Eles viram somente e fotografaram uma pequena abertura acima. A altura e a largura são estimados em 5 metros e 12 metros respectivamente.”

Os peritos e funcionários do governo concordaram que a descoberta é de grande importância. À luz dos registros históricos, eles acreditam que a explicação mais provável é a Arca de Noé e posteriormente mais estudos científicos deverão ser realizados.

Sr. Gerrit Aalten, conhecido investigador holandês da Arca disse: “A importância desta descoberta é que, pela primeira vez na história da descoberta da Arca de Noé está bem documentado e mostrado à comunidade mundial.” Com mais de 30 anos de experiência na coleta de informações, o Sr. acredita que Aalten testemunha pormenorizadamente e agora o quebra-cabeça da Arca está completo, porque todos os mencionados detalhes significativos que correspondem exatamente se encontram surpreendente na montanha. Ele continuou: “Apenas alguns dos muitos detalhes que são correspondentes a este encontrar: … a altura que foi encontrada, o que é 4.000 metros acima do nível do mar”, outro detalhe é, o modo como a Arca está situado na montanha, que é: “inclinado”, … que tem uma aparência “avermelhada / aparência de madeira marrom” … o fim da Arca “é decadente e quebrado e tem um” buraco através do qual se pode entrar, … é mais parcialmente “embutido no gelo e restos de rocha”, … e que a Arca é “muito sólido e de alta qualidade”, … e escuro “, muito longa e retangular. Em conclusão, o Sr. Aalten disse,”há uma tremenda quantidade de evidências sólidas de que a estrutura encontrada no Monte Ararat, na Turquia oriental, é a lendária Arca de Noé”.

Um arqueólogo, o professor Oktay Belli disse: “A equipe de pesquisa tem feito a maior descoberta da história. Este achado é muito importante e o maior até agora. No Monte Ararat, assentamento humano nunca atingiu 3.500 m. O Monte Ararat é um lugar sagrado e tem ricos relatos históricos sobre a Arca de Noé na montanha. Muitas pessoas têm procurado na montanha a Arca Sagrada descoberta desta vez é a primeira pesquisa séria que a equipe encontrou uma estrutura de madeira sob o gelo.”

Dr. Ahmet Özbek, um geólogo turco explicou como o estado tem ajudado a preservar a estrutura para os anos milhares de pessoas sem deterioração ou petrificante. Ele disse que “Nos dias atuais, a linha permanente da neve no monte. Ararat é 3.900 metros. A estrutura de madeira foi encontrada mais de 4.000 metros. “A temperatura baixa e as condições ambientais dos depósitos de material vulcânico e a geleira ajudou a preservação. Ele também explicou que a proporção de peso do material da madeira foi capaz de transportar cargas de até 5 vezes o seu peso. Portanto, esta estrutura pode suportar o peso pesado sem quebrar em pedaços.

http://www.cafetorah.com/Encontrada–a-Arca-de-Noe-no-Monte-Ararat

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Pesquisadores podem ter localizado a cidade perdida de Atlântida

Publicado por luxcuritiba em março 16, 2011

14.03.2011 ]
Um time de pesquisadores americanos pode ter finalmente localizado a cidade perdida de Atlântida, metrópole legendária que sucumbiu a uma tsunami, há milhares de anos, na Espanha.

- É difícil entender que a tsunami tem o poder de varrer 100 Km de terra, mas é disso que estamos falando – disse o professor Richard Freund, da Universidade de Hartford, Connecticut, que liderou a pesquisa.

Para solucionar o mistério, a equipe usou uma foto de satélite de uma suspeita cidade submersa para encontrar a localização, ao norte de Cadiz, na Espanha. Lá, enterrada nos pântanos do Parque Doña Ana, eles acreditam ter mapeado o antigo domínio conhecido como Atlântida.

O time de arqueólogos e geólogos em 2009 e 2010 usou uma combinação de radar, mapeamento digital e tecnologia subaquática para pesquisar a localização. Primeiro, descobriram uma série de cidades memorial construídas à imagem de Atlântida.

- Os moradores que não pereceram na inundação pela tsunami foram para o interior e construíram novas cidades – disse Freund, que vai revelar a descoberta no novo canal da National Geographic chamado “Finding Atlantis”.

O filósofo grego Platão escreveu sobre a cidade há 2.600 anos, descrevendo-a como “uma ilha situada em frente ao estreito chamado de Pilares de Hércules”, como o Estreito de Gibraltar era conhecido na antiguidade. Com a descrição detalhada de Platão como mapa, as buscas foram direcionadas no Mediterrâneo e no Atlântico como melhores possibilidades de localização da cidade. O debate sobre se a cidade realmente existiu dura milhares de anos. Os diálogos de Platão de 360 A.C. são as únicas fontes históricas de informação sobre a cidade.

Especialistas planejam futuras escavações no local onde acreditam que Atlântida esteja localizada e nas cidades misteriosas da Espanha para estudar mais a fundo formações geológicas e artefatos.

http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2011/03/14/pesquisadores-podem-ter-localizado-cidade-perdida-de-atlantida-924005472.asp

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